quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dia de...

Diz que ontem foi o dia dos solteiros.
E eu digo que ora ainda bem que só me avisam hoje.
Acho, basicamente, dispensável! É mais ou menos como o dia dos corações que piscam e dos peluches com tabuletas a dizer "I love you". Assemelha-se muito ao execrável dia da gaja. Eu não preciso que me arranjem um dia, obrigadinha. E também não ando por aí a assolhar o estado civil em jantaradas histéricas. E não me estou a ver render a quem se lembre de só dizer que me ama um dia por ano. Sou um bocado arreliadora, quase pedante, neste particular. Relembro que há dois anos torci um pé enquanto saía do escritório, na Rua da Sofia, estafada de um julgamento, com pressa de banhinho quente, e tropecei num maluco que não via nada à frente do nariz atento o tamanho da farfalhuda coroa (aquilo não era um ramo) de rosas vermelhas. Eu ia desmaiando no ano passado quando fui à florista comprar umas flores para uma doente e tive de esperar meia hora porque o marmanjo antes de mim queria que a senhora florista pintalgasse as flores todas do ramo para a sua mais-que-tudo com um spray dourado. Quanto ao dia da gaja, acho um bocadinho inqualificáveis aquelas jantaradas de mulheres sempre atracadas a gajos e que soltam a franga uma única vez no ano. Sou, lá está, também nisto, um tanto dada à independência. Kiko da minha vida, se me estás a ouvir, atenta, por favor. Nós estaremos unidos num só coração e eu só estarei contigo se te amar como a mim e se souber que sou capaz de dar a vida para ver-te feliz. Mas eu tenho amigas e amigos de antes de te conhecer. E tu também terás. Eu tenho rituais. E tu também terás. Por isso, nós não precisamos de ser siameses. Eu posso querer um programinha de meninas e deixar-te a trabalhar, mas prometo que volto arrepiadinha de saudades. E vou achar estranho que ostracizes os compinchas de agora para te amarfanhares a mim 24 horas por dia. Ide... Estamos cá para o reencontro depois! Quanto ao dia dos solteiros, nunca tal me tinha passado pela cabeça, pelo que ainda não pensei bem sobre o que posso esmiúçar sobre ele. Mas já me está a fazer uma certa alergia desde que soube que existia. Acho que é isto!

Clic off

Roer a corda!

Natal

Recebi a colecção de postais de natal dos artistas com a boca e o pé. A minha mãe fez maçãs assadas para o lanche de ontem. À noite fui ao aniversário de uma amiga que está com uma barriga linda de grávida de felicidade. Começo a sentir o bafo de Dezembro a aproximar-se... Eu amo o Natal. Não é bem a noite, nem o dia,... é a ideia!
P.S. Pode ser essa a explicação para ter antecipado quase um mês a data de chegar ao Mundo...
Alguém percebeu quem é que foi ontem à mesa no braço de ferro entre o Primeiro e o Presidente?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tempo

Há mais ou menos um ano, eu criei um blog. Estava a tentar fechar um ciclo profissional adiado em demasia. Houve muitos dias em que achei que ele nunca teria fim. Senti, até, uma ou outra tarde, estar na altura de aceitar que melhor seria desistir. A par disso, uma história por resolver acumulava-se em constrangimentos que me sugavam a energia. Parei para pensar, sentar-me e desatar de vez esse nó quando a C. me disse, a olhar-me nos olhos tão fundo como só os grandes amigos têm capacidade de fazer, que achava que eu nunca saíria daquele impasse. E nunca o faria por... solidariedade. Porque me tinha reconstruído, passo a passo, à semelhança da história que eu queria desbravar. Nesse dia, eu decidi que era preciso pôr ordem na casa. E fui por partes. Concluí cada uma delas com a tensão própria dos grandes passos da vida. Se profissionalmente respirei de alívio e me revi num misto de felicidade e vergonha por tê-la adiado, emocionalmente era preciso gerir as coisas com outra calma. Muitas dúvidas se emaranharam ao longo de muitos meses. Acreditei no meu final feliz contra as certezas de quase toda a gente e convenci os mais cépticos de que era possível. Comigo, seria possível. Redundantemente, fui delineando planos B. Mas nunca me dediquei a eles com suficiente afinco para os relembrar agora. No mais fundo da minha alma nunca residiu nenhuma dúvida. Eu sabia que ia acontecer. Até ao dia em que senti que a energia me tinha sido sugada de vez. Que não vivia há muito tempo. Que permanecia no Mundo para estar à espera. Até ao dia em que senti falta do que eu tinha a certeza que merecia que lá estivesse e descobri que não, não estava. Não foi uma dor de alma. Foi uma passagem pelo purgatório. Tirou-me a razão e a vontade de sentir. Perder a vontade de sentir é começar a morrer. E eu não quis dar início a essa caminhada. Não quis. Postas assim as coisas, a nu, agora, percebo que não quis. Pela primeira vez, não quis uma coisa diferente de não desistir. Eu sabia que, neste caso, não me chegaria virar a página. Era preciso rasgar a página. Não tinha controlado a imaginação, fértil que só ela, e havia decisões quanto à disposição de quadros, números de filhos, bilhetes de supermercado, abraços à traição e coisas próprias dos amores para toda a vida. Só que este não ia ser um amor para toda a vida. Este blog, tendo acompanhado os ires e vires de cada episódio, relata a história tal qual ela aconteceu. Das indisfarçadas esperanças aos mais dolorosos momentos de caos. Demorei muito tempo a acreditar que ia passar. Cheguei a estar certa de morrer disto ou, pelo menos, com isto. Mas o tempo, o tempo vem-me dizendo que há mais vida lá para a frente. E que a imaginação pode sonhar coisas diferentes que me saibam a perfeitas. O tempo tem-me provado que há outras ausências que podem custar-me muito, esperas que me inquitem. O tempo está a provar-me que não morri, porque se eu tivesse morrido não sentia nada. E já vou sentindo alguma coisa. O tempo. Um blog é isso. Um registo do tempo. Por isso, este começou revelado só a quem conheceu o anterior. Mas foi abrindo as portas a mais gente. Escolhi a dedo os alvos da revelação e nunca até hoje pus em causa que cá vem exactamente quem eu quero que cá venha. E o tempo trouxe mais gente. E eu continuei a sentir que cá vinha exactamente quem me fazia falta. E fui percebendo que é tudo, mesmo, uma questão de tempo.

Eu recebi um selo :)


Recebi um presente. Quem me conhece sabe que há coisas que me deixam muito feliz e que uma delas é receber presentes fora de época... Portanto, Guilhim, estás no bom caminho para seres chamada de kika :)

Recebi um selo, ou melhor, o blog recebeu um selo. Foi a Guilhim que mo deu. Ela está no http://ver-de-agua.blogspot.com/

Nunca tal me acontecera, pelo que as regras destas coisas são novidade para mim. Mas pronto... já publiquei o nome do blog que se lembrou de mim e a imagem do selinho. Não vou escolher blog nenhum para continuar com a cadeia e, portanto, não tenho a quem avisar. Não escolho, porque os meus blogs maneiros estão ali no cantinho do "Está-se tão bem aqui". São todos insubstituíveis (uns mais que outros, certo..., mas, ainda assim, todos insubstituíveis) e merecem todos ser visitados e comentados. E... acho que está tudo cumprido :)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O mistério da carteira feminina

A minha carteira é, nas minhas próprias palavras, uma arma de arremesso.
A saber, porque trago SEMPRE:
Carteira (com documentos, cartões de lojas à carrada, algumas moedas e poucas notas), óculos de sol (ou de ver, se andar com os de sol na cara), spray de limpar os óculos, lenços de papel, três telemóveis, um bloco, uma caneta, uma bandolete, um elástico de cabelo, dois ganchos, um baton de cieiro, um baton de brilho, comprimidos para dores de cabeça, dores de dentes, dores menstruais, sintomas de gripe e ansiedades a despropósito, pensos higiénicos, diários e rápidos, um mini kit de costura (linhas, uma agulha, um botão suplente e um alfinete), uma base e um espelho, um terço, o buda da sabedoria e uma pulseira da sorte, uma pen, a minha Red Moleskine (agenda), as chaves do carro, as chaves de casa, as chaves do Centro, as chaves do OPA e a imprescindível chave do cacifo.
No Inverno acrescento umas luvas, um chapéu, umas meias opacas pretas e um creme de mãos.
É fácil perceber que ir a casamentos me obriga a levar uma carteira que se mostra e outra que fica no carro, para as eventualidades.
E também começa a fazer sentido aquela vez em que fui parar ao hospital com uma crise de coluna.
P.S. Este post foi inspirado nos comentários a um outro post, num outro blog...

Hoje

Saí de casa cedo porque tinha orais para fazer. Depois de ter andado uns 5 km caiu-me uma forra da parte de baixo do carro. Voltei a medo com aquilo quase a fazer faísca. Mudei de carro. E fui à minha vida. Destilei algum veneno. Mas eu não era assim. Abrir os olhos faz-nos piores. Estava sol. Muito calor. Sinto-me tão mal com este calor insuportável. Tentei formalizar a inscrição no Doutoramento mas pareceu-me que havia parido a galega para aqueles lados. Desisti. Conversei com amigos. Estive com eles. Olhei-os nos olhos. Em poucas coisas me empenho mais do que em ser amiga dos meus amigos. Falhar nisso é uma ferida que não me quero abrir. Podia voltar a casa. Tinha trabalho por aqui à minha espera. Saí a Porta Férrea. Estava pensativa. A entrar, calmamente, uma doutoranda que defenderia hoje a tese, grávida. Uma barriga indisfarçável. Parei. Olhei para trás. Um homem, pareceu-me o marido, pediu-lhe que parasse em frente à Porta Férrea "para um retrato". E aquele retrato será, à primeira vista, a mais fiel reprodução da mulher que eu quero ser. Fiquei, sem vergonha, a olhá-los e a vê-los. Passou muita gente nesse momento. Só vi um tipo de polo castanho, mas sei que passou muita gente. Respirei fundo e avancei para o carro. Pensei naquela imagem muitos minutos. Continuava a estar muito calor. O carro em que fui hoje não tem ar condicionado. Abri as duas janelas da frente e cuspi cabelo. Pensei. Ver por fora é pouco; é quase nada. Há casos assim. Gente que parece ter tudo e a quem, afinal, falta o essencial. Quando vemos, não ficamos a saber da missa metade. É isso. De repente, começou a chover. Limpei uma vez o vidro e depois deixei-o encher-se de gotas gordinhas. Tive pena de as rasgar, mas já não estava a ver bem. Limpei o vidro outra vez. E vi o arco-íris. Eu não via o arco-íris há muito tempo. Mesmo nos dias em que ultimamente me dizem que apareceu, eu nunca pude vê-lo. Hoje, vi-o. Tão bem. E então, repesquei um pensamento e fui feliz a decidir os meus essenciais. Um dia, se os concretizar, posso sempre dizer que tive um cúmplice. Porque hoje eu vi o arco-íris. Eu quero muito ser feliz. Ser feliz nos momentos de balanço. Quero saber que, postas as crises num prato da balança, há sorrisos e mimos a chamá-la à razão. Eu quero que me encontrem e não me deixem fugir. E quero que isso seja o meu momento de maior sorte. Porque se um dia eu puder, por exemplo, defender uma tese de doutoramento gravidérrima, não vou esquecer-me de pedir a quem me tiver achado para não me deixar fugir, porque estava na hora de me fazer feliz, que me tire um retrato.

domingo, 27 de setembro de 2009

Mac

Mudo para um Mac, ou não mudo para um Mac, eis a questão?!
O menino da Fnac explicou-me tudo tão explicadinho... poverino... meia hora de discurso... No fim, os meus dramas resumiam-se a "mas então e não me arranja mesmo maneira de por as aplicações em português?" e "eu sou uma menina e acho que 2 kg é capaz de ser muito para trazer na pasta" e "não tem um assim com estas qualidades mas em cor de rosa?" e "o meu baralha-se muito porque eu mando-o fazer muitas coisas ao mesmo tempo... acha que este aguenta?". Ele teve paciência. Muita. No fim eu disse-lhe que ia pensar melhor. Ele disse que já só tinha aquele. Eu fiz um olhar muito "guarda-mo lá só um bocadinho" e escrevinhei o nome do kiko na berlinda. É o Mac qualquer coisa (não percebo a letra) 2.26 (13.3). Queria mais pequenino... Mas o menino disse-me que o que se ganha em autonomia perde-se em performance... e eu, nesta idade, ligo muito à performance. Vim pensar. Gostava tanto que fosse cor de rosa...
Não lhe mordi, mas acho que ela ficou na mesma com raiva!

Nacional

Alguém me explica por que razão é que o Benfica andou a inventar contratações de estrangeiros capazes de se meterem com a Orsi Fehér se tinha à mão de semear o Jorge Jesus?!

Ah pois...

Hoje vou a um evento onde vou encontrar uma criatura que não me apetecia muito ver. Haja descanso pelo menos aos fins de semana. Mas vou... e, se ela me chatear muito, mordo-lhe!

sábado, 26 de setembro de 2009

Eu vou!

Eu vou. Mais por ser um direito do que por se tratar de um dever. Os deveres, às vezes, consigo transgredi-los. É tentarem-me... Os direitos, esses, são meus e só meus e ai de quem mos cobice. Mas vou. E acho que te ficava bem ir também :)

Confissões de uma mulher de (quase) 30

Já não acho impossível.
Já nem acho difícil.
Acho que é uma questão de tempo.
O tempo, esse fiel amigo,
há-de provar-nos que,
afinal,
tu só viste antes de mim que
a felicidade não era por aí.
Já não acho impossível.
Já nem acho difícil.
Acho que é uma questão
de tempo.

O Segredo é Amar


O segredo é amar. Amar a Vida
com tudo o que há de bom e mau em nós.
Amar a hora breve e apetecida,
ouvir os sons em cada voz
e ver todos os céus em cada olhar.

Amar por mil razões e sem razão.
Amar, só por amar,
com os nervos, o sangue, o coração.
Viver em cada instante a eternidade
e ver, na própria sombra, claridade.

...

Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas"

P.S. E acreditar!

Forreta

Sabes que uma pessoa é muito forreta, mas muito forreta, mas muito forreta mesmo, quando descobres que ela só entra nos cafés para poder ler o jornal!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mistérios

Eu não sei por que é que sempre que eu passo na escola da minha mãe há um aluno que me pergunta se ainda há lugar nas prisões de crianças e se eu acho que por se arranhar um colega até ele ficar a deitar sangue se pode ir lá parar!!!

Também há lá dos que acreditam que eu comunico com inspectores que fazem fichas mais difíceis para quem se porta mal...

Entretanto, hoje apareci de bicicleta, fato de treino, sapatilhas e rabo de cavalo e a nova funcionária anunciou-me como "Uma moça que deve vir vender enciclopédias".

Há algo de muito estranho em mim... e eu preciso de descobrir o que é...
Podem deixar de me falar, ou mesmo optar por me chamar nomes menos bonitos, mas eu tenho de confessar que ontem fui tirar uma fotografia à montra da loja da minha editora.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Verdades e assim-assim

Ana Jorge é um bocado má a ler!

Constatação

Eu sei que uma pessoa me perturba mais do que podia quando ouço sair da minha própria boca "Eu quero deixar claro que, se X entrar, eu saio.".

Provas de fogo - private

Muitas como as de hoje e daqui a nada já nem as sinto!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Estou que nem posso

A tese apareceu nas novidades jurídicas da Editora... logo na primeira página...


... Aiiiii, que peneirenta me sinto!...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Devagar. Vamos indo. Não está mal.

Se me ficaste com alguma coisa, foi com uma certa facilidade na inspiração. Terá sido, por certo, pelo agastado tempo em que dei mimos ao por conceber. Nascituro imaginário, fruto só de uma vontade. Sabes que, noto agora cada vez mais nitidamente, não me parecia afagar um morto. Por isso é que insistia. Mas podias, lá está, ter-me dito a tempo que afinal não existia. Não morre ninguém. Só deixa de nascer.
... ... ... ... ...
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Daqui: http://icanread.tumblr.com/

Clic off

Asneiredo a despropósito.
E é quando uma pessoa pensa que já só tem de engolir sapos que aparecem estas alminhas a provar que ainda não engolimos os elefantes todos.

C. e Eu

Tenho saudades da C. e da Eu. E, não, isto não podia esperar mais tempo. Porque tenho mesmo. Porque por aqui também se encontram pessoas importantes para o nosso depois. Porque, vá-se lá saber a razão, acho que, sem as conhecer, passaram a fazer-me falta.

Nota breve ao post anterior

As meninas da minha geração, provavelmente, serão as únicas a conhecer a Camilla Milla. Tenho a minha, com passaporte e tudo. Era, ou não fosse minha, cor de rosa. E foi muito desejada. Posteriormente, amada e apaparicada. A Camilla Milla não era uma boneca, era uma amiga.

Camilla Milla

Era uma vez um tempo. Camila não reconhecia as manhas desse tempo, mas sabia bem que elas existiam. Tinha perdido alguns amigos, embora estivessem todos bem. Estar longe é, nestas coisas dos abraços e palavras afinadas pelo acerto de um momento, uma maneira de não estar. Com os amigos, é assim. O tempo, este novo, tinha levado alguns para lugares a que se chega por estradas mais facilmente do que por olhares. Não lhe foi fácil aceitar o desígnio, mas muitas coisas diferentes em que pensar ao mesmo tempo roubaram-lhe a disponibilidade mental para se formatar uma nova tentativa. Mais uma. Trouxera-lhe, esse presente, a ternura de novas piscadelas de olhos e trejeitos de lábios. Reconhecia nestes um espaço grato na parte nobre do coração. Mas não era preciso arrancar ninguém dum espaço feito para crescer. O tempo, contudo, não lhe sobrava nesses projectos de se amansar na culpa de não estar. E, no entanto, era tão presente o preJustificar completamentesente que lhe chegava. Os amigos, mais ou menos como os vícios, podem bem acumular-se. Os amores, às vezes, também se acomodam em fratrias. As memórias, porque escarro de maus dias e pintura de horas boas, cabem-lhe e assentam-lhe. Mas o tempo, o de Camila, camelo, tinha feito das suas. Passaporte de viagens sem partida. Caminho ermo de pessoas. O tempo, às vezes, Camila, o teu também, camelo, leva-nos para longe até de quem está ao nosso lado. Outras vezes, traz-nos, junto com a distância, a vontade de ficar, ou de partir, só de jeito de não largar.

Há uma nova estação a começar...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Descobri o único sítio onde me entendem por estes dias...
Fui à farmácia. Pedi umas pastilhinhas docinhas (já que estou doente... é aproveitar) para a tosse, que, ai infeliz, tinha de ir mostrar provas e aquilo é empreitada que puxa pela voz.
E, então, calma e solidariamente, a doutora trouxe-me umas pastilhas. Daquelas que parecem rebuçados. E não tentou, nem por um minuto, convencer-me a embarcar em tomas várias de tamiflu, acompanhadas só de sorna e uns dias de molho!
Ainda há farmacêuticos como deve ser!
P.S. Já a minha empregada, embora diga que não lhe metem aflição nenhuma estes ataques de tosse, teve o meu quarto a arejar o dia todo!

domingo, 20 de setembro de 2009

Clic off

Convidar-me para a tourada!
Faltam 3 meses para uma grande data...


"... sejas pobre ou rico,
Tenhas bom ou mau humor,
Tu não és nada
sem amor..."

Piaf, pela voz de Sónia Lisboa

Agendamentos imperdíveis

La Traviata, de G. Verdi, pela Orquestra e Ópera Nacional da Moldávia, no dia 24 de Outubro, no TAGV.

O Quebra Nozes, de Tchaikovsky e Petipa, pelo Moscow Classical Ballet, no dia 22 de Novembro, no TAGV (ou no dia 29, no CAE).

P.S. Corro um certo risco de, mais uma vez, ir a estas coisas sozinha ou com alguém que só vai mesmo para me fazer o jeito... mas enfim...

Piaf

Não foi bom... foi inesquecível!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Coisas que não têm praticamente nada a ver... ou talvez tenham tido tudo...

Descobri que a mulher do Bob Marley se chamava Rita no dia em que, pela primeira vez em dois anos, vi uma matrícula ZS e não desatei a gritar "Zinto tantas Saudades"!

São Pedro,

não, não teve piada! Tenta não repetir, tão cedo, a gracinha!
Estou com febre e não paro de tossir. Obrigadinha por me teres deixado neste estado.
P.S. Não, não deve ser gripe daquela da primeira letra do abecedário!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Kikas

Eu tenho uma afilhada de seis anos (eu tenho afilhados para quase todas as idades, lembram-se?). É a kika minuin de quem já falei. A kika minuin entrou na escola dos grandes e ontem tinha de trabalhos de casa duas linhas de grafismos. Hoje telefonou-me para contar que se deitou tão de noite que os pontos estavam quase juntos (eram 11 da noite, segundo tradução oficial da mãe) e que não aguenta e não sabe se vai passar para a segunda classe.

Pessoínhas examinadas

A algumas, só me apetece bater-lhes... mas muito...
Noutros casos, gostava de ser mosca para os ouvir gritar aquele "yes" de quem cumpriu um dever bem cumprido...

Sábado


Eu vou!

Loira ou morena

Eu era loira. Muito quitoso depois, eu era meio-loira. Muitos anos mais adiante, eu continuava meio-loira. Mas apeteceu-me virar um tudo-nada-mais-para-o-loiro. E fiz madeixas. Anos.
Ora, mudanças de atitude exigem radicalismos estéticos. Há um mês, virei morena. Tal qualzinha sou. Mas... parece que uns certos intrusos me andam a povoar de neve tão aperaltada cabeleira.
Irritei-me com eles. Até me conquistarem. Dane-se!
A minha cabeleireira acha que estou outra vez a precisar de férias, fala comigo devagarinho e olha-me com alguma inquietação!

Clic off

Não conhecer outras flores além das rosas vermelhas.

P.S. Não gosto... Perdão por existir, mas não me animam :)

Eu

não estou muito boazinha. Deu-me para corrigir exames ao som do "Oceano Pacífico"...

Caloira

Entrei há 10 anos na faculdade. Tinha 17 anos e algumas conquistas para fazer. Desesperei em filas que agora me parecem mais pequenas. Cantei canções que já não se ouvem: "A ponte de Santa Clara tem 100 metros de largura....; ... e a melhor malta é a malta de Direito; Comprem, comprem, as meias da marca Baiona...". Há dez anos, conheci a Xana. Há dez anos, entrei na Capela de São Miguel sem ser como menina das alianças. Há dez anos, entrei numa casa onde vivi durante quatro anos e onde fiz amigos para a vida. Há dez anos, lembro-me bem, questionei-me se não devia ter ido, efectivamente, para Letras. E achei que não. Há dez anos, como acontece nos primeiros acordes de uma nova música, era tudo novo e abundante em certezas de "Agora é que é". Há dez anos ainda não tínhamos auditório. Há dez anos, ainda se estacionava no Largo da Via Latina. Há dez anos, os dois cedros lá de casa estavam mais bem tratados. Há dez anos ainda havia archeiros e eu achava, também por isso, que era uma privilegiada por estudar num sítio assim. Há dez anos, mais coisa ou menos, descobri alguns dos meus sítios preferidos: o bar de Arquitectura, o Quebra - costas e a varanda do Gil Vicente. Há dez anos, caramba, já foi há dez anos!

Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta - por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sometimes

Às vezes, sinto muita falta de certas coisas... mas depois lembro-me de outras e isso passa-me!

Clic off

Pensar que a Florbela Espanca era a minha professora da primária e o Antero de Quental o homem da loja onde eu ia comprar gomas.

MAD

Nos dias em que fico a trabalhar em casa, eu vejo um bocadinho de Goucha à hora de almoço (Quando andava na Faculdade, chegava a ver a Fátima Lopes para tentar endrominar o estudo nas vésperas das frequências!). Eu até simpatizo com o Goucha e a Cristina. E eles levam ao programa, de quando em vez, o Quintino. O Quintino, segundo me contaram, dá conselhos naquelas páginas cor de rosa da Maria (eu nunca vi... estou a vendê-la como a comprei!). O Quintino dedicou a sua prosa de hoje às MAD - Mulheres que Amam Demais. Ora, para o Quintino, a maturidade depende da capacidade de sermos os melhores companheiros de nós mesmos. E ninguém ama suficientemente bem enquanto não for capaz de estar sozinho. Porque só quando pudermos estar sozinhos é que seremos capazes de estar com outra pessoa.
Pois bem, Quintino do meu coração, eu até era menina para acreditar nisto até há uns tempos atrás. Esforcei-me anos a fio por desenvolver uma rica parceria comigo mesma e rendi-me à felicidade dos momentos de introspecção e silêncio que vivi comigo cada vez mais frequentemente. Eu, Quintino, carino, sentia-me preparada, mais que finalmente, para estar com outra pessoa. Não quis arriscar meninos nestas coisas e, como sempre, comprometi-me a estar atenta, mais que a procurar. E apaixonei-me. Irremediavelmente.
Porém, Quintino, a coisa não deu certo. E sabes, meu kiko, o moço parece-me o melhor exemplar de quem está muito bem consigo mesmo.
Por isso, tretas, amigo. Nós amamos saudavelmente quando amarmos tudo. Quando, sendo a melhor companhia de nós mesmos, estivermos dispostos a ser a melhor companhia de outra pessoa. Quando, vá-se lá saber porquê, nos parecer que tem mais sentido juntos que separados. Tudo, my dear, com muito coração e um tudo nada de razão. Se depois a coisa não correr como esperado, inevitalmente, havemos de penar como gente grande. Mas quem disse que viver era fácil?!
Daqui: http://vi.sualize.us/tag/wisdom/ (via Ver(de) Água)