quarta-feira, 20 de junho de 2012

Da felicidade

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca


Há dias em que me sabe tão bem voltar a este lugar em que já fui mais do que feliz... esquecer os medos do que pode correr menos bem amanhã ou depois, ignorando que a idade já devia ter-me dado a lição da ponderação, absorvendo cada minuto disto como uma coisa preciosa que há muito me sumira... Há dias em que nem a insónia repetida aplaca a genuína vontade de acreditar que é assim que tem de ser, que as vertigens fazem parte, que há tempo para pensar, mas não é este. Voltam, sem tréguas, as saudades do que está por vir e há, nos minutos contados dos dias, a magia da felicidade infantil de quando se descobre o melhor do Mundo uma e outra vez...

2 comentários:

  1. este poema... ai este poema! Diz-me tanto, transcrevi-o tantas vezes ao meu almor :)

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