segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Malas prontas

Estamos de malas prontas. A torcer para que não sejam precisas pelo menos nas próximas três (vá, quatro) semanas. Ainda não tirámos as fotografias da praxe, grávidas e com o filho a dar beijinho na barriga e coisas dessas. Não sabemos quando teremos oportunidade de o fazer. Temos tido contrações. A dor ciática voltou. Andamos a passo e a gemer. Tudo nos custa, até dormir. Começamos amanhã uma maratona de aulas (em que damos as que era suposto e antecipamos algumas por conta da licença de maternidade) e arguições de mestrados. Vamos passar a dormir fora uma vez por semana, sozinhas, a cento e alguns quilómetros de casa. Haverá aulas ao sábado, também. Temos a nossa Lúcia de férias até ao final de Setembro. As camas, no entanto, não se fazem sozinhas, o chão não se limpa, a louça não se arruma, as casas de banho não se lavam, enfim...  Pequeno F. começou a andar. Ainda não passou dia nenhum, desde essa altura, sem cair. Pede colo. E está pesado. Há muitas, mesmo muitas, ocasiões em que o único colo por perto é o nosso. Não há mais ninguém em casa. Tenho dias em que me sinto a super mulher. Noutros acho só que devo pouco à inteligência. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Etiqueta da visita

Desde que fui mãe, a minha regra de ouro é NUNCA visitar uma grávida em fim de tempo ou uma recém mamã sem ser convidada. Deixei de visitar as pessoas no primeiro mês de vida dos filhos. Passou a ser uma falta de educação para mim. Abro uma excepção, lá está, se a mãe me convidar. A mãe. Não é o pai, nem a sogra, nem a prima, nem o piriquito, que sabem tanto de como se sente a mãe como eu sei sobre o fim do mundo. Se a mãe não me chama, eu não vou. Se a mãe for muito, mas muito, mas muito, mesmo muito, muito íntima, visito-a na maternidade. Se não, envio uma mensagem "Amiga, estou à distância de um telefonema. Dispõe para o que precisares. Sei que os primeiros tempos não são fáceis e precisam todos de se adaptar, aí em casa, ao bebé. Beijinhos grandes. Custa um bocado, mas vais ver que é o melhor do Mundo."

Amor é

organizar a roupa de uma pessoa. Pensar nas calças que ficam melhor com aquela camisa ou se é melhor manga curta ou comprida. Tirando a minha mãe, e só quando era mais pequena, nunca tive ninguém que me fizesse isso. Nem quero. Mas se isto é o tipo de coisa que as mães fazem, como é que alguém pode duvidar que seja amor?!

Desabafos

Hei-de criar um blog absolutamente anónimo, penso para mim tantas e tantas vezes. Um daqueles em que quem escreve não é (re)conhecido por ninguém que lê. Um daqueles em que se pode dizer tudo e mais um par de botas sem delicadezas. Um daqueles em que até os desabafos mais insuspeitos têm lugar. Se já me calo por meia dúzia de pessoas, imagino quem tem blogs públicos. Aquilo há-de cumprir, que cumpre, uma missão importante de entretenimento, quer para quem escreve, quer para quem lê, mas, quanto mais público, menos fiel ao que se passa no dia a dia das pessoas. Parece-me a mim. Não vão aborrecer os seguidores e assustar as marcas com desabafos cinzentos, às vezes negros, dos dias piores, daqueles em que já não se pode ver ninguém e a vontade é mandar meio mundo à merda. Há dias desses. No meu caso, tenho alguns. Ando numa fase em que são frequentes. Estou cansada que me perguntem pela barriga e se esqueçam que tenho um filho que também é bebé. Estou cansada que opinem sobre a retenção de líquidos que faz os meus pés incharem e parecerem balões. Estou cansada que se imponham, em presença, numa fase em que quero é paz e sossego. Estou saturada de gente que acha que estar grávida é igual a ter um ligeiro desconforto. Fico tristíssima quando a ideia parte de quem tinha obrigação de saber que estar grávida dói. Que estar grávida no verão e a pegar num filho de 12 quilos dói mesmo para caralho (nunca escrevi esta palavra, mas aqui assenta que nem uma luva), que virar na cama implica sentir que a anca se vai desconjuntar a qualquer momento e que calçar sapatos, enfiar as cuecas, lavar a cabeça ou apertar os fechos de trás de vestidos são tarefas que implicam algum suor para serem executadas. Estou mesmo cansada de quem não ajuda. De quem pede compreensão e se esquece que está a falar para uma pessoa a semanas (quem sabe dias) de parir. Estou tão triste com quem pede doçura e não é doce. 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Andamos a viver a vida fora daqui... mas ainda por aqui passamos: a novidade!


A Maria deverá nascer em Outubro. Exactamente 18 meses depois do irmão. Eu mantenho dois empregos. Durante alguns meses, três. O pai continua a ter escritório a 100 km de casa. Não dormimos uma noite decente desde que fomos pais. Quando o nosso filho acorda três vezes numa noite, para nós, isso é uma noite boa! Dizem que é loucura. A verdade é que, pelo menos de manhã, mantemos o plano de ir ao 3.º em breve. À noite, às vezes, questionamos o plano. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Acreditem se puderem

Estou a vigiar uma prova numa das mais conceituadas universidades do país. Um aluno acaba de se dirigir à minha secretária e proferir exactamente estas palavras: "Eu preciso de mijar! Como é que faço?"

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Rio

com Fraga?!

Não alcanço!

XAU

O meu filho aprendeu a dizer adeus. Para abanar, dengoso, a mão direita, basta que lhe digam "Diz xau". É tão automático que a palavra "xau" desencadeia nele uma reacção imediata. O pai adora o facto de se perceber que o F. está cada vez mais comunicativo, já percebe o que lhe dizemos e procura agradar. No outro dia, ao jantar, comentava comigo como ficava embevecido quando o pequenino acenava o x-a-u. E disse assim, letra por letra e baixinho. Eu, em piloto automático depois de dois meses de exames e orais em três empregos diferentes, não percebi. x-a-u? O que é isso? E ele: junta as letras, mulher. Eu: ah, xau. E foi ver o meu filho numa sessão de adeus enquanto, boquiaberto, não via ninguém sair. Não se pode dizer xau. Só x-a-u. A bem das articulações da minha cria.

Lá por casa #1

Eu: Arranjas a torneira da cozinha? 
Ele: Hoje não. É domingo, dia de descanso (fartamo-nos de trabalhar a domingos, mas não lhe veio mais nada à cabeça!).
Eu: Então quando?
Ele: Amanhã?
Eu: Já na semana passada disseste isso.
Ele: É para tu veres que eu não sou uma pessoa que um dia diz uma coisa e outro dia diz outra.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

9 anos de blog

e a secreta esperança de uma avassaladora vontade de voltar em breve.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Marcelo

deu um murro na mesa e deixou claro que está tão cansado disto como nós. Vamos ver se a força que o cargo lhe confere e a legitimidade de uma eleição sem espinhas lhe custam medidas tão urgentes como polémicas. Aguardo.

Nunca mais

dormiu um noite inteira. Como quem carrega uma parte do peso do Mundo. Não lhe era possível morrer, ou fugir. Era um castigo ficar. E tinha de ser. Sabia pouco e de quase nada. Dava ares de estúpido, mas acenava. 

Do negro

As terças são os meus dias de Porto. Saio cedo, deixo o meu filho na creche e rumo ao Norte. Faço sempre o mesmo caminho e demoro sempre mais ou menos uma hora. Menos hoje. Hoje vim devagar, quase parando, na faixa dos camiões e ultrapassada por eles. Esmagada por quilómetros sem fim de um fumo denso e as silhuetas negras de árvores que ladeiam o meu caminho. Não há, para quem segue pela A1, na zona de Aveiro, um palmo de verde que se aviste. É tudo fim. É tudo passado. Há rescaldos feitos à pressa e fábricas no chão como um baralho de cartas que é tomado pelo vento. Inteirinhas. Dos Armazéns Reis, compradores sobejamente conhecidos da marca Moviflor, resta a memória e um entulho que ainda não houve tempo de apanhar. Não sobra nada a não ser um caminho para a frente, a sós, resilientes como nos mandam. Não há desculpa. Não quero saber quem sai ou quem entra porque, por mim, podem todos morrer longe enquanto nos gozarem com a lata displicente de quem se sente acima do abismo. Vão à merda com os relatórios e os estudos e as Comissões e os independentes e o raio que vos parta. É estrutural, porra. É de fundo, estúpidos. Falha sempre tudo, inevitavelmente, quando o adversário se chama incêndio. Não vale a pena arranjar desculpas. Há escolhas a fazer: queremos uma indústria que factura à custa disto ou queremos uma floresta? Escolham: o lobby das celuloses ou a vida das pessoas? Decidam, antas. Mas não nos continuem a enganar. É o lobby das celuloses? É? Muito bem. Assim faz sentido mandarem-nos ser resilientes e proactivos, cagarem de alto nos números de área ardida e nas lesões respiratórias provocadas por um ar carregado de cinza, passarem por cima da quantidade de cadáveres que vos deviam pesar na consciência e preocuparem-se com as férias. Pronto. É assim, não é? Muito bem. Mas, então, não esperem nada mais de nós senão ódio visceral, revolta de entranhas e uma mensagem pública de que somos governados por anedotas travestidas de gente. Tenho vergonha alheia por cada um de vós, gente pequenina. 

domingo, 8 de outubro de 2017

Creche

Chorei baba e ranho da primeira vez que o lá deixei.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A parte chata do trabalho

Voltar a lidar com cabras que não são do monte!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Apetece-me, sei lá!

Regresso agora

Regresso agora, com um filho com menos de seis meses e três empregos. Não hesitei muito. As ofertas eram boas e era tudo gente decente. O meu marido e os meus pais garantiram que seguravam as pontas e toda eu reclamava por voltar ao trabalho. Adorei poder ver a primeira gargalhada do meu filho, conhecer-lhe de cor as curvinhas do pescoço ou antecipar o olhar maroto de quem acha o cabelo da mãe o mais atractivo dos brinquedos. Foi e é delicioso vê-lo acordar SEMPRE bem disposto depois de noites cada vez melhor dormidas ou chapinhar no banho porque encara aquilo como um spa para bebés. Mas a minha vida, mais tempo, reduzida a fraldas, leitinhos, consultas, sestas e uma horrível sensação de que o mundo está a correr lá fora e eu já nem sei qual é a notícia de abertura do telejornal, estava a dar comigo em doida. Há-de ser difícil para os pais sair todos os dias. O meu marido havia dias em que jurava que o nosso filho mudava de feições de manhã até à noite. Mas não deixa de custar ficar. Ver toda a gente chegar, até ajudar, mas depois ir. E sermos sempre, SEMPRE, nós a ficar. Ir trabalhar não deixa de ser um momento de gente grande, em que se pode tomar um café sem a preocupação de não fazer barulho porque a birra pode voltar, agora que, ao fim de três horas, conseguimos adormecer o pequenito. Ir trabalhar significa poder fazer uma viagem sem ninguém em esforço para sair do ovo, aos pontapés aos brinquedos. Ir trabalhar significa poder usar a hora de almoço para responder a mails, ir ao supermercado ou até, pasmem, ver montras. Até ver, não me sinto nada culpada por sentir tudo isto. Nada disto diminui o amor que tenho pelo meu filho. Mas é uma mãe equilibrista a que lhe está destinada. Preciso de saber que o meu filho está bem entregue. E sei que está. A partir daí, deixai-me ir. Estou cansada de só ver gente a sair e de eu ter SEMPRE de ficar. Sei que não vai ser fácil, mas quero muito que corra bem. São três empregos e um filho. É uma vontade grande de lhe dar irmãos não tarda. E um futuro todo à nossa frente. Escreva-se. 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Três meses de filho


E o coração a agigantar-se em amor todos os dias.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Do horror

Escolho não usar nenhuma das muitas imagens que já todos gravámos na memória e na retina. Escolho também não falar dos números que já todos tememos, tantas vezes, não estarem fechados. Escolho ainda não apelar à ajuda que cabe à consciência de cada um ponderar. Escolho, finalmente, não apontar o dedo a ninguém. Sobra-me uma palavra sobre uma Ministra que não arredou pé, um Secretário de Estado exausto e um sem número de operacionais, essencialmente bombeiros, que dão o peito às balas por um país e um povo. Força. E outra, a última, para o que resta dos vivos desta tragédia de Pedrógão Grande e arredores. Há que enterrar os mortos e seguir em frente, dizem. Não sei como, nem quando, nem onde. Sei que terá de ser assim. E que é tão injusto que parece mentira.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Maio


Gosto mesmo de Francisco. Já o vi ao vivo em Roma e acredito que não é por acaso que pede sempre que rezemos por ele. Escolheu um nome que me diz muito e que também escolhi para o meu filho. Por isso, ter Francisco em Fátima só pode ter sido, para quem lá esteve, um momento tão único como os momentos mágicos, de tão raros, que há na vida.
Gosto muito da música "Amar pelos dois" e muito antes de eu ouvir falar no Salvador já o meu filho adormecia ao som da voz da Luísa Sobral quando canta o Senhor Vinho. Há um qualquer fascínio do meu filho pela voz da Luísa e, especialmente, por esta música.
Maio estava a ser um mês generoso.
Depois o meu filho adoeceu pela primeira vez. Disseram-me que tinha de ser internado imediatamente, picaram-lhe os bracinhos pequeninos e enfiaram-lhe um cateter na mãozinha que só estava habituada a beijos e mimos. O meu filho esteve enfiado num tubo para fazer um exame e ficou com uma nódoa negra no pescoço porque tiveram de lhe tirar sangue da jugular. Vi tudo. Vimos tudo. Eu e o pai. Segurei-o para o aspirarem e passei horas a garantir que a máscara do oxigénio estava no sítio. Dormi uma semana sentada num cadeirão do Pediátrico. Conheci mães que vivem no hospital, que vão a casa a cada três ou quatro ou seis meses. Não fiz amigos, mas o meu coração ficou um bocadinho com cada um dos miúdos que conheci e que, caramba, estava tão pior que o meu filho... quando o meu filho, com seis semanas, já não estava nada bem. Pedi aos amigos que rezassem e que, se não soubessem rezar, se pusessem a torcer por nós. Vi a nossa família mobilizada porque o seu mainovo estava ali. Contei, mais uma vez, com um marido que, teimoso, me mandou dormir uma noite, tomar um banho decente e ganhar, assim, força para mais uns dias. Nunca tinha estado internada. Passei uma semana na maternidade porque tive o meu filho e passei uma semana no Pediátrico a acompanhar o meu filho. Ter um filho está a fazer de mim muitas coisas. Uma delas é esta - SER mãe. Antes e acima de qualquer outra coisa. Maio foi, apesar de tudo, um mês bom. Estamos em casa. Estamos bem. Estamos todos. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

E o terço, caramba?!



A Joana Vasconcelos criou um terço para a comemoração do centenário das aparições. O terço é, na minha modesta opinião, uma ode ao mau gosto, suspenso ali numas coisas, a despropósito. Veio entretanto a público a notícia de que o terço gigante não seria inédito e que numa localidade brasileira o que mais se conhece são terços gigantes pendurados entre dois paus ou coisa que o valha. Caiu o Carmo e a Trindade. Entre acusações de plágio e uma defesa esfarrapada da artista, a coisa tem tudo para marcar a obra pela negativa. Ora bem, eu já fui ver coisas da Joana Vasconcelos e gostei. Lembro-me do sapato com panelas, por exemplo, do bule de ferro forjado ou do piano de meia cauda em croché e até, de certa maneira, do candelabro de tampões. Mas este terço é muito mau. E vem depois daquelas tiradas poéticas sobre o que a Joana levaria na mochila se fosse uma refugiada e em que a artista referiu as jóias e os cadernos e os lápis de cor... A Joana tem, numa linguagem que usamos cá por casa, virado um bocado à esquerda. Ultimamente, tem sido cada cavadela sua minhoca. O terço, enfim, vem por acréscimo. O discurso dela em Fátima é, então, a cereja no topo do bolo. E assim deixa de se apreciar uma artista. É uma pena. Passou-se. 

Le Pen

Uma pena se ganha!

Baleia azul

Sou só eu a achar assustador que miúdos informados e esclarecidos se metam numa coisa destas?! Venho-me perguntando sobre a informação e o esclarecimento que andamos a dar aos nossos filhos... Perturbador!

Hoje mais do que ontem e menos do que amanhã

Ninguém nos diz que o amor pelos filhos, aquele assim que é maior que o peito e não cabe cá dentro, não nasce no parto. Quando um filho nos nasce, há muito que nos nasceram já expectativas. Uma delas é a do "amor de mãe". Também eu a tinha, convicta desde o início que esse "amor de mãe" não seria maior, nunca por nunca ser, que o amor que tenho ao meu irmão. Tenho um irmão mais novo onze anos e dedico-lhe, desde que nasceu, o meu amor mais profundo e genuíno. Aquele amor desinteressado e que se espanta com o seu agigantar, esse amor, esse eu já o experimentava há 25 anos. Capaz de dar a vida por algumas pessoas, punha a cabeça na linha do comboio pelo meu irmão e sem hesitar. Criei com ele uma cumplicidade que ultrapassa as arrelias e que supera os silêncios. Somos, mais que irmãos, apaixonados um pelo outro. Acreditava, pois, que nada superaria isto. Que amores imensos eu conhecia já outros, pelos pais, pelo marido, enfim, mas que este "amor de mãe" era o que eu dava ao meu irmão e ponto final. Sucede que o meu filho nasceu e eu só o amei. Era capaz de por a cabeça na linha do comboio por ele, passei a primeira noite em claro a decorar-lhe as feições e descobri nele um perfume que transborda doçura, mas eu só o amava. O meu "amor de mãe" não era ainda um espanto a acontecer. Só os dias, a calma da vida a retomar o seu curso com um filho na bagagem, a paz do encontro que acontece sempre que ele acorda e reconhece o som da minha voz, só isso, assim, a vagar, me mostrou que o "amor de mãe" não nasce no parto. O "amor de mãe" não é nem maior, nem menor que os amores que eu já senti, assim desses que nos enchem a alma. O meu "amor de mãe", pelo menos o meu, é tão simplesmente uma coisa toda diferente. É amar na continuidade do amor que nos temos, como ritual de renovada esperança a cada momento. O meu "amor de mãe" sou eu e está fora de mim, transforma o que eu era e adivinha o que eu ainda não sou. O meu "amor de mãe" só faz amansar-me os dias e adoçar-me a vida. Hoje mais do que ontem e menos do que amanhã, o meu "amor de mãe" é um caminho à minha frente. O meu. Só nosso.

1 mês de KikoMi

O meu filho fez um mês na quarta feira. Fomos jantar fora e o pai trouxe bolinhos. Estive tentada a deixar-vos uma fotografia dele, mas desisti. É demasiado precioso para o expor. Como as coisas melhores, as mais de dentro, bem lá do fundo, quero-o guardado para o que tenho como certo: a vida real. Há, nas visitas ao blog, muita gente que me conhece, que nos conhece. Há também muita gente que, não nos conhecendo, só nos envia boa energia. Mas eu sei lá se não anda por um aí um maluco que me pega na fotografia do rapaz e a mete em sites patifes?! Assim sendo, guardo o meu filho dos vossos olhares, mas conto-vos que já dorme quatro horas seguidas de noite (quase sempre!), que adora tomar banho, que tem crises de stress quando lhe dá a fome e nessas alturas é capaz de até chuchar na palma da mão (!). O meu filho é loiro e tem um remoinho no alto da cabeça. Tem uns olhos grandes que engolem o mundo todo quando se abrem e me aquecem o coração de tão felizes. O meu filho sorri, inesperada e reflexamente, quando lhe dou beijinhos repenicados na bochecha ou quando o pai lhe faz ginástica com as pernas. KikoMi dorme sempre com as mãos para cima, posicionando invariavelmente a direita debaixo da cara. Faz bolinhas com saliva e treme todo quando espirra. Odeia quando lhe meto o soro fisiológico no nariz e ainda não se habituou a cortar as unhas. Fez um mês na quarta feira.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A data provável

28 de Abril era a data provável do parto. O meu filho faria hoje 40 semanas na minha barriga e, dizem, devia estar a sair. Veio antes. Há 25 dias que está nas nossas vidas e já não podíamos viver sem ele. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

03/04/2017, 20h11m

O Francisco Maria nasceu no dia 3 de Abril, às 20 horas e 11 minutos. Nasceu de parto normal, depois de dezoito longas horas de trabalho de parto, com 3090 kg e 49 cm. Tem os olhos mais expressivos que conheço, imenso cabelo, loiro, umas pestanas compridas imensas em beleza e um nariz tão perfeitinho que parece ter sido esculpido por artistas. Espreguiça-se com o corpo todo, adora tomar banhinho, bebe o leite até ao fim e ainda reclama por aquilo acabar e chora, em regra, aos soluços e baixinho, cheio de mimo. O meu filho esboça sorrisos quando está deitado no peito do pai e quando eu lhe dou beijinhos na testa. Às vezes, põe as duas mãos à volta do meu pescoço e o mundo acaba-se e recomeça naquele pequeno grande abraço que é só nosso. Prometi-lhe um mês só para ele. Volto em breve. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Coisas giras, que as futilidades também são precisas, caramba!


Nike

Omnia

Omnia



Pretty Ballerinas

Michael Kors

Ti sento


Massimo Dutti

Com pequeno F. a nascer, sapatilhas e carteiras à tiracolo serão o meu novo must-have! Tenho muito pânico de cair. E de não ter mãos livres para as festinhas ao filho. Depois, bem, depois há as futilidades de sempre: brincos, sabrinas cheias de brilho e vestidos com rendinhas. Sou uma rapariga de detalhes.

terça-feira, 21 de março de 2017

Pê de Pai. O meu, que perdeu 54 quilos nos últimos seis meses, depois de quase nos ter deixado para sempre, deitado numa cama da sala de emergência de um hospital, o que só aceitou tratar-se para poder conhecer um neto que à altura não contava sequer com 12 semanas na minha barriga, mas se fez forte na determinação de também conhecer o avô, ansioso, estou certa, pelas tropelias a dois que serão só mesmo deles - o meu, esse mesmo, tinha um sonho. Tão fácil de realizar para qualquer um e tão inatingível para ele nos últimos 30 anos... Gostava que me dissessem, cada um de vós, o que representa para si vestir umas calças de ganga. Dou voltas à minha cabeça e não consigo imaginar a magia de uma coisa tão simples. Mas vi-o chorar no domingo, assim, contemplativo, perante umas calças de ganga. Limpou as lágrimas sem qualquer pressa ou vergonha e abraçou cada um dos filhos como se lhe tivéssemos, numas calças de ganga, devolvido a esperança numa vida com saúde. Pê de Pai. Coisa extraordinária.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Primeiras horas

A roupa interior é a que o pai usou quando nasceu. O resto, bem, o resto é NaturaPura. Nas primeiras horas tem tudo bege. A partir daí, o céu é o limite. Tem fofos de xadrez escocês, tem umas dez mantas diferentes, tem fraldas com o nome bordado, tem envelopes de tecido feitos à medida para cada toilette, tem gorros com a forma de pequenos animais, tem jeans, tem tapa fraldas feitos à mão, tem collants a condizer com cada casaco, tem saquinhos personalizados para tudo e mais alguma coisa, tem sapatos de atacadores e pantufas da Serra da Estrela para recém nascido, tem babetes de mil feitios, tem roupa com mensagens, um kikonico com o nome dele gravado e uma mala de viagem só dele, novinha em folha, azul cobalto. É um mimado. 

99

Percentil 99. Não é muito gordinho, mas está para lá de todas as médias quanto à altura. O meu homem sempre me disse que eu era praticamente anã e que o mais certo era termos filhos que a meio da adolescência já me olhassem de cima. Confirma-se. Resta apenas acrescentar que há consenso médico quanto ao facto de pequeno F. vir a ser mais alto que o pai. Muahhh... O pai vai passar a também ser um minorca nesta família!!!

Wishlist de uma grávida

Já informei o meu marido, os meus pais, o meu irmão e quase todos os amigos. Quando o pequeno F. nascer, dispenso, nas visitas à maternidade, flores e chocolates. Quero mesmo é que me levem sushi. Muito.

Fita cola


Costumamos brincar com o meu pai porque tem a mania que qualquer coisa se consegue resolver com "um cordelinho", "um palito", "trombocid" e "fita cola". Para tudo, para qualquer problema, o meu pai menciona uma ou várias destas maravilhas. Há alturas em que nos rimos só de olhar para ele e pensar que a pessoa que partiu a perna precisa é de trombocid e um cordelinho ou que o carro que se espatifou pode voltar a andar com um palito e fita cola. Sempre que o homem nos informa que "há um problema" (ele é muito drama queen), mesmo sem sabermos o que é, mas antecipando, pela cara, que é um dos problemas do pai, daqueles que só ele acha muito complexos, perguntamos, geralmente em coro "Já experimentaste trombocid? E um cordelinho? Se calhar isso vai lá é com um palito e fita cola!". Pois bem, o Trump não conhece o meu pai e o meu pai não simpatiza com o Trump, mas descobrimos agora que têm algo em comum. Depois de olharmos para esta fotografia, também achamos que o Trump sobrevaloriza a fita cola :)

segunda-feira, 6 de março de 2017

A sorte que é ter estrelas só nossas...


Temos quase tudo a postos para a chegada do pequeno F. Falta comprar umas fraldas descartáveis e enfiar tudo nas malas. Na minha. E na dele. Fazemos esta semana mais uma ecografia e estamos desejosos de saber novidades. A minha barriga cresce a olhos vistos, custa-me subir escadas, vestir os collants e esfregar o cabelo. Durmo de lado, mas acordo de duas em duas horas para fazer chichi.  Devo ter a bexiga do tamanho de uma ervilha, é o que é. De tão apertadinha para deixar o petiz à vontade.  Pergunta da praxe neste momento é se continuo a trabalhar. Continuo e não tenciono parar antes do parto. Ando cansada, mas não me estou a ver, ainda sem filho, a passar os dias enfiada em casa. Tenho um artigo para entregar até ao fim do mês (há muito tempo que a minha lista de pendentes urgentes não era tão curta) e por isso dava-me jeito não entrar em trabalho de parto entretanto. Há quem diga que já temos todo o ar de "fim de tempo" e quem aposte que ele só chega em Abril. Estamos à espera. Serenos, como nos pedem. A agradecer as coisas boas e a aprender alguma coisa com as partidas que sofremos durante os últimos meses. Temos um avô muito melhor, é certo, mas também passámos a ter uma avó no céu, em forma de estrela, há menos de um mês. Damos ao pai os mimos todos sem regatear e portamo-nos à altura do desafio. Tentamos ser e fazer o nosso homem grande feliz. É uma felicidade diferente, cheia de memórias, mas repleta de esperanças no futuro. Somos uma família com pessoas que vão embora, para o céu, em forma de estrela, e outras que estão a chegar. Somos a vida a acontecer. E é assim que temos de viver... Temos uma grande sorte. O nosso F. ainda tem quatro bisavós vivos. Tem os outros no céu, em forma de estrelas. O nosso F. ainda tem três avós por cá, cheios de vontade de o ver. Tem agora uma avó no céu, estrela que brilha mais que todas no escuro. O nosso F. tem uns pais que o adoram, e, também por cá, tem tios, tem primos e tem muitos amigos. Tem lá no céu uma constelação de estrelas boas que só podem olhar por ele e por nós, hoje e sempre, porque nos une, aqui, lá, em todo o lado e para todo o tempo, uma coisa chamada amor. É um F. rodeado de amor. E isso... isso é mesmo uma sorte!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Do enxoval #1

Chegámos às 30 semanas sem ter comprado NADA para o nosso filho. E notem, quando digo NADA,  é N-A-D-A! Num uma fralda, nem um babete, nem uma chucha, nem umas meias. N-A-D-A! O nosso filho tinha já alguns brinquedos que os amigos lhe foram dando e uma colecção de roupa considerável, patrocinada também por amigos e por familiares, especialmente pela minha mãe, que não pode sair de casa sem comprar alguma coisa ao crianço. Tem livros e Cds. Começávamos, porém, a sentir-nos um tanto estranhos, sobretudo depois dos olhares de reprovação quando confessávamos que não, o menino não tinha berço, nem carrinho, nem quase tudo. Confesso que me tenho exercitado na arte de não consumir desenfreadamente, para o que muito contribuiu ter combinado com o pai que faríamos as primeiras compras juntos. Fomos adiando. Fomos fechando trabalhos pendentes nas horas vagas. Nunca mais nos dava para enfiar numa loja e deixar lá vários ordenados. Foi ontem, por isso, o dia. Finalmente. Depois de até a médica nos dizer que, se calhar,  convinha começarmos a pensar a sério nesse assunto. Assustava-nos as mil e uma opções que nos iriam apresentar, a parafernália de nomes de que nunca ouvimos falar, o excesso de informação dado a pessoas que só querem criar um filho em condições, não pretendendo entupi-lo de cenas tão esquisitas como baldes de lixo perfumados e que selam fraldas ou higrómetros. Somos fãs de creme barral, achamos que o algodão é perfeito para bebés, optamos por cores neutras porque queremos ter mais filhos (!!!), esforçamo-nos por não cair em deslumbres de ocasião. Se estivermos para aí virados,  acho que quase dá para pedir empréstimos para o enxoval. Não vale a pena. Queremos coisas boas, duráveis, confortáveis, confiáveis e que façam falta. Não queremos ter de trabalhar cada um mais 10 horas por dia para dar ao nosso filho tudo menos tempo. Vai ser, por natureza, mimado. Vai ser neto de avós que já não falam noutra coisa, sobrinho de tios embevecidos, o caçula de um grupo de amigos sem igual, um filho muito desejado. Acho que estamos cheios de amor para o receber e, para além disso, tirando algumas coisas, o que quero mesmo dar-lhe é tempo. Vai daí, e não se apoquentem, aviámos para já o berço, o carro, o ovo, a alcofa, a banheira, o muda fraldas, a luz de presença, a almofada de amamentação e mais duas chuchas (a tia H. já lhe tinha dado uma). Começa a parecer cada vez mais que o F. está a chegar, caramba!

Alguns eleitos:


Chicco Next To Me Dream Legend

Tem doze posições em altura, é adaptável a sommiers, tem rodinhas, pelo que podemos mudá-lo facilmente de divisão, serve de espreguiçadeira, pode usar-se fixo ou a balançar.


Trio Love da Chicco

Monta-se e desmonta-se só com uma mão, tem alcofa, o chassis não é muito pesado e cabe na mala do Smart.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Pequeno F. de sua mãe

está enorme e saudável e mexido que se farta. Há momentos em que a minha barriga ganha formas tão complexas que temos dificuldade em perceber a posição em que o rapaz está. Temos uma dor ciática fininha quando passamos dias inteiros a corrigir exames e um peso maluco sempre que demoramos mais de uma hora nos intervalos dos chichis, mas, de resto, estamos finos. Já temos de usar vestidos de grávida e calças com encaixe, mas o resto continua a servir. Pequeno F. delira com dias de provas orais. Ainda não percebi se gosta de ouvir os meus alunos dissertar (mal) sobre penal ou se dá tantas voltas aqui dentro na esperança que eu entenda que só me quer dizer "Mãe, tira-me daqui...". É isto. Gostamos dos beijinhos do pai e do quentinho da mão grande que ele põe na nossa barriga sempre que quer sentir-nos. Besuntamo-nos com cremes, mas temos verdadeiras auto-estradas a ser construídas no meu tronco de mamã. É a vida. Estamos bem. Temos um bocado de sono, também, mas ainda temos muito que fazer antes de podermos ficar uns meses a namorar. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Pequena R. sugere ao leitor



Ontem fomos assistir ao concerto d"Os quatro e meia" no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra. Estamos rendidos. A mim, deixem-me da mão, transportam-me para as delícias de um tempo em que não se perdiam Saraus Académicos por nada e as noites de sexta de Queima terminavam por volta das oito da manhã na primeira fila do TAGV. São tão bons, pá!

Amor é

Não comíamos, ambos, há mais de cinco horas. Eu estou grávida e ele é diabético. Só tínhamos uma maçã e um iogurte. Bebemos o iogurte a meias. Dou-lhe a maçã, preocupada com ele. Ele diz para a dividirmos. Eu relembro-o que a maçã não está amukinada e que eu tenho de amukinar tudo. Ele, com uma mão no volante e outra na maçã, vira-se para mim e diz "Então, eu como a casca!". E foi vê-lo descascar a maçã à dentada, sofregamente, até me passar o "miolo" para a mão. Ri-me. E amei-o ainda mais um bocadinho. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Baby Love #2


Baby Love


Alexandra Vieira, obrigada pelo mail tão simpático :) É isto mesmo. Derreto-me toda.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Plasalmas

Alguém me diga onde encontro aquele anúncio novo de TV com um bebé a agradecer a todos os pais o tempo que dedicam aos seus filhos, em detrimento de outras tarefas. Fico sempre tão embevecida quando a criança aparece que ainda não decorei o produto de que fala o anúncio. Quero mostrar o puto ao meu homem e não encontro o raio da publicidade. Uma ajudinha?! Plasalmas!!!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

8 anos

O blog fez 8 anos há dias. É um infinito...

Na casa nova

recebemos já alguns amigos, arrumámos já os nossos livros, pendurámos já alguns dos nossos quadros, enturmámo-nos já com alguns vizinhos, acendemos já a lareira muitas vezes, dormimos já sestas no sofá, vimos já séries pela noite dentro, plantámos já plantas, apanhámos já gengibre do nosso, dormimos já em conchinha, "profitámos" já toda a tardinha, lemos já para o nosso filho, ouvimos já música, começámos já a montar um quarto com brinquedos, tomámos já pequenos almoços tardios, jantámos já ração de combate (pão com cenas ou flocos ou iogurtes), soubemos já que o nosso filho vai ser mais alto que o pai, descobrimos já que não tenho diabetes, crescemos já na esperança de que isto vai correr tudo bem... Estamos na casa nova há menos de um mês e estamos felizes. Uma mudança feita por muitos braços amigos e que eu achei que só estaria arrumada lá para 2030. A casa ganhou contornos de nossa há menos de uma semana, mas hoje até já arrumei a garagem. Já cheira tudo a nós e isso sabe bem. Não há tamanhos pequenos que não se agigantem nem espaços vazios que não se encham de vida. É uma casa a virar lar e à espera de um bebé. É o que tem de ser. E isso só pode estar certo. 

Felicidade é

uma tarde à lareira a montar legos com o meu marido.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Bodas de papel


Um ano cheio de tudo... E hoje, a três, as Bodas de Papel.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Repouso absoluto

E depois das novidades do último post, chego um dia à casa de banho e percebo o que nenhuma grávida quer perceber: estou a perder sangue... Entre o muito desespero e os muitos exames, lá me deixaram sair da maternidade, mas com recomendação clara de repouso absoluto. Trabalho ao computador às meias horas, enquanto não me volta a dor que só passa se estiver deitada do lado esquerdo, como, vou à casa de banho e divido o resto do meu tempo entre a cama e o sofá. Não me deixam fazer coisas tão simples como conduzir, varrer umas folhas que estão caídas na varanda, começar a encaixotar livros, pegar no saco do lixo ou entrar na banheira se estiver sozinha. É uma coisa que cansa. Acreditem que não fazer nada cansa... e muito. Continuo com tudo o que tinha para fazer à espera de ser feito, com a agravante de estar ainda mais atrasado. Depois lembro-me das últimas palavras da médica "O principal, é manter a calma. Isso é fundamental para o bebé." e penso que o resto, à falta de melhor solução, enfim, terá de esperar. Repousemos, pois.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Estou grávida e... vou mudar de casa e...

Pois. Devem perceber agora melhor os silêncios. Tenho dois artigos MESMO importantes para entregar até dia 15. Passei a noite acordada (ouvi o sino de S. José bater as seis da manhã), apesar de deitada desde cedo e a contar carneiros. Tenho perdido tempo precioso a cumprir uma modernice que só quem é docente universitário ou investigador percebe (O ORCID é tão mau como o DeGóis... importam-se de deixar de inventar plataformas em que temos de inserir o curriculum à mão, por items?! Gostava que reconhecessem a minha existência só de vos enviar um curriculum normal e em Word. Está lá tudo. Não me aborreçam!). Entretanto, vou mudar de casa e a minha médica diz para não subir cadeiras ou escadotes nem carregar pesos. Adoro a pertinência da equação. Tenho livros até ao tecto. Tenho tralha  que dava para encher um T6, enfiada neste ovo que é um T1. Ainda tenho mais três semanas de aulas. E os artigos, já disse?! E as mudanças. E um pai que ainda não está bom. E um mano que precisa de motivação constante. E uma mãe cansada. E uns avós que são internados nos HUC à vez. E um tio que só arranja encrencas. E uns amigos que tiveram um segundo semestre de 2016 de merda. E um marido que, bolas, tem de ter muita paciência, mas também precisa de alguma atenção. Gosto dele e tal... E um bebé a crescer aqui dentro e que já mexe, mas gosta muito é quando a mãe se deita e fica sossegadinha a ler para ele ou a ouvir música com ele (já nasce a saber o que é bom, este meu filho). E pronto. É dia 7 de Dezembro, tenho, ao fim de não sei quantos anos, novamente, um pinheiro nórdico, natural, para enfeitar e... ainda o podem encontrar em casa dos meus pais, à espera que eu tenha tempo de o levar para a casa nova (o meu marido tenha tempo, dizia) e para o enfeitar. Mas... lembrei-me agora... tenho os enfeites aqui nesta casa. Talvez devesse começar a empacotar coisas. Mas... já disse que ainda tenho aulas e dois artigos MESMO importantes para escrever até dia 15? E faltam ainda presentes de Natal. Ah... e, já agora, continuo à procura de mais um emprego. Se calhar assim já percebem por que é que ando calada... Venho cá pouco, mas, a sério, para já, não dá para mais. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Eu não lhes chamaria nuvens...

Eu não lhes chamaria nuvens, mas apenas porque sou uma pessoa do Inverno e a quem as nuvens só trazem boas sensações. Capaz de passar dias inteiros fechada em casa, a ver a chuva a cair lá fora, com uma chávena de chá na mão e uma manta nas pernas, trabalho e descanso melhor no Inverno, nos dias que não reclamam uma algazarra que não me apetece muito, em regra, fazer. Não gosto de praia, não gosto de tomar banho e ficar logo suada de tanto calor, não aprecio especialmente roupas de Verão, não morro de amores por esplanadas, por isso, eu sou uma pessoa do Inverno. Só por isso, notem, é que eu não lhes chamaria nuvens. A maior parte das pessoas, no entanto, é assim que o conhece e, por isso, para facilitar a identificação, vou falar dele como período de nuvens. Negras e densas. Daquelas que, por mais longínquas que fiquem, apagam tudo cá em baixo. Pois bem, não sei como é convosco, mas eu tenho alturas em que parece que só vejo nuvens, que só há nuvens, que teimam em não desarredar com as nuvens, que durmo e acordo e elas só fazem crescer, as nuvens. São alturas em que não há chá que me valha, nem manta nas pernas, nem trabalho e nem descanso, só nuvens. São alturas em que o céu se abate sobre mim e me esmaga como se eu não passasse de uma barata. Tonta. Ando há meses assim. Com umas nuvens do demo a rondar-me, em forma de doença, fogo, desarmonia, impaciência e falta de coisas. Às vezes, pior, com falta de pessoas, mas, felizmente, tem sido mais raro. Não sei como é convosco, mas sempre achei que se gritasse, esperneasse e mandasse um murro na mesa, a coisa melhorava. Não melhorava nunca. Por isso, de há uns tempos para cá, passei a calar as nuvens em mim. A fechar-me, em conchinha, à espera que passem. A fingir-me de morta, para ver se me esquecem e abalam para longe. Dizem que é a melhor estratégia. Aguentar e calar. Aprender, reflectir na aprendizagem, mas calar. Guardar fundo a lição. Não alardear. Estou a fazer como me mandam. As nuvens não passam. Vão devagar. Parecem paradas. Há dias em que olho para cima, ponho as mãos na barriga e só penso: estou a fazer tudo bem, porra... podem ir embora?! Queria paz e sossego. E saúde e os meus. E alegria. E poucas bocas. E que as nuvens abalassem. Queria que só me restasse o Inverno. O meu, do Natal. Para mostrar ao F. como, caramba, isto aqui em baixo vale mesmo a pena. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Amor é

ir passar uma noite fora, porque tinha de botar faladura bem cedo e bem longe, e receber a seguinte mensagem do meu marido:

"Descasquei duas romãs só para ti. Deixei-as no frigorífico, numa taça com película aderente."