sábado, 6 de novembro de 2010

Em rigor

"Puta que pariu" não passa de uma ofensa de terceiro. Fazem falta mais ofensas de próprio.

E trabalharem um bocadinho, não?!


Estou indecisa. Não sei qual o melhor disparate dos últimos tempos. Concorrem ao pódio este, a afirmação de que a culpa da crise é dos políticos, feita por um político de há décadas, e o inexcedível recado ao povo de que não podem ser os políticos a pagar a crise. Estou mesmo confundida. É muita matéria prima. Fartam-se de trabalhar. É gente que mal acorda e já está a pôr a pata na poça. Quando a tira, com o vexame, reforma-se e vai viver para spas. É o que se chama stress pós traumático. Embora o trauma seja nosso. Mas nós não temos bem vocação para programas enfadonhos. É que não temos pais ricos e mesmo o Bes não dá para todos. E alguém tem de fazer pela vidinha.

Gosto tanto...

Nunca é tarde

para perceber o que é realmente importante na vida e lutar por isso.

Ou então... não!

Com as coisas, deu-me para cozinhar (o básico... nada de êxtases, minha gente) e até já dancei ali no corredor enquanto passava um swiffer no chão...

Estamos bem...

Depois de reler a aula, preparei uma arguição. São quatro. Antes de passar à segunda, fui ver os sites da lanidor, da cortefiel, da hoss, da alain manoukian, da massimo dutti, da ras, da chloé, do net a porter e da pedra dura. Estamos de volta à aparente normalidade, portanto.

The long day is over

My home first christmas #5

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Mum e as suas piadas...

Mãe: Estás mais calma? Vá... leva isso com descontração. Não vale a pena matares-te por trabalho. Pensa em namorados.
Eu: (O que é que ela quer dizer com isto, God do sky???) Para pensar como deve ser em namorados, a esta hora devia estar a pitalgar a cara, a espalhar perfume por mim a baixo e com hora marcada com amigos para ir coboiar na noite.
Ela: E o que é que estás a fazer?
Eu: A preparar a aula que tenho de dar no mestrado amanhã.
Ela: Pois. Assim é complicado. Olha... e depois amanhã?
Eu: (??? Fogo... acha que eu estou encalhada... A minha própria mãe...) Então, amanhã tenho de preparar as arguições dos relatórios de quarta, porque domingo, segunda e terça não faço outra vida senão preparar e dar aulas.
Ela: Tens de arranjar um intelectual.
Eu: Pois. E depois ele tem aves raras destas para aturar, como eu, e chegamos a casa e andamos à bulha para descarregar as fúrias. Ou então amuamos e ficamos os dois a trabalhar, cada um para um lado, a ver quem escreve mais rápido no computador... Ia ser uma animação, não haja dúvida. Tens cada ideia...
Ela: Isso está mais difícil do que eu imaginava.
Eu: (Confirma-se... Quer ver a filha arrumada... Oh valha-me o Criador, ainda agora era o que mais me faltava...) Se fosse fácil...

O tempo passa...

Corria o ano de 2004 quando fiz um trabalho sobre o tema. Era já 2005 quando me dediquei um mês a estudar melhor a matéria. Foi em 2006 que falei em público dela pela última vez. Mas em 2007 escrevi um mini artigo com não mais de 4 páginas sobre isto. Amanhã passo uma boa parte da tarde a explicar do que se trata.

Algo de muito estranho continua a falhar no meu ar sério

quando recebo pedidos de ajuda de alunos para que escreva um qualquer arrazoado susceptível de os livrar de uma multa (coima, para os mais exigentes)! Eu sei que dei o mail... e até me considero uma gaja acessível... mas... era suposto a malta achar que eu estou do lado da lei... sei lá...


P.S. Para todos os efeitos, já seguiu proposta de arrazoado. Tenho má relação com multas. Com as minhas e com as dos outros...

Ai cum caraças...

Estou num dilema...
Não sei se compre uma mini árvore artificial cá para casa e a carregue de tralha como convém
ou se
me fique por uma cortininha de luzes aqui na janela da sala e sempre enfeito a casa sem me esquecer da rua.

Gosto desta!

Siena, Setembro de 2009

A parte boa deste dia não

O G. vai ser meu coleguinha em mais um trabalho. Já nem com o grito "Oh assistente" poderá irritar-me, porque agora posso devolver-lho... com a agravante de eu ter uma voz um bocadinho aguda.

Só mesmo mais isto e depois já me calo com os queixumes

Haver injustiças é próprio de um mundo feito de homens falíveis. Serem frequentemente os mesmos a cometerem-nas só prova que são maus... e um bocado burros também, parece-me, no caso.

Private joke: É que, a partir de hoje, até os válidos voltam à cena!!!

:)

Há dias em que me apetece ir ler o que escrevi precisamente no mesmo dia, mas há um ano atrás. Hoje... bem... hoje só isso para me fazer rir...

E pronto!

A clarividência dos amigos

Eu: Por favor, no dia em que eu der o mínimo sinal de que lhe admito que pense que manda em mim, avisa-me.
Ela: Descansa. É por já ter percebido que não manda nem mandará que esta irritação se manifesta.

Ave solidária

É raríssimo ouvir pássaros aqui em casa. Hoje tenho um pássaro que de dez em dez minutos pousa ali no gradeamento da varanda da sala e canta qualquer coisa virado para mim. Acho que está solidário. Quase posso compreender quando lhe sai do bico um "Eles são maus, mas tu és kika. Não fiques triste. Eles vão para a cama descalços e tu não. Gosto de ti.". Notem que eu tenho uma relação difícil com as aves, mas às vezes é no chilrear de um passarinho que pode estar o melhor do dia. Sou filha de quem espalha sementes no jardim porque gosta de ver os pássaros de perto mas não quer fechá-los em gaiolas...

My home first christmas #4

Verdades e assim assim

Não tenho de escolher um senhor a quem servir pelo simples facto de que...
NÃO SOU CRIADA!

Para reflectir

Sempre se ouviu dizer que "muito ajuda quem não atrapalha".
O óbvio não dá resposta, porém, à pergunta cada vez mais urgente e que podemos sintetizar num "como se lida com a estupidez de quem manda?".
Como diria o outro, "vale a pena pensar nisto"!

Meia dúzia de coisas de gaja para dizer... nem sabes o bem que te pode fazer!

1) O rose confidentiel está, definitivamente, a tornar-se a minha imagem de marca para este Outono/Inverno.
2) Voltei a adoptar o chapéu no look para os dias de chuva miúda e para as noites mais frias.
3) Desde Maio que se contarão pelos dedos de uma mão, e sobrarão dedos, os dias em que saí de casa sem ser de vestido.
4) Tenho uma lista de coisas de calçar em vista que vai de umas sapatilhas com gore-tex até às inesquecíveis sabrinas Carolina Herrera da capital.
5) A Zara Home será, tanto quanto já me foi dado a perceber, a loja de muitas compras de natal.
6) A moda é cíclica. Reciclei uma capa da minha mãe com 25 anos e da primeira vez que a usei combinei-a com a minha camisa branca preferida de entre todas - aquela que tenho desde os 16 anos.

Obrigada

insónia.
Eu já tinha pouca vontade de passar a manhã a mandar gente crescida para lugares feiosos... Então agora... com duas horas mal contadas de sono reparador e valentes pares de 60 minutos às voltas feita tola numa cama que parece ter sido palco de uma guerra civil... estou preparada para lhes pôr os pés à frente a ainda me rir quando derem com a nariz no chão. A sério, insónia, não podias ter escolhido dia melhor para vir fazer-me companhia. Tudo quanto representas assenta que nem uma luva na minha necessidade de estado zen para hoje. Foste uma kika. Oh, palhaça! Estou a gozar. Resta-me, como diria a avó, ter fé no Senhor. Só mesmo assim é que adio a cena de roda baiana em plena via latina. Com fé no Senhor. Porque nos senhores, naqueles senhores já não tenho fé nenhuma.

Verdades e assim assim

À noite não conseguimos ver a linha que os aviões traçam no céu.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Está a doer mais do que devia. Pior. Está a doer mais do que podia.
Não sei onde, não sei quando, não sei como. Sei que me ultrapassou.

Verdades e assim assim

Há dias em que nós só não dizemos "preciso mesmo de ti" porque sabemos que provavelmente isso não fará as coisas mudarem de rumo. São os dias piores.

Não

Isto não se chama parvoíce. Isto não se chama sequer estupidez. Isto chama-se falta de humanidade, à primeira vista. À segunda, com um pai que não se questiona, durante dois anos, a opção de uma filha rapar o cabelo e as sobrancelhas e passar fome até parecer doente, isto já, diferentemente, poderá chamar-se doença e... solidão. Chame-se o que se chamar, isto dá-me vontade de chorar. Pelas pessoas que já perdi por esta doença, por aquelas por quem rezo com afinco com um medo horrível de vir a perder um dia destes à custa desta doença e pela Ashley, que, felizmente, não tem cancro, mas, no entanto, me merece um sentimento imenso de compaixão... e pena... e profunda tristeza... e desilusão. Isto chama-se vida. Baralha a morte. E dá-me vontade de chorar.

Lamento profundamente

só saber três ou quatro asneiras. Já esgotei, em pouco mais de meia hora, os "car%&#$, f&%$-#", me**a e filhos da p*ta, fora a mãe que não tem culpa". A sério. Há dias em que lamento mesmo não ter um repertório mais denso nesta matéria. E, pior, só conseguir verbalizar isto se estiver sozinha, enfiada em casa, com uma telha sem tamanho. É o caso. Por conta de gente iluminada que acha que pode pôr e dispôr da vida das outras pessoas. Muito triste. Gosto pouco que me julguem sem me conhecer. Admito que o façam quando falamos do blog. Ok... quem anda à chuva, molha-se. Mas no trabalho, lamento, não admito. Já lá vai até o tempo em que o G. me perguntava se queria mesmo entrar e distribuir beijinhos na reunião, apontava todas as minhas piadas e discutia comigo viagens inteiras que eu não facilito a tarefa de me levarem a sério porque entro e pareço o arco íris. Agora diz que quando quero sei ser muito reles. Na sexta feira, por exemplo, diz que pus um tom pedante na resposta a uma alminha. Mas a alminha estava a dar-me nos nervos, há dois dias que toda a gente se ria da alminha, só apetecia dizer à alminha "duh", chegámos às sete da tarde e a alminha sacou de mais uma das suas pérolas, o meu filtro social estava no limite, ninguém abria a boca, eu já estava por tudo, respondi-lhe. E sim, foi à letra. Muito próximo de um "se não tem nada importante para dizer, remeta-se ao silêncio", mas com requintes de linguagem. Ok. Admito. Fui reles. Mas pronto. Dizia, já lá vai o tempo em que tinha de abrir a boca para que acreditassem que se calhar eu até podia falar do tema, não era só uma pita que não tinha mais onde passar o tempo e a chefia tinha mandado em representação. Já lá vai o tempo em que quando anunciavam o tema dos menores alguém sacava sempre da brilhante pérola "é muito jovem e não tem filhos." Nunca morri e falo da morte, oh inteligentes. Acredito que o Prof. FD nunca tenha sido amigo do alheio e foi com ele que aprendi o furto, oh espertos. Portanto, já lá vai esse tempo. Agora todas as inseguranças moram só em mim. E é assim que tem de ser. Não têm que andar a questionar se farei bem ou mal. Eu sou a primeira a saber quando faço bem e quando nem com uma dúzia de velas acesas poderia brilhar. Dá-me náuseas... que me julguem. E... acima de tudo, fastio que, depois de terem visto que não sou especialmente má numa coisa, não admitam que posso ser muito melhor noutra diferente. Eu não vos pertenço. Eu não sou vossa. Eu estou aí de passagem. Eu avisei desde o princípio. Eu joguei limpo desde a primeira hora. Vocês disseram que sim, passaram-me a mão pelo pelo para se garantirem e agora que é hora de cumprirem a promessa enfiam o rabinho entre as pernas e lavam daí as mãos. Cambada. Estou com ganas de desatar a berrar impropérios virada a cada um de vós. Capito?! Ide pregar para outra freguesia. Desamparai-me a loja. Estou intratável, eu sei. Mas o blog é meu e hoje tinha de desabafar e não me chaguem a cabeça. Fod%-$#, pá! Se não for para dizer que eu tenho razão ou para darem mimos, escusam de me dirigir a palavra. Não respondo por mim em caso de desafio.

Verdades e assim assim

Lamber botas não é para mim.

E acredito que, mais cedo ou mais tarde, quem não as lambe será recompensado. Sou crente, no fundo. Muito crente. Mais do que crente, só mesmo incapaz de lamber botas, portanto!

My home first christmas #2

Música para os meus ouvidos #2

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Verdades e assim assim

Já se arranjavam mais uns neutrófilos, aqui para a pessoa. No resto do hemograma também anda quase tudo ali pelas ruas da amargura, muito pertinho dos mínimos, mas estes amigos é que não querem nada comigo. Qual mínimo, qual carapuça... Parece que emigraram para o sangue de uns e outros e me deixaram à míngua. Neutrófilos, voltem, estão perdoados. E ainda podemos ser felizes juntos. Vááááá lááááá...

:)

Uma carta em papel perfumado. Um envelope com um coração no remetente. Um sms de "bom dia, alegria" ou "dorme bem". Um mail com um mimo. Uma promessa. Um poema. Uma visita. Uma música. Uma conversa. Um silêncio. Uma fotografia. Um pensamento. A empatia. Tudo... love letters. Ou então... isso. Love letters. Porque uma carta de amor não precisa da extensão de uma declaração formal, de um recado desenhado... uma carta de amor pode bem ser um "gosto de ti" que aquece a alma só porque, cá dentro, se sabe que é mesmo assim... com a segurança que só os sentires nos garantem... Os detalhes... os detalhes são as melhores cartas de amor...

Caso prático

Eu: Se bem se lembram, eu tinha usado o montante da prestação do carro do mês passado para comprar uns Louboutin. Já vimos isso e as consequências. Mas eu casei por amor... e o meu marido idem. Já lhe passou a indisposição pela compra. Perdoou... que me ama acima de tudo. Acontece, meus queridos, que agora quero saber, com base nos dados que têm, o que é que acontece se eu decidir vender a nossa casa porque estou perdidinha de amores por meia dúzia de Elie Saab. É que, para além de amar sapatos, eu adoro vestidos.

Uma delas: Nota-se!

Um deles: Fogo, isso não é a história de um casal, mas de um marido e uma cruz!



(Riso pegado... comigo a garantir que é tudo ficção e um coro de "pois... pois... está bem... está...! :)")

Cenas tristes de que eles se lembram!

Com "eles" refiro-me aos pares. Pares de namorados, amores, amantes, casados, unidos, concubinos, and so on. Sempre associei a opção a teen mal resolvidos, ali com as hormonas às cabeçadas, na idade da gaveta ou parvalheira. Afinal... não! Há gentinha com idade para já ter juízo que prolonga a má prática pelos vinte dentro... ou trinta, até! Refiro-me, concretamente, à "moda" de substituírem as mãos dadas e os abracinhos por um trocadilho de braços que faz com que uma das mãos de cada um fique no bolso de trás das calças do outro. Para já, aquilo faz mal aos olhos: uma pessoa fica aflita com medo que desloquem um ombro, ou até um cotovelo e... a ajudar à festa, há a visão da treva de andarem mãos alapadas em rabos alheios em plena via pública. Fere a vista. E eles insistem. São manifestações de afecto que dificilmente compreenderei um dia. Da próxima vez falarei dos beijos com barulho no cinema.

Pronto

Decidi-me!!!

Vou almoçar e depois abro as janelas, sento-me ao sol, ponho a soar uma música baixinho e vou começar um livro novo. Meia hora. Aaahhh. Estou feliz com a decisão!

Há horas felizes!

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Música para os meus ouvidos

Verdades e assim assim

Pegava num livrinho, no mp3, numas sapatilhas e em mim e ia dar um passeio até ao Choupal. Hoje podia ser o dia.

Ou... tanto para fazer e tão pouca vontade de trabalhar.

Se me sinto frio

se me sinto frio
é porque tenho o frio em mim
não está alhures
e não me digas que o sol brilha
lá fora

Francisco d'Eulália

Michael Bublé

Podia estar tristíssima por não ter também um bilhete para o Michael Bublé. Não estou. Nada triste. Já não teria qualquer sentido. É isso. As voltas que a vida dá... cambalhotas, mortais...

My home first christmas #1

Legenda: Retrato de Maria, com o Jesus na barriga.
Autor: Afilhado caçula (4 anos à data da obra).
Dezembro de 2009 (até hoje no meu placard dos desenhos cá em casa).

Trabalhos manuais



Se há coisa para que não sou especialmente dotada é para trabalhos manuais. E morro de pena. Faço um ponto cruz respeitável, com treinos frequentes em babetes e fraldas para os sobrinhos e afilhados e pouco mais. Adorava ter a ideia e conseguir concretizá-la. Normalmente... não dá. A minha famosa Maria triste/feliz foi encomendadinha, porque eu, mesmo com muita vontade, não faria mais que destruir feltro. Gostava mesmo de ser boa nisso. Este ano, ficam a saber, dedicar-me-ia a fazer enfeites para a árvore de natal... Tudo anjos. Papudos. Coisa mais fofiii. E espalhava estrelinhas por aí, nas maçanetas da porta e assim. E fazia um enfeite para pôr na porta da rua...

E presentes personalizados?! Há lá prazer maior que saber que perderam tempo, horas de sono, puxaram pela cabeça, só para fazer uma coisa com a nossa cara?! É raro. E, também por isso, sem preço.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

...

História de uma fotografia


Quando andava na segunda classe, foi promovido, a nível nacional, um intercâmbio de correspondências, tipo pen friend à portuguesa. A mim, calhou-me ser a amiga/correspondente da A. Ora a A. é mais velha que eu uns quatro anos e andava na terceira. Escrevia pouco e com erros e nunca tinha assim novidades gigantes para contar. Vivia numa aldeia de nome curioso, de um concelho perdido do norte do país, ali à espreita do douro, entre os mais deslumbrantes montes e os mais reconfortantes vales. A A. nunca de lá tinha saído, nem para ir ao Porto, sede de distrito. Vivia com o pai e com a mãe. Não tinha televisão, nem telefone. A A. era pastora nas horas vagas e fazia as lides domésticas. A A. só me contava coisas que eu não sabia. Como se assava anho no forno, como se douravam batatas, como se chamavam as ovelhas, como se fugia do calor, como se entretinha o tempo, como se debulhava milho à mão. Eu contava a minha vida toda desde que tinha nascido, como é apanágio da pessoa que vos escreve! Do que visitava, do que fazia na escola, do que se via na televisão, das patifarias com o meu primo Pedro, do que era o cinema, das visitas de estudo (a que o pai nunca a deixou ir), do que era o mar. No fim da segunda classe, quase todos os meus colegas suspenderam a correspondência. Eu pedi à minha mãe que me ajudasse a escolher um postal da praia para a A. Nunca deixei de lhe enviar um postal de cada sítio novo que visitei. Ainda hoje, pelo menos, um por cada país descoberto, um da praia e o postal de natal. A A. fez a quarta classe e teve de deixar de estudar. Andava já eu no ciclo quando consegui que me enviasse uma fotografia. Retrato tirado a preceito, com traje domingueiro, na sede de concelho, em dia de consulta do pai que não se abalam vizinhos proprietários de viatura por dá cá aquela palha. Prometemos durante anos visitar-nos. Sonhámos com isso. Nunca aconteceu. Falámos pela primeira vez ao telefone devia andar eu no décimo, décimo primeiro. Ela iria estar numa festa da aldeia às tantas horas, o número do café era tal e tal e eu devia telefonar e pedir para falar com o pai, o senhor X, explicar que era a rapariga que escrevia cartas à A. desde há muito tempo e pedir permissão para que ela atendesse o telefone. Assim fiz. Falámos. Pouco tempo. Nenhum dos meus colegas de escola manteve contacto com o seu correspondente da segunda classe. As pessoas da minha geração, ou não se lembram sequer que isto existiu, ou não tiveram a sorte de ter uma professora que apostasse numa coisa assim. Nunca ponderei deixar de escrever à A. Sabia que éramos amigas mesmo sem nunca nos termos visto. Contava-me tudo da sua vida. Sabia quase tudo da minha. Nunca negou que as nossas cartas eram a única maneira que encontrava de manter esperta a arte da escrita. Dava erros. Muitos. Ainda dá. Nas cartas de resposta sempre fiz por usar as palavras que escrevia mal e nunca mais repetiu um erro. Nunca falámos disso. Não vale a pena. A A. é uma das minhas pessoas. Genuína, verdadeira, pedra por esculpir. Doce, serena, transparente. A A. foi feliz com cada conquista minha, profissional ou pessoal. A A. foi convidada vezes sem conta para passar férias comigo. Chegaram a estar comprados bilhetes de comboio. Nunca lhe permitiram levar o sonho por diante. A A. quis muito vir à minha festa de formatura, mas não conseguiu. Ainda não foi há muitos anos que a A. viu o mar. A A. apaixonou-se pelo filho dos patrões da casa onde foi ser criada de servir. E ele... ele serviu-se disso. A A. teve casamento marcado uma vez e teve de escrever que afinal já não casava. Até que um dia a A. me jurou que nunca mais queria ninguém na vida. Depois, mudou de ideias. Corria o ano de 2007 quando recebi um convite de casamento. A A. casaria em Julho. Era minha amiga há 19 anos e eu nunca a tinha visto. Só a conhecia por fotografia. Ouvia-a uma vez por ano desde que tinha telefone em casa e escrevia-lhe sempre que podia, mas, pelo menos, o postal dos novos sítios descobertos, o da praia e o de natal. Foram algumas as amigas que me acompanharam e me fizeram chegar a tempo de ver sair a A. da igreja, vestida de noiva. A A. só me disse "Tu vieste!" e eu só respondi "Eu prometi que viria!". Este é o retrato do momento posterior a esta frase!!! A A. teve uma festa bonita, vestiu um vestido como sonhara, chorou, dançou e sorriu muito. A A. teve direito a lua de mel. Por aí, pelo país fora. Desde 2006, a A. já começou a construir uma casa e foi viver para lá só com o marido, já tiveram um filho, já tem telemóvel, já manda sms e mms. A A. já tem um rebanho só dela e mais coelhos e galinhas. Mas há coisas que não mudam. A A. está na minha lista de postais de natal. Porque a A. é uma das minhas pessoas.

Sinto falta

da lareira acesa à noite.

Adoooro. Não é cá de recuperadores de calor nem nada, é de ver a lenha a arder, de aquecer as mãos à beira do lume, de assar castanhas no brasido... é disso que eu gosto!

Cá por casa #3


Verdades e assim assim

P'ró mês que vem já é Natal!!!