terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não vos falo da solidão... digo-vos só que estou cansada!

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Solidão

Pois...

Mas não concordo com tudo. Desenvolvo assim que tiver tempo.

Eu vejo pessoas onde elas não estão

Podia quase jurar que o Manuel de Oliveira passeava hoje à tarde em frente às Letras. Mas se calhar era só alguém parecido. Olha... não... era um caloiro, só que tinha chapéu e era magrinho escanzelado e andava com as costas pouco direitas. Macacos me mordam se não estou a ficar choné.

Também quase podia jurar que ia ser apanhada por um braço e levada para longe quando há pedacito saí das Medicinas. Mas não. Só o carro é que era igual. Estou a ficar choné. Já nem vale a pena contestar. Vou ali dar mais duas horas de aulas e ver se isto melhora. Ou não.

Bora lá!

É só mais uma segunda feira! E a acidez desta laranja que seleccionaste para sobremesa já te está a ambientar à tarde!

Cenas do meu país

O Presidente tem um secretário que é o tipo que mais de metade do partido de ambos gostava que fosse o Presidente!!!

Gosto desta!

domingo, 17 de outubro de 2010

Apetece-me

dizer duas ou três asneiras. Aliás, mais. Mas assim graves acho que só sei três asneiras. Portanto, vou ali à varanda que não quero deixar o ambiente pesado aqui em casa e pode ser que isto passe!

Verdades e assim assim

O que para aqui vai...

Mai nada!!!

Happy?!

Help!

O casamento está aí! Pequena R. continua sem encontrar sabrinas de que goste. Ora bem... querer, querer, quer umas básicas, pretas, de preferência escamadas. Sem brilhos, sem folhos, sem laços, sem nada. Pele, que pode chover. Básicas. Pretas. Que depois use no dia-a-dia. Custa?! E redondinhas. Ou, no máximo, frente cortadinha, ballet. Custa?! Pois. Agradecida a quem der dicas!

P.S. Experimentei uns sapatos à Letícia. Demorei uns bons dez minutos para dar os dois passos que separavam o sofá do espelho da loja. Fico espectacular com eles. PARADA! Senti-me como aquelas pessoas que deslumbram... até abrirem a boca! Não sou em condições. Perdão por existir. Não dá.

Gosto de famílias grandes...


A I. é linda! Linda! Já disse linda?!
Os gémeos estão enormes. E cada vez mais iguais, também.
A M. adora dançar. E recebeu uma almofada de repouso para o pescoço e acha-se fina.
Os pais estão... absolutamente felizes!
A tia também!

Vip Manicure

Do melhor! Muito bom! A verdadeira "seriza no alto da queica"!

Adoro a Ana Bola... mas a Maria Rueff... bem... a Maria Rueff fazia o Zé Manel taxista... e isso diz tudo!

sábado, 16 de outubro de 2010

Hoje à noite

vou vê-las ao vivo! E rir-me... que faz tão bem...

Se é para poupar

Deixo-vos aqui três dicas... e nem pagam mais por isso.

1) Em algumas faculdades deste país, os assistentes contratados a 100% (muitos deles, até em exclusividade) auferem a remuneração total prevista para a função e dão apenas metade das aulas que deviam. Ou seja, recebem entre 1500 e 1800 euros e dão seis horas de aulas. O horário completo seriam doze horas. Mas dão apenas seis. Porquê?! Porque assim podem candidatar-se a bolsas da FCT!!! Boa? Topam?

2) Quem é que ainda acredita que haverá Metro Mondego?! Importam-se de restituir às pessoas da linha Lousã, pelo menos, a ligação que tinham e de se deixarem de delírios que todos os meses presumo que sorvam dinheiro ao Estado como se nós fossemos ricos?! Não sei... é uma ideia... Pagar pelo que era para ser e já não é e nem está em vias de vir a ficar parece-me uma ode à compreensão lenta e ao despesismo.

3) Quando o governo paga um determinado projecto... era bom que avaliasse se no fim ele foi cumprido. E, não tendo sido, se a justificação é válida (há casos em que o adiamento é perfeitamente justificável, concedo). O que não dá para aturar é pagar-se anos a fio por uma coisa que devia ser feita num ano e que, não, não tem razão para se andar a adiar. Ou melhor, tem, que isto de ganhar dinheiro à boa vida deve ser brutal.



Só mais uma dicazinha, pequenina: já perdi a conta à quantidade de assessores da treta em tudo quanto é Ministério, Secretaria de Estado, Tribunal, Empresa Pública, etc e tal. E sabem... conheço alguns. E não, não são brilhantes. Muitos são até fraquitos. Não levem a mal... mas é a verdade. Pois... verdade, verdadeira... fraquitos! Não é inveja. Juro. Já tive a minha oportunidade. E não a quis. Detesto trabalhar em más equipas!!!

Bichos

Nós... meus amigos... estamos entregues aos bichos. Mas aos bichos maus. Aos bichos inúteis. Não é aos bichos, bichos, que esses, coitadinhos, não têm culpa nenhuma...

Desacordo ortográfico

É só a mim que causa espécie ler coisas como

...

Tão fofiii #3*


* Concentremo-nos no essencial!

E assim se resume o meu estado de espírito actual!

Pai: Então mas ficaste cá hoje para descansar ou para trabalhar?
Eu: Fiquei porque amanhã já vinha e hoje já cá estava e não valia a pena ir e voltar e também porque a mãe fez leite creme com os alunos por causa do dia da alimentação e tinha prometido ir lá fotografar o evento e também porque tinha combinado com o kiko arrastar uns móveis da sala e também porque... bem... vocês andam sempre a queixar-se que quase nunca cá durmo... E porque assim estamos mais tempo perto, vá... Mas avisei que tinha de trabalhar e que a presença não se ia notar assim por aí além...
Pai: O que é isso que estás a estudar?
Eu: É tal e coisa.
Pai: Ah, a nova matéria, aquela que não é bem da tua área.
Eu: Pois.
Pai: Isso trata de quê? Explica o quê?
Eu: Olha que nem sei bem, se queres que te diga...


P.S. Admito... esta resistência não está a ajudar... Mas está difícil...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Adenda

E andar meia hora a pé por dia, inspirando ar puro; dormir sempre, no mínimo, oito horas por noite; e não stressar... viver em paz!!!

Tem tantas ideias... a minha médica de família! Até comove... a boa vontade da senhora!

Médica de família

Medicação para ver se não volto a ter a diastólica acima dos 10. Ou isso, ou um enfarte... Mix previsível com uma falta de ferro que faz quase chorar as pedras da calçada. Notícia dada de rompante de que a forte e velhinha relação com o comprimidinho dos 21 dias tem de acabar. Nada de meninos/as nos próximos nove meses, ou é certo que os últimos quatro são passados no hospital, de barriga para cima. Que sem stress... porque, de momento, parir, parir, só me vejo a parir uma tese de doutoramento... e... e... E então que não... tenha lá paciência, que mesmo que não continue a loucura dos cinco e me fique pelos três, convém pensar no um entretanto e depois virem em carreira, para podermos ficar todos descansados com métodos outros que permitam rambóias sem medos. A loucura. Vou fazer análises. Parar com a dita. Tomar o comprimidinho novo amigo que me há-de levar para longe estes apertos no peito. E logo se vê o resto... Se não quinar, entretanto. O que vale? Bem, o que vale é que agora posso sempre responder que ando a tratar do coração sem que fique tudo a pensar coisas tolas no minuto a seguir.

Já não era sem tempo!

Do que mete medo ao susto - XV



Hoje, no metro, vi uma senhora com uma argola numa unha. Meus amores, não, não era só um brilhante, nem todo um canteiro pintado a tinta da China. Pelos vistos, o que está a dar são pendurezas nas unhas. Unhas enormes (ai credo que mau gosto) e depois um furo num dos cantos exteriores de uma das unhas e... uma argola, um brinco, sei lá... Inventam com cada coisa... Continuo sem perceber: 1) como é que esta gente lava a loiça, com aquilo sempre a tilintar nos copos? (Eu tinha ataques de pânico a cada "tilim - tilim". Os meus copos são lindos e paguei-os eu... não os herdei!); 2) como é que puxam os collants? (A mim, basta-me uma unha mal cortada para abrir uma auto-estrada nas meias...)... Por fim, continuo a achar unhas muito compridas um hino à parolice. Com desenhos e brincos então... pelas almas... p-e-l-a-s-a-l-m-a-s!!!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

*

Já alguma vez

sentiram saudades do que está para vir?!

É uma sensação do caraças. Uma estranha mistura de impaciência e esperança. Ele há coisas...

Amizade é

parar para atestar o depósito e aparecer-me com um bounty de presente.

Verdades e assim assim

Uma mulher não deve perder noites por um homem. Quando muito, pode perdê-las com ele.

Magritte


A condição humana, 1934.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Fantástico!


Osman Araya revê a mulher mais de dois meses depois do acidente na minaFoto: Hugo Infante/Reuters

Wishlist

Mimos. Festinhas no cabelo e xis, acima de tudo.

Está-me cá a parecer...

que se um dia tiver uma filha chego à penúria em pouco tempo. E se o pai não me puser travão, é menino para também ver o saldinho sumir-se sem perceber bem como. Fui comprar um presente de vestir para a I. porque vou visitá-la no fim de semana. Ora, pessoas, eu quase pedi um banquinho para assentar arraiais em frente aos vestidos, às saias, aos blusões, ao casacos compridos, às botas, às sabrinas, às fitas de cabelo, aos gorros, às luvas dos 0 aos 3 meses. Ia-me dando uma coisinha má de tanta indecisão. Fosse eu uma tia rica, além de uma rica tia, e tinha trazido um exemplar de quase tudo. A saias, meus amigos, as saias. E os vestidos? As mangas tufadinhas dos casacos, os folhos e entremeios das camisas... o delírio! Optei por um vestido de Inverno, que é qualquer coisa próxima do mais foffi que dá para imaginar e por um conjunto de gorro e luvas. As luvas... Ai as luvas... tão piquinininhas... coisa mais... sei lá como... Se um dia chego a mãe, desgraço-me nas toilettes dos crianços. Para eles, já estou a ver, calções, camisas ao xadrez, sapatilhas e botas mini-mini, gangas pré-lavadas ali por cima dos rabiosques ainda com fralda... um estilinho timberland de betos amigos da natureza. Estou que não me aturam.

Verdades e assim assim

O resgate dos mineiros do Chile está a lavar-me a cara e a alma.

Se estou bem?!

Tenho fases, como a lua; fases de ser sozinha, fases de ser só tua.

Cecílias Meireles, adaptado.

***

Adoro

aquela turma pós laboral. A sério. São divertidos sem serem palhaços. São curiosos com pertinência. São descontraídos sem serem irresponsáveis. São grandes sem lhes assentar a luva da pretensão. E são miúdos sem lhes faltar maturidade. Se voltasse agora à faculdade, queria ter uma turma daquelas. Hoje disse-lhes. Não resisti. Adoro conversar com eles. Precisamente porque o tempo passa em conversas em que, por coincidência, se explica e discute e critica a matéria. Gosto, pronto!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Verdades e assim assim

"Nunca esperes um ramo de flores de um gajo das ciências."

By Pat, hoje à tarde.


A frase ainda ecoa na minha cabecinha...

Paps

Faz anos. Uma idade com duas vezes o meu algarismo preferido. O paps faz 55. Há jantar. Um bocadinho à pressa porque a filha tem de dar aulas à noite, mas há jantar. Porque o paps não precisa de presentes assim por aí além, mas amua se não tem um bolo com velas no dia mesmo dia dos anos. Cá modernices de deixar para o fim de semana seguinte não são com ele. Até pode conceder em adiar a jantarada alargada, mas com a mamã e as crias, dê lá por onde der, tem de ser no dia. E com um bolo com velas. São coisas... Há bolo. Há velas. E há presente. Uma daquelas caixinhas maravilha em que se descobre estadia e jantar e assim em sítios calminhos e que dão para recarregar as baterias. A caixinha é para duas pessoas, que eu sou uma pessoa romântica, que acha que se estes mimos são bons quando estamos sozinhos, então se estivermos aos pares são ainda melhores!

Lendo o que escreves

Alguém lê o que escreves, triste consolação,
pálida alegria, caindo a tarde sobre as coisas.
A vida perfeita vem do outro lado do mar,
como uma frase que nunca foi dita, amável
claridade que os seus olhos nunca atormentam;
não têm fundo. A vida perfeita é breve.

Cada palavra é um resumo - e, em cada palavra,
quanto deixas de teu?, quanto delas se perde
nas florestas? O silêncio protege-te de ti mesmo,
guarda os dias para os grandes passeios
entre as fronteiras da terra distante, onde a luz
te espera; guarda qualquer coisa nesse espaço

em branco do teu coração. Quantas noites
o que escreveste se perdeu - sem saberes, afinal,
que para ela escrevias? Tentação quando a tua
natureza cede e a vida regressa para que tu fales,
alguma vez falando de amor, quase sem respirar.
Que não esteja nos teus braços, mas que se aproxime,

como o calor da ventania, os passos da areia, a sede
de outra sede igual. Como saberias que o amor existe
longe da sua pele? Se escreves, sobre isso escreves,
e dizes o nome dos planetas, das feridas. Esperas
que venha esse sinal e te chame enquanto a noite
não sabe de que lado está, nem de que lado dorme.

Francisco José Viegas, "Lendo o que escreves", in Se me comovesse o amor, Quasi, p. 15 e 16.

O meu professor de música

Às vezes lembro-me dele. Conheci-o antes de conhecer qualquer outro professor. Ainda não sabia ler, tinha cinco anos acabados de fazer, quando me iniciei nas lides. Nunca fui brilhante naquilo e, tanto eu como ele sempre soubemos que jamais faria carreira por ali ou sequer reconheceria num instrumento o meu hobby da vida. Mas a música, como a dança, cruzam o nosso caminho para nos determinarem sensações, sensibilidades, gostos, enfim. Além disso, desde cedo que nos uniu uma amizade infinita. Um querer bem que o fazia nunca esquecer a almofada no piano nas festas de fim de ano, me fazia escrever-lhe postais no Natal e no aniversário. Uma amizade que justificou que por lá ficasse tantos anos: doze, uma dúzia deles. Mais para ter uma hora de conversa da boa com alguém crescido e que me devolvia, na volta das dúvidas maiores, respostas sempre coerentes. Não nos vemos há anos. Às vezes falamos e, quando menos espero, de tempos a tempos aparece um postal dele na caixa de correio dos meus pais. O meu professor de música é daqueles personagens incontornáveis da minha vida. E há dias em que me lembro dele. E de quando dizia "Aí vem o A., o homem que domina a pantera depois de morta!" ou desvalorizava a nossa falta de confiança nas pequenas grandes conquistas da vida com um "Faz-te uma mulher, já que o teu pai nunca o foi!". Tenho um bocadinho de saudades dele. E daquele sábados à tarde. Do caminho, de bicicleta, com os livros no cesto cor de rosa.

Do que mete medo ao susto - XIV

Há umas duas semanas que, todos os dias, entre aqueles 500 e-mails de spam que o servidor da faculdade não arreda, aparece um convite para um curso de hipnose...
Senhores, não vale a pena. Sou uma medricas do pior. Tenho pânico de não voltar lá da terra do horizonte. Esqueçam lá isso. Vão com a pregação para outra freguesia. Obrigadinha.

Dúvidas

Ele: É muita matéria, não é?
Eu: É. É muita matéria. Porquê?
Ele: Nããã... Nada! Só precisava de perceber por que é que a professora fala sempre como se estivesse em risco de perder o comboio.



Eu: Há aqui alguma dúvida? Ou estão só a conversar porque isto já não vos anima?
Ela: Não... é que nós combinámos: um apanha o início das frases e outro o fim e depois completamos. E agora estávamos os dois a apanhar o início. Ele baralhou-se.
Eu: Mas eu não estou a fazer ditados.
Ela: Ora isso é que é uma pena!!!

Minha música essencial #13

É oficial!


Perdi a cabeça!

Quase perfeito

Prioritário

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Verdades e assim assim

Não precisamos de ser bons em tudo. Há coisas em que podemos ser só assim assim. Saudável é que até haja coisas em que somos maus. Sou boa em poucas coisas. Quando sou, acho que sou mesmo, mas é raro. E hoje não fui. Nem me parece que venha a ser. Já só faltam 8 segundas feiras do primeiro semestre. E depois um segundo semestre. Está quase a acabar. Estou exausta.

Eu não quero...

É hoje!

Hoje começam as segundas feiras com sabor a dois dias: aulas das 14h30m às 20h30m de uma coisa e das 21h00m às 22h30m de uma coisa completamente diferente. Não há-de ser nada. Nem me vai apetecer chorar a meio da tarde nem nada. Afinal, é só mais um bocadinho. À noite já poderei falar de matérias giras e interessantes e com exemplos. E casar e descasar e trair e ter filhos de uns e outros e matar gente e morrer e renascer noutra família e tuditudi. A sério... torçam muito por mim hoje à tarde. Isto não está fácil. Sempre achei que só convence quem está convencido e eu... sinceramente... estou longe de estar convencida que sei explicar alguma coisa daquilo. A parte boa? É só às segundas. Fica arrumado. E pronto... sempre são aulas. Mas de certeza que ninguém convenceria a Sô Dona Amália a berrar feliz o "Pisca-pisca" só porque isso também era cantar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Era uma cama, por favor!

Tenho de reconhecer que umas férias ou um fim de semana sem trabalho já vinham muito a calhar quando vou almoçar a casa de uns amigos e, enquanto espero o café, sentada no sofá com os demais, adormeço. Assim. Sem mais, nem menos. Adormeço. Encosto a cabecinha para trás, cruzo a perninha, viro-me para um dos braços do sofá, meto as duas mãos, juntinhas, debaixo da cara e... durmo! Quando acordo, uma boa hora e meia depois, estou sozinha, com uma mantinha por cima e à média luz. Ouço foguetes (m-e-d-o) e lembro-me que devem ter ido ver a procissão. Portanto, decido passar pelas brasas só mais um bocadinho. Estou quase, quase a entrar naquela dimensão do "ai onde é que eu estou... ai tão bom... que levezinho que se caminha aqui" quando todos entram na sala. Abro os olhos, tento compor o cabelo, sem grande sucesso, diga-se, e ajeito o vestido. Em coro, descansam-me. Não ressono e não me babei. A bem dizer, talvez a única parte mais deprimente tenha sido quando deixei cair a cabeça e depois a levantei e estava de boca aberta. Era o espanto... o sonho devia ser bom! Surgem teorias de incontestável valia científica, sendo que me detenho na que resume o meu estado ao "afilamento de nariz". Traduzindo, veem-se uns olhos lá ao fundo, não resultou pôr uma sombra que promete abrir o olhar, as maçãs do rosto estão mais pálidas que a cal de uma parede e o nariz parece mais afiadinho. Prova, provada, diz quem perfilha a teoria, que ando a dormir pouco e mal e que sou gaja para andar um tanto cansada. Refaço na minha cabeça a última semana. Reconheço que não foi fácil. Desde um deitar tardíssimo e cedo erguer até uma montanha russa emocional capaz de abalar estruturas de betão, a coisa não foi famosa. Entretanto, com maior nitidez, vejo que, ontem, por exemplo, me levantei às sete, trabalhei até muito depois das duas para acabar uma apresentação, não me lembro do trajecto até à cama, mas sei que não desconsiderei a importância de pôr o despertador para as oito e desde essa hora até ao meio dia e meio estive a tentar mentalizar-me que não, ninguém vai sair ao fim da primeira meia hora de aula. Porque, afinal, a minha maior vocação é ser actriz (psicotécnicos dixit) e eu vou convencê-los que adoooro dar aquela matéria, adoooro estudar aquela matéria, amo de paixão ter de debitar teorias e autores, nem sou muito mais dada a casos da vida nem nada, estou a realizar um sonho. Começa, então, a fase dois do "não te armes em boa, que a vida está cá para te pôr no teu lugar não tarda". Arrepios, espirros, uma temperatura, uma voz mimenta. É gripe, segundo a mãe. O pai, mais pragmático, lembra que quase sempre passo pela fase de ficar afónica. Penso, com a minha cabeça a ferver: sou professora, falo, preciso de som na voz, pá! Recomendações mais que muitas. Que me deite, quentinha. A mim, este estado "deitadinha a baixo" pede muito mais que isso. Bem... também não podia pedir isso que ainda tenho aqui muito que ler até amanhã à tarde. Mas, dizia, não é deitar-me quentinha que me há-de curar. Tudo se conjuga para esse grande cenário de mimo, chá de erva cidreira e maçã cozida. Se estiver mesmo muuuiiito mal, um caldinho de arroz. Mas também não estou às portas da morte. E não sei fazer caldos. Assim sendo, fico-me pelo resto. Já aqui tenho o chá. Na cozinha já cheira a maçã cozida. De tempos a tempos, faço-me mimos no cabelo e digo-me "amanhã já estás melhor, vais ver". Não me dou beijinhos porque já acho um bocado de mais. Mas compunham o cenário, não se negue. Se sou piegas? Também. Mas a sério que hoje nem estou a ser fiteira. Dói-me tudo. Tudo. Dos pés à cabeça.