segunda-feira, 30 de abril de 2012

Verdades e assim assim

A sério que gostava de vos contar o que vivi hoje entre as cinco da tarde e as oito da noite. Gostava. Mas não consigo. Digo-vos só que há dias anónimos no calendário que nos apresentam heróis de carne e osso. Gente comum capaz de nos situar num momento da história em que não éramos sequer projecto de gente e que nos faz sentir coisas que desconhecíamos. E revisitar o ódio. E achar que é um disparate perder tempo a odiar. Sinceramente. Acho que não odeio ninguém. Há gente por quem não sinto nada. Nem pena. Nem compaixão. Nem indiferença. Sim, que a indiferença é já decisão. Não. Hoje também percebi que há gente que nasce para que não sintamos nada, mesmo nada por ela. Há indivíduos que nascem só para nos ajudarem a perceber o que é não ser pessoa. Hoje ouvi um dos relatos mais tristes e simultaneamente ameno que algum dia na vida podia imaginar ouvir. Foi de uma mulher. E foi inesquecível. Há dias em que amo muito o que faço. São a maioria. É o que me vale.

Não sou eu que digo #3

Quando alguém nos magoa, deveria ser simples colocar essa pessoa de lado, esquece-la, arrancar de dentro de nós todos os pedaços de memória que nos ligam, avançar para outras oportunidades de sermos felizes e eventualmente até perdoar quem nos fez sofrer, embora este tipo de magnanimidade o deixe para alguém bem melhor que eu. O saber onde ela está, com quem está, se pensa em nós, se se arrepende, deveriam ser das últimas coisas a fazer parte dos nossos pensamentos, mas já se sabe que o coração não é assim tão simples de controlar ou até perceber.
Questiono-me se há um tempo definido para esquecer quem passa pela nossa vida e nos marca profundamente, se o facto de por fim aceitarmos o fim de uma relação nos permite olhar para a outra pessoa e não sentir mais do que o que se sente por uma das pessoas anónimas com que todos os dias nos cruzamos na rua, ou se isso é uma fantasia irrealista e impossível de concretizar.
Todos sabemos que muitas destas marcas só desaparecem ou se desvanecem quando uma outra pessoa vem ocupar o lugar principal no palco da nossa vida, mas será que estamos verdadeiramente preparados para deixar isso acontecer quando, em eventuais oportunidades que surgem, as inevitáveis comparações que logo são feitas derrotam a nova pessoa sem possibilidade de recurso?

Da pessoa de sempre.

Banda sonora do começo do dia

Faz doer o coração


Encontrei a crónica no blog da SMS ontem à noite e ainda não me saiu da cabeça.

domingo, 29 de abril de 2012

A reter

Depois de cometeres o desatino de pagar uma manicure fora e feita por gente altamente qualificada, evita arear panelas, pequena R..

Há-de dizer alguma coisa de nós!

Quando queremos mesmo, mas mesmo, mas mesmo criticar outra, o grupo das minhas pessoas femininas até pode começar por falar mal do cabelo, das pernas, das unhas, da barriga, do vestido da véspera, eu sei lá... mas o golpe final e fatal é, ou dizermos que é maquiavélica, fazendo, ao mesmo tempo, um certo ar de nojo e pânico, ou alguma atrever-se a dizer, com convicção, cerrando as mãos, batendo com os nós dos dedos na mesa e ao som do knoc, knoc, que a outra é do tipo "está aí alguém?!".

Sabemos ser tão mazinhas, pá!

Domingos à tardinha

Vou cozer maçãs com mel e juntar-lhe nozes. Se me der na cabeça, ainda faço uns scones pequeninos, pequeninos. Huuummm... tãããooo bom :)

G.

G.: Tens falado de mim no blog?
Eu: Só um bocadinho.
G.: Mentes tãããooo mal... Tenho tantooo medo de ti...

Dos casamentos

Não me perguntem porquê, porque, a bem dizer, já não me lembro da razão, mas ontem, a dada altura, estávamos a pensar em quais seriam as piores calinadas musicais num casamento.

Um contribuiu com a hilariante história do casamento em que o noivo estava pouco convicto do acto e  se cortou o bolo ao som de Someone like you, da Adele.

Outra disputou o pódio, invocando um outro casório em que o baile foi aberto ao som daquela música que diz "Estou fazendo amor com outra pessoa".

Há quem ache que nada mais apropriado que entrar na igreja ao som do inolvidável "Qual é o melhor dia para casar, sem sofrer nenhum desgosto, o 31 de Julho, porque a seguir... (vocês sabem)".

Eu, pela minha parte, acho que, em romântico e simultaneamente em mau, poucas cenas serão mais impressivas que uma canção dele para ela em que o moço, já tocado pelo álcool, se lhe declare com o clássico "Eu sei, eu sei, és a linda portuguesa com quem eu quero casaaar, já corri mundo e não encontro outra igual com quem eu queira ficaaar, a mais gostosa, mais formosa das mulheres que Deus pôde criaaar...".

E é isto... 
O que é que me dizem?!

Cada cabeça... sua sentença!

Quando nos pomos a opinar sobre a vida uns dos outros, em regra, nunca há consenso. Pior, não há sequer soluções parecidas entre as que se sugerem. A amplitude das mesmas pode chegar, para terem uma ideia, ao extremo de haver quem insista que o tempo, ah o tempo, é preciso é tempo e paciência e calma, mas não faltar quem advogue que não há nada como tirar as teimas na cama. Até tremo, quando estas pessoas se juntam!

Só mais duas (três) frases da noite de ontem...

A R. cai para poder dizer que tem sangue azul. (by P.)

Eu a ti não te dou uma das minhas fotografias, eu a ti, minha querida, dou-te a minha melhor fotografia de autor. (by Mi.)
Tá bem abelha... aposto que é o que dizes a todas! (by me)

Das lições

Se há coisa que me dá gosto ver é gente da minha idade arrebatar um auditório com uma conferência irrepreensível. Confesso que fico ainda mais orgulhosa quando há termo de comparação, extensos painéis cheios de nomes óbvios e depois lá assim uma alminha, caída de pára quedas, que as pessoas pensam valer tanto a pena que ponderam fazer uma pausa para o café enquanto a alminha falar e, no fim, a alminha abrir a boca e... catchau! Adoro. Fico feliz pelas pessoas e fico feliz por mim.

A ver vamos

se é para a semana que volto à Trincadeira.

Para quem andar por ali e quiser experimentar, está tudo aqui.

Nunca na vida pensei, mas afinal

há coisas em que sou muito pouco gaja. Eu. Logo eu. Toda dada a laços, flores, rendinhas, cremezinhos, adereços e cenas. Pois. Mas é verdade. Toda eu era certezas quanto ao facto de bastarem dez minutos, vá, quinze, a qualquer mulher para se pôr em condições de sair à rua, incluindo o ritual um banhinho, vestir, maquilhar, perfumar, pentear, calçar e andar. Mas não. Pois que não. Pois que tenho de dar a mão à palmatória e assentir em algumas das barbaridades que já ouvi da boca de homens, associadas à arte da espera pelas moças indecisas e demoradas com a toilette. Ontem, meus caros, tive cá em casa uma hóspede que me levou ao desespero. A dada altura ainda lhe perguntei se achava que eu não teria tempo de passar uma máquina de roupa a ferro enquanto ela acabava de se arranjar. Eu não sei quanto engonhou a moça, só sei que demorou bem à vontade quarenta minutos e ainda foi a resmungar pelo caminho que eu a pressionava e que tinha feito tudo muito mais depressa que o costume. Ora bem, meus queridos seguidores adorados do meu coração, eu sou uma pessoa que até tem por mau hábito chegar atrasada aos sítios, que tem... mas não, não pensem nunca que é para me submeter aos rituais iniciáticos a que, ao que parece, as demais da minha estirpe se sujeitam. Normalmente, eu chego atrasada porque começo a arranjar-me à hora a que devia estar no sítio e, sendo de manhã, porque eu prefiro ir com o cabelo feito ninho de ratos que perder aqueles mais cinco minutinhos na cama. Dez minutos, malta. Por isso é que, em meia hora, consigo levantar-me, tomar banho, tomar o pequeno almoço, fazer a cama, vestir-me, maquilhar-me, perfumar-me, pentear o cabelo com os dedos, calçar-me e sair porta fora. Diz que talvez isto seja o sonho de qualquer homem. Mas enfim... esta boa característica paga-se efectivamente bem cara com os defeitos todos que me escuso aqui de elencar. Só para não dizerem que vos trago enganados...

Verdades e assim assim


Sabes que uma pessoa será sempre uma tua pessoa quando, numa data improvável, um dia qualquer, de uma semana qualquer, de um mês qualquer, debaixo de uma chuvinha miúda e às três da manhã, essa pessoa te oferece um livro com a frase Eu tenho a certeza de ti, tu tens a certeza de mim.

(O livro é A mãe que chovia, do José Luís Peixoto)

As 10 frases da noite (para mais tarde recordar)

A vingança serve-se fria. (by C.)
Pois... este não precisava de muito, não... bastava-lhe dizer-me dia, hora e local da esfrangalhação. (by me)
Ele diz que tu és tão baixinha. (by Ma.)
Eu tiro-te isso a limpo. (by P.)
Até estou com calores. (by me)
Eu sou uma pessoa do mal e até me apetece dar-me beijinhos. (by Ma.)
E depois eu baixei as calças à Ma.... Calma. Mas foi só para ela não estragar as unhas. (by me)
Sim, nós somos amiguinhos e eu gosto de ti, mas ultimamente não me ligas muito. (by N.)
O mal das mulheres é saberem de mais. (by G.)
E então foi assim: ela chegou na quarta, entrámos no quarto nesse dia e já só saímos hoje para a festa. (by Mi)

Os meus amigos são pessoas estranhas. E... lá diz o ditado, "diz-me com quem andas...".

sábado, 28 de abril de 2012

Wishlist

A lazy saturday...


Ainda não é este... nem o próximo...

E foi assim...


Decidi deixar o bule de chá na cozinha e trazer só uma chávena cheia para juntinho de mim. Foi um ar que se lhe deu e em menos de nada estava a ir abastecer-me. Levantei-me do sofá onde estava com as pernas à chinês a ler para a aula de amanhã e, com umas meias calçadas, fiz patinagem artística aqui na sala. Na fracção de segundo que demorei a cair de rabo no chão e a bater com o braço numa porta, a cabeça na esquina do sofá e uma perna no candeeiro de pé, pensei que talvez seja melhor deixar de insistir com a minha Dona G. para todas as semanas passar o pronto líquido no chão. Estou um bocado dorida e acho que amanhã terei um pequeno mapa mundo de pisaduras pelo corpo, mas não parti nada e penso que não torci nenhum pé. Há tanto tempo que eu não mandava um tralho que, sinceramente, com esta falta de treino, até podia ter sido bem pior. E pensar que ponderava amanhã ir de saltos altos... Sou tão crente.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A palmada pedagógica, again!

Depois de ler esta notícia... lembrei-me deste post e... até tenho orgulho por tê-lo escrito! Hoje falei-lhes no direito de correcção. O resultado disso vai depender quer da atenção com que estiveram na aula, quer da boa vontade para perceberem o que eu disse, digo e direi, defendi, defendo e defenderei. Ou se juntam a mim ou fazem com que fique para todo o sempre conhecida como a tipa que apoia arraiais de porrada nos infantes. A ver...

Pingo Doce

Hoje, uma seguidora improvável mas a que me rendi desde que a conheci, à Porta Férrea, enquanto me dedicava à milenar arte da má língua, mandou-me um mail onde questionava a minha ausência do Pingo Doce, vulgo, sítio do costume, traduza-se, blog. O que eu me ri... O que eu adoro gente com sentido de humor...

E pronto... só ontem é que andei em modo calada e vocês dão logo em sentir a minha falta. Estou a sentir-me a última bolacha do pacote, é o que é!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril de 2012

O céu chorar desta maneira no dia de hoje e num momento como o que o país atravessa, sinceramente, não me parece uma coincidência.

Mais aqui.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Da doença

Há pouco mais de uma hora, uma amiga, uma pessoa querida, pediu para me dar uma palavrinha. Quando me aproximei, encheram-se-lhe os olhos de lágrimas e num tom quase mudo disse "O meu pai tem cancro!". Prometi que não falaria no assunto a ninguém e tenciono cumprir. O blog não é meio de a fazer passar pelos inoportunos e massacrantes, embora sinceros, muitas vezes, "Então e como é que vão as coisas?!". Mas agora que vejo a notícia da morte do Miguel Portas nos jornais... não consigo. Eu tenho um medo desta doença. Um medo, meu Deus do céu. Nem é por mim. Como em muitas outras coisas, sou uma egoísta de marca. Prefiro ir mas não ter de sofrer por ver ir os meus. E pronto, acho que por hoje já não me apetece escrever mais.

Há esperança!

Este texto é escrito pelo primeiro amigo que o blog me deu (ex aequo com a Guilhim). E é fabuloso.  Como muitos outros textos do P.. Estive em Veneza em Dezembro de 2003 e, embora me tenha ficado inscrita na alma uma vontade de voltar, o que recordo dessa viagem é sobretudo ter dormido na mesma cama com mais quatro pessoas: dois rapazes e duas raparigas. Era o grupo das viagens de Erasmus. Domíamos sempre juntos. Pedíamos quarto triplo, juntávamos as camas e dormíamos todos juntos. Também era de praxe gozarmos forte e feio com o R. porque ele usava pijamas de cetim. Mas nessa viagem não gozámos com ele. Pediu para dormir na ponta da cama. Nunca queria, mas quis daquela vez. Fiquei-lhe junto. Estava tão triste, tão triste, tão triste. Até chorou. Da minha passagem por Veneza lembro-me ainda de um concerto ao ar livre, lembro-me de ter apanhado a carteira de um senhor e ter ido a correr devolver-lha e de ele me pegar na mão, pousar um joelho no chão e me dizer um poema de amor (não estava muito sóbrio!), lembro-me dos binóculos da cúpula de onde se chega à maravilha das ilhas mais pequenas, lembro-me da chuva, dos aromas muito intensos e nem todos bons e lembro-me que estive quarenta minutos a regatear em italiano o preço de uma viagem de gôndola e que, quando alcancei o meu objectivo, me virei para trás em pulgas e o R., lavado em lágrimas, nos disse, ainda com o telemóvel na mão "Eu odeio Veneza. Se há sítio no Mundo que eu odeio, é Veneza. Se há cidade inimiga do amor, pelo menos do meu, é Veneza. Era ela. Acabou comigo.". E perdeu-se o clima para o passeio... A verdade é que aquilo lhe bateu forte mas lhe passou depressa... mas, a bem dizer, custou-nos uma viagem de gôndola!!! E pronto, quanto mais não seja por isso, eu tenho de voltar a Veneza. Este texto do P. devolveu-me a cidade à rota dos desejos. Mas não é tudo. Este texto é escrito por um tipo quase tão romântico como eu. E que está de coração moído. E eu gosto tanto que, ainda assim, ele aprecie Veneza... Porque há esperança. E nós merecemos.

G.

Ontem não falámos. Estranho, mas possível.
Hoje, ligou-me.

G.: Tô... caniiiiita!!!
R.: Oh meu kiko adorado da vida... estás bem?!
G.: Estou. Mas não quero falar de mim.
R.: Oi?!
G. (solene): Lá porque estava tomado pelo álcool, minha menina, não penses que me esqueci que temos um assunto pendente.
R.: Outra vez com isso?! Bolas, tu és chato.
G.: Ok. Já vi tudo. Amanhã vamos à bica. Quero ver-te dizer isso na minha cara. (Seguido de toda uma dissertação sobre o tema e sobre mim e sobre ser romântica e sobre cavalos brancos e sobre o tempo e sobre cenas.)

E eu dou-me com estas pessoas... 

Pequena R. sugere ao leitor

Os produtos Aquolina. Neste momento, ando rendida a um gel de banho com aroma de flores de baunilha, mas já experimentei outros. É mesmo um sabor para a pele. Dá vontade de ficar a cheirar os braços, as mãos. É muito suave, faz uma espuminha delicada e perfuma a casa de banho. Até ver, também ainda não fiz alergia, o que é uma grande coisa. Estou muito rendida.

Ânsias

Estou, neste preciso momento, a vigiar prova a um único aluno. Um, minha gente. Inscreveram-se cerca de vinte, de várias cadeiras, incluindo a minha, para este recurso mais que fora de horas. Fiz uma prova de propósito. Faltou toda a gente. Está aqui uma alma aflita. E estou aqui eu. Se não tivesse trazido trabalho para fazer computador, acho que cortava os pulsos.

Verdades e assim assim

Quando pensas que nada mais pode envergonhar-te enquanto estás deitada na marquesa da depilação, há um dia em que, muito descontraída, a tua esteticista te diz a frase mais temida e que abrevio com o pensamento "Mas será que aquela tira de pano, que já escolhi tão estreita, atrapalha assim tanto o trabalho da moça?!". Vou ali enfiar a cara em livros e fotocópias e ver se esqueço as figuras que acabo de fazer. Adeus.

Ai...

E lá vamos nós outra vez. Tem de ser. E o que tem de ser, tem muita força. Mas eu sofro nestas horas...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Paixão antiga

que só faz aumentar com o tempo: as camisas de dormir da Zara Home. Aliás... eu gosto tanto de tantas coisas da Zara Home!

Saudades

Descoberta da hora de almoço


O Risotto pronto, da Gallo. Hoje, o de espargos verdes, mas também ali tenho um de cogumelos para experimentar qualquer dia. A sugestão foi da minha C.. Como, apesar de tudo, sou avessa a coisas feitas, porque me parece comida de plástico, aproveitei algumas das dicas dela e juntei mais umas quantas coisas. Mas a base foi efectivamente o risotto pronto. Até porque não tenho mão para fazer um by myself. Sai tudo espapassado, uma miséria só. Roubei um bocadinho na água, susbtituí a manteiga por um fio de azeite, adicionei um molho de espargos frescos cortados miudinhos e uma mão cheia de camarões descascados. É rapidíssimo e delicioso e dá mais do que perfeitamente para duas pessoas.

Não sou eu que digo #2



Por vezes ponho-me a pensar se a minha vida é o que sonhava que seria quando era mais pequeno, se estou a atingir todos os objetivos a que me propus, mas na realidade nunca fui daquelas pessoas que sabem desde sempre o que vão ser, que na sua mente apenas vêem um caminho, sem bifurcações, sem curvas, sem desvios. Não o digo por pretender ser um daqueles espíritos livres que só decidem o próximo passo que dão no instante imediatamente anterior a dá-lo, mas simplesmente porque não sou o tipo de pessoa que planeia com grande antecedência os momentos da sua vida. Denota desorganização da minha parte, dirão alguns, mas somos quem somos, digo eu, e não me parece que seja coisa que vá mudar tão cedo.
Quantas vezes na nossa vida, profissional ou sentimental, não fazemos grande planos com tudo muito bem definido, para depois acontecer algo que faz ruir todos esses nossos planos como um castelo de cartas?! Uma citação que de tempos a tempos me vem à memória e que acho que se aplica à vida de muitos é aquela que diz que “A vida é o que nos acontece enquanto estamos ocupados a fazer outros planos“. Não será uma regra absoluta e ter algumas metas a longo prazo certamente que não fará mal a ninguém, mas gosto da frase. Faz-me crer que nada está escrito ou definido e que esta grande viagem a que chamamos Vida é uma infinita caixa de surpresas.

P.S. A dita frase foi tornada famosa por John Lennon na letra de Beautiful Boy, embora o autor seja Allen Saunders, que a escreveu na Reader's Digest.

Do "autor do costume".

E levava-me ao altar #24

domingo, 22 de abril de 2012

Pois...

Gosto de


Este vestido é tãããooo pequena R.
Diane von Furstenberg... pela módica quantia de 415 euros. Da net-a-porter.

Talvez eu seja um tudo-nada maçadora, vá!

Quando hoje cheguei a casa dos meus pais, o mano ainda dormia. Sob o protesto habitual da minha mãe de "Não arrelies o garoto. És pior que ele." e mimimi, fui acordá-lo. Primeiro subi a persiana toda. Depois comecei a cantar (m-e-d-o!) e a dar-lhe muitos beijinhos e a despenteá-lo e a dizer "Minha pessoa preferida do mundo. Coisa mais melhor boa da sua mana. Gajo mais giro de todo o universo. Gooooossssstiiiii tantissimo. Gostas de mim?! Sim?! Diz que me amas infinitamente e que eu sou a tua pessoa mais preferida entre todas. Diz. Diz. Diz. Anda lá. Diz. Diz." Ele, estremunhado, suplicava "Oh mana, deixa-me. És, és a preferida, mas agora cala-te e vai-te embora. Gosto. Gosto. Pára. Se não páras eu não gosto mais de ti!". Este tipo de ameaças só me faz aumentar o nível de histeria, razão pela qual intensifico os beijinhos e xis e declarações de amor. Nisto, já tinha o meu pai e a minha mãe à porta do quarto a protestarem "Vocês ainda se aleijam. Isso não acaba sem vocês se aleijarem." O costume, portanto. Também lhe diziam "Oh filho, ela é tão chata, não é?!" E o mano respondia "Tu és impossível de aturar, mana. Fogo. Tu não tens pena de ser assim?! As pessoas sabem que tu fazes estas figuras?!" E riam-se todos. E eu continuava a declarar o meu amor àquela pessoa pequenina que já mede um metro e oitenta e oito. Nisto, o mano, ligeiramente enervado, levanta-se, seduz-me para um abracinho e dá início a uma sessão de cócegas. Como eu fujo e entro no meu quarto, o mano aproveita e fecha a porta à chave por fora e, enquanto me dirige palavras tão amorosas como "chata", "impossível" e "arreliadora", diz "Agora ficas aí até alguém te salvar!". Peço auxílio, refém no meu próprio quarto. Dizem-me em coro "Quando estivermos prontos, abrimos-te a porta.". Lamento-me. Dizem-me que é o preço a pagar por pôr toda a gente em alvoroço. Sento-me na cama e aguardo serenamente. À socapa, a mãe salva-me. Sinto-me a filhinha do seu coração. Percebo depois que não... precisava apenas que eu a ajudasse a escolher os sapatos que ficavam melhor no vestido! Aquela família maltrata-me, pessoas. 

Do arraial

Diz que as moças de ontem mudaram de roupa oito vezes e ao rodarem as saias se lhes viam cuecas às cores. Diz que os jovens bebem cada vez mais e dançam cada vez menos. Diz que elas ainda são piores que eles. Diz que não chove.  Diz que tenho uma pena sem tamanho de não ter podido ficar para assistir hoje ao arraial, que se há coisa que me deixa alegre é um arraial à moda. Diz que entretanto vai haver uma festa com flores na cabeça e que, se eu insisto, se calhar sim, é havaiana. Diz que partilhei receitas de doces e de entradas. Diz que uma festa de aldeia, entre pessoas que me conhecem desde que nasci e com sentido de humor ímpar, é um programa insuperável para qualquer domingo. Diz que quase tinha de trazer farnel, mas lá me safei. Diz que gosto tanto das minhas pessoas, pá.

Rules


sábado, 21 de abril de 2012

Verdades e assim assim

Nem me atende! 
M-E-D-O!



por isso 
afinal não quero 
ir contigo ao lusco-fusco, 

meu amor, 
nem é sincero 
fingir eu que assim te espero, 
sem saber bem o que busco. 

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

sexta-feira, 20 de abril de 2012

;)


E "desculpa" também!

A resposta

"Hoje vai ser melhor. Não te apoquentes. Ontem foi só um treino. Amanhã não vais nem conseguir juntar as duas sílabas do meu nome se eu te ligar. Agora dorme. Beijos. P.S. Não destruam a casa." 

Do começo do dia

O dia começou às seis da manhã com uma mensagem estridente no telemóvel ao lado da cama e um susto de morte. Quem me liga a estas horas?! No visor, com os olhos ainda semicerrados, leio "Linda, foi bom, mas achava que ia ser melhor. Esta coisa de uma pessoa levar demasiadas expectativas... Beijos". Pronto, pensei, está razoavelmente sóbrio. Voltar à lide das saídas à noite como nos tempos de estudante tantos anos depois era coisa que temia com pior desfecho. Ainda não lhe respondi. Tenho estado a pensar nesta ironia de os melhores melhores amigos nos dizerem, mesmo sem querer, sempre as coisas mais acertadas, nas horas mais oportunas. De facto, esta coisa de uma pessoa levar demasiadas expectativas... Travei durante duas horas uma luta com a minha cama, que me puxava para a palha quente, enquanto a estúpida da minha consciência elencava o tanto que este dia precisa de ver cumprido. A cama ganhou. Sou uma fácil. Foi tanto e tão pouco que, quando a minha Dona G. tocou à campainha, lhe abri a porta com uma perneira dos collants calçada e a outra por calçar. Estou há meia hora no sítio onde, houvesse para tanto melhores condições, diz que devia estar todos os dias e tenho uma coisa a dizer-vos: estava-se melhor em casa. Vou ver se encarreiro os items todos da to do list e pode ser que ainda cá volte. Então, bom dia para vocês também, está certo?!

*

Tão senhora, pá!

Pés e mãos no mesmo tom. Um nude da moda. Do mais discreto que podem imaginar na vida. Estão a ver o branco leitoso?! Não tem nada a ver. É ainda mais "eu não estou cá, sou mesmo uma miragem". Amanhã também hei-de ver se volto às lides do cabelo lambido, se marco novo massacre depilatório e se penso num raio de uma coisa que prepare a pele para o sol. Uma pessoa tem de se preocupar com cada miudeza...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Da corrida

Ora então, caríssimos amigos, é com uma lágrima no canto dos olhos que, solenemente, vos informo dos factos infra.

Aos dezanove dias do ano da graça de dois mil e doze, Pequena R. Maria de seu nome, rapariga que nasceu translúcida e fez crer a toda a gente que morreria em pouco tempo, mas que tomou tantas vitaminas e ferro e porcarias que não mais alcançou outro estado que não o de "levemente" anafada e que não corria desde as malfadadas aulas de educação física, voltou a correr. Foi no romântico e inspirador parque do Choupal, na companhia da sua recém eleita personal trainer, que, apesar dos pesares, teme é que Pequena R. Maria caia ou torça um pé, C.. Andaram bem contados pouco mais de sessenta minutos e correram a bem da verdade não mais de, para aí, uns dois e meio, e repartidos por três vezes. A treinadora aponta como grave falha as sapatilhas, mas está em crer que Pequena R. Maria não deixará passar de amanhã para se munir de tudo o que é bom e melhor para o efeito na capital de consumo sua vizinha. Diz ainda que não há melhor para descomprimir de inventar casos de causas de justificação e responder a pessoas com dúvidas existenciais sobre o que é o bem jurídico instrumental. Pequena R. Maria já está em casa, a recuperar, e pensa conseguir sair amanhã à rua, haja para tanto vida e lhe conceda tal a saúde. E é isto.

Humores



É a banda sonora do vizinho neste momento. By the way... vou caminhar!

Pequena R. pede ajuda ao leitor

E de máquinas fotográficas, minha gente?! O que é que me têm a dizer sobre isso?!

Pequena R., amante de fotografia mas do mais amador que o mundo já viu, pondera, cada vez com mais queda para a certeza, a compra de uma máquina decente. Vai daí e podia isto ser muito fácil, mas não é. Primeirus porque é pessoa para tentar, ainda assim, não ter de pedir um empréstimo ao banco para fazer a compra e... segundus porque está rodeada de amantes de fotografia por vários lados e cada cabeça, sua sentença, o que a baralha sobremaneira.

Eis se não quando, pequena R. se lembra dos seus mui adorados seguidores, sempre atentos e do mais a par das coisas boas que há. E pronto... é o que se quer. 

Vamos lá, pessoas. Deitem cá para fora. O que é que aconselham a pequena R.?! 

Enerva-me, pronto!

Que se usem os programas da tarde para passar uma série de frases feitas e que não correspondem à verdade. Há temas demasiado sérios para isso. A adopção é um deles. 

O mal de ter a televisão ligada algumas vezes enquanto se trabalha, mesmo com esta sem som, é sabermos ler e haver rodapés a que não resistimos. Há ocasiões em que dar voz ao programa só serve para nos deixar enervados. Muito enervados. Tão enervados. Quem me enerva não são as pessoas que vão para ali só com sentimentos. Enfim... é questionável escolherem aquela plataforma para se insurgirem, mas dou isso de barato. Agora... gente com obrigação para saber falar das coisas usar da sua posição profissional para destilar clichés, isso é que eu não tolero. Estou com a neura, já bem se vê.  

Recado

Pus-me a reler o blog que já nem existe (coisas do google reader, que descubro nas horas mais impróprias). Talvez não devesse tê-lo feito. Mas fiz. Paciência. E percebo-te e a tantas coisas bem melhor agora. Desculpa.

Verdades e assim assim

Sabem onde me apetecia estar hoje?!

Nos Açores. 





















E pronto, a tempos batem-me estas saudades daquela terra. Tantas saudades. Apetecia-me ir almoçar lapas. E depois fazer um trilho até uma qualquer paisagem de cortar a respiração. Apetecia-me ir acabar a noite no Bar do Peter ou noutro qualquer que ainda não conheça mas que tenho a certeza que me fará render. Apetecia-me estar no meio do mar e, ainda assim, sentir-me em terra firme. Apetecia-me cheirar as flores e ouvir as pronúncias. Apetecia-me percorrer plantações de chá e perder-me em estradas que vão dar ao oceano. Apetecia-me saber que, para onde quer que me fugisse, não sairia dali. Apetecia-me isso... até me apetecer outra vez voltar.

Poemário essencial



A confusão a fraude os erros cometidos 
A transparência perdida — o grito 
Que não conseguiu atravessar o opaco 
O limiar e o linear perdidos 

Deverá tudo passar a ser passado 
Como projecto falhado e abandonado 
Como papel que se atira ao cesto 
Como abismo fracasso não esperança 
Ou poderemos enfrentar e superar 
Recomeçar a partir da página em branco 
Como escrita de poema obstinado? 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Carta ao meu Eu passado

A ideia não é minha, mas não lhe resisto. É um exercício de memória e redescoberta do sentido de muitas coisas, talvez. Vai doer, vai incendiar feridas e... ainda assim, no saber do povo cabe a verdade de que o que arde cura. 

Pequena R., esta é a carta que te escrevo quando tenho 30 anos e quatro meses menos dois dias. Estou sentada no sofá de um pequeno T1 no meio da cidade de Coimbra. Está chuva lá fora mas a manhã já hoje fez mil caras. A janela da sala estende-me aos pés a paisagem que me fez apaixonar por esta casa e me faz sonhar um dia comprá-la e transformar a sala em quarto e ligar o quarto e a cozinha fazendo deles um open space de sala e cozinha com um espaço decente para uma secretária onde possa espalhar todos os livros de que preciso quando tenho de preparar uma aula ou escrever um artigo ou voltar à tese de doutoramento. Escrevo-te em pijama, embora não tenha acordado há pouco tempo e até já tenha trabalhado. Tenho a televisão ligada, mas sem som. Tudo como de costume, portanto. Comi uma laranja de manhã, cortada em cubos. E mais nada. Não me apetece. Daqui a pouco devo almoçar, mas antes quero tomar banho e lavar o cabelo porque os caracóis estão desfeitos e, pensando que não, logo tenho um jantar. Estou a ouvir, em loop, a versão do Somewhere over the rainbow que a O. me enviou e ainda não comecei a escrever-te o tanto que tenho para te dizer e já estou a chorar. Sou uma choramingas. Sim. Transformaste-te numa choramingas. Tanto que a mãe vai dizer muitas vezes a frase "Tu não eras assim, filha!".
Bem... mas cá vai. Sou feliz, mesmo. Mas também porque me exercito diariamente nesse sentido. E podia ser um exercício mais fácil... Preciso, no entanto, para isso, da tua ajuda. Que me leias com calma e que me releias com mais calma ainda. Muitas vezes. Não está aqui tudo. Está aqui muito pouco, até. Mas já é alguma coisa.

Quando fores, aos domingos, no banco de trás do carro carro dos teus pais, sentada no meio e com um braço em cada um dos bancos deles, não lhes estejas sempre a perguntar se vão ficar juntos para sempre. Podes descobrir mais tarde que algumas vezes te mentiram. Isso vai magoar-te, mas vai passar. Até porque eles vão mesmo ficar juntos para sempre. Mas algumas vezes nem eles acreditavam.

Aproveita os teus avós de baixo muito bem. Quando menos esperares, o teu avô não vai estar mais cá. A tua avó vai morrer e ser enterrada no Brasil. Cuida bem das flores que têm no jardim porque... os teus pais vão comprar a casa deles um dia. Vai ser no dia em que chorares desalmadamente porque se vão embora. Vais contribuir para isso e pedir que levantem todo o dinheiro que tens no banco e que te deram desde que nasceste. Nunca te vais arrepender dessa escolha.

Brinca muito, mesmo muito, com o teu primo Pedro porque isso serão algumas das tuas melhores recordações de infância. Toma banho de rio mais vezes e não tenhas medo do Neco porque ele é bêbado... mas não é mau. 

Cumprimenta o senhor padre negro que for no dia de Páscoa a casa dos teus avós, mas, por favor, evita dizer à tua amiga de infância, bem alto, que ela também pode dar-lhe um beijinho porque tu deste e não ficaste enfarruscada. Só tens quatro anos, mas a tua mãe vai passar uma grande vergonha.

Quando fores com o teu pai a casa dos clientes e eles insistirem contigo para comeres mais uma bolachinha, evita dizer "Agora não me apetece, mas posso levar para casa e como amanhã à tarde com o meu primo!". É verdade, mas escusas de parecer uma menina do Biafra.

Não desças a correr as escadas da frente de casa da tua avó no dia em que a tua mãe viajar para a Madeira porque vais cair e partir-te toda. A ferida com que vais ficar no joelho direito vai acompanhar-te como cicatriz toda a vida, mas, pior, durante semanas vai criar pus e colar-se às calças do teu pijama, o que vai obrigar o teu pai, que foi quem ficou contigo esse ano, a arrancar-te as calças e a fazer sangue. Ele vai dizer que foi com jeito, mas vai doer na mesma.

Tenta ter uma noção de moda mais precocemente. Evitarás uma malfadada fotografia de uma Festa de Santo Amaro a que o teu pai te levará e em que, tentando domar o teu cabelo, te põe tantos ganchos que parece que vais de capacete. Nesse dia diz-lhe que também não vale a pena vestir-te sete mangas e três pares de meias calças. Parecerás um insuflável. 

Aproveita bem a tua bisavó Anunciação. Vai morrer quando andares na 3.ª classe e será das piores perdas que a tua mãe sofrerá. A vida dela e a tua mudarão muito a partir daí.

No dia em que a tua mãe te disser que vai ao dentista com a L., sai de casa e vai brincar. Não fiques em casa. Por favor, não fiques em casa. Vais ter uma discussão muito grande com a tua avó e isso será uma memória que nunca apagarás. Acredita em mim. Eu sei que só tinhas seis anos. Mas acredita.

Não aches que descobriste o grande amor quando te apaixonares pelo M. Vai ser só o primeiro. Vais escrever um diário inteiro sobre ele. Vão viver coisas giras e ele vai dizer-te muitas vezes o que queres ouvir, às vezes nas dunas entre a Vagueira e a Costa Nova, enquanto os vossos pais fazem pic-nics. Mas não vão ficar juntos. 

Acredita que vais ter de tomar comprimidos ao longo da vida e que o difícil é começar. Portanto, quando estiveres na praia, tenta evitar o trabalho de a O. mãe dissolver os comprimidos em chá quando tens dores de barriga.

Dá muitos beijos e muitos abraços ao David. Sabes, ele vai morrer quando tiver 17 anos... Vai ser a vez em que mais vais chorar (pelo menos até ao dia de hoje) e o teu pai vai dizer-te que se não parares de chorar não poderás ir ao funeral. Tu sabes que choras porque sonhaste que ele morreria na véspera. Mas não contas a ninguém. Vais parar de chorar. Vais ao funeral. Vais ser tu a dar a mão aos teus tios e vais ser a única pessoa que vai estar presente enquanto ele descer à terra. Não te meterá medo e dar-te-á uma visão da morte muito diferente. Vais ganhar, a partir daí, um anjo da guarda e a verdade é que lhe vais pedir muitas vezes graças e ele tas vai conceder quase sempre. As saudades não vão passar, mas vais aprender a lidar com elas. No dia em que escreveres o teu primeiro livro, vais dedicar-lho. Quando a tua tia souber vai chorar agarrada a ti durante cerca de duas horas e vão acabar esse dia de Natal moídas.

Quando finalmente os teus pais se mudarem para uma casa deles, não peças à tua mãe que esqueça tudo o que deixa para trás. Não vai esquecer. A tempos, ela ir-se-á abaixo e ao longo da vida vais muitas vezes inverter os papéis e ter de ser tu a mãe.

Vais guardar um segredo de uma pessoa até ela morrer e vais ter de o contar aos filhos no dia da sua morte. Há pessoas que vão achar estranho que te tenha escolhido a ti para o guardares, mas tu sabes bem por que foi. Encantarás quase sempre mais as mães que os filhos e ela sonhava-te como uma filha. Pouco antes de te pedir que guardasses esse segredo, dir-te-á "Eu adoro-te, minha menina!".

Não desistas do jogo do bate pé sempre que se te acabam as hipóteses de bater o pé. És uma tótó se o fizeres. Pára de querer ter 30 anos aos 13. Lá chegarás. Aproveita.

Aprende a nadar decentemente. Essa coisa de andares anos na natação e chegares ao fim sem conseguir mergulhar vai fazer-te confusão.

Diz mais cedo à tua mãe que não queres continuar na música. Eu sei que vais andar lá 12 anos, mas só porque o professor é um dos teus melhores amigos e tu tens dificuldade em separar-te das tuas pessoas.

Vais ter um irmão. Vai ser a tua pessoa preferida. Vais amá-lo incondicionalmente. Mais que tudo. Não lhe digas tantas vezes Não, querendo que também ele seja adulto antes do tempo. Por sorte, ele vai conseguir ser um Ser Humano superior, muito melhor que tu em tudo, mas podes facilitar-lhe o caminho.

Aprende mais cedo a não julgar as pessoas. Não digas à tua tia mais nova que nunca vais gostar do namorado novo dela e que não gostas dela porque gostavas muito do Chico. Tu não saberás nada quando lhe disseres isso. Nada, pequena R.. Cala-te.

Quando a tua S. entrar na faculdade e for viver para Aveiro, aproveita muito o dia do cortejo do primeiro ano. Será importante.

Não penses em desistir de estudar porque não consegues traduzir o texto de latim do Plínio. Vais acabar latim com 18.

Não penses sempre que não és capaz. Vais andar um Verão inteiro a moer a cabeça das pessoas para saber se entras na faculdade e isso é ridículo. Queres um curso cuja média será 13 e terás acabado o liceu com média de 18,5. Tem juízo na cabeça.

Não te ponhas em causa com a primeira negativa. Vais ter muitas. Vais fazer muitas cadeiras por prova oral. Vais colar muito conhecimento com saliva. Mas, queres saber a melhor, vais tornar-te assistente.

No dia em que estiveres a ter aulas de processo e te ligarem a dizer que o teu pai foi internado, prepara-te. A vida vai custar um bocadinho durante uns tempos mas vai passar.

Aproveita tudo na tua vida académica. Tudo. E não chores a primeira semana em que estiveres de Erasmus com saudades de casa. Vai ser o melhor tempo da tua vida. Vais conhecer gente insuperável.

Não stresses a pensar que não vais a Roma. O H. e a C. vão fazer-te uma surpresa e vão contigo.

Não atendas o telefonema que te farão enquanto estás na Ópera para te cantarem um FRA. A sério. Vais entusiasmar-te e gritar também e o público ficará todo a olhar para ti. Os seguranças também não vão achar piada.

Quando estiveres de férias no Canadá, não vás andar de helicóptero sozinha e sem dizer nada a ninguém. Pode acontecer que depois fiques de castigo uns dias...

Não chores por quem não merece nas Cataratas de Niagara. Hás-de voltar lá com quem te faça só ser feliz. Ainda não sei quando... mas hás-de.

Vais ouvir dizer, numa quarta feira,  do Dr. Fernando, esta frase: "Não lhe posso garantir que o seu pai sobreviva até sexta feira". Ainda assim, digo-to agora, farás bem em fazer a vontade ao teu pai e em assinar um documento em que te responsabilizas por ele e o trazes para casa. Vais ser enfermeira dele durante dias. Além disso, podes não acreditar, vais fazer, em duas noites, um artigo científico que será avaliado com Excelente.  Vais fazê-lo na mesa da sala para ouvires melhor o teu pai e depois de duas semanas quase sem dormir. Mas vais conseguir. Talvez seja a vez em que te julgarás mais inteligente. Mas sabes... ninguém é tão bom a por-te em causa como tu própria. Depois de te passar a euforia, vais convencer-te que não leram bem o teu trabalho e deixaram passar muitas falhas e que só isso justificará a nota.

No dia em que te ligarem a dizer que o Prof. X. precisa de uma colaboradora, não digas "Eu depois digo alguma coisa, que eu tenho de pensar bem nisso!". Será o telefonema que fará a tua vida profissional dar uma volta de 180º graus. Vais apaixonar-te finalmente pelo teu trabalho.

Quando um determinado sujeito for contigo no carro, no fim de um jantar de Natal, e te tocar, não te preocupes. Vais saber po-lo no sítio. Restar-te-á apenas uma vaga sensação de nojo por ele ter sequer pensado. Mas não passará disso. Acontece às melhores. Não fizeste nada mal. Ele é que é doido.

Farás uma tese de mestrado e, quero acreditar, farás outra de doutoramento. Não desistas.

Vais amar (continuo a achar que foi isso) uma pessoa bem mais velha e durante 4 longos anos. Vão ser muito felizes juntos e não vais perceber por que não podem ficar para sempre na vida um do outro daquela maneira. No fundo, saberás. Mas vai custar-te admitir que sempre soubeste. Serão amigos. Vais querer-lhe bem sempre. E ele a ti. Mas um dia, vai passar. Mesmo. Um dia, nada no teu mundo se abalará porque o vês ou falas com ele. Será só mais uma das tuas pessoas. Durante muito tempo vais achar que isto não é possível. Mas acredita em mim. É. E será muito confortável.

O tipo que se vai queixar porque tens muita mania e queres destinar serviço às pessoas sendo mais nova que elas vai tornar-se o teu melhor melhor amigo. Vão contar coisas um ao outro que não contam a mais ninguém e ele vai ser a pessoa, na tua vida, que mais abraços apertados te vai dar, pelo menos até aos 30 anos.

A determinada altura, vais começar a ter medo das férias de Verão porque, durante anos a fio, vão morrer-te pessoas e os teus pais terão um acidente grave. Não tenhas. Tem de ser uma coincidência.

No final de 2010 a vida da tua família vai virar-se do avesso. Vais achar que tudo se vai desmoronar. Tem calma. Vão unir-se mais que nunca. Vão fundir-se como uma rocha inabalável. Vão ser capazes de ultrapassar tudo. Providencialmente, as coisas vão começar a melhorar. A tempos, terás sustos de morte. Mas vais aguentar-te. Desde essa altura, vais tornar-te comandante de uma grande navegação. Vais ter de disfarçar muitas vezes e ir trabalhar como se nada fosse, sorrir às pessoas como se nada fosse e ajudar as pessoas quando, em alguns dias, te parecerá que não haverá no mundo alma mais perdida que a tua. Vai valer a pena.

Quando, no meio desse turbilhão em que vai estar a tua vida, a pessoa que vês como âncora te escrever "espero que tenhas sempre muitos amigos e todos ricos porque só assim te poderão dar o que queres da vida", engole em seco e pensa que é alguém que não te conhece. Esquece.
Faz isso! Poupar-te-á a uma dor de alma num momento posterior e que te abalará as bases mais fundas.
Já agora, e a este propósito, não te apaixones pelo que te dizem. Apaixona-te pelo que te fazem (no caso, também não dará grande resultado... sofrerás na mesma... mas pronto, pode ser que seja menos).

Não acredites em casais perfeitos. Aquele que te parecer mais perfeito vai desmoronar-se contigo a assistir.

Aprende a gostar de fazer desporto e a beber um litro e meio de água por dia. Poupar-me-ás alguns dissabores, nomeadamente não entrar em todos os vestidos que me aparecem à frente e ter de ter o bom senso de não usar mini saia.

Aos 28 anos, vais receber o convite profissional que muita gente com a tua profissão sonha receber um dia. Vais pensar bem, vais medir prós e contras e... vais recusar. E não te vais gabar disso a ninguém. Vais tomar a decisão sozinha, embora vás ouvir os teus pais, a tua melhor amiga e a tua pessoa nesse momento. Mais tarde, vais contar a mais uma pessoa, o teu melhor melhor amigo. Ele vai dizer que fizeste mal, muito mal. Mas tu vais conviver muito bem com a tua escolha. Será talvez o momento da tua vida em que ficará mais claro para ti que não queres ser importante, nem rica, queres mesmo é ser feliz.

Ouve muito a tua avó Rosa e tem mais cedo a ideia de gravares as histórias dela. Um dia, terás o projecto de escrever um livro com elas e quanto mais material melhor.

Vais ser muito filha da mamã. Muito, muito, muito. Por isso, tenta aprender a chamar-lhe mamã e não mãe. Ela ficará bem feliz.

Cultiva o tempo para as tuas pessoas e para ti. Não queiras experimentar o mau travo de desistir de ser feliz. Chega-te que tenham desistido algumas vezes de o ser contigo.

Aposta, todos os dias, que as coisas são nada. As coisas são nada. As pessoas é que são tudo. As pessoas são tudo.

Pode ser que, chegando aos 30 anos e quatro meses menos dois dias te pareça menos impossível ser ainda mais feliz do que aquilo que sou. Não te tenho por má rapariga, mas talvez, sem estes conselhos, permaneças demasiado menina para te deixares levar pelas contas do mundo sem este medo mau que te faz sossegar quando precisas de voar. Eu sei que sonhas ter três ou cinco filhos, casar nova e comprar e reconstruir a casa azul perto dos correios. Eu sei. Não vais casar assim tão nova, pelo menos se não seguires os meus conselhos. Não sei se terás filhos e, tendo, quantos. Muitos outros lugares ao longo da vida te parecerão perfeitos para morar com os teus. Eu sei que no fundo sonhas coisas muito simples, mas as coisas simples, por preciosas, às vezes são as mais difíceis de alcançar genuinamente. Acredito que mesmo seguindo todos estes meus conselhos te perguntarás muitas vezes, muitas, muitas, qual o sentido da tua vida se não te cumpres em coisas essenciais, mas acho que a resposta a isso terá de te ser escrita por mim daqui a outros 30 anos. Quem sabe nessa altura não te digo que esta primeira parte da minha e da tua vida foi apenas como um amanhecer nublado e demasiado frescote para os dias perfeitos que estão por vir. Apesar de tudo, eu, que te conheço bem, gosto de ti. É importante. Não te fazia muito diferente. Fazia-te só mais rija para não te doerem tanto as lambadas da vida.


Deliciosamente lembrado pela Nani. Obrigada, querida!

Gostava mesmo

de fazer uma coisa assim... mas acho que nem sei por onde começar.

Do Estado das coisas

José Vítor Malheiros escrevia ontem, na página 45 do Público, que o chumbo do TC ao diploma do Enriquecimento ilícito estava bem feito. Carreava para o artigo de opinião alguns argumentos e, na minha opinião, justificava com uma linguagem óbvia as razões que "obrigaram" o Constitucional a tomar aquela opção. No fundo, o que o diploma fazia era prever uma forma mais ou menos macaca de punir a raia miúda, o fim da linha, o resultado, por manifesta mas não assumida incapacidade do Estado para investigar convenientemente e punir adequadamente a origem do problema, o crime subordinante, digamos, o que, na linguagem popular, está por trás daquilo tudo, como sejam os malfadados casos de corrupção. Não vou sequer entrar aqui na questão da inversão do ónus da prova e em como os perigos que este género de derivações dos preceitos constitucionais podem custar caro a um país. Fico-me pela ideia mais ou menos generalista de que a incompetência não pode camuflar-se com um direito penal do inimigo. No caso, do inimigo rico. E a todo o custo. Uma espécie de atacar por não ter meio de defesa. Não gosto disto. Bem preferia uma solução como a que avança José Vítor Malheiros, em que se pugnasse pela obrigatoriedade de declaração fidedigna de rendimentos, independentemente da sua origem. Parece-me uma maneira mais leal de encontrar o fio da meada. 

É por estas e por outras que uma pessoa tenta sê-lo... todos os dias!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Massas


Adoro esta massa. Cozo búzios grandes só com água e sal até ficarem al dente. Ao lado, abafo, num fio de azeite, cogumelos frescos, espargos e espinafres (hoje ainda juntei meio pimento vermelho cortado miudinho), temperados só com sal e pimenta preta. Depois escorro a massa e espalho-a num tabuleiro, junto-lhe o preparado dos legumes por cima e desfio uma lascas de salmão fumado. Espalho mozzarella e levo ao forno pré aquecido a 200º durante 10 minutos. É tãããooo bom! Até me sinto com jeito para a cozinha quando faço esta massa!

Wishlist



Adoro-as!!!
Mas são Chloé e custam 395 euros...

Os HUC e a crise

Por razões que não vêm ao caso, tenho ido, nos últimos dias, todos os dias, visitar uma pessoa aos HUC. E há uma coisa que me impressiona. De todas as vezes, eu arranjei estacionamento com a maior facilidade e quase à porta. Mesmo no domingo. Lá dentro, nos elevadores, andam poucas pessoas. Muito poucas. Já subi e desci algumas vezes sozinha. As camas estão cheias nos internamentos, mas muitas pessoas passam dias sem receber uma única visita. Os sinais da crise fazem-se sentir, por exemplo, quando há pouco, para uma ala inteira, com mais de 60 camas, estavam à vista dois enfermeiros. Só dois. Mas também se fazem sentir nos quartos só ocupados por doentes. Sem mais ninguém. O preço dos combustíveis, a necessidade de poupar em tudo, a obrigatoriedade de repensar os orçamentos abalados pelo desemprego e outras mazelas impuseram aquele silêncio hospitalar quebrado pelo som dos programas da tarde. Tocam telemóveis, mas não se tocam as pessoas. E isto faz-me uma confusão danada.

Organização de eventos

Uma vez por ano, tenho de organizar ao detalhe um evento com vários momentos, gente vestida a rigor, pessoas que riem sem gargalhar, falam baixinho e se tratam pelos títulos académicos. Já me deu muito nos nervos. Agora só me dá nos nervos por saber que tenho mais que fazer, porque, no resto, já não tenho calafrios por ter de os contactar, por receber cartas em que antes de escreverem o meu nome quase que me abreviam o curriculum e por cada contacto com cada uma destas pessoas ser filtrado por nunca menos de 3 secretários. Só continua a dar-me nos nervos porque, embora lá tenha achado alguma gente de uma cultura enciclopédica e com uma história de vida apaixonante, a grande maioria é de uma cagança que faz doer a vista. Mas tem de ser e o que tem de ser tem muita força. É uma vez no ano. E não tem corrido mal. Estou a começar a organizar o evento de 2012. Comecei hoje a saga dos palavrosos intróitos. O melhor disto é ter de escolher um tema e um orador de referência, mas depois passar às coisas mais comezinhas como as flores adequadas para as convidadas, ementas com nomes em estrangeiro, repertórios de música clássica, etc. Vá... e reencontrar aquelas algumas pessoas insuperáveis. Mas este ano vai custar mais um bocadinho. É um evento onde, de ano para ano, não somo vidas, mas mortes. E as duas deste ano, por diferentes motivos, só podem fazer daquela tarde e da noite que se seguirá, inevitavelmente, um evento bem triste.

Mudança de planos

Afinal amanhã não vou fazer o jantar. Não. Mas vou jantar com a minha amiga. Diz que vamos a uma janta madeirense. E pronto... venham lá desdizer o sonho da menina que se afogou e flutua entre nenúfares de serenidade depois de ter a lua, como diria o Torga...

Da fruta

Comprei morangos. São brancos por dentro. É estranho. São bons. Apesar de tudo. Mesmo bons. Gosto de morangos.

*

É por estas e por outras que a blogosfera ainda é um lugar onde me sinto confortável e alguns blogs um sítio onde me sinto em casa. 

Gosto tantooooo







O meu reino por

uma massagem nas costas e depois a possibilidade de ficar deitada de barriga para cima o dia todo.

O comentário que deu post #1

O título é roubado à Rita, mas acho que ela não se vai zangar comigo...

Este post reproduz um comentário que deixei no post anterior, a propósito de um eventual projecto de doutoramento do pedro b.

Como não é a primeira vez que me perguntam por que raio me meto nisto se depois é para me andar a queixar, talvez o post ajude a entender o que se passa comigo.

E é isto:

Pedro, uma vida normal é aquela em que não tens de carregar sobre os ombros e, pior, na tua mente, uma preocupação constante com um projecto laboral que parece não ter fim... anos a fio nisto. Porque mesmo quando não estás a trabalhar, sentes-te mal... porque devias estar. E há alturas em que não trabalhas, de todo, ou porque a tua vida não pode e não se resume àquilo ou simplesmente porque não consegues, ficas ali dias inteiros a escrever 1 frase e a apagar 15.
Mas isto é a minha visão das coisas, não quero mesmo que me leves a sério e deixes de o fazer se achares que vai ser bom para ti. A questão prende-se mais com isto: eu não sou feliz a fazer teses, nunca fui. Eu faço estas coisas porque são a única maneira de poder continuar na profissão que amo. Para mim, elas não são um fim, mas um meio, entendes?! Ora, quase sempre os meios para se alcançarem os fins são uma coisa que prezamos menos. Eu gosto de dar aulas, gosto de escrever artigos pequenos (20/30 páginas), gosto de investigar um tópico para saber mais daquilo, gosto de pensar sobre as coisas mas sem uma deadline que não seja a da minha disponibilidade para me inteirar melhor do assunto, enfim...
Para alguns, e talvez acertadamente, eu não serei uma académica por excelência, mas é o que temos.
No fim, sinto um profundo orgulho do que faço, mas mesmo aí tenho dúvidas que não somem (eu só as calo e fico com elas só para mim) e continuo a achar que os anos de vida que se perdem, os cabelos brancos e as rugas que se ganham e o frangalho humano em que em algumas fases nos tornamos não compensam. O meu sonho de felicidade passa por coisas bem mais simples, mesmo bem mais simples.
Mas enfim... como te disse no princípio, isto é a minha opinião. Há gente que delira de alegria com estas empreitadas...
Espero que faças a escolha certa. E que sejas feliz... à tua maneira!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Verdades e assim assim

Estou há quatro horas a responder a mails. Quatro horas. Quase ininterruptamente. Só não respondi a mails no fim de semana e para a troca estive quatro horas a responder a mails. A sério... não acho normal.  Tudo, tudo, mesmo tudo, mails de trabalho... a pedirem cenas e coisas e opiniões e avaliações e documentos e merdas. Estou com uma dor de costas capaz de levar uma pessoa às lágrimas e, só naquela, com a telha. Quatro horas. Vou tomar banho e vestir um pijama que se calhar é coisa para me deixar mais bem dispostinha. 

Vá... como estou com a telha, se calhar posso berrar só mais isto: EU TENHO UMA TESE DE DOUTORAMENTO PARA FAZER, OH ALMAS!!!

E levava-me ao altar #23



Gosto tanto desta música... 

Marido ao domicílio

Hoje cruzei-me com esta empresa. Antes de perceber o que eles se propunham fazer, pensei "O descaramento não tem limites!!! Até já fazem publicidade a isto nos carros!!!". Depois lá vi que vão a casa das pessoas arranjar-lhes as canalizações e a instalação eléctrica, fazer biscates (tenho uma luz fundida no hall, uma luz a piscar na cozinha e a porta de um armário que cai de cada vez que é aberta e me obriga a uma grande ginástica para a encaixar diariamente) e dar-lhes luzes sobre cenas (não confundir com dar-lhes cenas que as façam dar à luz!). E lá me rendi. Acho piada. E mais piada ainda tem o site e os nomes que eles dão aos tipos de serviços prestados. Ainda há gente com humor e eu cá sou uma pessoa que aprecia gente com humor. Do bom. Bom humor. Só não sei é se, ainda assim, esta será uma solução para todos os problemas que se espera que os maridos resolvam (e não estou a pensar em cenas de dar à luz... insisto). É que lembro-me da vez em que mais senti falta de um homem cá em casa... e desconfio que eles não me resolveriam o caso como deve ser e àquela hora. 

Da janta... ainda

Se forem aqui, vão ver que a minha O. só falou bem... mesmo sem que eu lhe tenha pago caro por isso. Vai daí e decidi-me a arriscar. Tal e qual. Sem medos. Acho que quarta feira recebo outra vez gente em casa. Só uma amiga. Isto não dá para grandes festas, primeiro porque eu moro numa mini casa e depois porque eu trabalho e a logística de uma festa não é igual à de um jantar informal para duas alminhas amigas del cuore. Mas esta amiga precisa. Esta amiga merece. E pronto. Desta vez vou apostar num risotto de cogumelos e no bolo beijinho, tudo devidamente aconselhado pelas minhas pessoas. É isto. Na pior das hipóteses, chegando à hora de jantar ligo para a telepizza.

Das noites

Esta noite sonhei que estava a fazer campismo e que andava por lá aos beijos ao Mickael Carreira.

Internem-me.

Não sou eu que digo #1


Durante a vida encontramos algumas (poucas) pessoas que achamos serem especiais, que são exatamente aquilo que procuramos, que nos completam, que não são perfeitas, mas que são perfeitas para nós e a quem entregamos o coração, sem reservas, sem limites de qualquer tipo. Algumas dessas vezes, o nosso coração depois é mal tratado, espezinhado e ignorado das formas mais brutais possíveis e o nosso mundo parece acabar e pensamos que nunca mais vamos entregar o coração a ninguém, porque o que vai acontecer é sermos magoados outra vez. Analisamos e voltamos a analisar todos os momentos da relação, o que dissemos e o que não dissemos, o que poderíamos ter dito e o que deveríamos ter dito, mas tudo em vão porque o que foi, simplesmente não volta a ser.
Dizem-me que também é disto que a vida é feita e que no fundo todas as más experiências que nos acontecem servem como antecâmara para aquele alguém que realmente vai achar que o nosso coração é um tesouro inestimável e vai guardá-lo com todos os cuidados e que em troca também nos vai dar o seu coração para guardar. Gostava tanto de acreditar nisto e que há um propósito para estas tentativas falhadas e gostava também de acreditar que num mundo de 7 mil milhões de seres humanos, todos eles encontram o seu alguém, mas sei que isto não é verdade e não estou numa fase em que, no meu caso, essa felicidade suprema me pareça possível…


*Não fui mesmo eu que escrevi. Foi outra pessoa, um amigo. Mas merecia ficar aqui. E houve acordo quanto a isso.