sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ódio de estimação XXIV

Collants que escorregam pelas pernas abaixo.

Chego ao destino e a primeira coisa que tenho de fazer é ir a uma casa de banho puxar os collants para cima*. A alternativa é levantar a saia onde estiver e com quem estiver e fazer exactamente isso (não é mais nada... é só puxar os collants para cima). 


* Sim, ontem foi isto que aconteceu, pessoa.

De rir


Foi de rir. Foi mesmo de rir. Foi uma noite bem gira, pois foi. Um TAGV lotado aplaudiu de pé.  Gostámos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

♥



Dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. Com uma diferença. Há uma ou duas coisas de que me arrependo. Ou porque as fiz, ou porque as evitei. No resto, porém, dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. Percebo-lhes, e neles a mim, o deserto que perdura. Há-de haver outras razões, mas o cansaço... e a ruga, a funda, a doída ruga, ajudam bem melhor a saber porquê. É que eles dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. 

Aroma de mim


Ultimamente, quase sempre que entrego um documento a alguém, ouço, do lado de lá, que o papel cheira a mim. Espanto-me, até porque, como devem imaginar, não ando a borrifar resmas de papel com o meu perfume, nem tão pouco me esfrego nelas para que fiquem com o meu aroma. Voltou ontem a acontecer. Dei-lhe o papel e o melhor melhor amigo sai-se com a pérola "Cheira a ti, pequena!". Oi?! Pois... ao que parece, não sei como, agora dei em deixar nos escritos uma marca olfactiva. O perfume não mudou (há anos que é o mesmo), a maneira como o uso não mudou (é raríssimo usá-lo directamente nos pulsos, que seriam a parte de mim mais em contacto com o papel), o tempo que dedico aos papéis tem sido cada vez menos... não faço ideia de onde apareceu a moda, mas a verdade é que, ao que parece, tenho um cheiro característico e o que entrego às pessoas, depois de me ter passado pelas mãos, vai com esse aroma atrás. Diz que é bom, que se lembram de mim. Eu acho que quando chegar à fase de chumbar pessoas em exames, o meu Balenciaga Paris será o mais odiado dos aromas. É um suponhamos. Vamos a ver.

Amiga é

aquela que sente pontadas no estômago enquanto ouve o relato da amiga e este inclui uma pessoa em quem ainda não confia, que ainda não acha a certa, que lhe dá ares de ser pouco pura, que não tem santo que se cruze bem com o seu, que lhe parece não jogar com o baralho todo.

Da profissão



Acabo as aulas amanhã. Este ano foi estranho. Muito estranho. Estive, pela primeira vez, exclusivamente na "minha área" e a verdade é que há muito, muito tempo que não me sentia tão "peixe fora de água". Quando, aos 22 anos, escolhi um caminho, estava tão longe de imaginar o que aconteceria depois dessa escolha. Como sempre, deixei-me levar pelo coração. Não hesitei. Decidi e decidi-me. Pouco tempo depois, um ano, mais ou menos, recebi um convite profissional que me mudou para sempre, a mim e às minhas escolhas. A minha área deixou, há muito, de ser "a minha área". Com algum jeito e paciência, tenho, com relativo sucesso, provado, no entanto, que é possível ter dois amores profissionais, que me interesso por coisas transversais, que é de um apoucamento tacanho espartilhar estes assuntos. Não posso, porém, evitar este sentimento parvo de ter desejado tantooo esta mudança e agora achar que sou tão mais moça do que a vida me ofereceu do que propriamente do que escolhi para mim. Sabemos tão pouco do que o futuro nos reserva, meus caros, tão pouco. E pronto, vamos entrar em dois meses loucos, muito loucos. E para o ano sentir-me-ei mais menina de crime que de família. Espero. Ou fifty fifty, que já não era mau.

Das decisões. Dos tribunais. Do valor de uma sentença.

O estado português foi condenado a pagar quinze mil euros de indemnização a Baltazar Nunes, pai de Esmeralda, pelo atraso na execução da decisão de entrega da menor ao pai. Nada mais, nada menos que quatro anos e cinco meses. Não conheço todos os pormenores do processo, mas conheço alguns e, ainda que não conhecesse, este post faria sentido na minha cabeça. A verdade é que não quero particularizar a questão. Quero apenas aventá-la, dando exemplos concretos que facilitem a compreensão do mau odioso fenómeno do desrespeito pela decisão judicial. Parece-me que a desconsideração pela decisão judicial legítima e não sindicada é o primeiro passo para a descrença na justiça em geral. O valor da segurança jurídica é deitado por terra quando falar o tribunal ou chiar um carro valem a mesma coisa. E o cidadão, mesmo o cidadão condenado, não pode aceitar isto de ânimo leve, pacificamente. O último reduto de ordem está na definição do que tem de cumprir-se. A anarquia, tantas vezes confundida com a liberdade, traduz uma ausência de regras de vivência comunitária absolutamente essenciais para a manutenção da paz social. Há decisões com que não concordamos?! Pois muito bem... mobilizemos os recursos às instâncias competentes para defender a nossa posição. O que não pode aceitar-se é a solução de fazer orelhas moucas ao que nos é dito pelo poder judicial. Estamos descrentes no poder executivo, afundamo-nos em iniciativas bacocas do poder legislativo. Vamos aceitar que ao poder judicial se reserve o pantanoso lugar de mera figura decorativa?! Pergunto: em quanto poderá vir o estado português um dia a ser condenado por não fazer cumprir a decisão condenatória de Isaltino Morais, que lhe aplica pena de prisão efectiva?! Em quanto deveria o estado português ser condenado por compactuar com o lamacento processo Casa Pia, em vias de expiação do mal do crime pela lei do mais forte?! O direito, a justiça, não devem servir como forma de erguer parangonas de moralidade pública, como sacrifício exemplar de uns para educação dos demais. Nunca defendi isso, não é agora que vou passar a fazê-lo. Mas não pode, por outra banda, apequenar-se na law in the books, fazendo tábua rasa das vantagens da boa law in action. Por motivos que não vêm ao caso, mas que se prendem com o que comecei por dizer, acho que a indemnização peca por defeito. Temo, seriamente, que o inexpressivo montante não seja suficiente para despertar as consciências para esta evidência: o juiz não decide por capricho. O juiz decide com base em factos. Se a verdade do julgamento é igual à verdade real? Muitas vezes, não. Mas a alternativa está em negar, de uma vez para sempre, a noção de estado como a concebemos actualmente e regressar ao justiceiro "olho por olho, dente por dente", às divisões salomónicas, às purgas enraivecidas que legitimam a pena de morte, a mutilação, a prisão perpétua. Estão no vosso direito. É isso que querem?! Muito bem. Avisem-me só com tempo suficiente para que faça as malas. Não é nesse sítio que quero viver.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Gosto de

Doente

Dói-me tanto a garganta. Tanto. Custa-me engolir a saliva. Tenho tosse. Dói-me a cabeça. E o ouvido direito. E o corpo. 

Sweet



♥




Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

Charles Chaplin

Das certezas

Tenho poucas. Tão poucas que não chegam a ser as mesmas à noite e pela manhã. Não devem ser certezas. São demasiado errantes para que não lhes chame dúvidas. A bem da verdade, talvez não tenha certezas para lá mim. Preferia ter uma ou outra que me permitissem agarrar-me a elas como bóias. Não tenho. Sei aldrabadamente o que quero, mas sou desconcertante no momento de sentir o que não quero. E às tantas... baralho o que quero e o que não quero. Penso demais, dizem-me alguns. Seja. Sou ser pensante, bolas. Sinto, ainda assim, bem mais. Sou muito ser sensação. E há madrugadas em que sinto tudo tão diferente do que senti na véspera, que tenho vindo a perguntar-me se durante a noite não me reinvento, não me refaço, não me mudam os sítios à razão e ao coração. Sei que gosto de estar genuinamente feliz. E que isso, por mais que se confunda, não é o mesmo que estar só contente. Acho que é por aí. Talvez investigando isso encontre uma certeza. Ou não. Que, como no resto, prefiro ter a esperança de estar tão enganada que a vida ainda me há-de provar que não tenho de me abalar em buscas, apenas serenar-me para não atrapalhar os encontros.

Tic tac



A pedido da minha Nê, princesa que no próximo mês se despede do Jardim, a caminho da escola onde se aprende a ler, a escrever e a gostar de saber todos os dias mais um bocadinho. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

ah ah ah

\

Se há coisa de que eu gosto é de humor, da capacidade de uma pessoa rir dela própria. Talvez por isso, não me revendo em nenhuma das alegadas características das mulheres ali mencionadas, acho, ainda assim, isto uma coisa deliciosa.

Dos blogs

É por posts como este que gosto tanto da Miss Glittering. Não sei quem é, nunca a vi, nunca comentei no blog, nada. Mas venho quase sempre tão mais bem disposta depois de por lá passar que o Às nove no meu blogue é um dos meus cantos preferidos da blogosfera.

O tilt

Não sei onde, mas as pessoínhas que estão neste momento a concluir  a parte curricular do mestrado e em fase de escolha de orientador leram que dou rebuçados a quem oriento, só pode. Ou isso, ou ovos kinder. É que é todos os dias, mais do que uma vez por dia. Já tenho medo de abrir o mail. A cada nova vez... nova alminha aflita e a conversa do costume e tréu téu téu pardais ao ninho do tema que tem tantas afinidades com o que investigo e da amiga da prima da vizinha da tia que disse que eu tinha escrito não sei o quê e que estão tão disponíveis para que nos encontremos e tumbas... o pedido. Sou má, pessoas. Sou muito má. Digo-vos a bibliografia toda baralhada, não vos leio as teses e nas defesas falo mal de vocês ao arguente. A sério, não me queiram a orientar-vos. Sou reles, mesmo. E um bocado burra, até. Esqueçam-se de mim, pelas almas. M-E-D-O. Cheira-me que vai ser um ano em regime non-stop.

Cabeça em água

O dia está a render, é verdade. Mas estou com a cabeça em água. E ainda não vou sequer a meio dos pendentes.

Já está!


Talvez venha a arrepender-me, mas decidi ouvir a voz que me anuncia que um sofá branco é como manteiga em nariz de cão. Fiquei-me pelo bege mais clarinho de todos. É dizerem se apreciam, já agora, está bem?! 

Pequena R. comenta com o leitor

Gostava de encomendar o meu sofá do Ikea. Gostava de aproveitar aquela cena do transporte gratuito. Gostava. Tenho tentado. Talvez por muitas pessoas terem pensado no mesmo que eu, não sei, mas ultimamente as únicas disponibilidades que têm são para padrões manhosos às flores, cores extravagantes ou poltronas pouco amigas de sestas. Só queria um sofá básico, normalzinho, branco, de preferência, mas também pode ser bege ou azul escuro ou... e pronto... lá tinha eu de mudar a decoração (mas era o pretexto mais melhor para isso) cor de rosinha. E de três lugares. Não é pedir muito. Pago na hora. Não reclamo. Gostava até de apalavrar também a montagem. Dou-vos este que aqui tenho. Ofereço-vos um chá, também. Dá para anunciarem sofás de jeito disponíveis?! Dá?! 

Unexpected

E pronto. Acabo de receber um mail tão gentilmente escrito, tão "Conte-me lá da sua opinião que eu quero tanto saber dela", tão sem peneiras, tão "Ai é para trabalhar, não há problema nenhum e até já analisei tudo o que me mandou e nem cuspi fogo com tanto papel para ler", tão "concordo tanto consigo, mas que boa ideia, mas que eficiência", tão sensato, que estou ainda a segurar o queixo. É. Ainda nem a boca consegui fechar. Impõe-se a pergunta: Por que cargas de água insistem as pessoas na infeliz ideia de que para serem respeitadas têm de comportar-se como estafermos?! Olha, pessoa, estou um bocadinho tua fã outra vez, sim?!

;)

Intratável

Sei ser intratável. Pior. Sei ser muito mais intratável do que é possível imaginarem-me como intratável. Operam este milagre as pessoas que me ligam para anunciar créditos, aspiradores,  cadeiras de massagens, esfregonas que limpam sozinhas e raladores que levam os legumes para a mesa e os metem na boca das crianças com birra. É. Estas pessoas têm a ingrata tarefa de terem de lidar comigo. E eu não lhes gabo ou invejo a sorte. Que é má. Péssima, até. Acabo de ser muito intratável com uma menina que falava a correr e sem respirar entre as palavras ou sequer entre as frases. Mas estava a pedi-las. Liguei para activar um mísero cartão de débito. Concedo, compreensivelmente, tive de lhe dar todos os meus dados pessoais, com rara fortuna tendo apenas conseguido furtar-me a revelar-lhe a copa de soutien e o padrão das cuecas. Mas depois achou que podia passar o resto da tarde, sob o pretexto de aguardarmos a activação, a falar-me de contas e spreads e juros e cenas. Bem achou ela, bem se enganou, digo-vos eu. Saltou-me a tampa e perguntei-lhe se a esfrega estava para demorar ou se já podíamos ir ambas as duas fazer coisas úteis pela nossa vida. Emudeceu. Confirmou a activação. Disse obrigada e desliguei. Sou uma cabra, eu sei. Têm de ganhar a vida. Mas cansam-me a beleza.

Gosto tanto, tanto, tanto!






É da chloé. É caríssimo. Mas é tão romântico, tão simples, tão leve, tão.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Das homenagens. Das palavras.

Hoje pedi que escrevessem um texto de homenagem a uma pessoa que também eu não me importaria de homenagear. É um privilégio tão grande conhecer fazedores de coisas inesquecíveis.

Adoro esta!

Gosto tanto...


A banda sonora desta noite fresquinha conta com esta senhora.

Ainda dos clics

Já vos aconteceu conhecerem alguém a quem reconhecem todas as qualidades para ser a pessoa, mas todas e... não ser?! Não... dar?! Não vos suarem as mãos, não vos doer a barriga, não se vos acelerar o ritmo cardíaco?! Chamem-lhe clic físico, chamem-lhe xyz, chamem-lhe australopitecus amurosus, chamem-lhe o que quiserem. É uma cena... que tem de assistir às pessoas para que a coisa se dê. E que às vezes, inexplicavelmente, não assiste.

Dos clics


Há os que nunca chegam. E há os que partem para sempre. Às vezes, porque sim. Às vezes, porque precisamos de andar para a frente.

E é sempre assim

Pelo menos uma vez por ano, terei, até ao dia, que os ouvir dissertar sobre como fomos feitos um para outro. Não fomos. Já estudei a hipótese a fundo. Já a vivi mais do que intensamente. Já fomos tudo o que podíamos ser. Tudo. Fomos felizes. Fui. Mas não me chega ser o que fui com ele. E ambos sabemos disso. Tão bem que nós sabemos. Não posso dizer-lhes, porém, que já fomos tudo o que podíamos ser. Continuam todos absolutamente rendidos ao que imaginam que um dia seremos. Não vai acontecer.

domingo, 20 de maio de 2012

ACA

DÉMICA!!!

A-CA-DÉ-MI-CA!!!

ACADÉMICA!!!

E lá ganhámos :)


P.S. Não sinto nem pernas, nem costas. A meio da tarde estava a lavar louça e tinha o N., em simultâneo, a fazer-me massagens...

Só mais uma coisinha, um desejo para o dia de hoje, uma cena importante...


BRIOOOOOOOOOOOOOOOSA!!!

...

Adeus mantas estendidas no jardim para a conversa.
Adeus miúdos a jogarem à bola na relva.

Work in progress #2


O meu, hoje, era que parasse de chover...

E levava-me ao altar #25

sábado, 19 de maio de 2012

Pois...

Em vésperas de receber em casa um tantão de gente, aparece-me um herpes. Fantástico. A minha própria mãe está fartinha de construir teses sobre o fenómeno. Imaginem o que poderá fazer o resto da malta.

Entretanto

Há foguetes. E galinhas. E medo, portanto.

Work in progress

Depois de uma mousse de lima, um bolo beijinho, uma tarte de côco, uma mousse de chocolate, um gelado, um cheesecake, uma queijada e uma panacota, vou pôr a mesa para umas dezenas de pessoas. Bem sei... Amanhã à noite não sentirei as pernas. Durante a próxima semana andarei a botijas de água quente nas costas. A velhice é tramada. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

♥

Foi um mimo. Chegou por mail. É tão bonita.



Às vezes sentava-se na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.


 Clarice Lispector

Verdades e assim assim

Tic tac

O que sou eu para ti?!

Uma linda marota :)

By Kique, 3 anos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Das pessoas virtuais às pessoas reais

Sempre fui um tanto céptica relativamente aos benefícios do mundo virtual para acreditar que, desse, transportaria para o meu, real, pessoas que passariam a ser muito minhas. É sabida a minha resistência a entrar no mundo facebookiano e a falta de atenção que devoto àquilo. Raramente me dispus a sinalizar-me com verde nas conversas de chat do e-mail. Ontem percebi que já me tinha esquecido que um dia tive uma coisa chamada msn (notem o quanto lhe ligava). Fiz um curso superior já no século XX e mantive-me durante os cinco anos que durou sem qualquer computador atrelado a mim. Havia um computador em casa dos meus pais, mas raramente o usava. Cultivo o mais que posso as conversas olho no olho em detrimento de qualquer moda mais moderna de ligar câmaras e falar por skypes ou coisas dessas. Nunca, na sequência disto, entrei num dos muitos chats de relacionamentos que por aí há, fosse para conhecer gente ou ver só como funcionava aquilo. Mas não sou bota de elástico. Acho que não sou. Tenho dois amigos casados há dez anos e que se conheceram pela internet, em pesquisas comuns sobre uma cidade para onde pretendiam ir estudar. Tenho outra amiga que diz ter encontrado o amor da vida uma vez que estava a ver fotografias de uma festa de uma colega no computador e bateu os olhos num homem que jurou viria a ser seu. É. Há 12 anos. Tenho um blog. Já me apaixonei por uma pessoa que conheci porque também tinha um blog. Tenho algumas minhas novas pessoas conquistadas primeiro por aqui. Portanto, eu não posso dizer-me desconfiada relativamente a isto. Mas. Pois, como numa série de outras coisas, também nesta o meu discurso tem um mas. Não é o mas moralista que a primeira frase podia anunciar. Não. É um mas bem mais comezinho, um mas que se baseia numa coisa muito simples: por aqui, sabemos do outro que existe e, gostando do que nos diz e de como nos faz sentir, mais umas coisas a seu respeito. Em princípio, não fazemos confidências a alguém que nunca vimos e não acalentamos por gente que pode, até prova em contrário, ser um personagem, muito mais do que, quando muito, paixonites agudas que são boas para despertar os sentidos, mas pouco mais. (Certo, concedo, já me aconteceu essa troca de confidências duas vezes com pessoas que nunca tinha visto, mas a verdade é que essas pessoas também tinham um blog e, apesar de tudo, estou com quem diz que é muito difícil manter um personagem por anos a fio, pelo que os blogs, sobretudo estes assim, como o meu e o dessas pessoas, inevitavelmente, têm muito do que somos.) Pelos blogs, acho eu, sinceramente, cria-se uma espécie de laços. Há pessoas que nos acompanham durante demasiado tempo para que possamos ignorar que já sabem muito de nós. Há uma cumplicidade, até, que se escora nos comentários, no conforto de saber que há quem nos apoie e torça por nós em momentos difíceis, quase sempre sem cobrar-nos mais explicações que as que damos, e em sabermos que ficam felizes, contentes, vá, quando uma coisa nos corre bem. É talvez por isso que gosto tanto de ter um blog. É muito por isso que me assusta, como há pouco tempo disse, a ideia de muita gente a seguir-me. Gosto de ir controlando as minhas pessoas blogosféricas com algum desvelo, absolutamente incompatível  com a massificação dos seguidores. Mas isto são os blogs. Ninguém me tira da ideia, até que me prove com factos, que podemos crescer em pessoas, ganhar amigos, conhecer amores, o que seja, por esta via, se, naturalmente, a isso se seguirem os passos todos normais, consequentes e serenos, que compõem as relações que valem a pena. O blog não passa, pois, da esquina da vida em que nos esbarrámos, não tendo de acarretar com a enorme responsabilidade de ser o palco inteiro da história. Mas, dizia eu. Ora, mas isto já não pode acontecer assim quando se conhece alguém de quem não se sabe nada e se pulam etapas, se marcam encontros da primeira vez que se falam, sem se saberem nomes reais, sequer, ou, sabendo-se, quando isso serviu apenas para se vasculharem bocados da vida no livro das caras. Tenho medo dessas aventuras. Não me imagino a vivê-las. Nem pela adrenalina. A sério. Posso sempre dedicar-me a outras coisas em busca dessa necessária adrenalina, sei lá. Há gente doida, neste mundo. Há mentes com muitos problemas, pessoas. A minha limitação genética para estas andanças já se percebe bem pela incapacidade que mostro nos dates, mas se sou assim em dates (Até parece que passo a vida nisso... mas não passo, mesmo. Sobram-me vários dedos de uma mão se me puser a contá-los!) com pessoas que têm amigos em comum comigo, de quem já ouvi falar ou que, pelo menos, acompanho há meses pela escrita, não quero imaginar o camadão de nervos (ou não... que eu sou estranha) em que mergulharia se me desse para ir encontrar uma alminha de quem sabia apenas o nick do chat onde nos falámos uma única vez... e tumbas, vai de marcar encontro! Chamem-me medricas. Deve ser isso. Mas não concebo, pronto!

:)))))

Dia da espiga




Se estivesse em casa dos meus pais, provavelmente, hoje daria um passeio a pé com a minha mãe para apanhar a espiga. Um ramo composto de flores, galhos de árvores e uma espiga e que deve ser mantido, a secar, atrás da porta, até ser substituído no ano seguinte. Reza a lenda que, aquando das trovoadas mais fortes, se queimarmos um pouco da espiga, esse é o melhor pára-raios que podemos ter. Não gosto de trovoada. Em compensação, seja por dar sorte, afastar os raios ou simplesmente por ser composto de coisas bonitas, gosto do ramo da espiga: uma espiga (pão), um malmequer (riqueza), uma papoila (símbolo do amor e da vida), um ramo de oliveira (paz), videira (alegria) e alecrim (saúde).

So perfect!


No TAGV, a renascer das cinzas e novamente com uma agenda cultural apreciável!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

É o destino

Atendendo a que tenho mesmo de acabar estas coisas hoje e a minha capacidade de concentração decidiu falecer, estava eu para aqui a pensar "Ai pequena R. que vais passar uma noite tão animada a trabalhar por teres passado um dia em que rendeste tão pouco, cachopa. É triste, bem sei, mas tens de ser forte e aguentar-te. És crescida. Nada de chorar.". Cabisbaixa, atirei-me ao trabalho com ganas de o acabar, mas sem ver o seu fim próximo. Toca o telefone. Diz que vou à música máilogo. E pronto, se isto não é destino, não sei o que será. Estava escrito que aos 16 dias do mês de Maio do ano da graça de 2012 iria produzir tanto como uma pedra da calçada. Sendo assim... a ver se pela noite dentro me penitencio.

Aaaaaiiiiiii...

que dificuldade em concentrar-me, oh caracinhas!

♥

As provocações

Linda, podes ficar com os miúdos amanhã à noite por um bocado?! Podes trazer companhia...

Já lhe chamei meia dúzia de nomes e pronto, acho que tão cedo não repete a gracinha. Mas sim, fico-lhe com os miúdos.

Verdades e assim assim

Tinha pensado montar hoje a rede na varanda. Amanhã as temperaturas descem dez graus. Podia estar triste. Não estou.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Nossa Senhora da Tainada

Domingo há festa em casa dos meus pais. Moram numa aldeia e fazemos por manter algumas das boas tradições dessas terras mais pequenas em que as festas são religiosas e profanas em peculiar equilíbrio de forças, em que há procissão com banda filarmónica, mas também grupos de baile a actuar nas noites de sexta e sábado. Vêm emigrantes e há fitas com flores em papel presas a árvores e postes de electricidade. Em casa dos meus pais, há azáfama na cozinha e um gentio alegre durante o dia de domingo. Há mesa corrida e bancos de madeira. Há pão quente, comidas de forno de lenha, sobremesas, louça fora dos armários, muitos copos e talheres, torneios de matraquilhos e ping pong, rebeldes que se penduram da tabela de basket para desespero da minha mãe, mantas estendidas para sestas no jardim e espreguiçadeiras juntas a cadeiras para que as pessoas passem a tarde a deitar conversa fora. Há flores desfolhadas para enfeitar a rua e histórias repetidas e novas da minha avó. Desde há anos que acrescentei pessoas a esta festa, a esta reunião de amigos e gente do coração. Não vão só os amigos dos meus pais, cujos filhos são meus amigos desde que nascemos. Vão também os meus amigos, aqueles que a vida adulta me apresentou e de que não mais prescindi nos momentos de ser feliz. Da primeira vez, lembro-me como se fosse hoje, o meu pai entrou em stress e andou uma semana a protestar que não tinha paciência para engravatadinhos com mania (movo-me num mundo em que é difícil acreditar que há gente normalzinha!). Prometi-lhe que as minhas pessoas eram sujeitas a rigorosos critérios de selecção e que mais apertados ainda eram os critérios para escolher aquelas que lhes apresentaria. Ninguém desiludiu ninguém e dá gosto ver que os meus amigos e os meus pais e os amigos dos meus pais convivem em amena cavaqueira pelo menos uma vez por ano. Em resposta ao meu pedido de confirmação para domingo, recebi, de uma das minhas pessoas, este mail. É delicioso.


R.
 
bem sabes que para o clã xxxxx a festa de zzzzz equivale às corridas de cavalos de Ascot em Inglaterra.
 
Para nós é como a abertura da Saison, o equivalente ao primeiro de Maio para os sapatos brancos.
 
É, ao fim e ao cabo, o anúncio de que está aí a Primavera e o bom tempo e a confirmação de que os bons amigos também se conhecem à mesa e à conversa em casa de outros amigos.
 
Conta com os três de wwwww!
 
Beijos ao clã yyyyy.
 
P.