quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Amores de uma vida inteira

Nos anos 70, Marina Abramovic (uma performer sérvia) viveu uma intensa história de amor com Ulay (também artista, mas alemão), que durou 13 anos. Durante 5 anos, o casal viveu numa carrinha, realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não fazia sentido, decidiram percorrer a Grande Muralha da China. Cada um começou a caminhar de um lado e encontraram-se a meio para darem um último abraço. Juraram nunca mais se ver.
Vinte e três anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque fez uma retrospectiva à sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que se sentasse à sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse. E foi assim:



Este vídeo anda nas bocas do Mundo. Aparentemente, o facto de ambos se emocionarem, tantos anos depois, no momento do inesperado encontro, basta para ver neste vídeo uma história bonita. Eu não digo que não seja bonita. Não me atrevo a negar como é comovente. Mas, acima de qualquer outra coisa, eu sinto uma melancolia profunda, uma certa tristeza até, sempre que vejo este vídeo. Já uma vez aqui disse que não gosto do verso de cantiga coimbrã onde se apregoa que "o amor, para ser amor, dura sempre a vida inteira, pois quem ama segunda vez, não amou bem da primeira". Acho o verso redutor. Acho-o bonito, mas redutor. E, por razões diferentes, como ao vídeo, acho-o triste. No caso deste, porque me custa que um amor que ainda traz assim um rio inteiro aos olhos de duas pessoas não prossiga, que a beleza do momento se fine, como uma coisa inevitável, naquele tocar das mãos, que ela não se levante e não saiam juntos dali. No caso do verso, porque me parece pouco justo não dar oportunidade a um novo amor quando o amor, esse, o próprio, o primeiro, o imenso, não ficou connosco para sempre. Às vezes, amar segunda vez não é uma escolha. Às vezes, amar segunda vez é a primeira oportunidade de se ser feliz.

8 comentários:

  1. Quando vi o filme, pensei exactamente o mesmo que tu. Mas sabes uma coisa? Fiquei a imaginar que no final do dia, ele a esperava fora da galeria e que ainda agora {neste momento!} estão juntos! :) romântica, que queres :)?

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    1. Secretamente... acreditei no mesmo que tu :)

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  2. Gosto de pensar que existem pessoas que reagem assim,

    Gosto de pensar que existem pessoas, que quando a relação acaba não se maltratam, viram as costas e seguem o seu caminho.

    Gosto de pensar que existem pessoas que guardam no coração apenas o bom.

    Mas sei que o amor é eterno

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    1. Eu também gosto de pensar em tudo isso. Mas gosto ainda mais de pensar que, quando existe amor, de ambos os lados, em vez de as pessoas se contentarem em guardá-lo no coração, se unem em determinação comum para o viverem em par. Só isso :)

      Erva doce?!

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    2. Sim sou eu!;-


      "o amor Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta"

      "O amor nunca falha"


      erva doce

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  3. Para mim o momento é bonito pela melancolia e pela tristeza, coladinha à alegria, que ali se nota. E acredito que o que vemos não terminou nem se esgotou no que nos é dado a ver. :)

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    1. :)
      Somos umas românticas, no fundo!

      (Andas sumida, rapariga!)

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  4. E se for uma performance? Há actores convincentes mesmo.
    (Isto só para chatear!!! ;)

    Foi um momento bonito de reencontro e subscrevo as palavras do anónimo. Menos a parte de que o amor é eterno, senão hoje ainda estariam juntos, certo?

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