quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ai, ai


Tenho o homem em casa três dias. Seguidos. Carradas de trabalho em cima da mesa, mas a certeza de muito mais vontade. Um dia, lá para diante, havemos de ter muitos dias assim seguidos. Por agora, são raros. Muito raros. E preciosos.

Os homens estão para os carros, as mulheres estão para as casas

Não há nada a fazer. Por muito que me esforce, o meu carro é um triste nas minhas mãos. Costumo atestá-lo com gasóleo e mandá-lo limpar quando já se parece mais com o Texas do que com um carro. De resto, é dar à chave e andar. Não sei pôr o óleo, nunca lhe vi a água e acabo de constatar, mais uma vez, que se não fosse o meu rico paizinho, podia bem andar sem seguro que estava nem aí. Nunca me ocorre a data de pagar o seguro, o sêlo, de o levar à revisão ou de lhe fazer a inspecção. Em rigor, nunca o levei à inspecção. Deposito-o na oficina na semana em que alguém mais atento que eu me diz que a coisa tem mesmo de suceder e deixo-o nas mãos do mecânico para tratar de tudo. O óleo, salvo se se puser alguma luz a piscar ou aquilo der para aquecer a ponto de se poderem estrelar ovos no tejadilho, também não é bem assunto que eu cá domine. Já na casa, muito diversamente, é raro e até estranho que me apanhem desprevenida com falhas graves na despensa ou que ao limpar a casa de banho não tenha um novo wc pato para a recarga. Não me lembro de algum dia ter deixado acabar detergentes ou ter descurado mais que o absolutamente necessário a limpeza ou organização de gavetas. No outro dia, não comprei pão e andei a consumir-me de culpas quase uma semana. Só não me pus a amassar pão caseiro às duas da manhã porque o meu homem achou que não era morte de gente um dia comermos pães de leite e tostas ao pequeno almoço (sim, não havia pão, mas havia outras coisas... mas pronto... pão é pão). Acaba de me ligar o meu pai. Diz que fico amanhã sem seguro. Diz que já tratou de tudo e que me faz cá chegar o papel não tarda. Eu, rendida e agradecida, penso muito com os meus botões. Se algum dia, por casar, meu rico pai se desonera do carro, tem de caber, por força de todas e mais que muitas razões, ao meu homem pegar neste assunto. Ou não ganharei para multas. E sustos. Eu compro-lhe o pão, ele poupa-me à bófia.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Books and love


Com nenhum outro homem mais do que com o meu podia sonhar um dia ter um sítio assim.

N. no seu melhor

Há já muito tempo que não trago até cá pérolas dos meus amigos. Hoje, não resisto.

N.: E depois?
Eu: Depois vou à depilação.
N.: E demoras muito?!
Eu: Umas duas horas.
N.: Duas horas?!?!?! Duas?!?!?! Horas?!?!?! 
Eu: Sim, pá. É com cera, mas há partes em que faço com luz pulsada, que leva mais tempo.
N.: Juro que não sei como é que as mulheres não apanham esgotamentos por causa dessas coisas da beleza!

Da amizade do fundo do coração

Tenho alguma dificuldade em lidar com as pessoas que nunca estão bem. É frequente que o estado mal amanhado em que a pessoa constantemente se encontra me contamine e eu própria deixe de conseguir estar bem. Em rigor, a vida vai-me convencendo que não é fácil, e portanto não devemos fazer disso um objectivo de vida, estar sempre bem, mas, bolas, estar sempre mal, sempre, nunca ver a porra da luz?!?!?! Sou daquelas a quem a felicidade bate à porta em doses frequentemente generosas e às vezes moderadamente. Tenho os meus dias maus, as minhas horas difíceis, os problemas a que ninguém escapa e os momentos em que uma mão gigante feita de angústia me envolve o coração e o faz mirrar até quase se sumir de medo. Tenho medo das perdas. As que tive foram mesmo difíceis, principalmente a do meu David e a da Lurdes. A do meu David porque foi a melhor pessoa que algum dia conheci e a da Lurdes porque doeu muito ver o sofrimento dos filhos, órfãos, mais que de uma mãe, durante demasiado tempo órfãos de qualquer esperança. Ontem, nasceu a Maria. A Maria é a segunda neta que a Lurdes não conhece. Se for como o irmão, será uma criança tão especial que é difícil não acreditar que há ensinamentos da Lurdes que lhes passam durante o sono. São tesouros. E os tesouros, assim em forma de gente, dão esperança. A Sandra, que é a filha da Lurdes, tinha todas, mas todas, mas é que não estão bem a ver, todas as razões para ser uma pessoa que não estivesse bem. Em vez disso, tem sempre a melhor palavra para os amigos e conserva a serenidade da mãe que a terá ensinado a aceitar o que não pode mudar e a fazer disso uma coisa o melhor possível. A Sandra diz que é abençoada, contenta-se com o que a vida lhe dá e cultiva uma gratidão que já não se vê. Já a vi chorar muitas vezes, mas, por incrível que pareça, já a vi rir muitas mais. Tem a paciência de quem já sofreu dores muito más e sabe que se pode sobreviver a elas e a ternura de quem luta todos os dias por acreditar que a vida, cada dia dela, é uma dádiva tão valiosa que não se pode desperdiçar em lamúrias. As pessoas que não estão bem podiam fazer workshops com ela. Eu própria, quando me dá para ficar pior, lembro-me mais de lhe telefonar e espaço menos os nossos encontros. Aprendo sempre a relativizar, trago sempre uma lição actualizada de como acordar melhor no dia seguinte.

Casamenteiro


Não faleci

Estou apenas a ver se me livro de pendentes. É uma tarefa dura. Mas eu hei-de conseguir.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O que nós nos rimos


ontem à noite, com esta peça.
Ide, minha gente. Ide ao teatro.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Tenho um jacinto azul em casa

e a cozinha perfumada como não há memória.

Laços

Deve ser isto, criar laços. Todos os dias, gosto mais de algumas pessoas, como se, com o amanhecer, redescobrisse espaços vagos no coração que posso preencher com mais gostar. Deve ser isto, criar laços. Ser, todos os dias, mais difícil dizer até amanhã, como se a vida fizesse mais sentido não o deixando ir. Deve ser isto, criar laços. Ser, ao deitar, capaz de concluir ainda com mais certezas que sou melhor pessoa com ele por perto. Deve ser isto, criar laços. Encher, mais que a boca, os olhos e o peito de saudades quando lhe digo que o quero aqui pertinho. Deve ser isto, criar laços.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O amor (não) acontece!


Antes do B., tudo o que sabia sobre o amor era, afinal, muito pouco testado by myself. Conhecia o amor incondicional por um irmão preferido, pela mãe melhor de todas, a mais galinha, pelo pai mais babado e mimento, pela avó mais matriarca, pelos amigos mais dedicados, mas não podia, pela falta de experiência feita, pela fraca mão em amores acontecidos com vontades coincidentes, opinar muito sobre o ser e o estar numa relação a dois. Vivera, até aí, paixões fulminantes e serenos momentos de descoberta de sentires profundos, mas andava sozinha à cata de um sentido para o meu amor. Talvez por isso, e para me desonerar dos fracassos, acreditava muito que o amor simplesmente acontecia. Havia, numa galáxia longínqua, afinamentos múltiplos com efeito automático nos corações terrestres e que encaminhavam, sem margem para desencontros, pessoas destinadas a ficarem juntas. Para mim, testemunha de histórias longas de amor, o amor era muito uma questão de sorte. E eu, enfim, ainda não tinha tido a sorte. Depois o B. apareceu e eu comecei a descobrir imensas coisas todos os dias. Algumas, confesso, suficientemente perturbadoras para uma ou duas vezes lhe ter dito que, naquele preciso momento, queria mesmo estar com ele mas não sentia dores na barriga, como se me denunciasse assim ao meu homem. Que trapaceira me parecia a vida, logo agora que o encontrara, cheio das múltiplas características que há uma vida eu procurava e que,  ao mesmo tempo, me punha a calma na barriga, logo ali onde era suposto sentir tripas a revolver e borboletas a fazer cócegas. O B. foi, a vagar, tentando dar-me a mão nessa descoberta a dois de que o amor, enfim, podendo acontecer, não vinga se não for cuidado, regado, estimado, conversado e cultivado em silêncios bons, profundamente querido por ambos. Hoje, reparem, acho que, muito mais que acontecer, o amor tem de ser criado, como a um filho, por quem ama. O amor, acho eu, mas posso continuar enganada, não acontece afinal como raio a atingir-nos sem remédio. Antes se constrói na certeza de que as borboletas passam e o que fica e é bom é a vontade de ficar junto, só porque sim, a cozinhar as banalidades de uma vida cheia de coisas normais. O amor acontece aos bocadinhos, mas só cresce se quisermos muito que ele cresça. Porque, quer-me cá parecer, o amor não é coisa que se compadeça com quem, por vê-lo acontecer, adormece à sombra da bananeira. O amor está nos detalhes, no conserto do momento menos bom, na partilha diária das coisas felizes e das outras todas, que hão-de ser muitas. O amor, pelo menos o meu, é um projecto para a vida. Um daqueles em que se acredita muito, com o coração todo, e que, por via disso, tem de dar certo. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Friends dinner


Ahhh... o que eu gosto de casa cheia!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hércules... da fraqueza

Não me perguntem como, mas a verdade é que consegui, durante a noite, num dos meus exercícios de bruxismo, partir um implante de zircónia. Assim. É comum acordar com dores horríveis de cabeça ou nos maxilares ou de ouvidos, mas nunca tinha partido nada. Gasto os dentes, de os ranger, mas nunca os havia partido. O meu implante, novinho, pago a peso de ouro, foi a primeira vítima. Tau. Ai andas cansada, ai andas a dormir pouco, ai tens uma tese parada, ai precisas de lançar notas amanhã, ai ainda não tens nada de jeito pronto do artigo pendente?! Ora então, para não te armares em forte, toma lá um sinal de que é melhor abrandar o ritmo. Tau. Um implante partido. Não é normal. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Do amor, do passado, do presente, do futuro, da vida, do B. e de mim com o B.

E então, pequena R.?!

Então, ainda agora acabei uns, já cá tenho mais. Até sexta, estamos em modo fazer provas orais de dia, corrigir exames escritos de noite. Depois a ver se a coisa começa a acalmar e podemos, finalmente, olhar para o resto todo que paira em cima da secretária, à espera de melhores dias.

domingo, 2 de fevereiro de 2014