
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa
domingo, 29 de março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
Já agora
Tendo uma tese para defender, aconselho-vos a P., a J. e o Z.!
A primeira deve ter percebido a minha cara de pânico e não me regateou sorrisos e piscadelas de olho, mais ou menos como que a dizer "estamos nisto juntas, minha kika candidata". A asa foi tão querida desde a primeira hora, tão atenta, com um olhar tão posto em mim nas frames em que mais precisei que me olhassem nos olhos para continuar, que está no top das preferências. Ele, igual a si próprio, acabou a chamar-me menina!
A primeira deve ter percebido a minha cara de pânico e não me regateou sorrisos e piscadelas de olho, mais ou menos como que a dizer "estamos nisto juntas, minha kika candidata". A asa foi tão querida desde a primeira hora, tão atenta, com um olhar tão posto em mim nas frames em que mais precisei que me olhassem nos olhos para continuar, que está no top das preferências. Ele, igual a si próprio, acabou a chamar-me menina!
Mestre
Parece que sou mestre. E parece que sou muito boa :)
Começamos por desejar, do mais fundo da nossa alma, que alguém nos tire dali. Mas há um momento, não sei dizer bem qual, em que passamos a estar inteiros naquele papel, a assumi-lo, a tomar-lhe as rédeas a gosto. Há um momento, esse que não sei dizer bem qual, em que começamos a respirar, depois de um ou dois suspiros a desamparar o medo. Daí em diante, somos protagonistas e ninguém nos rouba a vontade dos aplausos. Quando a peça finda, é verdade que nos assaltam novamente muitas dúvidas, mas não se perde nunca mais a vontade de receber os aplausos. São dúvidas diferentes. Já não queremos que nos tirem dali. Queremos ficar até ao fim. Ver, para crer! E quando nos chamam sorrateiramente e nos vão dando às pinguinhas as boas notícias, tecidas de muitos adjectivos e a cheirarem a umas quantas flores, quase nos sentimos em casa! Ontem foi assim. E foi o péssimo e o óptimo no mesmo dia. Ontem senti-a como um filho, pelo menos nas dores do parto. Mas não nego que já não há costura que nos possa ferir diante da imensidão de alívio e alegria que parimos.
Apesar de tudo, disse-o na véspera, não é ser ou não mestre que me deixa mais feliz, embora acredite que estaria hoje menos contente se não tivesse vivido o dia de ontem. Mas o que conta é quem lá esteve, mesmo lá não estando. Quem me arrecadou nas teias de uma amizade que me deixa quebrada e nunca duvida que vai correr bem. Por isso, o dia de ontem foi perfeito por acabar com amigos. Daqueles eleitos para melhores e que existem para concretizar sonhos: porque tive uma festa surpresa, porque tive um magnífico ramo de túlipas brancas, porque tive outro todo feito de atenção e primavera, porque me ri e chorei.
Sou inteira porque tenho gente assim! Nos amigos não me sinto nunca finita!
P.S. E recebi os brincos de sonho!
Começamos por desejar, do mais fundo da nossa alma, que alguém nos tire dali. Mas há um momento, não sei dizer bem qual, em que passamos a estar inteiros naquele papel, a assumi-lo, a tomar-lhe as rédeas a gosto. Há um momento, esse que não sei dizer bem qual, em que começamos a respirar, depois de um ou dois suspiros a desamparar o medo. Daí em diante, somos protagonistas e ninguém nos rouba a vontade dos aplausos. Quando a peça finda, é verdade que nos assaltam novamente muitas dúvidas, mas não se perde nunca mais a vontade de receber os aplausos. São dúvidas diferentes. Já não queremos que nos tirem dali. Queremos ficar até ao fim. Ver, para crer! E quando nos chamam sorrateiramente e nos vão dando às pinguinhas as boas notícias, tecidas de muitos adjectivos e a cheirarem a umas quantas flores, quase nos sentimos em casa! Ontem foi assim. E foi o péssimo e o óptimo no mesmo dia. Ontem senti-a como um filho, pelo menos nas dores do parto. Mas não nego que já não há costura que nos possa ferir diante da imensidão de alívio e alegria que parimos.
Apesar de tudo, disse-o na véspera, não é ser ou não mestre que me deixa mais feliz, embora acredite que estaria hoje menos contente se não tivesse vivido o dia de ontem. Mas o que conta é quem lá esteve, mesmo lá não estando. Quem me arrecadou nas teias de uma amizade que me deixa quebrada e nunca duvida que vai correr bem. Por isso, o dia de ontem foi perfeito por acabar com amigos. Daqueles eleitos para melhores e que existem para concretizar sonhos: porque tive uma festa surpresa, porque tive um magnífico ramo de túlipas brancas, porque tive outro todo feito de atenção e primavera, porque me ri e chorei.
Sou inteira porque tenho gente assim! Nos amigos não me sinto nunca finita!
P.S. E recebi os brincos de sonho!
sexta-feira, 27 de março de 2009
Em cena
quinta-feira, 26 de março de 2009
Teorias
Segundo a minha mãe, eu amanhã preciso de almoçar uma refeição normal para "oxigenar o cérebro"!
quarta-feira, 25 de março de 2009
Há esperança!
"O PCP entregou hoje na Assembleia da República um projecto de resolução que recomenda ao Governo que o Salário Mínimo Nacional (SMN) atinja os 600 euros em Janeiro de 2013".
in: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/505273
Há esperança que, lá para os 50 anos, eu consiga viver sem o confortável complemento de salário dos papás!
Há esperança que esta minha geração, a geração dos 500 euros, um dia consiga comprar casa.
Há esperança que o pessoal da minha idade um dia possa sair de casa antes dos 30.
Há esperança que a malta um dia até possa perder a cabeça e, sei lá, comprar um computador sem ser a prestações.
Há esperança para tudo. Mas a minha maior esperança é mesmo que os papás nunca deixem de poder completar-nos o salário, que se vai todo em combustível e livros. Há esperança. Pois há, então não há?!
in: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/505273
Há esperança que, lá para os 50 anos, eu consiga viver sem o confortável complemento de salário dos papás!
Há esperança que esta minha geração, a geração dos 500 euros, um dia consiga comprar casa.
Há esperança que o pessoal da minha idade um dia possa sair de casa antes dos 30.
Há esperança que a malta um dia até possa perder a cabeça e, sei lá, comprar um computador sem ser a prestações.
Há esperança para tudo. Mas a minha maior esperança é mesmo que os papás nunca deixem de poder completar-nos o salário, que se vai todo em combustível e livros. Há esperança. Pois há, então não há?!
Como é que se diz a alguém
que dá um erro um bocadinho chato, "tipo" confundir informar com enformar, se essa pessoa é assim uma sumidade?!
Como?!
Como?!
terça-feira, 24 de março de 2009
Verdades e assim-assim
Verdade: Escrever num blog não é sinónimo de perder tempo, porque às vezes é até muito terapêutico!
Já agora
Não é por nada, mas alguém reparou na mudança de imagem de apresentação da minha seguidora P.P.?
Quem não te conhecer que te compre :)
Quem não te conhecer que te compre :)
Segredo
Vou contar-vos um segredo. Não estou assim muuuiiitooo nervosa! Descobri isso há pedacito. Eu... ai que emoção... eu... eu... kikos, eu ainda não roí nadinha as unhas!!!
Cenas da vida doméstica
Cenário: R. e a mãe a almoçar, enquanto na TV passa o programa Fátima e se canta uma música pimba.
Mãe: Tu é que tens dias em que gostas destas músicas, não é?
R.: Pois, acho que sou estranha. Tanto gosto de Mozart como de Quim Barreiros.
Mãe: Não és nada. Há horas para tudo. São umas músicas que ficam no ouvido. Não tem mal nenhum gostares de te divertir a ouvi-las...
(O almoço continua. O cantor acaba a sua interpretação e a Merche decide ir entrevistar as piquenas bailarinas.)
Merche: Então tu, como te chamas e que idade tens?
Y: Chamo-me Y e tenho 15 anos.
Merche: E tu?
X: Eu sou a X e tenho 14 anos.
(Mãe da R. estupefacta)
Mãe: Olha lá, isto é em directo?
R.: Acho que sim.
Mãe: Ai, ai, ai... então mas esta gente não tem escola?!
Mãe: Tu é que tens dias em que gostas destas músicas, não é?
R.: Pois, acho que sou estranha. Tanto gosto de Mozart como de Quim Barreiros.
Mãe: Não és nada. Há horas para tudo. São umas músicas que ficam no ouvido. Não tem mal nenhum gostares de te divertir a ouvi-las...
(O almoço continua. O cantor acaba a sua interpretação e a Merche decide ir entrevistar as piquenas bailarinas.)
Merche: Então tu, como te chamas e que idade tens?
Y: Chamo-me Y e tenho 15 anos.
Merche: E tu?
X: Eu sou a X e tenho 14 anos.
(Mãe da R. estupefacta)
Mãe: Olha lá, isto é em directo?
R.: Acho que sim.
Mãe: Ai, ai, ai... então mas esta gente não tem escola?!
segunda-feira, 23 de março de 2009
Atraiçoa-me este meu pensamento para se pôr a magicar se devo cumprimentá-los de pé e sentar-me para a apresentação da coisa, se devo cumprimentá-los de pé e manter-me de pé na apresentação da coisa ou se cedo ao tremelique que se anuncia para as minhas perninhas e faço aquelas figurinhas todas sentada! Isto são raciocínios de um tal preciosismo que é uma coisa parva! Nem sei se não é melhor pesquisar doutrina divergente sobre a questão! Alguém legisle sobre este assunto!
Cábulas
Fiz uma piquena tabela-cábula das intervenções atípicas do MP na matéria da criatura... É que, tendo sido eu a pari-la, não estava bem a ver o que queria dizer naquele ponto 3. A cabrinha ganhou vida própria e agora diverte-se a gozar com a minha cara! Dou por mim a ter de me reler para ver se me entendo. Digam lá se não é de espancar a criatura, de apelar aos conhecimentos civilistas e pôr em marcha a deserdação.
Dormir?
Para que conste, troquei a literatura anunciada por um alprazolam inteirinho. Apesar disso, contabilizei-as, foram sete vezes a acordar com vontade de espancar o Mundo. Caía para o lado de tontinha que estava, mas voltava a sonhar com a bendita sala 8, cheiinha de gente que não me respeita as vontades e decide aparecer à última hora. E a Senhora continuou, nos sonhos desta noite, a insultar-me do pior que pode haver, fechando com chave de ouro, a dizer "vá para casa"! Nos entretantos, tal como já relatei aos mais próximos, ouviam-se os fantásticos assobios e risinhos histéricos; a minha lágrima traiçoeira era assoada de milésima de segundo em milésima de segundo; as caras mais amigas só encolhiam os ombros e atestavam a impotência para me te tirarem dali. Esta noite, contudo, acrescentei ao sonho umas buzinas como há nas festas de crianças... toda a gente a apitar na maldita buzina e depois saía aquela língua de papel e só se lia "Hi, ca ganda burra!". Para completar, houve uma alma que decidiu animar-me (não sei bem quem foi, mas devia ser amiga) e então deu-me uma árvore, porque já não arranjou flores!!! Valeu-me o archeiro mais novito, que me tirou os bancos de trás do carro para eu trazer a árvore! Cereja no topíssimo do bolo, até o meu J. vem ter comigo e destrói o mito: "Eu sempre achei que a professora não percebia puto disto!". Até o meu J., o meu fã incondicional desde os primeiros exames!!! Como vêem, vivo num dilema permanente: dormir ou não dormir, eis a questão!?
Vou dormir
e achei que mereciam saber que, ainda assim, levo aqui umas coisinhas de "espaço livre de direito" para chamar o sono...
domingo, 22 de março de 2009
Estou
uma pilha de nervos!
Até o número de um artigo tenho mal!
Só me apetece dizer asneiras. Começar no a e acabar no z a desfiar asneiras e a inventar asneiras!
Eu quero cá sexta-feira à noite! Quero! Por favor, por favor, por favor... Alguém me leve para sexta-feira à noite! Pleeeaseee!!!
Até o número de um artigo tenho mal!
Só me apetece dizer asneiras. Começar no a e acabar no z a desfiar asneiras e a inventar asneiras!
Eu quero cá sexta-feira à noite! Quero! Por favor, por favor, por favor... Alguém me leve para sexta-feira à noite! Pleeeaseee!!!
Anseios

Daqui: http://icanread.tumblr.com
Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!
Não estendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!...
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
Antes que Seja Tarde

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.
Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"
sábado, 21 de março de 2009
Artistas - me too
Diga-se, em abono da verdade, no entanto, que também já baixou algumas vezes a artista em mim:
- desenhei o meu vestido de formatura (cujo desenho foi escrupulosamente cumprido);
- idealizei o meu anel de curso, que passei a molde de plasticina (feitinho de encomenda e uniquissimo!!!);
- passei uma tarde a coser botões de várias cores numa reles saia de ganga;
- no último Inverno, expliquei ao sapateiro como queria que ele me reciclasse umas botas.
Por isso, tenho para mim que era capaz de dar uma boa sugestão para o cinto... Acho que vou arriscar um sms só com a dica "Entrançado do tecido de dentro e da renda de fora :)".
Pode ser que cole!
- desenhei o meu vestido de formatura (cujo desenho foi escrupulosamente cumprido);
- idealizei o meu anel de curso, que passei a molde de plasticina (feitinho de encomenda e uniquissimo!!!);
- passei uma tarde a coser botões de várias cores numa reles saia de ganga;
- no último Inverno, expliquei ao sapateiro como queria que ele me reciclasse umas botas.
Por isso, tenho para mim que era capaz de dar uma boa sugestão para o cinto... Acho que vou arriscar um sms só com a dica "Entrançado do tecido de dentro e da renda de fora :)".
Pode ser que cole!
Artistas
Há ocasiões que merecem uma roupa especial: o dia do casamento, do baptizado de um filho, o baile de gala da faculdade, das bodas de ouro com o Kiko amor da vida... enfim! Cabem nessas ocasiões alguns casamentos de amigos! O da N. será uma ocasião especial. Merecia uma roupa especial.
Quando a ocasião merece uma roupa assim, única e pensada todinha para o dia, conto com a ajuda da modista. É arte em vias de extinção. Uma pessoa pela-se por encontrar "a tal". Quando a acha, conserva-a a todo o custo e decide anuir com todo e qualquer desvario, "não vá a senhora não chegar para as minhas encomendas".
Hoje fui à modista, fazer a primeira prova do vestido para o casamento da N. Alfinete daqui, puxão dali, franzido, renda, cetim, corte, costura, debruo... Eu caladinha, como na missa. É melhor assim, já a conheço. Estava a baixar nela a artista. Atrevi-me a sussurar "Então e o cinto?" e desconcentrou-se. Caiu em si, voltou ao atelier e resmungou "Não sei. O cinto não sei. Tenho de me inspirar para ele!". E eu "Pois, entendo. Talvez...". E abruptamente interrompida, levei com um "Então a segunda prova fica para sábado à mesma hora. Até lá hei-de ter pensado em mais coisas giras. Deixe tudo ao meu critério que é melhor. Não gosto de trabalhar condicionada."
E... mai nada!
É deixar a artista trabalhar.
Quando a ocasião merece uma roupa assim, única e pensada todinha para o dia, conto com a ajuda da modista. É arte em vias de extinção. Uma pessoa pela-se por encontrar "a tal". Quando a acha, conserva-a a todo o custo e decide anuir com todo e qualquer desvario, "não vá a senhora não chegar para as minhas encomendas".
Hoje fui à modista, fazer a primeira prova do vestido para o casamento da N. Alfinete daqui, puxão dali, franzido, renda, cetim, corte, costura, debruo... Eu caladinha, como na missa. É melhor assim, já a conheço. Estava a baixar nela a artista. Atrevi-me a sussurar "Então e o cinto?" e desconcentrou-se. Caiu em si, voltou ao atelier e resmungou "Não sei. O cinto não sei. Tenho de me inspirar para ele!". E eu "Pois, entendo. Talvez...". E abruptamente interrompida, levei com um "Então a segunda prova fica para sábado à mesma hora. Até lá hei-de ter pensado em mais coisas giras. Deixe tudo ao meu critério que é melhor. Não gosto de trabalhar condicionada."
E... mai nada!
É deixar a artista trabalhar.
Para grandes males, grandes remédios!
Não sosseguei a vontade de provar as sumarentas laranjas.
Não me ralei até encontrar-lhe as últimas gotinhas. Sorvi-as, deliciada.
Depois...
Amassei a água e o sabonete líquido à exaustão. Até ficar com as mãos vermelhas.
E...
Abençoei o meu milagroso creme de mãos!
É feito à base de ginkgo biloba e frangipanni...
E é o melhor de todos!
Não me ralei até encontrar-lhe as últimas gotinhas. Sorvi-as, deliciada.
Depois...
Amassei a água e o sabonete líquido à exaustão. Até ficar com as mãos vermelhas.
E...
Abençoei o meu milagroso creme de mãos!
É feito à base de ginkgo biloba e frangipanni...
E é o melhor de todos!
sexta-feira, 20 de março de 2009
Defesa 1
Acabo de defender a minha tese, todinha, perante um shampoo, um amaciador e um gel de banho.
Acho que correu bem... mas só porque não deram grande luta!
P.S. Levantei a voz ao Shampoo... porque me ardeu nos olhos.
Acho que correu bem... mas só porque não deram grande luta!
P.S. Levantei a voz ao Shampoo... porque me ardeu nos olhos.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Tic-tac
Há um infantário com um projecto chamado "Um Mundo de cores" e que faz festas temáticas de um país da Europa por mês. Hoje foi o dia de Itália. A Maria, que é a menina-boneca que anda a conhecer o "Mundo de cores", escreveu uma carta de Itália. Li-a hoje, com a emoção de ser uma Maria por um dia. Ser uma Maria é ser uma das vossas. Recebi uma camisola. Vestia-a cedinho e no amor nunca a despirei. À frente, tem um desenho comigo e com uma kika minuin afilhada que anda lá no infantário. Atrás... diz assim: "gosto muito, muito de ti". Hoje falámos de Itália. E de sonhos. E de pares de namorados que querem ir a Veneza quando forem grandes. Hoje tivemos papás a chegar a meio da tarde e a participar no jogo das cadeiras. Hoje vi brilhos de diamante em olhinhos ávidos de papá. Hoje recebi mais festinhas no cabelo do que nos últimos dez anos. Hoje houve uma fila de kikissimis para se despedirem de mim com os melhores xis que sabem dar e os beijos mais lambareiros. Hoje pediram-me, mais uma vez, noutro lugar, para ficar. E mais uma vez, hoje, houve um lugar a guardar um bocadinho de mim. Há sítios onde ficamos e donde, ainda assim, tornamos maiores. Hoje estive, fiquei e vim de um lugar assim. Hoje, pela primeira vez tão a sério, houve um tic-tac em mim. A fazer tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. No coração, a fazer tic-tac. Tem piada!
Pai
O meu pai tem defeitos. Fica escrito.
Mas... não se deita sem nos dar um beijo na testa. Não sai de casa sem nos pedir que nos portemos bem. O meu pai oferece-me flores se estou doente e leva o Kiko à pesca. O meu pai só aprendeu a ter-me fora de casa quando eu saí mesmo. Quando voltei, passados cinco anos, há cinco anos, ofereceram-me um colar de muitas voltas e escreveram um bilhete que dizia "Para que voltes sempre". O meu pai traz-me chá quente se fico a trabalhar até tarde. Se for até muito tarde, a meio da noite traz-me bolachas. O meu pai repara se vestimos uma roupa nova ou temos o cabelo diferente. E diz sempre que estamos giras. Se estiver de pijama e por pentear, também diz que sou a mais gira que ele conhece em versão solteira, porque em versão casada é a minha mãe. O Kiko é sempre o filho melhor do mundo. O meu pai tem orgulho nas mais pequenas conquistas dos filhos. Ficou sempre babado nas festas da música, nas provas de dança, com as fichas das notas, com o elogio mais discreto de um amigo. Quando desanimo com a vida, o meu pai diz sempre que o melhor está para vir. O meu pai liga muitas vezes durante o dia só para dizer "Olá, então onde andas? Está tudo bem?" O meu pai é um bocadinho anafado. Quando faz dieta, fica muito infeliz. E só a faz quando os médicos dizem que ou faz ou morre. Mas fica tão infeliz que aprendi a dizer-lhe que só precisa de fazer dieta por ser mesmo para não morrer, porque por mim quanto mais pai melhor e se ele emagrece, sobra-me menos pai, o que é uma ralação! O meu pai ia levar-me e buscar-me quando eu tinha orais na faculdade. E no caminho falava-me de quando era miúdo para eu me distrair. Vi-lhe uma lágrima nos olhos quando adormecemos todos e o Kiko chegou atrasado à primeira prova global da vida. O meu pai ainda hoje acha piada às viagens que fazemos todos só a pôr o paleio em dia, mas agora pede para eu conduzir. Às vezes, adormece. O meu pai gosta de quando falha a luz porque nesses serões não há nada que nos distraia e normalmente cantamos (Graças a Deus, não temos vizinhos!). O meu pai aflige-se se ficamos doentes e já o vi chorar por isso. Já o vi chorar por outras coisas. Por isso, é um homem que chora!
Tem defeitos,é certo, mas não o trocaria por nenhum outro!
É meu. Só o partilho com o Kiko porque o Kiko é a minha pessoa preferida.
Por isso, é nosso!
Mas... não se deita sem nos dar um beijo na testa. Não sai de casa sem nos pedir que nos portemos bem. O meu pai oferece-me flores se estou doente e leva o Kiko à pesca. O meu pai só aprendeu a ter-me fora de casa quando eu saí mesmo. Quando voltei, passados cinco anos, há cinco anos, ofereceram-me um colar de muitas voltas e escreveram um bilhete que dizia "Para que voltes sempre". O meu pai traz-me chá quente se fico a trabalhar até tarde. Se for até muito tarde, a meio da noite traz-me bolachas. O meu pai repara se vestimos uma roupa nova ou temos o cabelo diferente. E diz sempre que estamos giras. Se estiver de pijama e por pentear, também diz que sou a mais gira que ele conhece em versão solteira, porque em versão casada é a minha mãe. O Kiko é sempre o filho melhor do mundo. O meu pai tem orgulho nas mais pequenas conquistas dos filhos. Ficou sempre babado nas festas da música, nas provas de dança, com as fichas das notas, com o elogio mais discreto de um amigo. Quando desanimo com a vida, o meu pai diz sempre que o melhor está para vir. O meu pai liga muitas vezes durante o dia só para dizer "Olá, então onde andas? Está tudo bem?" O meu pai é um bocadinho anafado. Quando faz dieta, fica muito infeliz. E só a faz quando os médicos dizem que ou faz ou morre. Mas fica tão infeliz que aprendi a dizer-lhe que só precisa de fazer dieta por ser mesmo para não morrer, porque por mim quanto mais pai melhor e se ele emagrece, sobra-me menos pai, o que é uma ralação! O meu pai ia levar-me e buscar-me quando eu tinha orais na faculdade. E no caminho falava-me de quando era miúdo para eu me distrair. Vi-lhe uma lágrima nos olhos quando adormecemos todos e o Kiko chegou atrasado à primeira prova global da vida. O meu pai ainda hoje acha piada às viagens que fazemos todos só a pôr o paleio em dia, mas agora pede para eu conduzir. Às vezes, adormece. O meu pai gosta de quando falha a luz porque nesses serões não há nada que nos distraia e normalmente cantamos (Graças a Deus, não temos vizinhos!). O meu pai aflige-se se ficamos doentes e já o vi chorar por isso. Já o vi chorar por outras coisas. Por isso, é um homem que chora!
Tem defeitos,é certo, mas não o trocaria por nenhum outro!
É meu. Só o partilho com o Kiko porque o Kiko é a minha pessoa preferida.
Por isso, é nosso!
Da lata e do AMOR
"E de um anel, mesmo de lata, tirar razão para uma luz de mim inteirinha."
Abri o blog com esta frase. Entretanto, decidi guardá-la.
Reponho-a hoje, noutro lado, porque extravasou a história do anel de lata.
Há algum tempo atrás, certa moça, irremediavelmente apaixonada, deu por si, ao som de uma canção de amor, a modelar um clip. Destacou-o calmamente do trabalho que a prendia ao Mundo e partiu. Com o fim da melodia, surgiu um anel feito do clip. Pô-lo calmamente no anelar e ficou só a olhá-lo, maravilhada. Aposto que se lhe tivessem perguntado no que pensava naquela hora, teria dito, pausadamente, sem desviar o olhar, "em nada". No fundo, havia já muito tempo que não pensava em nada. Contentava-se em sonhar. Sonhava sempre mais alto e desatava todos os nós do que pensava, sonhando. Hoje, olhando para trás, e conhecendo-a medianamente, peguei no clip arredondado e verbalizei-lhes: "sonhava, naquela hora, a felicidade sem tamanho que um anel assim de lata lhe traria. Bastava que o modelassem as certeiras mãos e delas brilhasse, com o clip, a confirmação do que é realmente precioso, num singelo "Amo-te!"".
Abri o blog com esta frase. Entretanto, decidi guardá-la.
Reponho-a hoje, noutro lado, porque extravasou a história do anel de lata.
Há algum tempo atrás, certa moça, irremediavelmente apaixonada, deu por si, ao som de uma canção de amor, a modelar um clip. Destacou-o calmamente do trabalho que a prendia ao Mundo e partiu. Com o fim da melodia, surgiu um anel feito do clip. Pô-lo calmamente no anelar e ficou só a olhá-lo, maravilhada. Aposto que se lhe tivessem perguntado no que pensava naquela hora, teria dito, pausadamente, sem desviar o olhar, "em nada". No fundo, havia já muito tempo que não pensava em nada. Contentava-se em sonhar. Sonhava sempre mais alto e desatava todos os nós do que pensava, sonhando. Hoje, olhando para trás, e conhecendo-a medianamente, peguei no clip arredondado e verbalizei-lhes: "sonhava, naquela hora, a felicidade sem tamanho que um anel assim de lata lhe traria. Bastava que o modelassem as certeiras mãos e delas brilhasse, com o clip, a confirmação do que é realmente precioso, num singelo "Amo-te!"".
terça-feira, 17 de março de 2009
Nada
Hoje, enquanto estudava, percebi mais uma vez o imenso nada que sei. Quando estudo, fico assim. Absorvida pela ignorância. Não fico propriamente triste. Fico alerta. Fico... certa da finitude. Olho notas de rodapé tão imensas, todas feitas de obras tantas... e caio em mim. Não vale a pena penar. Nunca saberás tudo disto. Nunca saberás muito disto. Nunca saberás suficiente disto. Se viveres longos anos, pode ser que um dia chegues a saber quase nada disto. Depois, sim, escureço. Porque a decisão de escolher do que se quer um dia tentar saber quase nada é demasiado importante para eu já a ter tomado. Tão menina, ainda. Tão impreparada, ainda. Tão à espera, ainda. Escureço. Penso que de literatura, de teatro, de cinema, de biologia, de astronomia, de culinária, de geografia, de filosofia, de tanta coisa gostava de alimentar secretamente a esperança de um dia poder saber quase nada. Mas tenho a certeza que longos anos que viva há todo um quase que me faltará em tudo. E no fim, só se souber nem que seja menos de quase nada de alguma coisa é que poderá ter valido a pena. Não estou triste. Estou só... finita!
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