sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Some quotes are golden!
S: You're a very strange person.
H: That maybe true, but you're here.
S: You ever not want a new day to start?
H: Why do you think we're facing in this direction?
S: I've done so many things that at some point I did for the last time and I wasn't paying attention. And then I met you and I got to laugh and make love and fall in love all for the last time... but this time I paid attention.
Ódio de estimação XIX
Objectos com borboletas.
Nunca percebi a razão para se dar tamanho destaque às borboletas. Percebo que a lua, as estrelas, o coração, a forma de um laço, and so on, inspirem os estilistas, os designers, sei lá. Mas as borboletas... Não alcanço. As borboletas são animais. E têm tido muito mais honras que qualquer dos seus outros amigos animais. Detestando aves, gosto de algumas coisas em que as representam. Entendo a piada dos aventais com vaquinhas, porquinhos, patinhos e assim. Não estão no topo das minhas preferências, mas até acho graça. Ursos para bébés, a mesma coisa. Sapos como alusão a príncipes, também. Mas nenhuma destas manifestações públicas de "olha, sou um animal e há quem se inspire em mim" chega aos calcanhares do enjoo de ver borboletas por tudo quanto é sítio. Ganchos para cabelo de gente grande, anéis, pendurezas de orelhas ou para colares, estampados de roupa, velas, carteiras, sapatos, objectos decorativos vários para o lar, todo um mundo de atoalhados e roupas de cama, cortinas então nem vale a pena falar, autocolantes para cadernos escolares, nem sei. Já vi noivas com borboletas coladas no bouquet. Oh pá, poupem-me. Ai que é liberdade. É tudo muito lindo, pois sim, mas o que é demais... Enfim... O fenómeno pode equiparar-se ao que sentimos quando estragam uma música belíssima passando-a de dois em dois minutos na rádio. Um dia, é um ódio de estimação. Cansa. Tamanha façanha contagiou outros motivos decorativos: Hello Kitty à cabeça. Ainda a bicha mal era falada, recebi, de presente da mamã, um roupão e uns chinelos. É de miúda. Tu adoras estas coisas. E adorei. Até começar a ver tudo quanto é cachopa com outfits completos com o desenho da gata. Cansei. Visto o roupão e calço os chinelos. Estão bem conservados e fui habituada a não torcer o nariz nestas coisas. Mas estão longe da minha preferência. Não vieram para Coimbra, por exemplo. É que, de animais, só mesmo a Pantera Cor de Rosa para não cansar, o Mickey, o Donald, a Margarida, a Miniie e esses assim. Tenho dito. Abaixo a febre da borboleta.
Pronto, vá,
abdicava de corrigir exames, de semanas inteiras de provas orais (só assim um dia por outro, para matar saudades), de tardes/noites de oito horas de aulas (gosto muito, mas podia ficar com menos horas que gostava na mesma), de algum trabalho quase administrativo. Podia ficar no trabalho que gosto mais, mas com uma perninha de aulas um ou dois dias por semana. Assim, meus amores, ficava mesmo uma coisa de valor!!! Do melhor!
À pergunta "Se não fosses isto o que serias?" sempre respondi actriz. Bem que os psicotécnicos avisaram. Eu é que não lhes dei ouvidos. Depois, em segundo lugar, assistente social ou jornalista. Mas continuo a achar que, enfim, esqueçam lá isso, não vamos mexer demais, que podemos até estragar.
E não deixavas de trabalhar?!
Perante esta pergunta, cheguei à conclusão que nada da minha vida profissional, ou muito pouco, mudaria se eu fosse rica. Porque o que eu não gosto é apenas um caminho para chegar ao que quero. Se fosse rica, bem, compraria ainda mais livros, possivelmente, mas, enfim, já não tenho tempo para ler nem os que compro não sendo... Pensando bem, não há nada de relevante que ser rica pudesse mudar na minha vida, pelo menos profissional. Vejamos. Dos três trabalhos que tenho, não conseguiria abdicar de nenhum, portanto, enfim... O que me leva mais tempo, o que talvez me realize mais, corre o risco de acabar, mas não era por eu ser rica que poderia alterar isso. É um projecto com uma dimensão social que me parece ter muito sentido se houver investimento público. Em suma, não acho que um Observatório particular fosse a solução. É, de longe, das coisas que mais gosto de fazer. Custa-me muito pensar num fim anunciado. Vou sofrer muito se tiver de me retirar desta vida. Acho que pouca gente percebeu a importância disto. Mas a importância, sem preço, vê-se nas reuniões de discussão de vidas pequeninas, vê-se nas formações, vê-se nos arrepiar de alguns caminhos pouco ponderados que às vezes tinham começado a ser trilhados. Depois, os outros dois trabalhos são aulas. E toda a gente sabe que eu adoro ser professora. Não teria provavelmente paciência para outro nível de ensino, mas aqui, bem, adoro discutir. Há dias em que a coisa corre melhor, há dias em que corre pior. Não consigo decidir-me por nenhuma de duas áreas de eleição. E tenho a sorte de uma já me estar destinada num dos sítios. E de ter uma turma pós laboral que me fez redescobrir o gosto de uma boa aula. Amo. Ganho aí energia para ir levando o sacrifício (é mesmo) de ter de penar durante uns tempos numa área de que não gosto, não gosto, não gosto, no outro sítio. Mas, mesmo aqui, enfim, estou em casa. Tem coisas más, péssimas, mas ando por lá desde os 17 anos. E tenho esperança de um dia, não sei quando, me deixarem fazer o caminho que eu ambiciono e não o caminho que precisam que eu faça. Tirando isto, faço a chamada advocacia caseira, que me dá um prazer mais que sabido, adoro dar aulas para públicos diferentes, formações para gente que não seja da área jurídica, e rendo-me, babo, literalmente, quando recebo um convite para uma conferência. Portanto, faço o que gosto. Sobra a bendita tese de doutoramento. Aqui, bem, aqui a conversa é outra. Gosto de aprender, mas não gosto de deadlines. Gosto de investigar, mas não aprecio pressões. Gosto de escrever, mas não me animo muito com regimes forçados e demasiado longos de clausura. Faço uma tese (tento) porque é a única maneira de me garantir, dentro do possível, manter naqueles trabalhos de que gosto. Nunca neguei que há coisas muito melhores para ocupar os dias do que estar enfiada em casa a ler desalmadamente literatura jurídica. Enfim... Mas é preciso. Tem de ser. E o que tem de ser tem muita força. Por isso, tentemos tornar a coisa o mais prazenteira possível (?!). Se eu fosse rica, bem, viajava mais, viajava muito, corria mundo, falava com gente, cheirava lugares, olhava pores do sol e amanheceres em muitas paisagens, mas não, não deixava de trabalhar. E, nos próximos quatro anos, tinha de refrear um bocadinho os ímpetos... porque não podia deixar de parir uma tese de doutoramento. De resto, comprava uma casa. Ajudava muita gente que precisa e que não está longe de mim e remodelava o conceito de institucionalização em Portugal. Pagava ao Primeiro para me deixar mandar nisso, só nisso. Era assim, se eu fosse rica. Acho eu. Mas também me podia subir o dinheiro à cabeça e dar para estúpida. Às vezes, acontece!
Ah ah ah
Ele: Linda, tenho de te contar uma coisa.
Eu: Diz.
Ele: Sabes aquilo que me dizes sempre, de eu ter de parar para pensar o que quero ser na vida, o que quero fazer, o que gostava que ocupasse os meus dias, porque só assim é que posso achar que trabalhar não é uma cruz?!
Eu: Sim.
Ele: É sobre isso que tenho uma coisa para te contar.
Eu: Mas eu não digo só que tens de decidir. Já discutimos muito isso. Em todos os trabalhos, em todas as profissões, em todas as vidas há coisas de que gostamos mais, coisas de que gostamos menos e coisas de que não gostamos. Mas pronto, o objectivo é tentar encontrar alguma coisa de que se goste mais do que menos.
Ele: Eu sei. E já descobri o que quero para mim.
Eu: Então?!
Ele: Quero ser rico!
Eu: Ah... E o que é que vais fazer até chegares a rico?
Ele: Só coisas de que não gosto, mas não tenho outra hipótese.
Eu: Estou a ver... És tão tótó!
Ele: Não gozes. Estou a falar mesmo a sério.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
E foi assim
que hoje descobri um dos filmes da minha vida.
Porque sou uma romântica incorrigível, gosto de romantismos, acredito no amor e que ele é o que mais vale a pena nesta vida. Porque ando cansada. Porque sim. Porque nunca é tarde. Porque há, efectivamente, coisas pelas quais não vale a pena deixar de viver. Porque ela gostava de natal. Porque começou incompreensível. Porque foi feito mais pelo que calou do que pelo que disse. Porque... Um dia conto-vos o filme que vi hoje.
Cinema
Não me portei mal. Trabalhei. Podia ter rendido mais, mas esta cabeça já não é o que era. De qualquer modo, hoje é o dia de parar a horas decentes. E apetece-me voar. Entrar numa dimensão diferente. Isso faz-se lendo ou ouvindo música ou vendo um filme (ou viajando... mas essa hipótese, para o caso, não conta). Bem sei que anunciei como luxo a conjugação das duas primeiras coisas bem boas da vida, mas agora o que me apetece é um filme. Sim, podia vestir-me, pentear decentemente o cabelo, calçar-me, pegar no carro e ir ao cinema. Mas já estou de pijama, o cabelo hoje não tem solução possível e pensar em substituir as meias de lã por o que quer que seja soa-me mal. Rodar a chave de casa e pôr o nariz na rua, então, ainda pior. Tenho vontade de ver um filme, mas não me peçam uma revolução. Assim sendo, já aqui tenho de companhia um chá noite tranquila e o comando do Meo, prontinho a zarpar para o videoclube. Um romance ou uma comédia. A ver vamos. Mereço. Não me portei mal. Trabalhei. E de vez em quando, muito, muito de vez em quando, posso tentar ter uma noite como as pessoas normais. É isso.
É verdade, é!
Às vezes temos uma coisa tão, tão, mas tão importante para dizer e ninguém para a ouvir... Ficamos ali, a pensar em cada palavrinha, à espera...
É verdade, é! São coisas. Acontecem.
Céu
Está um céu maravilhoso de fim de tarde de Outono. Cinza escuro, com abertas de azul celeste e um rosa alaranjado. Um céu de frio e, ao mesmo tempo, um céu confortável de se ver. Está maravilhoso.
Qualidade de vida
Meia hora por dia para ficar deitada no sofá, embrulhadinha numa manta quente, com um instrumental baixinho e um bom livro no regaço.
Uma vaga para a Tranquility até sábado também era bom.
Verdades e assim assim
Com sorte, depois de mais de dois meses de adiamentos sucessivos, pode ser que até domingo à noite consiga tirar pelo menos uma manhã ou uma tarde para voltar a pegar em qualquer coisa que se aproveite para o doutoramento. Lembro-me vagamente que já tinha escolhido tema... e pouco mais. Esta coisa das teses nas horas vagas não dá com nada, está visto.
Verdades e assim assim
Acabo de falar contigo, meu amigo. E é isso mesmo. Acabo de falar contigo. Meu amigo. Se há uns meses me dissessem que escreveria um post assim, duvidaria. Mas a verdade é que acabo de falar contigo. E és meu amigo. Ponto.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Favorzinho
Ide lá ler este texto da Vera.
Já disse quase tudo o que penso a propósito no comentário.
Acrescento apenas este poema do António Ramos Rosa, que diz muito mais do que algum dia conseguiria explicar aqui.
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
Sei que já não sou propriamente uma pita nisto quando
hoje chego para arguir o primeiro trabalho e a orientadora da pessoa me cumprimenta com um "Olá professora, está boa?!". Oi?! Sorry?! Pequena R., estudares inventário até às duas da manhã e levantares-te às sete pôs-te a bater mal, miúda. Vá, o sol ainda agora nasceu, respira, tu chegas lá. Viva! Como está?! Sou péssima fisionomista, não estou a conseguir ver de onde nos conhecemos. "Ah, pois, é natural, éramos muitos. Fez-me oral em 2006. Foi muito querida. Eu estava nervosa e disse-me assim "Mas acha que eu tenho cara de quem faz mal a alguém?!"" Confere. É a minha frase amuleto para quem tem as lágrimas ali prestes a rebentarem, treme das mãos e depois de cada palavra está cinco segundos a dizer "ããããã". Bolas. Estou a ficar velha.
Antes que a pessoa se vá
Falar é completamente fácil
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.
Carlos Drummond de Andrade
Do essencial
No fim tu hás-de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
Mário Quintana
terça-feira, 9 de novembro de 2010
É preciso imaginação
Hoje, num caso prático, o meu marido ficava sem a pandeireta do séc. XVII que o Presidente do Ranco Folclórico da Freguesia lhe oferecera quando casámos porque alguém tinha de pagar uma dívida que eu contraí quando ele um dia me disse "só gosto um bocadinho de ti". Aquilo perturbou-me, entrei na agência Abreu mais próxima e comprei, mas não paguei, uma viagem de 15 dias a Nova Iorque para nós ambos os dois. Diga-se que o homem veio de lá a jurar-me amor para a vida. Mas só até aparecer na nossa casa de morada de família o senhor da agência, chegar a questão a tribunal e ser necessário vender a bendita pandeireta...
Os meus alunos não se conformam. Mas riem-se com os exemplos. E, com aulas até às 23h, isso já é muito bom... Se nunca os esquecerem, pelo menos pela originalidade, e conseguirem transpô-los para as situações normais da vida, tenho cumprida a tarefa que me proponho todos os dias.
Factos da minha vida de doméstica
Acabo de limpar os vidros.
Obrigada, São Pedro, por, logo a seguir, teres mandado chuva tocada a vento!
Sobre o regaço tinha
o livro bem aberto;
tocavam em meu rosto
seus caracóis negros.
Não víamos as letras
nem um nem outro, creio;
mas guardávamos ambos
fundo silêncio.
Por quanto tempo? Nem então
pude sabê-lo.
Sei só que não se ouvia mais que o alento,
que apressado escapava
dos lábios secos.
Só sei que nos voltámos
os dois ao mesmo tempo,
os olhos encontraram-se
e ressoou um beijo.
Gustavo Adolfo Bécquer
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Há alguma dúvida aí atrás?!
Não. Estávamos só a comentar que a professora praticamente não respira quando se empolga a explicar uma coisa.
Como transformar um assunto pesado numa piada de fim de tarde?
Mãe da P.: Olha lá, filha, o que é que quer dizer inimputável?
P.: Mãe, basicamente, é uma pessoa que não pode ser condenada pelo que fez porque não tem juizinho. Mas porque é que perguntas?
Mãe da P.: É por causa daquele caso de Leiria, da moça que atirou ácido úrico ao namorado.
P. e pequena R., num intervalo da maratona de aulas: riso pegado!!!
Jurem
que a fundamentação do dito era diferente no tempo do Platão... O senhor viveu antes de Cristo... Duh. E agora eu pergunto: o que é que saber isto tudo direitinho contribui para a minha felicidade?! Não me bastavam umas ideias gerais, não?! Não penso sacar do tema em first dates, almoços em família, tardadas de cartas, congressos ou paragens do autocarro à espera do próximo... Chamem-me básica. É o que é.
domingo, 7 de novembro de 2010
Rima breve
Ah, deixem-me sossegar.Não me sonhem nem me outrem.Se eu não me quero encontrar,Quererei que outros me encontrem?
Fernando Pessoa
sábado, 6 de novembro de 2010
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