sábado, 3 de março de 2012

Ainda a propósito da canção de Coimbra


Se não, não vale a pena!

Tem de ser tão único e especial que te apeteça ao fim de anos e lutas e contratempos e mágoas e palavras impensadas. Tem de ser tão teu como cada parte de ti. Tem de te pertencer como o ar e faltar-te como ele se não está, mesmo estando. Tem de perder-se em ti e fazer com que te percas. Tem de te recuperar das horas findas. Tem de conhecer-te a felicidade pelo tom com que dizes "nada" e a tristeza escondida dentro de um sorriso. Tem de saber calar-se quando te adivinhar fome de silêncio. E falar-te baixinho quando sonhares que te conquiste mais uma vez. Tem de se aborrecer quando te demorares na escolha do vestido. E tem de abrir num largo abraço quando decidires que só te apetece usar jeans. Tem de reparar na madeixa que pintaste um tom abaixo e na tentativa suada de aumentar um cm aos saltos. Tem de dedicar-te os dias, agradecendo, de olhos e boca cerrados, mas o peito em voz branda, o dia que amanhece ao teu lado. E tem de ver-te dormir com vontade de te deixar para sempre serena, porque toda inteira sua. Tem de sonhar-te mãe e avó de cada filho ou neto seu. E tem de estar certo que só fará sentido assim e que a vida dele será a tua. Tem de emocionar-se com cada sucesso teu. E lutar por muitos para te poder dedicá-los nem que seja no tempo que passará a mais contigo. Tem de querer contruir-se todos os dias mais um bocadinho e saber que há coisas novas para aprender no amor. Tem de te ter certa e sentir que, genuinamente, merece. E tem de querer, mais do que tudo, ser-te todo. Tem de gostar de uma lareira acesa no inverno, de pipocas no sofá, de bonecos de neve e de passeios à beira de muitos mares. Tem de eleger-te razão de ser. E tem de ser feliz com essa escolha. Tem de amar-te doente. E tem de secar-te as lágrimas quando o amares a ele doente. Tem de saber o que toca no teu carro. E tem de te prever pelo aroma. E tem de te conhecer cada linha, sinal, curva ou cicatriz. E tem de as decorar e reconhecê-las em cada mulher em que te transformes. Tem de viver para estar contigo, porque isso lhe parece que é sinónimo de viver para ser feliz. E tem de saber disso e nunca se arrepender. Tem de ser ele mesmo. E chorar e rir, mas nunca desistir, mesmo que não desistir signifique apenas começar. Depois, no caminho, tu, deves dar-lhe ambas as mãos e a vida toda. Para seres a sua mulher e ele ser o teu homem. Se não, não vale a pena!

Este post tem quase três anos. É de 26 de Abril de 2009. Mas acho que hoje não diria melhor o que penso.

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