Quando a autora deste blog está grogue fica ainda mais insuportavelmente crente no amor do que é costume. Penitencia-se, mas não tem forças para contrariar a tendência. Nem vontade. A garota aprecia os estados de alma com estrelas a piscar e corações a dançar.
São oito horas. Parece que acordei agora. Não. Acordei há precisamente onze horas. Sim... eu sei... ninguém acorda às nove horas em tempo de trabalhar. Mas estou com neostil. Não esquecer. São oito horas e só agora é que o sono está, verdadeiramente, a dar tréguas. É uma boa média. Atendendo a que à meia noite tenho de tomar outra cápsula, posso prever que isto hoje renda que é uma coisa parva. Ai, Cristo...
Chegou o vídeo. Chegou o vídeo e não há grandes calinadas, que não há. Uma ou duas, no máximo. Mas tenho o coração como a noite escura. Descobri, da maneira mais imprevisível, que os meus amigos se estão literalmente nas tintas para mim. Os meus amigos, aquelas pessoas por quem tiro a camisa do corpo, estão nem aí para a minha imagem pública. Os meus amigos não se importam rigorosamente nada com a lembradura que as futuras gerações de juristas guardarão de Pequena R.. Chegou o vídeo e eu pergunto: "Por que é que ninguém me disse para me pentear?"
Deixo cair a caneta. E a cabeça. Pareço andar na lua. Respiro devagarinho e dou por mim a encostar-me a um dos lados do sofá, prontinha a assumir a necessidade de sesta. Há pouco, não sei como, escrevi uma frase sem sentido nenhum. Já a apaguei. Tenho os dossiers espalhados, como sempre, mas, como nunca, levantar-me para ir à casa de banho significa tropeçar e cair por cima de uns quantos. Preciso de ir à faculdade, mas até estou com medo de pegar no carro. E não tenho força nas pernas para ir a pé. Ontem, lembro-me vagamente da caminhada, mas parecia meio zombie. Rapidez de raciocínio não é para mim por esta altura. O meu pescoço não quer ficar assim direitinho. A cabeça pesa toneladas e as pálpebras imploram por se fechar. A alergia continua bem à vista. Não tenho vontade de arrancar a pele à dentada porque isso é próprio do efeito bom do medicamento. Mas pareço uma pele vermelha, ainda. Não sei como raios hei-de fazer tudo o que tenho para fazer esta semana se com esta porcaria a minha mente implora que me deite e faça shiuuu a tudo o que mexa. A sério, malta. É torcer por mim. Até já tomei um café. Há meses que não fazia isso. Mas nada. Rien. Niente. E eu preciso tanto de trabalhar. Ai ca nervos. Ai ca sono.
Fui às petúnias. Os amores perfeitos finaram-se. A minha varanda parece um forno e, portanto, nem regados todos os dias e acarinhados recorrentemente com borrifos os ditos vingaram. Dizem que as petúnias são mais resistentes. Estamos cá para ver. Da próxima, aposto em sardinheiras. No limite, vou aos cactos. Mas não queria assim muito. Enfim, o que importa é ter ali as floreiras com vida, com ar de casa habitada, com cor, cheiro. O resto, o resto são pormenores.
Começou bem pequenina. Em cheio, no peito, ali mais perto do ombro esquerdo que do direito. Foi alastrando devagar, devagarinho. De manhã, parecia inofensiva. Pelo menos, para os outros. Eu sabia que seria uma questão de tempo. Já ontem cedo se tinha anunciado uma semelhante no pulso direito e nas dobrinhas poente dos cotovelos, ali onde se tira o sangue. Meu dito, meu feito. Neste momento, está incontrolável, pelo corpo todo. A saga das alergias sem razão aparente, que se insinua com manchinhas e assenta arraiais com borbulhas por todo o lado, chegou mais cedo este ano. Sem sol. O que exclui a teoria de que talvez a alergia só apareça nos dias de muito sol. Não. Aparece quando quer. E é tramada. Portanto, estou, neste momento, com o primeiro anti-histamínico tomado, à espera do desejado efeito. Associado, como sempre, virá o sono. E a semana promete. Detesto esta coisa de ser alérgica a tudo.
Aveiro é a minha segunda cidade. Definitivamente. Não a acho mais bonita que Lisboa ou umas quantas cidades fora, mas razões emocionais prendem-me à Lourenço Peixinho, à Ria, a Santa Joana e assim. Por isso, volto sempre que posso, sem a rotina dos domingos de manhã para a sessão infantil do cinema ou dos sábados à tarde para a catrapiscação dos tempos de ouro da Biju do Oita ou das vésperas de festas para levantar as encomendas na Peixinho. Volto e vou descobrindo lugares. Sempre um novo. É uma cidade cheia de potencial e... despretensiosamente glamourosa. Tem as melhores floristas, perfumarias irrepreensíveis, uma ourivesaria de perder a cabeça e lojas de roupa que outras cidades ainda não conhecem. Depois, bem, depois tem alojados alguns amigos dos grandes. E recantos gastronómicos que vão dando cartas. O Giz foi descoberto por mim há pouco mais de um ano, distraída que andava, de cabeça virada para o outro lado da rua, onde mora a pizzaria muito preferida. O Giz tem um ambiente cool, gente gira, boémia e madrugada a decorar o espaço e o tempo em que se fica e a memória de quem continua a querer voltar. Mas ontem à noite descobri a Trincadeira. Tudo feito de pertença, acolhedor regresso aos tempos dos bares e tascas de decoração meio hippie. As franjas, os focos de luz, as mesas corridas, os bancos sem costas, o barulho ordenado, as tapas, os petiscos, aquela cumplicidade que faz apagar as luzes e ver toda a gente de pé a cantar os parabéns a você ao tipo da outra mesa. Janelas abertas a deixar entrar a brisa morna da noite, a ria aos pés e um cheiro de genuíno no ar que me faz elegê-lo muito para um sítio a visitar e visitar e visitar.
Bolas... eu achava que até sabia isto mais ou menos. Mas não. Pus-me a estudar e, tumbas, toma lá montes de ideias e dúvidas e hipóteses, que é para não te armares em especialista. Acho que preciso de uma pós graduação na matéria antes de amanhã tentar ensinar alguma coisa na pós graduação da matéria.
Há poucos dias, apostei numa cena que promete alinhar as energias todas, organizar o corpo e a mente e deitar para longe a ansiedade e o stress. Será que me baralharam os fios? Nem eu me estou a entender. Pareço uma panela de pressão. E não. Ainda não me apetece rir. Mas lembrei-me que a choradeira podia ter uma explicação científica. Afinal, até já consegui encaixar os casos de "quase-limitação" aqui na apresentação de amanhã. Devia estar mais contente. Mas... pois... não. TPM também não é. Parou de trovejar. Recebi o IRS. Não sei.
Ou não. Mas preciso dele. Podia ir ali à varanda da sala gritar e quando voltasse já a gestão de negócios me faria mais sentido nos casos de quase limitação. Não vou. Tenho um blog também para isto. Para descompensar em paz. Para deixar registo dos dias melhores, dos piores e dos indescritíveis. Imaginem-me a dizer asneiras. Estou a pensá-las todas neste instante. Podia calçar-me e desatar num pranto até que me abrisse a porta. Não vou. Ainda que me abra a porta, porta, deitou fora a chave da outra. E essa é a que mais precisa de ser aberta. Ou não. Vai na volta, tanto tempo e não aprendi nada. Tenho de trabalhar. Tenho mesmo. Mas preciso arrumar tudo antes de voltar a concentrar-me. Devia dar cadeia esta coisa de nos levarem a concentração sem licença. Estou exausta. Outra vez. Pela milésima vez. Estou exausta. Tão, mas tão exausta. É uma espécie de droga que rouba a lucidez, que amolece as fúrias, que impulsiona as esperanças mais pequeninas. Estou tão exausta que, mais uma vez, tenho os dois pés na borda do precipício. Estou exausta. E dou em doida não tarda.
Maria Rita, Marisa Monte, Vanessa da Mata, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller e mais umas quantas. Estou linda, estou. Vá lá... ainda consigo trabalhar ao mesmo tempo... mas já foi mais fácil...
Não posso esquecer-me, da próxima vez que decidir ir andar sozinha, de levar um sinal luminoso de pisca para as ultrapassagens. Está visto. Ando mais depressa quando ando sozinha e tudo parece meter-se à frente dos meus pés.
Casais de velhotes a passear de mão dada dão-me esperança na humanidade e no amor para sempre (Muito embora o N. continue a insistir que eles só andam agarradinhos para evitar cair!!!). Casais da minha idade a correr de mão dada é só coisa para me dar vontade de gritar "MENOS, PESSOAS, MENOS!"
A ver: a palmada pedagógica é aquela palmada que sacode o pó do rabiosque dos filhos malcriados, aquela que lhes assenta que nem uma luva quando decidem querer tudo no supermercado e (ai meu Deus, como isto me irrita) desatar a guinchar se não lhe fazem a vontade, aquela que se dá depois de se ter explicado com calma que a comida não se atira para o chão e que há meninos que passam fome e a criancinha decide contribuir para a definição de abdominais dos pais e espalhar esparguete ou arroz ou carne ou peixe ou o que seja pelo chão da casa, é aquela que serve para mostrar que aos mais velhos não se levanta a voz, já se avisou, é também aquela que aparece como recurso à décima asneira cabeluda, depois de todo um tratado de psicologia debitado nas primeiras nove. A palmada pedagógica não espanca, não marca fisicamente, não traumatiza. A palmada pedagógica é um "põe-te fino" que deve soar como campainha e ajudar na hora da indecisão entre o disparate e o bom comportamento. Às vezes, a palmada pedagógica pode nem ser uma palmada, mas dormir sem história, não ver o filme de animação que se quer naquele dia e, no caso dos mais crescidos, não sair e ficar mesmo a estudar. A palmada pedagógica não faz milagres, que não faz. E admiro quem educa os filhos sem palmadas pedagógicas. Não sou especialmente mal educada (acho eu) e apanhei uma única vez na vida. Estava apaixonada pelo Apolo da novela e decidi, ao almoço, comer sopa distraída, depois de a minha mãe me ter avisado vezes sem conta. Quando acabei, tinha metade do prato da sopa no vestido e aulas à tarde. A mãe disse que eu podia escolher: ou ia assim para a escola, ou apanhava uma palmada. Eu respondi: "Podes bater, mas tira-me isto!". Foi uma sacudidela de moscas. Não doeu. Mas assinalou. E não me lembro de repetir a gracinha. O meu irmão apanhou umas quantas palmadas pedagógicas, mas tinha uns pulmões para guinchar como reconheço a poucos miúdos e uma vez mordeu um colega no braço. Além disso, gostava de ver as meias sair pela frente dos sapatos, pelo que não descansava enquanto não os rompesse à frente, recorrendo a pontapés a tudo para alcançar o seu objectivo. Ah... e até aos quatro anos não comia carne ou peixe (vomitava tudo) e só admitia fruta passada. Era tramado, o puto. Ora, a palmada pedagógica, no meu modesto entender, não faz mal nenhum a ninguém. Bem pelo contrário. Pode não resolver tudo, mas acredito que ajude alguma coisa. Quando vejo o vídeo ali em cima, pergunto-me se esta gente terá levado a palmada pedagógica. Concedo, também podem ter levado porrada de meia noite e ficado assim por isso, mas não acho tão provável. Admito como mais fiável a hipótese do "ao Deus dará", o "deixa andar" e a irritantezinha mania que o menino se traumatiza por dá cá aquela palha. Quando andava na escola, os pais dos miúdos diziam às professoras "Se ele precisar, dê-lhe uma palmada!". Hoje, em casa, devem avisar os filhos que, mesmo que a professora não precise, podem aliviar os stress fazendo-lhe a vida num inferno!. É isto que queremos?! É assim que achamos que a coisa melhora?! São estas pessoas que pretendemos ter a conviver connosco?! Gente sem rédea, sem noção de limite, sem preparação para repudiar o mal. Miúdos que cospem no chão, não dão lugar aos idosos, berram e levantam a mão a quem os contrarie, garotas que bebem como homens grandes e dizem asneiras como se o Mundo estivesse para acabar e lhes tivessem encomendado um chorrilho de insultos?! É disto que precisamos?! Há tempos, ouvimos a história deprimente do "dá-me o telemóvel, já", em que a fulana gritava, histérica, com a professora que, atentem bem na exigência, não queria que se mexesse no telemóvel durante as aulas. Depois, vários outros episódios. Agora, isto. Não sou favorável ao abaixamento da imputabilidade penal, nem tão pouco entendo que a Lei Tutelar Educativa tenha de ser profundamente alterada. Isto não é uma questão de direito. É uma questão de civismo, de educação, de formação para a cidadania. Não se resolve por decreto ou com detenções. Isto resolve-se, se é que se resolve, porque às vezes duvido, com palmadas pedagógicas. Dadas cedo, que toda a gente sabe que "burro velho não aprende"!
Quando, ao fim de uns 10 anos de toma da pílula, vos disserem para a largar, por favor, não venham falar comigo. Não quero assustar-vos. E vou ser mal sucedida na tarefa de vos fazer crer que vai ficar tudo bem na mesma. Isto é... bem... uma grandessíssima paulada mensal. E não, não é só no primeiro mês. Já lá vão cinco e a tendência tem sido para piorar. Choro, dores de cabeça monstruosas, dores de barriga, de pernas, moleza, calor, sensação de enfartamento mesmo sem comer, articulações inchadas, humor de cadela... Estou fartinha e ainda agora começou.
Lembram-se deste post?! Eu lembro-me, muitas, muitas vezes, dele. Mas nunca me tinha passado pela cabeça revivê-lo... e, o que é espantoso,... sem ter ninguém fisicamente ali ao pé. Há coisas na vida das pessoas que são tão difíceis, mas tão difíceis de explicar que, como diz o P., só podem mesmo sentir-se. Já alguma vez sentiram uma torrente de lágrimas amedrontar-se por um acontecimento inesperado, um abraço imprevisível, um beijo não reclamado?! Eu já. Hoje.
P.S. Ando sem vontade de escrever... mas vai passar.
Conheci a C. (EN). Da maneira mais inesperada, no momento mais imprevisível, apresentadas pela cúmplice mais insuspeita. Conheci a C. (EN), que era, nada mais nada menos que, a leitora e comentadora do blog mais antiga, de entre todos os desconhecidos. Eu já tinha falado com a C. (EN) por telefone uma vez... mas nunca a tinha encontrado. E nós, afinal, moramos perto. Muito perto. E temos amigos em comum. E o mundo é uma ervilha. A C. (EN) é simpática, gira e com bom gosto. Usa saltos. A C. (EN) também gosta de chá e, pareceu-me, preza as amizades como poucos e fala das suas pessoas com uma ternura indisfarçável. Do grupo 11 à senhora do café da frente. A C. (EN) aprecia a generosidade e não se reconhece essa qualidade assim por aí além... mas devia. Porque já foi genuinamente generosa comigo muitas vezes, mesmo sem me conhecer. Conheci a C. (EN) e adorei. Conheci a C. (EN) e isso fez com que ontem tenha dito à minha pessoa que nos apresentou que... tinha feito o meu dia. Conheci a C. (EN)... é isso!
Ontem vimos uma comédia romântica. Não fui eu quem escolheu, mas confesso que me rendi. Não percebo, porém, a algazarra produzida na sala quando, no fim, vou à casa de banho e começam a explicar à menina outsider que aquilo era um Érrezinha film... Isso e o "You speak english rather well. Why are you afraid of fulana de tal?" Estes amigos só me envergonham...
A atmosfera aqui na cidade está pesada, o ar está quente, mas muito húmido. Sinto-me num clima tropical. Sair de casa significa levar com um calor de todo o tamanho ou com uma pancada de água de nos deixar a pingar três dias. Quando, às 8h, saí de casa, estava sol. Calcei sandálias. Depois de dar aulas toda a manhã numa outra faculdade da alta que não a minha, fiz a pé o empedrado das ruas todas da parte velhinha da cidade e cheguei para as restantes aulas, agora já no sítio do costume, que parecia uma mendiga. Cansadinha. Suada. Despenteada. Dez minutos de cadeira depois, seguiu-se outra hora, até voltar a casa para almoçar. Quando há pedacito saí para ir à lavandaria, ainda a indumentária da manhã servia bem. Mas foi ao regressar a casa que apanhei com tanta chuva, tanta chuva, tanta chuva, que um banho quente se impunha, sob pena de gripe certa. Agora, olho lá para fora e está um calor de fazer fogueira. Isto não é normal. Só assim se justificam 25 graus às 3 da manhã e coisas do género. Se não é o fim do mundo a aproximar-se, São Pedro disfarça bem.
Por motivos óbvios para quem me conhece, mas que aqui não vêm ao caso, li com atenção o acórdão do momento. E não, não percebo a escandaleira à volta do resultado.
Um sábado de casamento no Centro e um domingo de baptizado a muito Norte. Num, a família. Noutro, muitos dos amigos que só se encontram uma vez por ano. Saltos altos no primeiro dia, sabrinas no segundo. Horas de pé. Fim de fim de semana às 00h47m, quando rodei a chave de casa. Dói-me o corpo t-o-d-i-n-h-o. Tenho umas olheiras que chegam aos joelhos. Esta boa vida também cansa.
Estou-me a passar contigo. Dá-me imediatamente os posts que me tiraste ou tenho de tomar medidas drásticas. Detesto quando te dá a filoxera. Asno, pá. Logo hoje. Fica a menção: não se aprende nada nestas noitadas cinematográficas às quintas. Nada. É tanto disparate junto... Socorro. Se um dia aparece alguém à sorrelfa, estou para ver quem é que descalça a bota de tamanha maluqueira. Pior... há quem transfira as liberdades criativas para as sextas. Não há quem nos ature.
Fui andar a pé para o Parque da Cidade e depois para o Parque Verde, atravessei a Ponte Pedro e Inês, fiz umas piscinas em Santa Clara, atravessei a Ponte para a Portagem e pus-me a andar na Baixa. Enquanto o meu pensamento disparatava a lembrar-me que a minha última noite de Queima como estudante foi dividida entre os HUC e a Esquadra, por "ligeiros desentendimentos" entre o nosso grupo e uns gandulos de fora, encontrei um aluno. É polícia.
Que me lembre, nos últimos anos, houve apenas duas pessoas a inventarem um nome para me chamar. A grande maioria fica-se pelo kika, pipoca ou coisa que o valha ou, no limite, pelo meu nome em diminutivo. Mas houve duas pessoas que, pouco tempo depois de me conhecerem, começaram a chamar-me uma coisa diferente. Praticamente sem tradução. Sinal de que não me conheciam assim tão mal, muito embora fossemos recentes convivas, adorei, de ambas as vezes, o nome. Chiquilim ficou lá atrás, atado a um Verão que, pronto, trouxe o que os Verões trazem e mais nada. Mas Ripilquinha está a fazer caminho. E não, não se ponham com ideias. É que não tem mesmo nada a ver.
Então se substituirmos o computador por um telemóvel... Haja paciência para o atamento crónico em pessoínha. Esta coisa das sms é muito gira, muito gira, mas é para fazer colecção na caixa de entrada. Péssima opção para quem padece do grande mal do "para mais tarde recordar". Até enerva.
Dois abacates cortados em pedacinhos bem pequeninos. Uma colher de chá de açúcar. Umas gotinhas de sumo de limão. Tudo junto... em polpa. Tacinhas individuais. Numa, açúcar baunilhado. Na outra, canela.
Se alguém te diz "Sinto o coração tão apertado" e tu sentes um desconforto dentro do peito, como se houvesse uma mão gigante lá dentro a remexer-te na alma, isso significa...
depois de tomar banho, de me besuntar com creme hidratante e de vestir um pijama confortável, põe uma mola no cabelo até aí preso na toalha. Sou a que, no fim disto tudo, às vezes, enquanto procede ao ritual de passar o chuveiro com muita pressão na banheira para deixar tudo limpinho, se esquece da direcção em que deixou o chuveiro, abre a torneira e fica a pingar da cabeça aos pés e com o tapete pronto a torcer. Sou essa. Há dias em que me dispo a rir e visto outra coisa a rir. Há dias em que me dispo a dizer asneiras e me visto com má cara. É. É assim. Ontem, ri-me!
Fazconta que a pessoa, de tão baralhada, até dá crédito ao signo. Qualquer sugestão é bem vinda. O dito manda pensar. E pensar outra vez. E voltar a pensar. A pessoa, vai, e pensa. Mas mesmo. Põe-se a pensar, pronto. A coisa complica-se. Está a trabalhar e vem-lhe o pensamento. Não pode ser. Radical, a pessoa tira um bocado só para pensar. Senta-se e pensa. Nada. Calça umas sapatilhas, põe uma música nos óvidos e anda depressa, depressa, com a brisa da noite na cara, a ver se pensa. Nada. Chega. Toma banho a ver se, pensando mais um bocadito, entende, vê a luz. Mas não. Então desacredita-se no signo e mal diz o pensamento. Percebe, no meio da fúria, como é ingénua. A pessoa, vejam lá vocês bem isto, quer ter respostas a pensar para as perguntas que a invadem a sentir. Tótó, pá!
porque estou a chegar de uma hora a pé por lá e vi sofás nas varandas com casais a admirar a noite, mesas postas à beira de janelas abertas, com famílias inteiras à volta, miúdos a passear os cães, trajes académicos a arejar nas cordas dos quintais, jardins com flores de toda a raça e cafés com muitas gerações a jogar uma cartada. Gosto do Bairro porque deve haver poucos outros sítios na cidade onde seja tão normal encontrar fogareiros com brasido e um cheiro a sardinha assada já em Maio que não me faz gostar do Verão, mas, pronto, está bem, destas noites amenas, um bocadinho.
Há precisamente um ano que não viajo, que não me sento num avião para sair daqui uns dias. Deve ser isso que me anda a fazer tão mal. É preciso tratar do assunto com urgência. FMI... a menina precisa. A menina até voltava com mais vontade. Como dizia alguém, no sábado, "Chega a esta altura e a pessoa começa a trabalhar com a vontade com que o faz nos dois últimos dias antes de ir de férias. Só que... daqui a dois dias... não vamos de férias." Bolas!
Foi uma noitada até às 3 da matina, mas já está. Faltei ao Quim com pena, mas ser adulta também deve ser isto: uma noite de farra... todo um dia de sentimento de culpa por tanta coisa para fazer. Não. Não havia cabeça para o relatório, nem para avançar a leitura da tese da outra R.. Por isso, escrevi convocatórias e cartas, num total de 472 folhas impressas, dobradas em três e postas em envelopes, organizados por códigos postais. Done. Agora vou voltar ao trabalho. Chega de me sentir f$%&#? e mal paga. Ao menos, para o resto, ainda estudei. A dobrar cartas é que sou, desde há 6 anos, uma self made woman.
A ameaça era de brincar. A do proprietário e a do meu amigo. Pela primeira vez, deixámos os restaurantes da Baixa e, armados em capitalistas, fomos a um sítio bem bom. A conta, um número redondo e com 3 dígitos gordos, rendeu piadas durante toda a noite. Quanto mais esquisitos nos tornávamos, mais a meretíssima se assustava. Desde que soubemos que domingo vai de avião ao baptizado que todos temos no norte, não mais parámos de lhe chagar a cabeça para que pagasse tudo. Mas então soubemos que a viagem fica em 17 euros e o Primeiro lhe descontou uma pipa de massa. E quase fizemos vaquinha para pagar a janta da moça. O MP chegou atrasado e, sentado ao lado da menina dos voos charter Faro - Porto, levou com olhares de soslaio dos mandatários presentes. Depois sobrava a jurista da recuperação dos créditos e a vendida ao Banco da moda. Nas palavras de uma PJ, é ela que inventa aquelas letras pequeninas dos contratos que danam a vida às pessoas, a ordinarona. Finalmente, um de cada lado do presidente da mesa, o homem que apostamos que desce os corrimões das escadas que dão aos gabinetes do poder central, lá para os lados de onde se compram submarinos, e a cabra que decidiu fazer-se amiguinha do peito de meia dúzia de alegados filhos da p#$% dos que acrescentaram cabelos brancos a todos em provas orais infindáveis, moi même em pessoa. O menino dos corredores do poder, homem de austeridade (nada) evidente e muito (pouco) dado à calmaria, propôs acabar a noite num bar de música calminha, a beber coisas de gente grande. Mas as vozes da maioria ergueram-se quase tão alto como quando saímos da aula do outro por não haver lugar na sala para toda a gente e, sem saber o que gritar, começámos a elevar a voz com a palavra corrupção. Não tinha nada a ver, mas na hora foi o melhor que se arranjou. Já lá vão 9 anos. Seguimos então para a Portagem, onde ficámos até às tantas. Os que beberam, em forma. Mas nós, os outros, derreados. Estamos cotas, é o que é. Ainda que nem isso tenha evitado o Nãããooo que se gritou ao ouvido do A. quando voltou com a história da música calma. Domingo há mais.
Vou ali jantar com um grupo de eminentes juristas, ligados às mais diversas áreas do foro. Devo no entanto informar que desde o meio da tarde que já se trocam todos ao telefone e acabam de me ligar à guerra para eu decidir ao lado de quem quero ficar sentada. Não. Não é por me adorarem. Nem por me detestarem. É porque estou dez minutos atrasada e o dono do restaurante ameaça tirar uma cadeira. Ousei brincar e falar das providências cautelares. Enquanto dois discutiam o articulado, ouço outro gritar que a minha cadeira ninguém tira, nem que ele tenha que lá escarrar em sinal de marcação de território. Já não estão nada bem, senhores. Nada bem. A noite promete.