quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vou contar-vos que a vida, às vezes,

é insuperável na arte de nos surpreender. Para o bem e para o mal, poucas coisas me têm fascinado mais que as coincidências e os improváveis da vida. Corria o dia 26 de Março quando recebi, de uma das minhas pessoas, um mail generoso, quentinho, doce e amigo. Vinha no assunto um coração e a informação de que se tratava de uma adenda a uma conversa que tínhamos tido dias antes, a matar saudades e, pelo menos no que toca a mim, a sedimentar certezas de que as pessoas da nossa vida nos podem, mesmo, chegar dos sítios mais estranhos. Sou moça dada a dúvidas frequentes e vivia, ao tempo, uma dessas que não nos dá grandes dores de cabeça, mas que não deixa por isso de marcar a sua presença. Custosa presença, que as dúvidas, mesmo as miúdas, consomem energias, tempo e serenidade. Somos muito diferentes e... depois... vendo melhor, somos até parecidas. Está ela, porém, uns sérios passos à minha frente na arte de contornar obstáculos e faria certamente com êxito mais evidente qualquer cadeira que desse pelo nome de Casting. Errou, ao que sei, uma vez, mas calha a todas. É, para muitas, no entanto, o pão nosso de cada dia e, para outras, a excepção que lhes atesta a regra. Dizia-me, e com isso não cometo inconfidências, que, apesar do que me tinha dito nos dias antes, as pessoas chegam à nossa vida por alguma razão. E dava-me tantas boas razões, vá, eram só três, mas eram mesmo boas, para aproveitar a chegada até de quem me pudesse semear as dúvidas. O timing não podia ter sido mais perfeito, mas os seus enormes préstimos duraram pouco, que em menos de nada se me revoltavam até as certezas, quanto mais as dúvidas. Ficou tudo do avesso. E, apesar disso, foi nos escombros que encontrei as melhores e as piores verdades. Só poucos e eu sabem o que foi aquele outro dia. Mau. Péssimo. Mais que mau e péssimo. E os outros. Como quem mora sete palmos acima do chão e, ainda assim, não vê claro, tem falta de ar. Ficou-me a vida escrita em forma de cagada em três actos. E eu que me orientasse. Durante anos fiz de anja, defendendo sempre que o que estava mal, o que havia sido mal entendido, o que havia sido dito impropriamente, as peças baralhadas, era tudo obra minha. Muito disto deixa dificuldades grandes em aceitar que às vezes não somos nós quem falha. Mas também deixa calo para quando se aceita. A custo. A muito, muito, muito custo. E das dúvidas, nem sinal. Recambiadas para o sótão das minhas prioridades, não me lembrava tão pouco delas. E assim passaram dias e semanas em que as esqueci. Quando, finalmente, em hora de inventário, as repesquei, olhei-as como quem encontra o brinquedo preferido mas sem o qual viveu quase toda a infância. Têm o seu papel. Mas já não pode ser o mesmo de quando não sabia que podia bem viver sem lhes prestar atenção. Tem sido por isso que me tenho mantido suficientemente calma para não me deixar levar por elas, como em decisão sensata de quem sabe que só quem mora no Convento sabe o que lá vai dentro. Não tenho, apesar disso, conseguido convencer mais ninguém de que não há em mim espaço sequer para essas dúvidas. E tenho ouvido, lido e decifrado a asneira sem tamanho que me prenunciam por esta falta de engenho. Caio, influenciável, uma ou outra vez, na tentação de me fingir na dúvida. Fecho os olhos e penso: tu estás na dúvida, pequena R., tu estás na dúvida, claro que tu estás na dúvida. Mas não estou. Não posso estar. Não mereço estar. Não quero estar. Preciso de acreditar que, ao menos nisto, um dia voltarei a poder não estar na dúvida. Porque isso é que é mesmo bom. Não carregar ses e mas às costas. E não é mau, nem pior para ti. É só diferente. Como me ensinou aquele mail de 26 de Março, com ou sem dúvida, restam-me algumas certezas: 1) há gajos porreiros! Mais que isso, impecáveis! Que nos merecem, que nos respeitam e que podem ser o nosso homem; 2) não é só porque são gajos porreiros que temos de achar que é por ali, principalmente quando o nosso coraçãozito diz que não está convencido...; 3) sobrevive-se feliz e contente sem eles e sem medo de se ficar sozinha. Gosto meeeeesmooo de ti. Muito. Mas não tenho dúvidas. E acho que ficas feliz por isso... agora que eu sou uma "tua pessoa"!

Gosto muito, muito, muito, muito, muito!



(Cada vez aprecio menos inaugurar o blog com um post em que me queixe, em que diga que não gosto, em que esteja triste. Começa assim a mudança que se quer em tudo. Luz contagia luz. Paz pede paz. Sorrisos fazem bem e são grátis. Amor anda por aí, nas ruas, mansamente convicto das suas horas. Há lá maneira melhor de ser feliz que apreciar as manhãs e conversar com os amigos, fazer um trabalho amado, corar com arreliações infantis e dormir o sono dos justos numa cama perfumada de jasmim e esperança?! Não. Hei-de dizer-vos do que não gosto, mas não posso esquecer-me de vos relembrar o muito mais de que gosto tanto. De acordar todos os dias para mais vinte e quatro horas de oportunidades, por exemplo!)

Dos pesadelos

Passámos a manhã a puxar muito pela cabeça para compor, substancialmente, uma coisa mesmo muito importante, de um tema particularmente sensível, com histórias absolutamente devastadoras. Acho que por volta das 11h da manhã teremos chegado a deitar fumo pelas orelhas, ali para os lados da Sé Velha. Quando, perto já da uma, acabámos, olhámos uns para os outros e, quase à sorte, decidimos quem ficava incumbido da tarefa de formatação. Eu e a minha companhia, posso garantir-vos, quase chorámos. Com lágrimas, mesmo. Vai começar tudo outra vez... ODEIO de morte questionários com milhentas sub categorias e adaptáveis a bases de dados. ODEIO. À minha mínima intervenção, aquela porcaria desformata-se toda. Sou uma rapariga das letras, dos textos corridos, das alegações sem espartilho. ODEIO cruzes e quadradinhos e pontinhos e alíneas de alíneas de alíneas de alíneas. ODEIO. ODEIO. ODEIO. Só me apetece fazer os números à mão, pá.

zzzzzzzzzzzzzzz

Que dia... Que sono... Há anos que não me lembro de ter um dia tão custoso de me manter alerta. P-e-l-a-s- a-l-m-i-n-h-a-s!

Poemário essencial

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos
Sacode as aves que te levam o olhar
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras
Porque eu cheguei e é tempo de me veres...
Sophia de Mello Breyner Andresen

É oficial


Tenho de me deitar mais cedo. Sou uma pequena R. zombie, neste momento. Ups... lá estava eu quase a cair de sono outra vez. Aaaaiii... 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ainda ao telefone

Mum: Olha, encontrei fulana, que trabalha em zpt e que esteve no congresso xyz.
Eu: Ah foi?! Ah. Está bem.
Mum: Disse que falaste muito bem.
Eu: Boa.
Mum: Eu disse que era tua mãe.
Eu: Mas ela não sabia?
Mum: Sabia. Mas, pronto, disse outra vez.

Ahahahahahah :)

Mum

Ser filha de professora primária é

receber convites para ir ao passeio do fim do ano e ao arraial dos finalistas. Ao passeio, acho mesmo que não dá. Ao arraial, em princípio, não falho. Vai ter flores de papel, caldo verde, sardinhas, jogos tradicionais, música no recreio e bailarico. Diz que também precisam que seja narrador no teatro... e que tire fotos... É uma alegria!

A-D-O-R-O!

Como é que eu ainda não tinha descoberto isto?! Adoro. Até trabalho com mais alento.

Wishlist

Hoje acordei com vontade de ir ao cinema. Muita vontade. Tanta vontade. Tanta, tanta que nem estaria com esquisitices com o filme. Era um. Numa sala grande, nos lugares distantes, ao centro, no escuro, com um ecrã mágico. 

Verdades e assim assim


Furtado no blog da Outra Maria.

Gosto de

terça-feira, 29 de maio de 2012

É assim

Mum: Tenho um presente para ti.
Eu: Um presente? Ooohhh... Porquê? O que é?
Mum: Porque não resisti. Achei que ias adorar.
Eu: Diz lá o que é...
Mum: Uns lençóis.
Eu: Uns lençóis?!
Mum: Sim... Uns lençóis em que a barra superior e as fronhas das almofadas contam a história do Capuchinho Vermelho.
Eu: Aaaiii... Adorei!!!

E pronto. É assim. Tão depressa compro lingeries sensuais como deliro com lençóis com a história do Capuchinho Vermelho estampada. Vá-se lá entender esta pessoa.

:)

Portanto... algo assim mais...
Digamos que... 
Percebi perfeitamente. Aguarde um momento.

E pronto. É perfeito.

O meu investimento em lingerie é inversamente proporcional à animação da minha vida amorosa. É uma coisa que acontece frequentemente e que nunca entendi muito bem. Acho que, na verdade, me guio mais pela necessidade de andar jolie do que propriamente pelo impacto que a coisa pode provocar. Não tenho a paranóia de achar que posso ter de ser levada para o hospital e estar com um soutien com um furo ou com umas cuecas com o elástico lasso, mas há alturas em que baixa em mim um espírito carecido de mimos no que concerne aos interiores. Não me tem dado para apostar em vestidos, nem em sapatos, nem em carteiras, nem em nada. Ando virada para os livros e para os interiores, o que é que se há-de fazer?!

Vícios de Verão



As minhas companhias perfeitas.

Pormenores

Depois de almoçar a olhar para o rio, percorro, em palração amena, a feira de artesanato e, mais abaixo, a do livro. Contemplo aquela parte da cidade, tantas vezes mal aproveitada por quem cá mora, e pergunto-me por que não levei computador. Bem que me saberia continuar a escrever ali, a tomar o sol e o vento na cara, no peito, nos braços, nas pernas, nos pés quase descalços. Inspiro e expiro longamente enquanto faço o caminho de volta ao carro e apercebo-me das coincidências com outras vezes em que também tive de o deixar lá tão ao fundo. Não me insurjo. Se querem saber, não me nada. Continuo o caminho, sacudindo pedrinhas miúdas que se esgueiram para as sandálias, e escolho pensar noutras coisas, organizar o resto do dia mentalmente. Entro no carro, descarrego os e-mails e faço uma lista de coisas para fazer fora de casa. Quando vou pagar o estacionamento, percebo que tenho uma nota de vinte euros e o cartão. Em moedas, tenho 44 cêntimos, como, aliás, tinha anunciado quando pedi à companhia do almoço que deixasse a gorjeta. Devo nada mais, nada menos, que oitenta cêntimos e não há trocos. Rebusco no carro, nos sítios onde às vezes esqueço moedas para os carrinhos do supermercado, mas nada. Pergunto a um senhor se troca uma nota de vinte em duas de dez, mas nada. Pergunto a outro. E a outro. E ainda a outro. E nada. Antes de seguir viagem, a pé, em busca dos 36 cêntimos em falta, pergunto ainda a mais uma pessoa. Um homem curvado, cansado, diria, com muitos papéis nas mãos e uma cor amarelada desconfortável. Que não tem. Agradeço. Sigo caminho quando me diz "Menina, quanto lhe falta?". E lá lhe digo. Mas que vou à Feira logo adiante e alguém me troca a nota. "Menina, por favor, deixe-me ajudá-la." Não é preciso, obrigada. Não me custa nada. É já ali. "Menina, deixe-me fazer isto, por favor. Se eu pedisse à menina, a menina faria?" E que sim. E então dá-me uma moeda. Cinquenta cêntimos. Estende-a na minha direcção. Que não, que não voltaremos a encontrar-nos, que muito obrigada, mas vou ali adiante. E o derradeiro "Menina, tenho de ir fazer umas análises, tenho de ir depressa. Não me peça que me demore mais. Por favor, aceite." E aceitei. E agradeci. Vou às flores. Um vaso de lata azul turquesa com dálias amarelas e sardinheiras vermelhas e rosa para a varanda. Escolhi, escolhi. Paguei. Saía com molhadas de flores nas mãos quando a ouço, com dois vasos de petúnias, "Menina, são para si. Gosto de ver gente assim nova como a menina a comprar flores." E aceitei. E agradeci. Fui comprar fruta. Alperces, pêssegos, laranjas e cerejas. Tinha pago certinho quando me põe no saco um quarto de pão escuro. "É uma novidade. Leve, para ver se gosta. Já não a via há tanto tempo... Passe mais vezes." E aceitei. E agradeci. Não, não me deram mais nada. Mas quando entrei novamente no carro, perguntei-me se os dias assim são suficientemente normais para que não deva temer o que está por acontecer. E achei disparatada a ideia. Gosto do mimo dos meus e das gentilezas de todos. Sou uma pessoa feliz com isso. Mudei o cd, pus a tocar a Mercedes e segui o meu caminho. Já plantei as flores, já provei o pão e já pedi que as análises dos senhor estivessem bem. É isso. Gosto destes dias cheios de pormenores. 

Pequenas grandes doses de felicidade

Hoje vou à Feira do Livro.
De hoje a duas semanas vou mesmo aos Santos.


E ser feliz aos bocadinhos é tãããooo bom. Os prazeres mais pequeninos, as coisas mais simples... tudo tãããooo bom.

Não sou eu que digo #5

Sempre achei extraordinário ler o que alguém tinha escrito e achar que aquilo era exatamente o que eu sentia, como é que era possível haver tanta coincidência de sentires, em 2 pessoas que não se conhecem, com experiências de vida tão completamente diferentes, às vezes até de géneros diferentes. Quando escrevo alguma coisa e vejo as reações que essas palavras causam, reparo que no fundo todos temos as mesmas ânsias, os mesmos desejos, as mesmas dúvidas, todos nós queremos ser felizes e amados, a todos nos assusta a solidão, o abandono ou o esquecimento.
Na rádio ouvi alguém dizer que a felicidade não é uma estação onde chegamos, mas uma maneira de viajar, e esta é uma daquelas coisas tão óbvias que ao ouvirmos ou lermos até nos magoa. Porque será que no fundo esperamos que um príncipe ou princesa cheguem montados num corcel branco e nos tragam a felicidade instantânea e sem limites? Não será mais lógico tentarmos ser felizes todos os dias da nossa vida, mesmo que não haja ninguém ao nosso lado a dar-nos a mão e a partilhar a nossa felicidade? E dizer que estamos sozinhos, não será, só por si, um absoluto disparate? Todos nós temos pessoas que gostam de nós, que querem o nosso bem, que partilham o nosso caminho, e que, mesmo que não sejam aquela pessoa, são as nossas pessoas, tão importantes como qualquer outra que venha a surgir. Por isso, sermos, ou tentarmos ser, todos os dias, felizes, deve ser o melhor a fazer por nós próprios...

Dele.

E levava-me ao altar #26

Verdades e assim assim

Manual para uma Vida Equilibrada  (a tentar cumprir)

Saúde:1. Bebe muita água;2. Come ao pequeno almoço como um rei, ao almoço como um príncipe e ao jantar como um pedinte;3. Come o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;4. Vive com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia;5. Arranja tempo para rezar;6. Joga mais jogos;7. Lê mais livros;8. Senta-te em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;9. Dorme 7 horas por noite;10. Faz caminhadas de 10-30 minutos por dia, e enquanto caminhas sorri.
Personalidade:11. Não compares a tua vida à dos outros. Não fazes ideia de como é a caminhada dos outros;12. Não tenhas pensamentos negativos ou coisas de que não tens controle;13. Não te excedas. Mantém-te nos teus limites;14. Não te tornes demasiado sério. Ninguém se torna;15. Não desperdices a tua energia preciosa em fofoquices;16. Sonha mais acordado;17. Inveja é uma perda de tempo. Já tens tudo o que necessitas....18. Esquece questões do passado. Não lembres o teu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a vossa felicidade presente;19. A vida é curta de mais para odiar alguém. Não odeies os outros;20. Faz as pazes com o teu passado para não estragares o teu presente;21. Ninguém comanda a tua felicidade a não ser tu;22. Tem consciência que a vida é uma escola e que estás nela para aprender. Problemas são apenas parte do curriculum que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra mas as lições que aprendes perduram uma vida inteira;23. Sorri e ri mais;24. Não necessitas de ganhar todas as discussões. Aceita a discordância;
Sociedade:25. Contacta a tua família amiúde;26. Dá algo de bom aos outros diariamente;27. Perdoa a todos por tudo;28. Passa tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;29. Tenta fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;30. Não te diz respeito o que os outros pensam de ti;31. O teu trabalho não tomará conta de ti quando estás doente. Os teus amigos fá-lo-ão. Mantém contacto com eles.
A Vida:32. Faz o que é correcto;33. Desfaz-te do que não é útil, bonito ou alegre;34. DEUS cura tudo;35. Por muito boa ou má que a situação seja.... Ela mudará...36. Não interessa como te sentes, levanta-te, arranja-te e aparece;37. O melhor ainda está para vir;38. Quando acordas vivo de manhã, agradece a DEUS pela graça.39. O seu interior está sempre feliz. Portanto, sê feliz.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Para ti


Tenho tantas saudades de não me hesitar o coração ao lembrar-te. Tenho tantas saudades de sentir uma certeza maior que eu, em ti. Tenho tantas saudades de me justificar as pressas com a paz que nos adivinhava. Tenho tantas saudades de acreditar, com todas as minhas forças, que sabia quem eras. Tenho tantas saudades dos melhores momentos em que existias. Não mora em mim a tristeza de muitos dias que passaram. Não. Não me acompanha a ansiedade dos tempos mais jovens em que não me bastava. Não. O que se passa, sabes, é que tenho alguma pena de ir crescendo sem ti. Tenho coisas novas para contar-te todos os dias. Posso esquecer-me de algumas. E, às vezes, têm piada. É isso. E tenho a certeza que dás xis  e agora apetecia-me um. É só isso. Mas faz o teu caminho. Eu continuo por aqui.

Das semanas. Das segundas feiras.






Já está!

domingo, 27 de maio de 2012

Recado

Às vezes, acontece-me. Mas desde o Verão que não acontecia com tamanho impacto. ESTE POST É PARA TI (SEJAS LÁ TU QUEM FORES).  Só não estou na Gralheira. Desta vez, manda o avião fazer piruetas nas nuvens de Coimbra. Estou-me a passar. Está o recado dado!

Das memórias



Nunca achei que se podia viver sem passado. Nunca me pareceu razoável negá-lo. Apesar das dores de crescimento que tantas vezes nos impõe, é ao passado que devemos muito do que somos hoje e o que viveremos amanhã. Além disso, não gosto de anular as coisas boas, de me calar as boas lembranças apenas porque um dia deixaram de poder ser mais que isso: lembranças. Parece-me uma opção infantil amuar e dizer que o sonho ceifado a meio nunca foi sonho. Foi, bolas. Correu mal, não se cumpriu inteiro, mas fez-nos felizes a dada altura. E, só por isso, vale a pena ter existido. É uma opção: ou permitimos que a má memória nos contamine ou nos desempoeiramos a aprendemos a apreciar, serenos, o que cada pessoa, história ou momento nos ofereceu um dia.

Ex futura sogra

A minha ex futura sogra mais querida de todas, aquela que continua a fazer-me bordados para o enxoval, embora só tenha namorado com o filho quando tínhamos uns cinco anos, hoje sentou-se, enternecida, a olhar para nós. Depois saiu-lhe, com a cabeça de lado e um sorriso cheio de mimo, a pergunta "O que fazem, meus amores?". Respondemos em uníssono "Tentamos encaixar as cores do cubo mágico que o P. ofereceu aos miúdos." Encheu-se de orgulho. Nós, de pena. Juristas e médicos não foram feitos para encaixar cubos mágicos. Há sempre uma puta de uma peça que não fica a condizer. Ainda dizem que é um jogo... Humpf. Viemos do sofá os dois enervadíssimos. 

Revisitação

No próximo fim de semana, começo o sábado bem pela fresca, de mala aviada e de caminho para uma conferência. A última deste ano, se pensarem que, para mim, os anos também são escolares e não só, ou tanto, civis. A minha vida não se compadece com grandes descansos em Dezembro, nem balanços, nem nada. O meu corpo acusa o cansaço extremo é nos meses do estio e dentro de pouco tempo entro em modo duas velocidades: devagar e devagarinho, sendo certo que, apesar disso, as tarefas se acumulam e têm de ser feitas. Se não fizesse anos em Dezembro e o Natal não fosse a minha época amada, diria mesmo que só conhecia o calendário escolar, desprezando sem remorsos o civil. Mas enfim, dizia eu que no próximo sábado hei-de botar faladura pela última vez este ano. Depois terei dois meses intragáveis, ocupados com exames para corrigir, provas orais para fazer e... pouco mais que isso (estou a ponderar ir aos Santos :)). Tempo muito mal gasto, diga-se. Chegarei ao destino num comboio madrugador e daqueles que me levam pelo caminho mais bonito para se fazer de comboio a seguir ao da costa este de Itália, de Veneza para Assis (dificilmente destronável, penso). Falarei, ouvirei, discutirei, aprenderei e... despedir-me-ei, em ânsias, com uma mala aviada com bem mais que livros, rumo a um fim de semana há muito desejado. Lá para os lados da Invicta, cidade a que não me rendo mas a que reconheço encantos que sobrem para me fazer feliz dois dias na companhia certa. Estou a precisar desta revisitação que se anuncia como de pão para a boca. Estou que pareço garota, a querer (re)viver tudo de uma assentada. Aiiii... Falta uma semana :)





Descoberto através da Miss Glittering. Tãããooo pequena R.

Poemário essencial


Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.

Maria do Rosário Pedreira

Modo Brasil

Da profissão

Na vida há pessoas que nos marcam em definitivo, mesmo que passem pela nossa vida, assim, ao de leve. Hoje, a meio da tarde, alguém disse um "até já", com palavras sentidas, verdadeiras, com a humildade que caracteriza esta jovem Senhora, que hoje, ao meio da tarde, disse um até já. Desde o primeiro momento que sinto empatia (que secretamente desejo que seja recíproca). Durante a conversa que teve com os presentes, hoje, ao meio da tarde, fui tomando algumas notas, pois sabia que, no fim, teria a possibilidade de também exprimir a minha gratidão por estes momentos ao longo de 7 meses. Na verdade, não o consegui, a voz embargada, a lágrima oprimida e até os aplausos não chegaram ao fim nas minhas mãos. A verdade das palavras, a humildade demonstrada, a sinceridade do olhar, desta Senhora, deixou vir à tona a minha timidez e calaram o meu agradecimento. Confesso que hoje não é fácil encontrar assim pessoas. Num mundo mais individualista que nunca, onde a soberba, a arrogância, o egoísmo, dominam. Obrigado pela atenção com que sempre nos tratou, de igual para igual, na base do mútuo respeito, com a humildade dos grandes e a maturidade que muitos jovens de 30 anos não têm.
C., 25 de Maio de 2012

Da disposição

Tenho cumprido medianamente o plano traçado para o fim de semana, conquistando porém cada tarefa cumprida... a pulso. Ele é febre, nariz entupido, preciso assoar-me a toda a hora,  ben-u-ron e brufen alternadamente, dores no corpo todo, olhos lacrimejantes, falta de ar durante a noite, tosse e vontade de não fazer nenhum. Tenho estado a fazer. Mesmo. Mas tem sido uma coisa tão custosa, pessoas... 

sábado, 26 de maio de 2012

Welcome sun



Não sou fã de sol. Não amo o Verão. E mi mi mi. Mas, se tem de ser, que seja em bom. A varanda cá de casa está, mais um ano, preparada para ser um sítio delicioso para as leituras do amanhecer ou do final do dia.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Da profissão

Bateram palmas.
Emocionei-me.
Disfarcei.
Não muito bem.

Wishlist... para o fim de semana!


E disposição para dobrar centenas de cartas. E sabedoria para continuar um artigo para acabar durante a próxima semana. E alegria para sair de manhã, ir à florista e comprar um manjerico. Daqui a nada chegam os santos populares e ainda não há sinais disso cá por casa... imperdoável. E serenidade. Paz.

Ódio de estimação XXIV

Collants que escorregam pelas pernas abaixo.

Chego ao destino e a primeira coisa que tenho de fazer é ir a uma casa de banho puxar os collants para cima*. A alternativa é levantar a saia onde estiver e com quem estiver e fazer exactamente isso (não é mais nada... é só puxar os collants para cima). 


* Sim, ontem foi isto que aconteceu, pessoa.

De rir


Foi de rir. Foi mesmo de rir. Foi uma noite bem gira, pois foi. Um TAGV lotado aplaudiu de pé.  Gostámos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012



Dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. Com uma diferença. Há uma ou duas coisas de que me arrependo. Ou porque as fiz, ou porque as evitei. No resto, porém, dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. Percebo-lhes, e neles a mim, o deserto que perdura. Há-de haver outras razões, mas o cansaço... e a ruga, a funda, a doída ruga, ajudam bem melhor a saber porquê. É que eles dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. 

Aroma de mim


Ultimamente, quase sempre que entrego um documento a alguém, ouço, do lado de lá, que o papel cheira a mim. Espanto-me, até porque, como devem imaginar, não ando a borrifar resmas de papel com o meu perfume, nem tão pouco me esfrego nelas para que fiquem com o meu aroma. Voltou ontem a acontecer. Dei-lhe o papel e o melhor melhor amigo sai-se com a pérola "Cheira a ti, pequena!". Oi?! Pois... ao que parece, não sei como, agora dei em deixar nos escritos uma marca olfactiva. O perfume não mudou (há anos que é o mesmo), a maneira como o uso não mudou (é raríssimo usá-lo directamente nos pulsos, que seriam a parte de mim mais em contacto com o papel), o tempo que dedico aos papéis tem sido cada vez menos... não faço ideia de onde apareceu a moda, mas a verdade é que, ao que parece, tenho um cheiro característico e o que entrego às pessoas, depois de me ter passado pelas mãos, vai com esse aroma atrás. Diz que é bom, que se lembram de mim. Eu acho que quando chegar à fase de chumbar pessoas em exames, o meu Balenciaga Paris será o mais odiado dos aromas. É um suponhamos. Vamos a ver.

Amiga é

aquela que sente pontadas no estômago enquanto ouve o relato da amiga e este inclui uma pessoa em quem ainda não confia, que ainda não acha a certa, que lhe dá ares de ser pouco pura, que não tem santo que se cruze bem com o seu, que lhe parece não jogar com o baralho todo.

Da profissão



Acabo as aulas amanhã. Este ano foi estranho. Muito estranho. Estive, pela primeira vez, exclusivamente na "minha área" e a verdade é que há muito, muito tempo que não me sentia tão "peixe fora de água". Quando, aos 22 anos, escolhi um caminho, estava tão longe de imaginar o que aconteceria depois dessa escolha. Como sempre, deixei-me levar pelo coração. Não hesitei. Decidi e decidi-me. Pouco tempo depois, um ano, mais ou menos, recebi um convite profissional que me mudou para sempre, a mim e às minhas escolhas. A minha área deixou, há muito, de ser "a minha área". Com algum jeito e paciência, tenho, com relativo sucesso, provado, no entanto, que é possível ter dois amores profissionais, que me interesso por coisas transversais, que é de um apoucamento tacanho espartilhar estes assuntos. Não posso, porém, evitar este sentimento parvo de ter desejado tantooo esta mudança e agora achar que sou tão mais moça do que a vida me ofereceu do que propriamente do que escolhi para mim. Sabemos tão pouco do que o futuro nos reserva, meus caros, tão pouco. E pronto, vamos entrar em dois meses loucos, muito loucos. E para o ano sentir-me-ei mais menina de crime que de família. Espero. Ou fifty fifty, que já não era mau.

Das decisões. Dos tribunais. Do valor de uma sentença.

O estado português foi condenado a pagar quinze mil euros de indemnização a Baltazar Nunes, pai de Esmeralda, pelo atraso na execução da decisão de entrega da menor ao pai. Nada mais, nada menos que quatro anos e cinco meses. Não conheço todos os pormenores do processo, mas conheço alguns e, ainda que não conhecesse, este post faria sentido na minha cabeça. A verdade é que não quero particularizar a questão. Quero apenas aventá-la, dando exemplos concretos que facilitem a compreensão do mau odioso fenómeno do desrespeito pela decisão judicial. Parece-me que a desconsideração pela decisão judicial legítima e não sindicada é o primeiro passo para a descrença na justiça em geral. O valor da segurança jurídica é deitado por terra quando falar o tribunal ou chiar um carro valem a mesma coisa. E o cidadão, mesmo o cidadão condenado, não pode aceitar isto de ânimo leve, pacificamente. O último reduto de ordem está na definição do que tem de cumprir-se. A anarquia, tantas vezes confundida com a liberdade, traduz uma ausência de regras de vivência comunitária absolutamente essenciais para a manutenção da paz social. Há decisões com que não concordamos?! Pois muito bem... mobilizemos os recursos às instâncias competentes para defender a nossa posição. O que não pode aceitar-se é a solução de fazer orelhas moucas ao que nos é dito pelo poder judicial. Estamos descrentes no poder executivo, afundamo-nos em iniciativas bacocas do poder legislativo. Vamos aceitar que ao poder judicial se reserve o pantanoso lugar de mera figura decorativa?! Pergunto: em quanto poderá vir o estado português um dia a ser condenado por não fazer cumprir a decisão condenatória de Isaltino Morais, que lhe aplica pena de prisão efectiva?! Em quanto deveria o estado português ser condenado por compactuar com o lamacento processo Casa Pia, em vias de expiação do mal do crime pela lei do mais forte?! O direito, a justiça, não devem servir como forma de erguer parangonas de moralidade pública, como sacrifício exemplar de uns para educação dos demais. Nunca defendi isso, não é agora que vou passar a fazê-lo. Mas não pode, por outra banda, apequenar-se na law in the books, fazendo tábua rasa das vantagens da boa law in action. Por motivos que não vêm ao caso, mas que se prendem com o que comecei por dizer, acho que a indemnização peca por defeito. Temo, seriamente, que o inexpressivo montante não seja suficiente para despertar as consciências para esta evidência: o juiz não decide por capricho. O juiz decide com base em factos. Se a verdade do julgamento é igual à verdade real? Muitas vezes, não. Mas a alternativa está em negar, de uma vez para sempre, a noção de estado como a concebemos actualmente e regressar ao justiceiro "olho por olho, dente por dente", às divisões salomónicas, às purgas enraivecidas que legitimam a pena de morte, a mutilação, a prisão perpétua. Estão no vosso direito. É isso que querem?! Muito bem. Avisem-me só com tempo suficiente para que faça as malas. Não é nesse sítio que quero viver.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Gosto de

Doente

Dói-me tanto a garganta. Tanto. Custa-me engolir a saliva. Tenho tosse. Dói-me a cabeça. E o ouvido direito. E o corpo. 

Sweet






Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

Charles Chaplin

Das certezas

Tenho poucas. Tão poucas que não chegam a ser as mesmas à noite e pela manhã. Não devem ser certezas. São demasiado errantes para que não lhes chame dúvidas. A bem da verdade, talvez não tenha certezas para lá mim. Preferia ter uma ou outra que me permitissem agarrar-me a elas como bóias. Não tenho. Sei aldrabadamente o que quero, mas sou desconcertante no momento de sentir o que não quero. E às tantas... baralho o que quero e o que não quero. Penso demais, dizem-me alguns. Seja. Sou ser pensante, bolas. Sinto, ainda assim, bem mais. Sou muito ser sensação. E há madrugadas em que sinto tudo tão diferente do que senti na véspera, que tenho vindo a perguntar-me se durante a noite não me reinvento, não me refaço, não me mudam os sítios à razão e ao coração. Sei que gosto de estar genuinamente feliz. E que isso, por mais que se confunda, não é o mesmo que estar só contente. Acho que é por aí. Talvez investigando isso encontre uma certeza. Ou não. Que, como no resto, prefiro ter a esperança de estar tão enganada que a vida ainda me há-de provar que não tenho de me abalar em buscas, apenas serenar-me para não atrapalhar os encontros.

Tic tac



A pedido da minha Nê, princesa que no próximo mês se despede do Jardim, a caminho da escola onde se aprende a ler, a escrever e a gostar de saber todos os dias mais um bocadinho. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

ah ah ah

\

Se há coisa de que eu gosto é de humor, da capacidade de uma pessoa rir dela própria. Talvez por isso, não me revendo em nenhuma das alegadas características das mulheres ali mencionadas, acho, ainda assim, isto uma coisa deliciosa.

Dos blogs

É por posts como este que gosto tanto da Miss Glittering. Não sei quem é, nunca a vi, nunca comentei no blog, nada. Mas venho quase sempre tão mais bem disposta depois de por lá passar que o Às nove no meu blogue é um dos meus cantos preferidos da blogosfera.

O tilt

Não sei onde, mas as pessoínhas que estão neste momento a concluir  a parte curricular do mestrado e em fase de escolha de orientador leram que dou rebuçados a quem oriento, só pode. Ou isso, ou ovos kinder. É que é todos os dias, mais do que uma vez por dia. Já tenho medo de abrir o mail. A cada nova vez... nova alminha aflita e a conversa do costume e tréu téu téu pardais ao ninho do tema que tem tantas afinidades com o que investigo e da amiga da prima da vizinha da tia que disse que eu tinha escrito não sei o quê e que estão tão disponíveis para que nos encontremos e tumbas... o pedido. Sou má, pessoas. Sou muito má. Digo-vos a bibliografia toda baralhada, não vos leio as teses e nas defesas falo mal de vocês ao arguente. A sério, não me queiram a orientar-vos. Sou reles, mesmo. E um bocado burra, até. Esqueçam-se de mim, pelas almas. M-E-D-O. Cheira-me que vai ser um ano em regime non-stop.

Cabeça em água

O dia está a render, é verdade. Mas estou com a cabeça em água. E ainda não vou sequer a meio dos pendentes.

Já está!


Talvez venha a arrepender-me, mas decidi ouvir a voz que me anuncia que um sofá branco é como manteiga em nariz de cão. Fiquei-me pelo bege mais clarinho de todos. É dizerem se apreciam, já agora, está bem?! 

Pequena R. comenta com o leitor

Gostava de encomendar o meu sofá do Ikea. Gostava de aproveitar aquela cena do transporte gratuito. Gostava. Tenho tentado. Talvez por muitas pessoas terem pensado no mesmo que eu, não sei, mas ultimamente as únicas disponibilidades que têm são para padrões manhosos às flores, cores extravagantes ou poltronas pouco amigas de sestas. Só queria um sofá básico, normalzinho, branco, de preferência, mas também pode ser bege ou azul escuro ou... e pronto... lá tinha eu de mudar a decoração (mas era o pretexto mais melhor para isso) cor de rosinha. E de três lugares. Não é pedir muito. Pago na hora. Não reclamo. Gostava até de apalavrar também a montagem. Dou-vos este que aqui tenho. Ofereço-vos um chá, também. Dá para anunciarem sofás de jeito disponíveis?! Dá?! 

Unexpected

E pronto. Acabo de receber um mail tão gentilmente escrito, tão "Conte-me lá da sua opinião que eu quero tanto saber dela", tão sem peneiras, tão "Ai é para trabalhar, não há problema nenhum e até já analisei tudo o que me mandou e nem cuspi fogo com tanto papel para ler", tão "concordo tanto consigo, mas que boa ideia, mas que eficiência", tão sensato, que estou ainda a segurar o queixo. É. Ainda nem a boca consegui fechar. Impõe-se a pergunta: Por que cargas de água insistem as pessoas na infeliz ideia de que para serem respeitadas têm de comportar-se como estafermos?! Olha, pessoa, estou um bocadinho tua fã outra vez, sim?!

;)

Intratável

Sei ser intratável. Pior. Sei ser muito mais intratável do que é possível imaginarem-me como intratável. Operam este milagre as pessoas que me ligam para anunciar créditos, aspiradores,  cadeiras de massagens, esfregonas que limpam sozinhas e raladores que levam os legumes para a mesa e os metem na boca das crianças com birra. É. Estas pessoas têm a ingrata tarefa de terem de lidar comigo. E eu não lhes gabo ou invejo a sorte. Que é má. Péssima, até. Acabo de ser muito intratável com uma menina que falava a correr e sem respirar entre as palavras ou sequer entre as frases. Mas estava a pedi-las. Liguei para activar um mísero cartão de débito. Concedo, compreensivelmente, tive de lhe dar todos os meus dados pessoais, com rara fortuna tendo apenas conseguido furtar-me a revelar-lhe a copa de soutien e o padrão das cuecas. Mas depois achou que podia passar o resto da tarde, sob o pretexto de aguardarmos a activação, a falar-me de contas e spreads e juros e cenas. Bem achou ela, bem se enganou, digo-vos eu. Saltou-me a tampa e perguntei-lhe se a esfrega estava para demorar ou se já podíamos ir ambas as duas fazer coisas úteis pela nossa vida. Emudeceu. Confirmou a activação. Disse obrigada e desliguei. Sou uma cabra, eu sei. Têm de ganhar a vida. Mas cansam-me a beleza.

Gosto tanto, tanto, tanto!






É da chloé. É caríssimo. Mas é tão romântico, tão simples, tão leve, tão.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Das homenagens. Das palavras.

Hoje pedi que escrevessem um texto de homenagem a uma pessoa que também eu não me importaria de homenagear. É um privilégio tão grande conhecer fazedores de coisas inesquecíveis.

Adoro esta!

Gosto tanto...


A banda sonora desta noite fresquinha conta com esta senhora.

Ainda dos clics

Já vos aconteceu conhecerem alguém a quem reconhecem todas as qualidades para ser a pessoa, mas todas e... não ser?! Não... dar?! Não vos suarem as mãos, não vos doer a barriga, não se vos acelerar o ritmo cardíaco?! Chamem-lhe clic físico, chamem-lhe xyz, chamem-lhe australopitecus amurosus, chamem-lhe o que quiserem. É uma cena... que tem de assistir às pessoas para que a coisa se dê. E que às vezes, inexplicavelmente, não assiste.

Dos clics


Há os que nunca chegam. E há os que partem para sempre. Às vezes, porque sim. Às vezes, porque precisamos de andar para a frente.

E é sempre assim

Pelo menos uma vez por ano, terei, até ao dia, que os ouvir dissertar sobre como fomos feitos um para outro. Não fomos. Já estudei a hipótese a fundo. Já a vivi mais do que intensamente. Já fomos tudo o que podíamos ser. Tudo. Fomos felizes. Fui. Mas não me chega ser o que fui com ele. E ambos sabemos disso. Tão bem que nós sabemos. Não posso dizer-lhes, porém, que já fomos tudo o que podíamos ser. Continuam todos absolutamente rendidos ao que imaginam que um dia seremos. Não vai acontecer.

domingo, 20 de maio de 2012

ACA

DÉMICA!!!

A-CA-DÉ-MI-CA!!!

ACADÉMICA!!!

E lá ganhámos :)


P.S. Não sinto nem pernas, nem costas. A meio da tarde estava a lavar louça e tinha o N., em simultâneo, a fazer-me massagens...

Só mais uma coisinha, um desejo para o dia de hoje, uma cena importante...


BRIOOOOOOOOOOOOOOOSA!!!

...

Adeus mantas estendidas no jardim para a conversa.
Adeus miúdos a jogarem à bola na relva.

Work in progress #2


O meu, hoje, era que parasse de chover...

E levava-me ao altar #25

sábado, 19 de maio de 2012

Pois...

Em vésperas de receber em casa um tantão de gente, aparece-me um herpes. Fantástico. A minha própria mãe está fartinha de construir teses sobre o fenómeno. Imaginem o que poderá fazer o resto da malta.

Entretanto

Há foguetes. E galinhas. E medo, portanto.

Work in progress

Depois de uma mousse de lima, um bolo beijinho, uma tarte de côco, uma mousse de chocolate, um gelado, um cheesecake, uma queijada e uma panacota, vou pôr a mesa para umas dezenas de pessoas. Bem sei... Amanhã à noite não sentirei as pernas. Durante a próxima semana andarei a botijas de água quente nas costas. A velhice é tramada. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Foi um mimo. Chegou por mail. É tão bonita.



Às vezes sentava-se na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.


 Clarice Lispector

Verdades e assim assim

Tic tac

O que sou eu para ti?!

Uma linda marota :)

By Kique, 3 anos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Das pessoas virtuais às pessoas reais

Sempre fui um tanto céptica relativamente aos benefícios do mundo virtual para acreditar que, desse, transportaria para o meu, real, pessoas que passariam a ser muito minhas. É sabida a minha resistência a entrar no mundo facebookiano e a falta de atenção que devoto àquilo. Raramente me dispus a sinalizar-me com verde nas conversas de chat do e-mail. Ontem percebi que já me tinha esquecido que um dia tive uma coisa chamada msn (notem o quanto lhe ligava). Fiz um curso superior já no século XX e mantive-me durante os cinco anos que durou sem qualquer computador atrelado a mim. Havia um computador em casa dos meus pais, mas raramente o usava. Cultivo o mais que posso as conversas olho no olho em detrimento de qualquer moda mais moderna de ligar câmaras e falar por skypes ou coisas dessas. Nunca, na sequência disto, entrei num dos muitos chats de relacionamentos que por aí há, fosse para conhecer gente ou ver só como funcionava aquilo. Mas não sou bota de elástico. Acho que não sou. Tenho dois amigos casados há dez anos e que se conheceram pela internet, em pesquisas comuns sobre uma cidade para onde pretendiam ir estudar. Tenho outra amiga que diz ter encontrado o amor da vida uma vez que estava a ver fotografias de uma festa de uma colega no computador e bateu os olhos num homem que jurou viria a ser seu. É. Há 12 anos. Tenho um blog. Já me apaixonei por uma pessoa que conheci porque também tinha um blog. Tenho algumas minhas novas pessoas conquistadas primeiro por aqui. Portanto, eu não posso dizer-me desconfiada relativamente a isto. Mas. Pois, como numa série de outras coisas, também nesta o meu discurso tem um mas. Não é o mas moralista que a primeira frase podia anunciar. Não. É um mas bem mais comezinho, um mas que se baseia numa coisa muito simples: por aqui, sabemos do outro que existe e, gostando do que nos diz e de como nos faz sentir, mais umas coisas a seu respeito. Em princípio, não fazemos confidências a alguém que nunca vimos e não acalentamos por gente que pode, até prova em contrário, ser um personagem, muito mais do que, quando muito, paixonites agudas que são boas para despertar os sentidos, mas pouco mais. (Certo, concedo, já me aconteceu essa troca de confidências duas vezes com pessoas que nunca tinha visto, mas a verdade é que essas pessoas também tinham um blog e, apesar de tudo, estou com quem diz que é muito difícil manter um personagem por anos a fio, pelo que os blogs, sobretudo estes assim, como o meu e o dessas pessoas, inevitavelmente, têm muito do que somos.) Pelos blogs, acho eu, sinceramente, cria-se uma espécie de laços. Há pessoas que nos acompanham durante demasiado tempo para que possamos ignorar que já sabem muito de nós. Há uma cumplicidade, até, que se escora nos comentários, no conforto de saber que há quem nos apoie e torça por nós em momentos difíceis, quase sempre sem cobrar-nos mais explicações que as que damos, e em sabermos que ficam felizes, contentes, vá, quando uma coisa nos corre bem. É talvez por isso que gosto tanto de ter um blog. É muito por isso que me assusta, como há pouco tempo disse, a ideia de muita gente a seguir-me. Gosto de ir controlando as minhas pessoas blogosféricas com algum desvelo, absolutamente incompatível  com a massificação dos seguidores. Mas isto são os blogs. Ninguém me tira da ideia, até que me prove com factos, que podemos crescer em pessoas, ganhar amigos, conhecer amores, o que seja, por esta via, se, naturalmente, a isso se seguirem os passos todos normais, consequentes e serenos, que compõem as relações que valem a pena. O blog não passa, pois, da esquina da vida em que nos esbarrámos, não tendo de acarretar com a enorme responsabilidade de ser o palco inteiro da história. Mas, dizia eu. Ora, mas isto já não pode acontecer assim quando se conhece alguém de quem não se sabe nada e se pulam etapas, se marcam encontros da primeira vez que se falam, sem se saberem nomes reais, sequer, ou, sabendo-se, quando isso serviu apenas para se vasculharem bocados da vida no livro das caras. Tenho medo dessas aventuras. Não me imagino a vivê-las. Nem pela adrenalina. A sério. Posso sempre dedicar-me a outras coisas em busca dessa necessária adrenalina, sei lá. Há gente doida, neste mundo. Há mentes com muitos problemas, pessoas. A minha limitação genética para estas andanças já se percebe bem pela incapacidade que mostro nos dates, mas se sou assim em dates (Até parece que passo a vida nisso... mas não passo, mesmo. Sobram-me vários dedos de uma mão se me puser a contá-los!) com pessoas que têm amigos em comum comigo, de quem já ouvi falar ou que, pelo menos, acompanho há meses pela escrita, não quero imaginar o camadão de nervos (ou não... que eu sou estranha) em que mergulharia se me desse para ir encontrar uma alminha de quem sabia apenas o nick do chat onde nos falámos uma única vez... e tumbas, vai de marcar encontro! Chamem-me medricas. Deve ser isso. Mas não concebo, pronto!

:)))))

Dia da espiga




Se estivesse em casa dos meus pais, provavelmente, hoje daria um passeio a pé com a minha mãe para apanhar a espiga. Um ramo composto de flores, galhos de árvores e uma espiga e que deve ser mantido, a secar, atrás da porta, até ser substituído no ano seguinte. Reza a lenda que, aquando das trovoadas mais fortes, se queimarmos um pouco da espiga, esse é o melhor pára-raios que podemos ter. Não gosto de trovoada. Em compensação, seja por dar sorte, afastar os raios ou simplesmente por ser composto de coisas bonitas, gosto do ramo da espiga: uma espiga (pão), um malmequer (riqueza), uma papoila (símbolo do amor e da vida), um ramo de oliveira (paz), videira (alegria) e alecrim (saúde).

So perfect!


No TAGV, a renascer das cinzas e novamente com uma agenda cultural apreciável!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

É o destino

Atendendo a que tenho mesmo de acabar estas coisas hoje e a minha capacidade de concentração decidiu falecer, estava eu para aqui a pensar "Ai pequena R. que vais passar uma noite tão animada a trabalhar por teres passado um dia em que rendeste tão pouco, cachopa. É triste, bem sei, mas tens de ser forte e aguentar-te. És crescida. Nada de chorar.". Cabisbaixa, atirei-me ao trabalho com ganas de o acabar, mas sem ver o seu fim próximo. Toca o telefone. Diz que vou à música máilogo. E pronto, se isto não é destino, não sei o que será. Estava escrito que aos 16 dias do mês de Maio do ano da graça de 2012 iria produzir tanto como uma pedra da calçada. Sendo assim... a ver se pela noite dentro me penitencio.

Aaaaaiiiiiii...

que dificuldade em concentrar-me, oh caracinhas!

As provocações

Linda, podes ficar com os miúdos amanhã à noite por um bocado?! Podes trazer companhia...

Já lhe chamei meia dúzia de nomes e pronto, acho que tão cedo não repete a gracinha. Mas sim, fico-lhe com os miúdos.

Verdades e assim assim

Tinha pensado montar hoje a rede na varanda. Amanhã as temperaturas descem dez graus. Podia estar triste. Não estou.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Nossa Senhora da Tainada

Domingo há festa em casa dos meus pais. Moram numa aldeia e fazemos por manter algumas das boas tradições dessas terras mais pequenas em que as festas são religiosas e profanas em peculiar equilíbrio de forças, em que há procissão com banda filarmónica, mas também grupos de baile a actuar nas noites de sexta e sábado. Vêm emigrantes e há fitas com flores em papel presas a árvores e postes de electricidade. Em casa dos meus pais, há azáfama na cozinha e um gentio alegre durante o dia de domingo. Há mesa corrida e bancos de madeira. Há pão quente, comidas de forno de lenha, sobremesas, louça fora dos armários, muitos copos e talheres, torneios de matraquilhos e ping pong, rebeldes que se penduram da tabela de basket para desespero da minha mãe, mantas estendidas para sestas no jardim e espreguiçadeiras juntas a cadeiras para que as pessoas passem a tarde a deitar conversa fora. Há flores desfolhadas para enfeitar a rua e histórias repetidas e novas da minha avó. Desde há anos que acrescentei pessoas a esta festa, a esta reunião de amigos e gente do coração. Não vão só os amigos dos meus pais, cujos filhos são meus amigos desde que nascemos. Vão também os meus amigos, aqueles que a vida adulta me apresentou e de que não mais prescindi nos momentos de ser feliz. Da primeira vez, lembro-me como se fosse hoje, o meu pai entrou em stress e andou uma semana a protestar que não tinha paciência para engravatadinhos com mania (movo-me num mundo em que é difícil acreditar que há gente normalzinha!). Prometi-lhe que as minhas pessoas eram sujeitas a rigorosos critérios de selecção e que mais apertados ainda eram os critérios para escolher aquelas que lhes apresentaria. Ninguém desiludiu ninguém e dá gosto ver que os meus amigos e os meus pais e os amigos dos meus pais convivem em amena cavaqueira pelo menos uma vez por ano. Em resposta ao meu pedido de confirmação para domingo, recebi, de uma das minhas pessoas, este mail. É delicioso.


R.
 
bem sabes que para o clã xxxxx a festa de zzzzz equivale às corridas de cavalos de Ascot em Inglaterra.
 
Para nós é como a abertura da Saison, o equivalente ao primeiro de Maio para os sapatos brancos.
 
É, ao fim e ao cabo, o anúncio de que está aí a Primavera e o bom tempo e a confirmação de que os bons amigos também se conhecem à mesa e à conversa em casa de outros amigos.
 
Conta com os três de wwwww!
 
Beijos ao clã yyyyy.
 
P.

Quem vier a seguir

que arrume a casa!


É de uma tremenda injustiça quando somos obrigados a pagar a factura dos estragos provocados por outra pessoa. Mas não deixa de ser igualmente profundamente injusto e criticável quando fazemos uma pessoa pagar a factura dos estragos que outra provocou em nós. Não sei o que é pior. Se ser a pessoa que vem a seguir, se ser a alma estragada de quem se abeira novo incauto. São tudo posições ingratas, parece-me. Sempre que cheguei a seguir e fui forçada a saltar barreiras, apanhar cacos, varrer folhas secas e arejar a vida escura do outro, do alto da minha indignação, consegui, sem grandes remorsos, gritar que se dane, que se reerga, bolas, que eu não tenho culpa nenhuma, como credora insatisfeita do que a ternura inicial me promete e a descoberta do dia a seguir ao outro dia nega. E a verdade é que quem vem a seguir não tem mesmo culpa de ter chegado demasiado tarde para lhe evitar os estragos provocados por quem se apressou na corrida e afinal não quis trilhar aquele caminho até ao fim. Quem vem a seguir também chega cansado, ora essa, também traz bagagem, também tem feridas. Pode, portanto, passar-se da marmita de vez em quando sem que, com isso, esteja simplesmente a dar sinais de pretender desistir. Só se cansa, a tempos, de remar contra a maré, de quase ter de pedir desculpa por ter aparecido e gostar de tentar saber o que pode sair dali. Quem vem a seguir também é gente. Não é personagem isenta de falhas. Mas se isto é mau, se isto é posição geradora angústias e sentimentos extremos de impotência, ser sensato e perceber que estamos a fazer pagar o desgraçado que chegou a seguir pelos erros do que nos partiu o coração, momentos antes, em mil pedacinhos, não é coisa que nos deixe mais apaziguados. Vivemos, neste caso, numa luta interior duríssima, entre o que gostávamos de fazer e o que conseguimos fazer, entre o queríamos dizer e o que conseguimos verbalizar, entre os passos que desesperamos por dar e a gigante mão invisível que nos impede de sair do sítio. Bem sabemos que exigimos agora de quem faz por nos merecer muito mais do que algum dia pudemos ser capazes de imaginar reclamar de uma pessoa. Tornamo-nos extremistas, exigentes, demasiado exigentes, intransigentes, incapazes de relevar uma falha, com sérias limitações para a tarefa da relativização. Apostamo-nos em ser fiéis de uma balança a que se ascende apenas pelo tudo ou nada. Fechamo-nos numa concha demasiado dura e fazemos um finca pé esquisito, quase autista, às demandas do mundo. Lamentamo-nos. Somos humanos, portanto, não deixámos de ser frágeis. Aliás, nunca estivemos tão frágeis. Mas nunca nos deixaram tão entregues à nossa sorte, nunca nos tiraram o tapete de forma tão abrupta, nunca nos deram uma tareia tão dolorosa. Quando isso acontece, precisamos de atacar, para nos defendermos. Preferimos ficar sozinhos a correr o risco de nos partirem novamente o coração ainda tão cheio de cacos em falta. 

Sinceramente, acho de uma injustiça inqualificável obrigarem as pessoas a passar por isto. Por uma coisa ou por outra. Bem melhor seria que, na arquitectura do mundo, as peças se encaixassem correctamente à primeira, que as histórias se escrevessem sem ser rasuradas, logo de um fôlego. Mas não é assim que acontece e o resultado está à vista. Tanta boa gente disfarçada de má. Tantos pares de mãos prontos a dar-se e com medo que os dedos não se encaixem. Tanta história por escrever e calada por não encontrar, nas resmas vindouras, folhas verdadeiramente em branco. Tanto coração disposto a viver feliz junto e a forçar-se a acreditar que sozinho é que se está bem. É um dó de alma assistir a isto.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Verdades e assim assim

Manias

De manhã e à noite não gosto de fazer refeições frias. Parece que fico mal disposta, não sei. Talvez por isso, não consigo pequeno almoçar um iogurte, por exemplo. Como sempre fruta, sempre. Normalmente, laranja. Mas preciso de um chá quentinho, de umas torradas quentinhas, enfim... de coisas quentinhas, para começar bem o meu dia. Mais ou menos na mesma lógica, não me importo nada de almoçar saladas, mas ao jantar, ao jantar custa-me tanto. Posso jantar só sopa, mas tem de ser uma coisa quentinha. Hoje, e porque estou a chegar agora a casa, ainda pensei numa saladinha, mas acho que vou pelo menos saltear uns cogumelos, só para aquilo não ser tão frio. Já não estou com pachorra para cozinhar, mas misturar ingredientes em frio, quer-me cá parecer, vai deixar-me desconsoladinha de todo. Tenho manias estranhíssimas... não liguem!

O cúmulo da preguiça

é estacionar no lugar a seguir ao passeio que dá entrada para a garagem do prédio, de modo a ser só descer o lancil e poder estacionar de frente. Sou uma pessoa que, modéstia à parte, até nem estaciona mal de todo noutras posições... mas para quê estar a esforçar-me se posso armar-me assim em esperta?! Se virem alguém aqui na rua a fazer essa figura, sou eu. 

Do sentido



Como pode alguém querer cuidar de mim
Se de afeto esse alguém não entende nada

Grata!

Já uma vez me disseram que os actos de justiça não se agradecem. E já alguém comentou comigo que aos amigos não se diz obrigada. Eu, cá por mim, acho que uma palavra de reconhecimento faz muito sentido em todos os contextos. Gosto dela. Digo algumas vezes obrigada. Digo muitas vezes que fico grata. O sentido é o mesmo. Aprecio quem me faz um bocadinho mais feliz, nem que seja só um bocadinho pequenino e com uma coisa quase insignificante.