domingo, 20 de janeiro de 2013

Lá para os lados do campo

onde moram os meus pais não há luz desde sexta feira. Hoje almoçámos à luz de velas. O meu irmão diz que acha muito giro, se pensarmos que é de propósito. A minha mãe e o meu pai já não estão a conseguir ver o lado poético do cenário... São muitas horas sem luz. Fizemos café de subir, ao lume, e conversámos ainda mais que de costume. Rodeada de pinhal por todos os lados, a casa dos meus pais, os carros, o jardim, tudo escapou ileso por um triz. Há um cedro tombado junto ao muro, mas nada que apoquente. E isso é tanto mais impressionante quando penso que há muito tempo não se via a mata tão pouco densa por ali. Caíram, seguramente, pelo menos metade dos pinheiros que rodeavam a casa. Há fios eléctricos pelo chão e um manto de folhas e agulhas pela estrada fora. Não temos vizinhos, mas a casa mais próxima viu ruir uma parte do muro. O lago da aldeia vizinha transbordou e ensopou as culturas que por ali resistiam. Enfim. Não há acho que nada que mais tema que o fogo, mas esta coisa do céu a chorar e a vociferar contra nós com tamanha desilusão também não me deixa muito alegre.

2 comentários:

  1. Por aqui não aconteceu nada de especial. Mas também temi. E temi muito este céu zangado connosco!

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