O meu caderno é lindo. Azul turquesa com magnólias brancas. E tem estes dois poemas de dedicatória.
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade…
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare
É perfeito! E é meu!
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Nem a avestruz!
Enquanto lanchava, ouvia na televisão um entendido em avestruzes (tipo, zoólogo só delas). Estou a sentir-me muito mais sabedora de avestruzes depois disto. Há coisas curiosas na avestruz. Aprendam comigo:
- A avestruz é a maior ave do Mundo;
- A avestruz corre até 80 km/h;
- A avestruz põe o maior ovo (são precisos cerca de 13 de galinha para fazer o peso de um ovo de avestruz);
- A avestruz tem dois dedos em cada pata;
- A avestruz tem o cérebro mais pequeno que um dos seus olhos;
- A avestruz tem penas mas não voa;
e
...
...
...
- A avestruz NÃO enterra a cabeça na areia!!!
OH PÁ...
A minha P. e a minha C. vão oferecer-me um caderno!
Amanhã, antes da primeira aula!
Com dedicatória e tudo!!!
Amanhã, antes da primeira aula!
Com dedicatória e tudo!!!
O quê?!
Começo amanhã as minhas aulas de doutoramento. Sou a pessoa mais apaixonada por material escolar que eu conheço. Namorei cadernos/blocos Paper Blanks até ficar indecisa se optava por um mais sóbrio ou por um daqueles, mais lindos de todos, em tons de rosa e vermelho e laranja. Vim pensar. Já tinha decidido que é preciso é alegria e cor nesta vida! Mas amanhã começa o doutoramento e eu nunca mais me lembrei que tinha de comprar o meu caderno especialíssimo, pensadíssimo, companheiro para esta jornada. Vou levar umas folhas pautadas ou um bloco normal, mas não me conformo. Primeiro dia, apresentações, e o meu caderno não vai estar presente. Isto é mais ou menos sintoma de como as minhas prioridades se alteraram estes dias... muito mau sintoma!
P.S. Sim, eu tenho cadernos que parecem obras de arte e anoto lá a minha vida toda. Um por cada tema.
P.S. Sim, eu tenho cadernos que parecem obras de arte e anoto lá a minha vida toda. Um por cada tema.terça-feira, 13 de outubro de 2009
Recuso-me a postar aqui o vídeo da Maitê Proença a cuspir nos Jerónimos e a dizer que em Portugal os rios também vão dar ao mar e que o Vasco da Gama fica muito bem mortinho e o Camões se deu mal no túmulo e que somos um pouco esquisitos, porque sou uma pessoa suficientemente medricas para ter um post com o nome "Calem-me esta anormal".
...
Entretanto, porque tenho muita afeição pela língua italiana, deixo-lhe aqui um pequeno piropo nessa bela língua latina. "Sei veramente troia, Maitê". Vivi durante seis meses em Itália e a melhor descrição que conseguiram fazer-me do significado do vocábulo "troia" foi "m**** compacta". Por unanimidade.
Seca-te
É do cair da folha. Adoeceu.
Dá-lhe chá e um cobertor.
Não o visites. Melhor que não.
Era um princípio.
Não. Não vires costas.
Deixa-o ganhar corpo.
Já lhe passa.
Não o visites.
Tens tempo no seu meio ou fim.
É um princípio.
Nasceu pequeno.
Não o visitem.
Rezem por ele.
E esperem.
Vai ter meio e fim.
Vai.
Seca-te.
Vai.
Vais ver que vai.
Seca-te.
Vai.
Dá-lhe chá e um cobertor.
Não o visites. Melhor que não.
Era um princípio.
Não. Não vires costas.
Deixa-o ganhar corpo.
Já lhe passa.
Não o visites.
Tens tempo no seu meio ou fim.
É um princípio.
Nasceu pequeno.
Não o visitem.
Rezem por ele.
E esperem.
Vai ter meio e fim.
Vai.
Seca-te.
Vai.
Vais ver que vai.
Seca-te.
Vai.
Desencontro

Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.
E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,
de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum -
- que mesmo o que se encontra não se encontra.
Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.
E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,
de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum -
- que mesmo o que se encontra não se encontra.
Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Verdades e assim-assim
Quando uma mulher pinta as unhas de vermelho, das duas uma: ou precisa de recuperar a esperança perdida; ou tem mais esperança do que alguma vez teve!
P.S. Eu, às vezes, também pinto só mesmo porque gosto :)
domingo, 11 de outubro de 2009
Boas escolhas
Quando se pensa que a Playboy perdeu o seu juizinho de vez e os homens do Mundo vão começar a acreditar que é maledicência nossa dizer que aquilo é tudo photoshop, há uma novidade que nos acalma. Numa de apelar à normalidade e, com ela, à perfeição possível, a Playboy anuncia Marge Simpson na sua próxima capa!
Um país à beira de um ataque de nervos!
Numa freguesia deste país,
hoje,
houve um candidato da
oposição a
matar a tiro o
marido da candidata do
partido no poder.
Eu não acho isto normal!
Tratem-se, por favor!
Portugal no Mundial
Meus kikos dos calções,
às vezes, confesso, tenho ganas de vos bater. Muito. Com força. E pondero arredar pé do meu sofá para vos beliscar a ver se acordam. Não duvidem que se fosse da comitiva ou lá tivesse uma cunha vos dava chá de sumiço depois de algumas gracinhas com que nos têm brindado. Acontece que V.ªs Ex.ªs sequer se dignam retratar perante o anónimo que sofre, roi unhas e faz orações para que acertem naquela parte que tem uma rede. Não tem nada que enganar. É para ali, estão a ver?!
Ronaldo, esta parte é só para ti! Vê bem ao trabalho que eu me dou. Motivo-te em pessoa, no blog mais espectacular de Portugal e arredores. Mas tu, o que é que tu fazes? Baldas-te para mim. Passeias o corpinho em vez de o fazeres suar. Sei que a bola não é uma miúda, mas imagina-a como uma tipa que te apeteça levar até casa e mostrar a mamãe. Sabes que te tenho insultado mais um bocadinho desde que decidiste que havias de fazer um bom trabalho era para os espanhóis. O meu mano já me explicou que não jogas para nos por no Mundial para não te cansares para os jogos dos hermanos, que são, afinal, eles que te pagam. Eu não quero acreditar que seja isto. É o meu mano que diz. Eu não posso crer que tu dás mais valor ao dinheiro que às nossas arritmias cardíacas. Por isso, joga, que não te faz mal nenhum, sim?!
Mas... depois, vem uma noite como a de ontem. Vocês acordam para a vida e dão corda às sapatilhas. Baixa em cada um o Eusopes, uma mistura de Eusébio e Carlos Lopes..., e eu volto a achar que merecem mais uma oportunidade, fofinhos :)
Parabéns, sim?!
P.
Há quem tenha um blog... e tu também podias ter um. Ai não... Sou uma infoexcluída. Há tanto tempo que não ando de avião. Não conheço a Madeira e foi o único sítio para onde o meu pai voou e em que a minha mãe viveu fora de aqui pertinho. Uma aula. Sim... Funchal. Um amigo para sempre. De Dr. ou Meretíssimo a Paulo. Que tem um blog. De Magnólia. Um domingo em registos e meses só a experimentar este mundo. Até me fazer cada vez mais sentido ter um espaço assim. Meu. Mensagem privilegiada ao P., com todas as recomendações de secretismo. Em pouco mais que pouco, anúncio vibrante de que a Ritinha por lá passara. Ombro amigo num mundo virtual. Companheiro de gostos festivaleiros. Acalentou-me a esperança de conhecer pessoas que de outro modo dificilmente encontraria. Como quando jantei com a sua C. e o Gui. Como quando a Eu e a C (EN) passaram a visitar-me... É um Harry Potter de pequenos seres com grandes causas, esses maiores de todos que são as crianças. Verte num blog uma ínfima parte do quanto é especial. Chama-se Paulo. É muito responsável por eu ter um blog e hoje anunciou uma profecia no seu http://www.magnoliaviva.blogspot.com/
(...)
Porque começo a convencer-me que há muitas maneiras de encontrar a felicidade :)
sábado, 10 de outubro de 2009
Ideal
Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas languidas, divinas
Da antiga Vénus de cintura estreita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortaes entre ruinas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
D'um corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...
É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...
Antero de Quental, in "Sonetos"
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas languidas, divinas
Da antiga Vénus de cintura estreita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortaes entre ruinas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
D'um corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...
É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...
Antero de Quental, in "Sonetos"
Sim

eu tenho um luxo!
Porque me porto bem, faço o que os meus chefes pedem sem reclamar (muito), ajudo até pessoas que me chagam a cabecinha e que são uma penitência no meu caminho, não armo escândalo quando me dizem "não" se mo explicarem bem explicadinho, deixo entrar pelo menos um carro na fila quando venho na Sofia e eles vêm da rua em frente ao Arnado, paro nas passadeiras e, se forem idosos ou crianças, também paro fora das passadeiras, estive a fazer um resumo dos Maias ao meu irmão e não me meto na droga e no álcool. Por isso, eu mereço ter um luxo. Está marcada a deste mês :)
Frases da noite
R.: E, então, achas que já estou apaixonável?
P.: Digamos que... a tua curiosidade já consegue ser acicatada!
Verdades e assim-assim

Daqui: http://icanread.tumblr.com/
Há uma semana encerrei a discussão de Velhos do Restelo com a, para mim esperança, para eles inocência, de uma mulher com vontade de viver a vida apaixonada. Rezei assim "Eu acredito mesmo no casamento. Mesmo. Vivido eternamente como um namoro e mais qualquer coisa. Especificarei este sonho em convenção antenupcial e acrescentarei que o seu incumprimento dará lugar a coima. Essas, porém, podem ser-me pagas em géneros: beijos, abraços, mimos e coisas assim." Tenho dito!
Acredito mesmo. Sobretudo, na felicidade de não estremecer com medo de perder ou falhar. Sobretudo, quando ele exista para coroar o que existe e não para segurar o que nunca nos pertenceu. Sobretudo, quando não faça sentido de outra maneira. Sobretudo, quando não restarem dúvidas, naquele momento, no fundo do peito, que é para sempre.
P.S. Ontem vi um casal de velhotes a passear de mão dada na Praça da República. Controlei-me, mas cheguei ao D. Dinis e já parecia uma Madalena!
Obama
Estamos a confiar-te uma esperança.
Não te faças descaradamente a ela
para depois a largares
perdida para sempre.
Tu, vê lá...
É quase o Mundo de presente.
Confio em ti.
Por favor, não me desiludas!
Ontem à noite
Palestra à volta da cidadania e jantar institucional na Baixa.
Restaurante catita, suspiros pelos restauros das casas da Praça Velha, jantar com ensaboadela de história desde 1900 e troca o passo porque logo de frente para alguém que comemora este ano 60 anos de entrada na Faculdade... Já perto do fim... Sony! Para quem não sabe (ou seja, para quem não conhece os meandros da noite coimbrã), o Sony é um quéfrôr dos que entram em restaurantes à espera de caçar quem lhes pague a peso de ouro pirosas rosas vermelhas... A autoridade máxima do jantar, verdadeiro gentleman, diz ao Sony para dar uma rosa vermelha a cada uma das senhoras da mesa. O Sony conhece-me, porque eu ajudei a tratar da legalização do Sony num jantar no Cova Funda (os jantares de curso também têm uma vertente humanitária para algumas pessoas, não se bastando com provas atípicas de vinhos reles). Ora, o Sony não me viu bem, graças a Deus... e eu também não o chamei a atenção, que tenho um certo amor à minha reputação! Chegada a flor junto das minhas delicadas narinhas, toda eu tremi e não foi de emoção. A custo, suportei-a pousada longe, até ao momento crucial de pagar a conta e dar de frosques. A minha P. bem sabe que ainda ponderei atirar a flor no primeiro lixo que aparecesse, mas tive algumas cautelas, não fosse ferir susceptibilidades... e foi o caixote do parque do mercado a receber a encomenda. Insensível, pensam vocês neste momento. Gaja sem coração. Pedante do mais reles que a tradição já suportou. Ora bem... juízo absolutamente precipitado. A verdade é que o Sony faz questão de perfumar as suas rosas com Tabu. Tabu é cheiro que me atormenta e faz vir ao de cima o pior desta R. mais kika do Mundo. Pequena jovem ladina, eu tinha uma colega que usava Tabu, logo ali na época em que eu me borrifava apenas com duas gotas de Eau de Parfum da Don Algodon, ou seja, pela altura da pré adolescência. Esta minha colega tinha Educação Física comigo e eu cheguei a inventar dores de todos os órgãos presentes no corpo humano para não ter de suportar o momento em que ela se pulverizava nos balneários. Portanto, Tabu é um trauma de infância. Não fora isso e hoje teria a rosa de ontem instalada em qualquer solitário cá de casa.
Homem da minha vida, que já hás-de ter nascido, mau grado não me teres ainda encontrado e daí em diante vivido finalmente a sério: se um dia quiseres dar-me uma rosa, quiçá numa noite de Latada ou Queima, não a compres ao Sony. Apanha-a num jardim, correndo o risco por mim, e entrega-ma ainda com uma gota de orvalho. Prometo amá-la apesar de tudo. Se ainda assim te parecer que a minha cara denota algum desconforto perante a tua opção, não me deixes verbalizar que preferia uma túlipa e trava-me os intentos com um beijo que me cale vontades diferentes de te dizer que te amo e ponto final. Anotaste tudo? Obrigada!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Wishlist cultural
Um passeio no Botânico.
Uma visita ao Machado de Castro.
Um café em Santa Clara-a-Velha.
Um concerto na Joanina.
Para outro dia, rota dos Museus, incluindo o de Zoologia e o Antropológico.
Uma visita ao Machado de Castro.
Um café em Santa Clara-a-Velha.
Um concerto na Joanina.
Para outro dia, rota dos Museus, incluindo o de Zoologia e o Antropológico.
Despentear é urgente

Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie.
Por isso, decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto, enruga.
E o que é realmente bom nessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar a pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia colocar aqueles saltos gigantes nessa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado… mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa do que aquela que decide não subir
Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora... O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença: arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria… e talvez devesse seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita? A pessoa mais bonita que posso ser!
O único que realmente importa é que, ao me olhar no espelho, vejo a mulher que devo ser. Por isso, minha recomendação a todas as mulheres: entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável, admire a paisagem, aproveite, e, acima de tudo, deixe a vida te despentear!!!!
O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...
Por isso, decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto, enruga.
E o que é realmente bom nessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar a pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia colocar aqueles saltos gigantes nessa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado… mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa do que aquela que decide não subir
Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora... O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença: arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria… e talvez devesse seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita? A pessoa mais bonita que posso ser!
O único que realmente importa é que, ao me olhar no espelho, vejo a mulher que devo ser. Por isso, minha recomendação a todas as mulheres: entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável, admire a paisagem, aproveite, e, acima de tudo, deixe a vida te despentear!!!!
O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...
Autor desconhecido (pelo menos para mim e para o CPS).
Furto consentido ao http://www.magnoliaviva.blogspot.com/
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Avó
Um blog também serve para ir dando conta da vida aos amigos... que sabem do blog. Antes de ter o poraquipasseieu, enviava, de tempos a tempos, mails aos amigos. Mails gerais, como se os convidasse para um chá ao final da tarde e desbobinasse as novidades. Este foi dos últimos mails que enviei, ainda antes do primeiro blog. Fala da minha avó Rosa. E está na altura de ficar aqui.
"Kikas e kikos da minha vida!
Cheguei de férias...
Atraquei em poiso conhecido no fim da quinta feira passada, depois de seis dias de sonos que romperam as manhãs, sestas e pequeninas passagens pelas brasas a qualquer hora e em qualquer lado...
Desse estado Zen saí apenas por uma noite, deliciosamente raptada pelos manos... que me devolveram umas horas à agitação de... ups... de um recanto ali ao lado...
Do meu sítio, perdido na Serra de Montemuro, trouxe ar, um cheiro a rosas que ainda se soltou dos poros durante uns dias e alguma serenidade...
Depois desse tempo, outro, em que durante um fim de semana me senti em casa, pertença... Ouço as histórias da minha avó sempre com muita atenção. Às vezes são repetidas, mas tenho medo de alguma vez não ter ouvido tudo, ou não ter ouvido bem... e acho-as tão preciosas que não podem perder-se por distracções balofas.
O casamento da tia mais nova foi de rir... e de chorar....
À despedida de solteira levámos a avó... Adorou e achou tudo muito decente... Já o avô... que acompanhou os rapazes... deve ter deitado as mãos à cabeça algumas vezes.... mas sempre que lhe perguntamos 'então que tal?'... ele responde 'oh... deixem lá isso'. Tentei acalmar a avó... até lhe disse que a parte masculina da família não faria nada de escandaloso porque o avô ia estar presente... Mas a avó encerrava as minhas tentativas com um suspiro e um conformado 'Oh R***inha, então não vês que o avô adormece logo e depois eles fazem o que quiserem?!' Foi de rir...
No dia... cumpriu-se a tradição... dos 12 filhos, faltava cortejo matrimonial de um... e então lá seguiu a malta toda a pé, desde casa dos avós até à igreja. Até o avô... 88 anos de vontade lá se encarregaram de o fazer chegar... de careca escaldada e aflito dos calos... Mas chegou (tão estafado que dormiu entre os pratos do almoço... mas enfim :)!
A noiva foi afónica e na hora de dizer 'sim' só o sussurrou. O padre é amigo lá de casa e aproveitou a deixa, repetindo com alguma insistência... 'Então mas queres ou não queres?'. A desgraçada da tia lá ia sussurrando que sim cada vez com uma voz mais e mais sumida... e o novo elemento da família deixou de achar graça à brincadeira ao ponto de dizer... 'Ela quer, a sério que quer, só que não consegue dizer...' E foi de rir...
Fotos de tudo, de família completa, de irmãos, de irmãs, de sobrinhos, de sobrinhas... enfim... Em cada uma a tia madrinha da noiva dizia: 'Sorrisos, oh canalha.... sorrisos'. E canalha éramos nós... gente feita, sobrinhos mais velhos que a tia que casava, mas que até para ela são meninos e meninas.
A festa durou... e durou... e durou, com bailarico animado até às tantas.
Amadurecia já a tarde de domingo quando à volta da mesa em casa dos avós se reuniu 'só a maltinha da casa'. Ora só a maltinha da casa, nas palavras da minha avó,.... são neste momento 55 pessoas, já com o novo tio...
E por lá andou a maltinha toda, a ocupar a estrada de cada vez que em rancho decide ir à bica, a usurpar os matrecos de cada vez que aos pares nos aliamos para torneios...
A maltinha ficou depois até ao nascer do outro dia, que era também da outra semana, sentada à volta da avó, a ouvir... A ouvir que ela reza sempre por ordem de idades dos filhos, menos o segundo, que ultrapassa o primeiro, porque a Rainha Santa Isabel lhe fez um milagre e o livrou de ir à guerra... E é por isso que à noite nos encomenda... aos 55, àquela Santinha (e a mais umas 30)...
A avó, para quem não a conhece, é a matriarca em pessoa. Curvada pelos anos e pelos trabalhos, a avó não pára. A avó coze broa espalmada, com fiambre e queijo lá dentro, porque sabe que os meninos gostam... e depois pede ao avô que vá ao super buscar daquelas garrafas que já têm o chocolate misturado porque os meninos gostam (é UCAL). A avó diz que nunca bateu nos filhos porque não conseguia parar de rir quando eles se punham todos a correr, um por cada banda, com as pernitas dentro dos calções... Era um rancho que a acalmava das piores fúrias... A avó diz que a mãe dela lhe dizia que assim ela não dava educação aos filhos... Mas a avó diz às netas, a olhar-lhes para dentro da alma, que a educação não se dá com as mãos, dá-se com o coração.
A minha avó diz que não tem nenhuma filha tão parecida com ela como a neta que vos escreve agora. Mas eu acho que é só por fora. Por dentro, a minha avó é insuperável. A minha avó fala dos filhos e diz que eles estão lindos como anjos, mesmo quando sabe que eles não são anjos. A minha avó suportou com um sorriso tudo, tudo o que a vida lhe deu... E a vida já lhe deu muitas coisas más. A minha avó tem uma casa pequena e consegue que caiba lá a maltinha toda, porque a minha avó é grande. A minha avó é a maior. E eu tenho pena se um dia a minha avó se for embora, porque eu acho que ela gosta de estar cá.
A minha avó diz que ter o rancho assim todo ali aos pés é tão lindo como estar no céu, pelo menos segundo o que ela acha que é o céu.
A minha avó teve muitas profissões, que foram ser mãe e avó e bisavó e mulher do meu avô. A minha avó chegou ao topo da carreira em todas elas. E é quando eu olho para a minha avó que eu percebo o que é indispensável. E que ser feliz não é mais que isso: acreditar, com todas as forças, na doçura e na serenidade que tivermos no coração.
Li, no único livro que (re)li estas férias, e que é o título dele, que 'os amantes prendem nos braços tudo o que lhes dói'. Acho que é por isso que há momentos e pessoas que me esforço por manter juntinho, aqui pertinho, dentro do coração, mesmo que me doa. Só porque os amo! E já não é pouco!
Vou trabalhar. Boas férias!
R*"
Cheguei de férias...
Atraquei em poiso conhecido no fim da quinta feira passada, depois de seis dias de sonos que romperam as manhãs, sestas e pequeninas passagens pelas brasas a qualquer hora e em qualquer lado...
Desse estado Zen saí apenas por uma noite, deliciosamente raptada pelos manos... que me devolveram umas horas à agitação de... ups... de um recanto ali ao lado...
Do meu sítio, perdido na Serra de Montemuro, trouxe ar, um cheiro a rosas que ainda se soltou dos poros durante uns dias e alguma serenidade...
Depois desse tempo, outro, em que durante um fim de semana me senti em casa, pertença... Ouço as histórias da minha avó sempre com muita atenção. Às vezes são repetidas, mas tenho medo de alguma vez não ter ouvido tudo, ou não ter ouvido bem... e acho-as tão preciosas que não podem perder-se por distracções balofas.
O casamento da tia mais nova foi de rir... e de chorar....
À despedida de solteira levámos a avó... Adorou e achou tudo muito decente... Já o avô... que acompanhou os rapazes... deve ter deitado as mãos à cabeça algumas vezes.... mas sempre que lhe perguntamos 'então que tal?'... ele responde 'oh... deixem lá isso'. Tentei acalmar a avó... até lhe disse que a parte masculina da família não faria nada de escandaloso porque o avô ia estar presente... Mas a avó encerrava as minhas tentativas com um suspiro e um conformado 'Oh R***inha, então não vês que o avô adormece logo e depois eles fazem o que quiserem?!' Foi de rir...
No dia... cumpriu-se a tradição... dos 12 filhos, faltava cortejo matrimonial de um... e então lá seguiu a malta toda a pé, desde casa dos avós até à igreja. Até o avô... 88 anos de vontade lá se encarregaram de o fazer chegar... de careca escaldada e aflito dos calos... Mas chegou (tão estafado que dormiu entre os pratos do almoço... mas enfim :)!
A noiva foi afónica e na hora de dizer 'sim' só o sussurrou. O padre é amigo lá de casa e aproveitou a deixa, repetindo com alguma insistência... 'Então mas queres ou não queres?'. A desgraçada da tia lá ia sussurrando que sim cada vez com uma voz mais e mais sumida... e o novo elemento da família deixou de achar graça à brincadeira ao ponto de dizer... 'Ela quer, a sério que quer, só que não consegue dizer...' E foi de rir...
Fotos de tudo, de família completa, de irmãos, de irmãs, de sobrinhos, de sobrinhas... enfim... Em cada uma a tia madrinha da noiva dizia: 'Sorrisos, oh canalha.... sorrisos'. E canalha éramos nós... gente feita, sobrinhos mais velhos que a tia que casava, mas que até para ela são meninos e meninas.
A festa durou... e durou... e durou, com bailarico animado até às tantas.
Amadurecia já a tarde de domingo quando à volta da mesa em casa dos avós se reuniu 'só a maltinha da casa'. Ora só a maltinha da casa, nas palavras da minha avó,.... são neste momento 55 pessoas, já com o novo tio...
E por lá andou a maltinha toda, a ocupar a estrada de cada vez que em rancho decide ir à bica, a usurpar os matrecos de cada vez que aos pares nos aliamos para torneios...
A maltinha ficou depois até ao nascer do outro dia, que era também da outra semana, sentada à volta da avó, a ouvir... A ouvir que ela reza sempre por ordem de idades dos filhos, menos o segundo, que ultrapassa o primeiro, porque a Rainha Santa Isabel lhe fez um milagre e o livrou de ir à guerra... E é por isso que à noite nos encomenda... aos 55, àquela Santinha (e a mais umas 30)...
A avó, para quem não a conhece, é a matriarca em pessoa. Curvada pelos anos e pelos trabalhos, a avó não pára. A avó coze broa espalmada, com fiambre e queijo lá dentro, porque sabe que os meninos gostam... e depois pede ao avô que vá ao super buscar daquelas garrafas que já têm o chocolate misturado porque os meninos gostam (é UCAL). A avó diz que nunca bateu nos filhos porque não conseguia parar de rir quando eles se punham todos a correr, um por cada banda, com as pernitas dentro dos calções... Era um rancho que a acalmava das piores fúrias... A avó diz que a mãe dela lhe dizia que assim ela não dava educação aos filhos... Mas a avó diz às netas, a olhar-lhes para dentro da alma, que a educação não se dá com as mãos, dá-se com o coração.
A minha avó diz que não tem nenhuma filha tão parecida com ela como a neta que vos escreve agora. Mas eu acho que é só por fora. Por dentro, a minha avó é insuperável. A minha avó fala dos filhos e diz que eles estão lindos como anjos, mesmo quando sabe que eles não são anjos. A minha avó suportou com um sorriso tudo, tudo o que a vida lhe deu... E a vida já lhe deu muitas coisas más. A minha avó tem uma casa pequena e consegue que caiba lá a maltinha toda, porque a minha avó é grande. A minha avó é a maior. E eu tenho pena se um dia a minha avó se for embora, porque eu acho que ela gosta de estar cá.
A minha avó diz que ter o rancho assim todo ali aos pés é tão lindo como estar no céu, pelo menos segundo o que ela acha que é o céu.
A minha avó teve muitas profissões, que foram ser mãe e avó e bisavó e mulher do meu avô. A minha avó chegou ao topo da carreira em todas elas. E é quando eu olho para a minha avó que eu percebo o que é indispensável. E que ser feliz não é mais que isso: acreditar, com todas as forças, na doçura e na serenidade que tivermos no coração.
Li, no único livro que (re)li estas férias, e que é o título dele, que 'os amantes prendem nos braços tudo o que lhes dói'. Acho que é por isso que há momentos e pessoas que me esforço por manter juntinho, aqui pertinho, dentro do coração, mesmo que me doa. Só porque os amo! E já não é pouco!
Vou trabalhar. Boas férias!
R*"
(13 de Agosto de 2008)
Comecei uma experiência profissional que me transformará necessariamente. Depois de três anos a ouvir falar deles, hoje vi-os. Vi-lhes as caras. Senti-lhes o cheiro. Ouvi-os sorrir. Foram abusados, maltratados e expropriados do cor de rosa da infância, mas sorriem. O cor de rosa é um direito inalienável no ser pequeno. Temos a vida toda, daí em diante, para decifrar as outras cores. Hoje, espreitei-lhes os quartos, as camas, as mochilas da escola. Hoje, senti outra vez o tic-tac. A C. e a P. sabem bem de como às vezes me canso, me saturo e maldigo a minha sina, mas passa-me. Não poderia fazer mais nada neste momento da minha vida. Não há doutoramento, não há ordenado, não há estatuto social que me alicie mais que isto. Faço exactamente o que quero. Tento perceber o que leva alguém a dizer "Cansei-me deste filho e já não o quero". Trato dos que saíram da barriga e dos que saíram da cabeça. Sim, porque estes não podem ter saído do coração. Às vezes, depois de uma manhã como a de hoje, olho para quem está com eles sempre e concluo o nosso encontro com um seco "E o que é que falhou?". Têm-me dito "A Dra. R. é ainda muito jovem. Provavelmente ainda não foi mãe. Mas o que falhou foi o coração." Tenho respondido "Sim, sou jovem. Não, ainda não fui mãe. Sim, percebi perfeitamente." Falhar o coração é conseguir medir o amor. Quando as palavras todas chegam para definir um sentimento, ele já não é inteiro. E este amor, quer-me parecer, não deve poder explicar-se. Uma jurista não pode fazer relatórios em que conclua que o que falhou foi o coração. Por isso é que, nestas coisas, não nos vale de nada ser muito mais do que pessoas... com um coração a que não apeteça falhar!
Piadas
R. Então, ouvi no outro dia que és de A. Olha, eu também sou. Se calhar até andámos juntos no liceu.
F. Ah, não... Impossível. És bué mais nova que eu.
R. Que idade tens?
F. 28.
Ok... eu tenho de me convencer que estou bem conservada :)
F. Ah, não... Impossível. És bué mais nova que eu.
R. Que idade tens?
F. 28.
Ok... eu tenho de me convencer que estou bem conservada :)
De como eu posso ser bem pior do que imaginam
Ontem
R. atrasada para o seu British. Telemóvel da R. a vibrar e R. a tentar caçá-lo na carteira como se fosse para tirar o pai da forca. R. atende e do outro lado "Estou sim, daqui fala o C., da Zon TVCabo". R., calmamente, "Estou sim, muito boa noite. Antes que gaste o seu latim inutilmente, digo-lhe desde já que não, não quero mudar novamente para a TVCabo e que onde eu não chegar mando recado de que os vossos serviços só não são péssimos porque não chegam a ter categoria para ser sequer classificados." C. despede-se com "Concerteza."
Hoje
R. a entrar em casa a morrer de fome para almoçar. Telefone a tocar desde quando vinha na escada. R. atende e do outro lado "Estou sim, daqui fala o C., da Zon TVCabo". R., calmamente, "Viva C., está bom desde ontem? Olhe, para que não gaste mais tempo noutros dias a ligar para mim, anote por favor que R. não mudará novamente para a TVCabo enquanto lhe restar alguma sanidade mental. Sou servida pelos HUC. Vá ligando a pedir informações. Obrigada e bom trabalho, sim?!". E desliguei, mesmo sem esperar o "Concerteza".
Coisas
E, ao chegar a casa, que(m) me espera?! Hã... Pensem lá bem...
Mais uma multa de excesso de velocidade...
O dinheiro das multas custa-me muito a dar, principalmente quando penso que chegava para mais um par de sapatos :)
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Quem tem
amigos:
- Não morre de fome na cadeia;
- Não é abandonado no hospital;
- Consegue inscrever-se no doutoramento :)
- Não morre de fome na cadeia;
- Não é abandonado no hospital;
- Consegue inscrever-se no doutoramento :)
Museu
Sou só eu que acho assassinas as letras que compõem a palavra MUSEU à entrada do Machado de Castro depois das obras?! Ainda de manhã lá passei e sempre que isso acontece imagino caloiros entalados nos U e pessoas sentadas no M e ginastas a treinarem no S... Aquilo é perigoso!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Humm...
E depois de uma tarde a escrever sobre temas pesados, dedicar-te-ás umas horas a fazer marmelada e doce de abóbora. A tua avó também te mandou nozes, mas fica para outro dia o bolo. Compôs-se-te o Outono quando, no fim, ainda abriste uma romã e a comeste devagarinho.
Ser ou não ser...
Está uma chuva inquieta a cair lá fora. Estou de manga curta mas já fui calçar umas meias de algodão. Na casa mora o silêncio. Estou sozinha. Tenho a música ligada baixinho e estou a escrever um artiguinho. O que eu gosto de trabalhar assim... Se tivesse vivido há uns séculos atrás teria, provavelmente, sido feliz como mamã e mulher de meu marido, gastando as horas sobrantes a ler ou coisa assim. Digo sempre que isto de uma gaja se querer afirmar não dá com nada. Mas depois chegam estes dias e percebo que lá no futuro não seria mais feliz se fosse só mamã e mulher de meu marido. Preciso de ler romances e poesia, mas gosto muito de escrever sobre o que penso. E gosto de trabalhar. E não digo que não a um elogio profissional. E não me desagrada pensar em fazer carreira. Postas as coisas numa balança, que se me conserve sempre a predilecção por ser mamã e mulher de meu marido, filha de meus pais, amiga de meus amigos e pessoa em paz comigo... Mas enquanto nada disto comprometer o plano de ser inteira no resto, faz-me bem ser mais uma a lutar por um lugar noutros sítios!
Verdades e assim-assim
Chegou a minha encomenda à loja das prendas de casamento.
Estou com medo de lá ir sozinha...
Cfr., para mais esclarecimentos, os posts de dia 3 de Junho e dia 1 de Setembro.
Estou com medo de lá ir sozinha...
Cfr., para mais esclarecimentos, os posts de dia 3 de Junho e dia 1 de Setembro.
Horas rubras

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Oiço olaias em flor às gargalhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve e branca e mist'riosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Oiço olaias em flor às gargalhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve e branca e mist'riosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
domingo, 4 de outubro de 2009
Vai uma aposta?
Quando era mais novinha, eu costumava usar chapéus, boinas de pala e de pintor, gorros e tudo quanto enfeitasse a cabeça. Quando fui para a faculdade, larguei parte da mania e passei a usar o acessório em causa muito esporadicamente. Fui deixando cada vez mais de lado a ideia e abandonei-a de vez. Há anos que não uso chapéu (salvo, obviamente, na praia e um impermeável nos dias de chuva miudinha). Ora, estava eu a passear com o meu G. pelas ruas de Firenze e topo de frente com uma loja com tudo quanto era chapéu. De noite, lá pelas tantas do escuro, a dita estava fechada. Isto aconteceu no dia da nossa chegada e nós ficaríamos cerca de uma semana. Desde esse momento, não mais R. Maria se calou que queria ir àquela loja e comprar um chapéu. G., rapaz amigo e dado à boa paz, fez-me a vontade como se já não pudesse mais ouvir-me. E fomos. Comprei umas luvas. São moschino... não são umas luvas quaisquer. E porquê? Porque G., desabituado que está de ver-me de outro jeito que não seja com o cabelo a dar espectáculo, teve a lata de me dizer que nenhum dos mil em exposição me ficava a matar. Perante o meu olhar entre a ternura pela sinceridade e a raiva pela... sinceridade, ele disse que um dia, quem sabe, em Portugal, talvez até em Coimbra, eu encontrasse "o meu chapéu". Eu disse-lhe que a coisa se ia dar antes do que ele pensava e que este Inverno o habituaria à força a ver-me gira com aquele adereço. Pois bem... o rapaz não se fiou e avançou com a aposta. Se eu usar chapéu durante dois terços do tempo invernoso desta época, paga-me um jantar onde me apetecer. Convém referir que quero ir jantar a casa dele e já combinei tudo com a mulher, que achou boa ideia (as meninas conversam e ele paga-me a aposta... com jeito ainda se aliciam mais uns amigos e o que era uma dívida passa a ser uma festa). Acontece que G. tem-me perguntado pelo chapéu. E eu, inteligente que é uma coisa nunca vista, tenho-lhe dito que ainda está calor e a aposta não era com coisas em palha. Todavia, abeiram-se as brisas menos amenas e o tempo começa a ser escasso. Esta semana hei-de, finalmente, procurar e encontrar o meu chapéu. Estou indecisa entre preto, cinzento e vermelho.
Questões em torno do clic e da falta dele
Ela insistiu que era perfeito. Ela organizou encontros imediatos. Ela até juntou as fotografias de ambos, virados um para o outro. Eles foram ambos padrinhos de casamento dela. Viraram compadres. Ela insistiu mais um bocadinho que devia ir ajudá-lo com a escolha da gravata. Eu não nego à partida ciências que desconheço mas fui adiantando que ainda agora vai a procissão no adro da igreja e que não me andava a soar a facilidade em clics. E confirmou-se. Se foi querido? Foi. Se tem uma conversa interessante e uma vida cheia de coisas para contar? Tem. Se me trata como se devem tratar as princesas? Trata. Mas... não se deu o clic. Juro que não estava sugestionada com nada e nem fui de armadura com medo de bater outra vez com a cabeça. Simplesmente, não se deu o clic.
sábado, 3 de outubro de 2009
P.
A minha P. casou. A minha P. estava linda... e feliz. Despedi-me dela com um "Be happy" e com a convicção que dizer estas coisas às pessoas e desejar-lhes isto do fundo do coração ajuda a que o sonho se concretize. E ser feliz é um sonho. Ser feliz com alguém é um sonho a dobrar. E há sonhos que só podemos desejar que se realizem ou que se realizem. P., minha querida, be happy!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Cartão
Enviei a tese, por correio, a duas pessoas. A minha arguente, do Porto. E um Professor de Lisboa que ainda estou para decifrar como soube da minha existência e que me convidou para dar uma aula num curso que coordena, em Junho. Não sou fã de escrever postais à volta da muita estima, enorme respeito e tamanha consideração. Cansa-me falar na admiração e apostar em coisas fatelas. Eu sou muito do "com um xi-coração", "uma beijoca repenicada", "toda a amizade do Mundo porque és especial para mim", "gosto de ti" e "obrigada por existires". Mas esforcei-me. Já tinha alguma estaleca na coisa por causa dos eminentes da Casa... e tentei comportar-me decentemente nos cartões aos senhores. Mas a ela só me faltou dizer "porque foste uma kika e gostei tantissimi di ti" e a ele (nunca o vi...) ter desbaratado em "gostei tanto que te tivesses lembrado de mim(*), pessoa importante. Já sou tua fã e estou aqui para o que precisares, amigo. Quando vieres cá, diz-me só, preferes café ou chá?".
Mas...
hoje recebi o postal dela e quase chorei. Fala em boas pessoas e gente que deixa gratas impressões, acaba com a disponibilidade dos amigos e fez-me andar contente o resto da tarde.
Dele ainda não há novas nem recados. Temo que ande a estudar a maneira de me dizer "ah e tal... o curso foi cancelado!".
(*) ou concordado com a sugestão do meu nome (ainda averiguo isso...)
Médico de família
- De si, minha querida, diz-se "não ter para dar".
- Desculpe?
- Sangue.
- Como?
- Está com uma anemia sem tamanho. Agradeço-lhe que não se ponha a dar sangue.
- Sim. Está bem. Mas... eu pensava que tinha colesterol... Todos os meus amigos têm (ao género... "e eu também quero").
- Pois, mas o seu sangue é dos que se se atirar a uma parede não cola. Escorre.
- Ah...
Meeedooooo!!!
- Desculpe?
- Sangue.
- Como?
- Está com uma anemia sem tamanho. Agradeço-lhe que não se ponha a dar sangue.
- Sim. Está bem. Mas... eu pensava que tinha colesterol... Todos os meus amigos têm (ao género... "e eu também quero").
- Pois, mas o seu sangue é dos que se se atirar a uma parede não cola. Escorre.
- Ah...
Meeedooooo!!!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Agudos e graves

Acordo Ortográfico: Linguista prevê que escrita comum leve mais 20 anos - Expresso.pt
"Malaca Casteleiro critica os atrasos de Portugal na aplicação do Acordo Ortográfico, nomeadamente a falta de iniciativas ao nível do Ministério da Educação".
"Malaca Casteleiro critica os atrasos de Portugal na aplicação do Acordo Ortográfico, nomeadamente a falta de iniciativas ao nível do Ministério da Educação".
Por mim, bem podem sentar-se à espera que tire o acento ao cágado, o c ao facto e o p ao baptizado. Sentem-se e recostem-se convenientemente...
Não te trates, não...
Sou menina para começar a explicar-lhes que a partilha pode ser sob a forma religiosa, católica ou civil; o casamento não está sujeito à colação; reduz-se, por inoficiosidade, o dever de cooperação; e pode estabelecer-se a filiação adoptiva apenas se for para fazer face aos encargos normais da vida familiar!
P.S. Depois de, nos correios, ter dado o n.º do BI para o recibo, cheguei à papelaria e pedi uma capa de acetato e uma caneta de elásticos!
Raiz de orvalho e outros poemas
"...
É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou
..."
"...
Não sei o que te invento
se amo mesmo quando não és
Não sei o que te amo
se te invento como és
Palavras que voltam
se não voltas
Cega-nos a mesmo noite
o mesmo suspiro
de duas mãos entrelaçadas."
"...
por ora
basta-me o arco-íris
em que vos sonho
..."
Mia Couto
É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou
..."
"...
Não sei o que te invento
se amo mesmo quando não és
Não sei o que te amo
se te invento como és
Palavras que voltam
se não voltas
Cega-nos a mesmo noite
o mesmo suspiro
de duas mãos entrelaçadas."
"...
por ora
basta-me o arco-íris
em que vos sonho
..."
Mia Couto
Subscrever:
Mensagens (Atom)







