Acabo de receber um mail em que me pedem o envio de um documento "até ao dia 27 de Fevereiro, impetrivelmente". Mando duas valentes cabeçadas na Secretária onde tenho dezenas de livros espalhados, para ver se me cultivo, respiro fundo e penso "Tanta mania... para isto. Impetrivelmente!!! É um semestre de prostituição intelectual, deixa lá!"
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Do amor
O amor é também muito das palavras em silêncio, daquelas que se dizem com um beijinho na testa, um cafuné e um xi apertadinho. O amor é também a dor do outro aqui, do lado mais de dentro do peito. O amor é também a vida meio torta se o outro não puder sorrir.
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
Pequena R. sugere ao leitor
um paraíso na terra.
Chama-se Contemporâneo e é o restaurante do Sana Lisboa, na capital. Parece que o novo chef faz milagres. Há muito, muito, muito tempo que não tinha uma refeição tão perfeita. Talvez desde que jantámos no Marmoris. Experimentem a entrada de camarões em massa filo e não percam por nada a oportunidade de acabar a vossa experiência com uma tatin de marmelo. Ao que sei, aos almoços o restaurante tem um serviço mais informal, mas ao jantar não. O restaurante transfigura-se e acolhe-nos num ambiente muito intimista, perfeito para acabar um dia cansativo e deixar os problemas por um bocadinho. Vão por mim.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Rir junto
A cada dia que passa me convenço mais que temos mesmo de casar com alguém com quem gostemos de conversar... Quando o tempo já for longo e quiser, como dizem, tornar-se nosso inimigo, restarão sempre bons momentos de conversa com alguém que viveu connosco muitas histórias, que segurou as nossas mãos inúmeras vezes, que nos abraçou quando sabia que precisávamos e que nos disse sempre a melhor palavra no tempo mais certo. Só construindo a vida ao lado de alguém com quem conversamos, vamos poder lembrar-nos, juntos, ao longo da caminhada, dos momentos felizes. Nunca me angustiou particularmente que a beleza passasse. Sempre entendi que não era por ela que o amor vingava. A beleza pode até desencadear o primeiro interesse, mas ela sozinha, como saca vazia no vento, não sustentará nunca nada de precioso. É a personalidade, a inteligência, o respeito, o sentido de humor, ..., aquilo que verdadeiramente nos aprisiona na cela dourada que é o coração do outro. Só ficando com alguém com quem realmente se goste de conversar, ao longo dos anos, se amansarão as diferenças. É por isso que não gosto das palavras travadas, das que ficam entaladas, a consumir o tempo que pode ser gasto a conversar... ou a ficar no silêncio bom de quem diz tudo com as mãos dadas e os olhares cúmplices. Melhor que encontrar alguém com quem gostemos de conversar, só mesmo encontrar alguém com quem gostemos de conversar e que ainda nos faça rir. Isso, sim, fará sempre toda a diferença... E as conchinhas também, claro.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Homens, não precisam de agradecer!
E que tal oferecerem uma serenata à vossa mais que tudo?! Dia 14 de Fevereiro, em Coimbra. Mais informações, aqui.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
A decência como limite ou, então, a função da decência na proibição dos excessos de estupidez
Deve ser por andar a ler muitas asneiras sobre a culpa, ou assim, mas não encontro maneira melhor de olhar para a notícia que dá conta da iniciativa norueguesa para criminalizar as dádivas aos sem abrigo. Vamos por partes, que a indecência é muita e os equívocos não ficam atrás. Primeiro: A Noruega não inventa nada, que a Noruega é um país e os países, pese embora todas as suas imensas valências, que eu saiba, ainda não têm cabeça para pensar. Vai daí que eu gostava mesmo, mesmo, era de saber quem foi a infeliz criatura de cujos neurónios saiu tamanha triste ideia. Gostava. A notícia menciona apenas o vice ministro da justiça, mas não me esclarece se foi da lembradura de Vidar Brein-Karlsen que brotou a ideia. Para mim, como cidadã do mundo, jurista e curiosa, era importante perceber a origem da coisa. Segundo: Criminalizar? A sério? Querem mesmo cri-mi-na-li-zar isto? Querem mesmo convencer-me que há um bem jurídico com dignidade penal que subjaz à criação de uma norma desta natureza? A sério que sim? Que me vão tentar fazer perceber que no conflito evidente de tantos interesses, deve prevalecer um que permite reduzir as pessoas a coisa nenhuma? A sério? Vão mesmo insistir nisso e continuar a acreditar que alguém com o mínimo de sentido humanista aceita a explicação? A sério? Plasalmas!!! Terceiro: A fome, tal como as formas de a combater, é assunto de tudo menos da lei. A fome tem de ser combatida com políticas sociais de integração dos sem abrigo, iniciativas várias que garantam o direito à vida por parte destas pessoas, planos agregadores de quem precisa e de quem pode dar, como grandes empresas, por exemplo, ou, curiosamente, na minha ideia, os Estados. A sério que a Noruega, esse país lá longe que tenho acalentado o sonho de conhecer, vai desiludir-me assim desta maneira e chamar pulha a quem a única coisa que mata é a fome alheia? A sério. Tenho tanta pena da Noruega, pá. A seguir por este caminho, é capaz de, lá no Norte, se transformar noutra grande inimiga dessa imagem boa que ainda insisto em manter do chamado Primeiro Mundo.
Dia dos namorados (e não digam que vão daqui)
Toda a gente sabe, toda, que eu ligo tanto ao dia dos namorados como às segundas feiras, ou às terças, ou a outro dia qualquer. Embora a frase seja remelosa e batida, a verdade é que, felizmente, tenho imensos dias dos namorados ao longo do ano. Todo aquele dia em que posso estar com o B. em paz e sossego já é um lindo dia dos namorados. Apesar de tudo, este ano gostava de lhe dar um presente. Comecei o cachecol do homem em Dezembro e estou a ver que o acabo em Agosto. Tem sido tanto e tão pouco que só por amor pretendo pôr termo à empreitada. Por amor, e por orgulho, que eu cá não gosto de deixar nada a meio. A verdade é que aquilo não me rende e embora garantam que até lhe apanhei o jeito, não lhe apanhei o gosto. É pouco interactivo, não sei... Além disso, o problema do "excesso" de tempo livre durou pouco. Com a procura intensiva de empregos, e porque quem procura, regra geral, acha, tenho novamente a agenda bem composta. Voltei ao Yoga e pronto, isso já fica de hobby. É o que repito a mim mesma, incessantemente. De qualquer maneira, não sei se acabo o cachecol do homem a tempo. Gostava, que gostava. Todos os dias lhe tenho acrescentado umas linhas de malha, mas a coisa não avança. Estou-me a ver, para acabar o dito a tempo, a tricotar nas orais da próxima semana. Haveria de ser uma coisa esperta e um excelente mote para me darem as alcunhas mais fofinhas... (not!).
Apesar de tudo, no entanto, e independentemente de eu dar o presente ao meu homem no dia dos namorados que toda a gente conhece ou num qualquer outro dia, nosso dia dos namorados só porque sim, a verdade é que eu não esqueço que desse lado anda frequentemente gente que liga a estas coisas. Por isso, e porque eu sou uma querida, deixo-vos uma sugestão tão bonita de presente. Tenho a certeza que as meninas adorariam... e acredito que os meninos também gostassem muito! É da colecção Life in a bag, que descobri na altura do Natal, com ervas aromáticas, mas agora com amores perfeitos. Está tão bonita, a ideia. Por oito euros, fazem a cara metade feliz. Um mimo.
Fui ao forno... again!
Sempre que faço um alisamento, na cabeça do meu homem eu vou ao forno. Talvez por me temer entre as placas quentes e as mãos ávidas da cabeleireira, empenha-se ainda mais em mensagens mimentas. Foi toda a tarde um fartote de mel. Estou aqui, satisfeitinha. Bem, mas pronto, indo ao assunto: fiz novamente um alisamento. É a quarta vez. Sempre com os produtos da Purah. Voltei ao mesmo sítio da primeira, e mudei do alisamento biológico para o químico. Garantem que dura mais, não estraga o cabelo e mimimi. Andava farta de deitar dinheiro à rua e ter de continuar a meter a escova e preocupar-me mais que dois minutos por dia com o cabelo. Tenho tanta pachorra para isso como para contar grãos de milho. Segunda feira corto-lhe para cima de quatro dedos e estudo uma maneira de disfarçar tanto branco sem ficar a parecer uma gata malhada. Gastei uma tarde inteirinha numa cadeira de salão, embora me tenha esforçado muito por não desperdiçar o tempo e tenha levado exames para corrigir e o computador com um artigo a meio. A vida de uma mulher é difícil, de facto.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Ouro sobre azul
Josefinas Sal Azul Persa, as sabrinas mais caras do Mundo, com ouro e topázios, portuguesas, pela módica quantia de 3369 (três mil trezentos e sessenta e nove) euros!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Erros ortográficos
Depois de Crato vir a público dar conta dos números miseráveis de professores com domínio da língua portuguesa, não tenho conseguido deixar de olhar ainda mais criticamente para os erros dos exames que tenho em cima da mesa. Continuo a achar que o exame dos professores não devia existir e não avalia o que, em rigor, tem de ser avaliado. Apesar disso, e porque continuo do lado dos professores, acho que darmos o flanco confundindo o há com o à e construindo frases com uma sintaxe desprezível nos fica mal. A partir do momento em que escrevo assim, e, pior, penso que não é grave, dou azo a todo o tipo de aproveitamento político dos exames que me fizerem. Porque é verdade que só posso sentir vergonha de um país em que tanta gente prestes a licenciar-se, muito cheia de si, até, continua a escrever "concentimento", "impotação", "requesitos", "como vem na norma que encontrasse no art...", "adquação" e por aí fora. Conto pelos dedos de uma mão, e sobram-me dedos, os exames em que se escreve sem erros e em que as frases fazem algum sentido. Ouvir o ministro pôs-me, por causa disso, perante uma evidência inultrapassável: sou conivente com isto. Ando há anos a ser conivente com isto, a mandar para a rua gente que não sabe escrever e que, porque sim, vai passando, por entre os pingos da chuva, até chegar a fazer peças processuais com erros. Sinto-me, estou quase certa, como hoje se sentirão os professores dos actuais professores que escreveram com erros ortográficos e de sintaxe na prova. Sinto-me uma incapaz. E estou infeliz. Ninguém duvida que não escrever bem devia ser factor automático de eliminação de uma pessoa que vai ganhar a vida a escrever, certo?! É o mesmo que não correr e querer ser maratonista. Ou não costurar e apresentar-se como modista. Acontece que andamos todos a fechar os olhos à asneira, a ver cuspir na língua portuguesa, a aceitar que a malta nova agora é assim... e a deixar que apareçam professores e demais Drs. a precisar, isso sim, de voltar ao tempo em que, por cada erro, se descontava e bem. Estou absolutamente intolerante ao erro e, cá por mim, metade desta gente chumbava e só me aparecia à frente quando soubesse escrever. É isto.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Pequena R. pergunta ao leitor
Ando com uma dúvida aqui a moer-me há dias. Tenho andado a ver se a esclareço e por isso não me coíbo de ir perguntando a meio mundo sobre o assunto. Assim sendo, cá vai.
Ditam as regras da boa educação que um cavalheiro deve, sempre, dar a direita à sua senhora. Ou melhor, à senhora, sua ou dos outros. Pois bem, tenho sorte porque convivo com muitos cavalheiros e por isso já vi que a coisa lhes sai naturalmente. Ora, sendo assim, para a coisa ser bem feita, quando estamos com a cara metade, por exemplo, de mão dada, devemos estar a dar-lhe a nossa mão esquerda, enquanto ele nos dá a sua mão direita e, por via disso, toda a sua direita. Ocorre, no entanto, que, cá por casa, nos deitamos na posição inversa. Ou seja, imaginando que estamos ambos de barriga para cima, se dermos as mãos, eu dou-lhe a mão direita. Consequentemente, ele terá de dar-me a mão esquerda dele, o que significa, a sua esquerda. Pus a cabeça a pensar (eu às vezes inquieto-me com questões estranhas) e verifiquei que vimos de famílias onde os casais dormem assim: quando deitados de barriga para cima, as mulheres à esquerda, os homens à direita. Perguntei aos amigos, e toda a malta dorme assim. Rebobinei e, nos hotéis, dormimos assim. Vai daí, preciso saber: como dormem os leitores cá do estaminé (partindo do princípio que durmam acompanhados)? Porque será que, a dormir, invertemos o raio da etiqueta toda?! Ando em ânsias...
Sobre a vergonha alheia
Acho que um dos piores sentimentos que podemos ter relativamente a alguém é o sentimento de vergonha alheia. Aquele misto de comiseração e repúdio que nos faz desviar da cena, de mansinho, procurando que não nos confundam com ela. Uma espécie de paternalismo travestido de sensação de ridículo. Este fim de semana, senti isso relativamente a todos aqueles que se puseram aos berros em frente ao Estabelecimento Prisional de Évora. Carneiradas fazem-me espécie, como se abafassem a réstiazinha de originalidade que podemos manter no mundo de centrifugação acelerada que é este, o nosso, em pleno século XXI. Esta, no entanto, fez-me mais que espécie... fez-me sentir vergonha alheia. Não tenho rigorosamente nada (nem, aliás, tinha de ter) contra quem acredita no 44. E, por causa disso, acho lindamente que os amigos lhe prestem solidariedade. Escusam, no entanto, é de o fazer à conta daquele ridículo, estropiando a credibilidade da investigação judicial e a nota mental do Grândola, Vila Morena. Não é triste ficar do lado do 44, é triste, em nome disso, montar um circo em frente a uma prisão e dar combustível às novelas dos canais noticiosos mais sensacionalistas. Já aqui disse uma vez e digo novamente: não acho nada que os amigos se vejam no hospital e na prisão. Acho que o miserabilismo convida muito mais gente a entrar-nos casa dentro que o sucesso. Por isso, custa-me, honestamente, a crer que alguém leve a sério a tenda armada em Évora este fim de semana. Faz-me lembrar o Isaltino e as eleições. Ou a Fátima Felgueiras e as entrevistas no Brasil. E isso, enfim, nunca é um bom sinal.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Dos pormaiores
Relatava-me a L. que o homem que estava a conhecer a convidou para um fim de semana fora. Levou-a para casa da mãe, que tinha ido passar o fim de semana com a avó, à terra. Era um quarto andar sem elevador e a L. alombou com a mala escadas acima. Ele ia à frente, com as mãos ocupadas a indicarem o caminho. Passaram o fim de semana a cumprir um plano escrupuloso do rapaz, que até tinha agendado ir à bola. No domingo à tarde, antes de a ir pôr ao comboio, que vir de Lisboa a Coimbra cansa, ela pediu-lhe que parassem para comprar pão para o dia seguinte, pois chegaria já noite dentro ao destino. Ele bufou e sugeriu-lhe que no dia seguinte tomasse o pequeno almoço fora, para não desviarem caminho. A L. ainda me pergunta o que acho eu. Eu acho que é um bruto. E um calhau com olhos. E coisas assim. Enfim!
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Curiosidades do Mundo lá fora!
Em algumas comunidades africanas, nomeadamente angolanas, o representante legal máximo dos incapazes é o tio materno das crianças. Numa situação em que seja necessário prestar um consentimento em vez e por causa da criança, esse consentimento não é prestado pelos pais, mas pelo tio materno. A explicação é simples: a certeza dos genes versus a mera presunção de paternidade. Ao que parece, circula um provérbio antigo entre os povos: Os filhos da minha filha, meus netos são. Os filhos do meu filho, são, ou não. E é isto. Tomam-nos por rameironas com uma facilidade inacreditável!
Ouvido por aí... um conselho precioso!
Não te drogues.
Se te drogares, não te injectes.
Se te injectares, não uses a seringa do teu amigo.
Chama-se "contenção de riscos"!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Da vida... a espantar-nos
Hoje, debaixo de uma chuva miúda e fungando de um nariz ranhoso, vinha eu muito agasalhada com uma capa preta quando a A. se abeirou, confundindo-me a capa com uma toga. A impaciência com que me pediu ajuda fez-me deixar de lado explicações sobre isso de ter a inscrição suspensa e não fazer da advocacia vida já há uns anos. Nem quando, aos seus queixumes, imperturbável, sugeri o apoio judiciário, a A., nobre, se exaltou. Explicou-me a vagar que vai a tribunal na quarta feira que vem. Que desde Agosto que não vê a filha. Que a criou o melhor que pôde durante nove anos. Mas que voltou a consumir. E que a vida se virou do avesso outra vez. Que só quer, "oh doutora", ver a menina. Nem que seja com mais gente ao pé. Mas vê-la. Promete não ir para lá a cair. Por favor. Ouvi a história e disse o que tinha a dizer. Enfiei-me no carro e revi o vídeo gravado hoje de manhã. Uma pessoa estuda sobre a limitação, sobre a inibição, sobre os pais e os filhos apartados, e vai a vida e põe-nos a A. assim à frente. Como um caso prático. Tão triste.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Meia dúzia
Este blog fez meia dúzia de anos há oito dias. Estamos a viver a crise da meia dúzia, mas prometemos ser breves. Obrigada por estarem desse lado. Têm sido uns companheiros fantásticos de aventura.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
A lata
É comum fazerem perguntas que não lembram a ninguém, mas pararem-me, no meio da rua, para saberem, a tempo do exame, se descriminalização é com e ou com i(discriminalização), já é demais!
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
2015
Sem balanços, sem promessas...
Pouco me lembro de 2014 até Setembro... Foi aí que tudo se precipitou...
Levada ao limite por uma tese de doutoramento, fui absorvendo as notícias que me iam chegando e reposicionando a tese. Cheguei ao fim demasiado cansada para me desesperar dias a fio e com o meu coração tão apertado que o pensamento se organizou para não me apoquentar com miudezas. Era preciso acabá-la e foi isso que fiz... Sobrou a preocupação maior... que trago para o novo ano... Por isso, em 2015, quero mesmo é boas notícias e a vida outra vez a ser mais leve...
Feliz 2015, pessoas!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
sábado, 20 de dezembro de 2014
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Missão hobby
É verdade que estou cheia de ideias para artigos, que até já pus livros novos em cima da secretária, que a partir de Janeiro volto ao yoga, que procuro manter as gavetas mais arrumadas, que, enfim. É verdade que já me associei a uma malta para fazer uns workshops de culinária. É verdade que até gosto muito de ler romances, ver filmes e ouvir música. Mas... sinto falta de um hobby. Outro. Mais manual. Gostava de saber fazer bijuterias, de costurar cenas com tecidos fabulosos, de pôr um talento qualquer em evidência. O problema, porém, é: qual talento?! Faço um ponto cruz jeitoso, mas também já gostei mais. Canto mal, danço pior, odeio correr e deixei morrer quatro bonsais. Se calhar, não sou muito boa a ter hobbies. Ando a ler muitos sites de notícias, a ver muitas revistas, a fazer listas, como mandam as leis da organização, mas... e o hobby? Tudo me diz que tricô rende e não precisa de grande reflexão. Além disso, profissionalizando-me, ainda posso poupar nos presentes do próximo Natal e fazer camisolas quentinhas à malta. Dei hoje o pontapé de saída. Comprei lã e duas agulhas. Cheguei a casa e pus-me a ver tutoriais na net. Ou sou muito limitada, ou aquilo ainda é difícil e coisa para me levar uns tempos a encarreirar. Anyone? Podiam vir cá explicar-me como ponho este cachecol em acção. Isso, ou sugerir-me outro hobby, caraças!
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Águas de Coimbra - serviço público
Aconteceu uma vez, aborreci-me muito, mas pronto, passou. Aconteceu outra e, basicamente, passei-me da marmita. Vamos, então, por partes. O post interessa a quem é de Coimbra (presumo), mas, mutatis mutandis, vai na volta e o que não falta é disto pelo país fora e eu é que andava na ignorância. Vivendo sozinha, cozinhando pouco e não tendo jardim, os meus gastos de água de maior monta limitam-se aos banhos e às limpezas gerais. Assim sendo, a conta da água não costuma ultrapassar os 15 euros, nos meses piores. Regra geral, faço a festa por 12 ou 13. Pois bem. No Verão, apareceu-me uma conta de 99,97 euros. Estranhei, ainda por cima por ser num mês em que tinha estado pouco tempo em casa, conferi o contador e pus-me de orelha à escuta perante as inúteis explicações da senhora que dizia que tinha havido um erro e mimimi e que a factura já tinha sido enviada para o banco e o diabo a sete, mas que iam corrigir no mês seguinte. A verdade é que fiquei sem o dinheiro na conta, indevidamente, durante um mês. Não era muito, mas, como expliquei à senhora que me atendeu, para muitas pessoas, enganos daquele podiam ter arruinado a economia doméstica para um mês inteiro. Pedi cautelas. Este mês, a conta aumentou: 120,24 euros. Ia-me dando uma coisa. Só pensava nos presentes de Natal que podia comprar com esse dinheiro. Voltei a verificar o contador e a ligar para as almas das Águas de Coimbra. Que leram mal, que se baralham às vezes (é sempre contra nós, curioso...), que iam ver, que iam tentar não cobrar a factura e rectificar a tempo de avisar o banco, que acontece. E é aqui que a coisa dá para o torto. Porque se há resposta que me tira do sério é o clássico "acontece". Soa-me quase a um "Olhe, azar!". Portanto, senti-me investida de toda a legitimidade para lhes chamar incompetentes com todas as letras e para dizer que para a próxima me aborrecia a sério. Fica o aviso, que é serviço público: confirmem sempre as facturas. Sobretudo, as das Águas de Coimbra. Esses inimigos do Natal alheio, invejosos de férias e mal intencionados cobradores de água.
E pronto, vim dar as caras!
Precisei de um tempo longe do blog e tão afastada do computador quanto possível. Não desapareci, nem deixei de me interessar por isto, mas precisei de algum silêncio. Volto agora, hoje. Volto para dizer que o caos instalado pela tese não foi totalmente ultrapassado e que ainda não tenho todos os presentes comprados, para comunicar que me encontro em busca de um lindo emprego a somar ao que mantenho (ficar sem bolsa leva uma boa fatia do meu vencimento... o que, enfim, tem de ser compensado de alguma maneira), que estou cheia de ideias para artigos, que já deixei de abrir a tese de cada vez que venho à sala, à procura de gralhas, que as aulas já acabaram, que faço anos não tarda e que, da minha lista de desejos mesmo urgentes, me falta encontrar uma écharpe/manta quentinha e grande e com um padrão de tartan vermelho, preto, azul, bege... Já corri tudo. As lojas todas que possam imaginar... e n-a-d-a! Sobre Roma e sobre as Águas de Coimbra, tenho muito a dizer, mas fica para outro post.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Da vida por estes dias
Ainda não sinto o alívio que julgava que viria com isto... Ainda tenho muitos momentos em que o pensamento se desvia e me questiono se aquilo estará suficientemente bem para não me envergonhar. Apesar de tudo, a vida precisava de continuar e, portanto, ainda não parei propriamente. Já compensei mil aulas, já limpei esta casa de alto a baixo, já me fui pôr mais apresentável (fiz depilação, manicure e pedicure, pintei o cabelo e voltei a alisá-lo...), já namorei e já estive uma tarde inteira em família, a "discutir" os enfeites de Natal em casa dos meus pais. Este ano, pelo simbolismo, a nossa árvore tem seis andorinhas. Amanhã e quarta ponho os pendentes mais urgentes em dia e quinta partimos para Roma. A minha esperança é descansar muito, namorar muito e passear muito. De todo o modo, a tese está entregue. E agora é tempo de me dedicar a outras coisas :)
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Habemus christmas tree :)
Nesta casa, já é Natal!
P.S. Eram cinco da manhã quando enviámos, juntos, a tese para a gráfica.
Segunda, será entregue. Em breve, conto-vos tudo.
Agora vou dormir...
domingo, 23 de novembro de 2014
Ainda esta semana, se Deus quiser,
hei-de ter a recompensa de tantos dias, tantas noites, tantas semanas, tantos sábados e tantos domingos sentada a uma secretária. Hei-de ter tempo para fazer a mais bonita e desejada árvore de Natal, vestir a casa de christmas mood e acender grinaldas de luzes a guiarem o meu caminho de agora em diante.
Isto é muito difícil. Isto cansa-me como não podem supor. Já fechei as primeiras partes da tese mais de vinte vezes. Volto sempre para corrigir mais qualquer coisa, escrever mais meia dúzia de linhas, introduzir só mais um artigo, ver se agora as coisas fazem mais sentido, estão mais explicadinhas, eu sei lá. Tenho a terceira parte a sair-me com dores. São dores nas costas, muitas, muitas, muitas, são dores nos pulsos, dos movimentos rotineiros, são umas putas de umas guinadas aqui do lado direito da cabeça, são angústias a esfrangalhar-me o coração, e o diabo a sete. A terceira parte sai-me como um parto... um parto a ferros, quentes e afiados. Um parto a lâminas, ou o raio. Não estou sozinha e mesmo assim volta meia volta desabo e choro como se o mundo fosse acabar. O meu homem trabalha na mesa da cozinha, não descansa, dorme pouco, mima-me muito, faz-me as refeições, lava-me a louça e inventa novas disposições para as almofadas decorativas da cama. Ainda consegue vir aqui de hora a hora dar-me um beijinho na testa e dizer que está quase. A mim só me apetece desistir e arrumar as botas. Estou farta. E vazia de palavras.
Para memória futura...
Há dias em que acho que não vou conseguir levar isto até ao fim. Hoje é um desses dias.
sábado, 22 de novembro de 2014
Sócas, o reinadio
Andou o Sócas a meter medo às pessoas, que o Mimi vinha e comia crianças ao pequeno almoço e o raio, e vai na volta o Sócas é que nos andava a ir ao bolso como se não houvesse amanhã. Eu, que sou uma pessoa justa, digo já que entendo o Sócas. Por um apartamento de três milhões em Paris também era gaja para lavar notas. Com a diferença de no meu caso a única maneira conhecida de as lavar é deitando-lhes vanish para cima, mas pronto. Metido no imbróglio em que está, o PS deve estar com uma dor de cabeça daqui até para lá de Bagdad. Safa-se o Seguro que, digo eu, que não sou de intrigas, deve esfregar, por esta altura, as mãos de contente ("Eu avisei... Muuuaaahhhhh (riso maléfico)"). João Soares, que há alturas (muitas) em que fala para não estar calado, já deu o pontapé de saída para a tese da cabala. Tenho a sensação de ter ouvido isto no Caso Casa Pia. É, pois, um argumento vintage dos socialistas. E assim vai Portugal. It's the final countdown. Eu tenho cinco dias para acabar a tese. O maroto do Carlos Alexandre meteu na cabeça que em pouco mais nos livra da classe política. É um lírico. Adoro!
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
É um desabafo, só isso!
Há uns anos atrás, li, muitas vezes durante a noite, duas teses de doutoramento de fio a pavio, discuti ideias e sugeri alterações. Hoje, a braços com a minha, tenho muitos amigos a ajudar (uns lêem, outros ajudam a escrever coisas, há o M. que me fez a capa, dezenas trouxeram-me livros dos mais diversos sítios do mundo, tantos aparecem só para dar um beijinho, imensos telefonam só para dar uma palavra amiga, sei lá...), mas daquelas duas pessoas, das pessoas a quem também eu ajudei numa tarefa destas, nem sinal. Nada. O mais profundo e seco silêncio. O N., que é um dos meus melhores amigos e alguém que tem vivido esta tese de muito perto, conforta-me, diz-me que não tem mal sentir uma ponta de ingratidão nisto tudo, que não estou a ser má, estou só a ser humana. No outro dia, enquanto me recolhia mais meia dúzia de artigos e mos vinha deixar propositadamente a casa, encontrou-me outra vez a pensar no mesmo e resumiu esta coisa que me abala os fígados. De facto, quem me ajuda, tal como eu, quando ajudei, não o faz numa lógica pura de reciprocidade, à espera seja do que for, além de um "muito obrigada"! Acontece que, porém, lá no fundo surge como absolutamente natural um empenho semelhante numa outra hora em que também tenham uma coisa destas em mãos. Não me passa pela cabeça não ajudar o N. (a seguir, fazemos a dele, dê por onde der!), o G., a H., a C., o M., o meu homem e todos aqueles que agora me fazem sentir que, aconteça o que acontecer, não estou sozinha... Por isso é que, por mais voltas que dê à cabeça, não entendo. Não entendo este vazio, este telefone sem tocar, nem que seja para dizer que estão a rezar para que corra tudo bem. Não percebo. E, honestamente, magoa-me um bocadinho.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Homenagem a Carlos do Carmo
Não sou uma fã incondicional de Carlos do Carmo. Há, efectivamente, muitos outros fadistas que prefiro e cuja interpretação do fado me toca mais profundamente. No entanto, é incontornável o orgulho nacional devido a Carlos do Carmo no dia de hoje, pelo Grammy que recebe, mais logo, nos Estado Unidos da América. A Rádio Comercial, a esse propósito, fez-lhe uma homenagem belíssima e, numa altura em que procuro não invadir o blog com queixumes, esta pareceu-me a maneira mais bonita de dizer que falta uma semana para pôr a tese a fotocopiar e, apesar disso, o mundo, à minha volta, continua, maravilhoso, a surpreender-me também com coisas boas.
sábado, 15 de novembro de 2014
Mum - a composição
A minha mãe sonhou que não ia ao meu casamento porque tinha de ir para a escola dar o 9!
A minha mãe tem, este ano, a primeira classe.
A minha mãe anda preocupada com a escola.
Mesmo. Muito.
Depois o sonho continuava com a colega dela a dizer que lhe ficava com os alunos um bocadinho para ela dar um salto à cerimónia.
A minha mãe ia, mas a cerimónia já tinha acabado.
Segundo a minha mãe, no entanto, o grave é que, com a atrapalhação, tinha ido de leggins.
Acho que andamos todos a precisar de descanso.
Ao acordar
Eu, num esquema de pergunta-resposta a que ele só consegue assistir, sem nada dizer: Sabes qual vai ser a primeira coisa que vou fazer quando acabar a tese?! A árvore de natal. E sabes qual vai ser a segunda?! Uma limpeza a fundo a esta casa.
Ele, ainda ensonado: Tu não és normal!
Eu: Depois... durmo!
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Pequena R. sugere ao leitor
Antes de cair na cama, duas ideias para quem for de Coimbra ou arredores ou, não sendo, queira vir até cá :)
Um Mercado de Natal, nos dias 22 e 23 de Novembro. Já fui desafiada e quero muito ir, mas duvido que na data em que se realiza consiga pôr o nariz fora da porta. A ver vamos. De todo o modo, é um mercado de Natal, bolas... e há poucas coisas mais mimentas que isso. Vejam tudo na página de facebook da Quinta do Ribeiro, aqui.
E uma Feira de Marcas, no dia 13 de Dezembro. É num espaço que ando doida por conhecer, bem no centro da cidade, e, para além de podermos comprar o que nos apetecer, estamos num evento que visa angariar bens alimentares para a Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis. Tudo, aqui.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
December
Nunca tanto como este ano quis Dezembro. E, no entanto, nunca tanto como este ano temi Dezembro. Dia 1, pela manhã, se tudo correr como previsto, vejo-me livre deste fardo, deste peso, desta angústia permanente. Não sou ingénua ao ponto de achar que há uma vida antes e outra depois de dia 1 de Dezembro, mas sei que, por agora, preciso de abrandar, atingi há muito o limite máximo da minha energia, da minha força e da minha determinação. Somado ao medo imenso que não abranda, há um descaso com o depois e uma concentração genuína no Dezembro. Quero chegar bem a Dezembro, quero que Dezembro comece e acabe livre de sobressaltos. Só para ver se me reergo e ganho em tamanho a coragem para voltar às lutas. Tenho feito esta tese em condições pouco saudáveis. Tenho tido mil coisas mais importantes a chamarem por mim. E, nas horas vagas, lá volto eu a arrastar-me para escrever mais duas linhas. Mais que uma coisa brilhante, ambiciono qualquer coisa acabada. Um dia, quando isto acabar, conto-vos dos sobressaltos que apareceram desde Agosto, das tardes inteiras em que as lágrimas me molharam o teclado do computador e de como, mais que uma tese, este é um trabalho demasiado árduo de superação. Não porque esteja muito bem (começo a achar que, se calhar, nem está), mas porque, contra todas as expectativas, se vai fazendo. Não sei se e como hei-de pôr termo ao demónio, mas continuo focada numa verdade indesmentível: já faltou mais.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Paps... o idoso!
O meu pai está com gripe. Como qualquer homem, faz render os sintomas da doença e pedincha mimo constantemente. Ontem, quando a minha mãe lhe perguntou, à noite, se estava melhor, a resposta foi pronta:
- Eu, eu não. Eu estou na mesma. Mas também já decidi, se continuar assim mais dez dias, vou aceitar que sou velho. Sabes, costumo ver os da minha idade já todos caídos, mas achar que eu não, eu ainda sou um garoto. Está na altura de aceitar: estou a ficar velho. Mas não gosto.
Ele bem tenta...
Eu: Diz-me coisas boas que vão acontecer quando eu entregar a tese, por favor, para ver se eu me aguento mais uns dias sem me ir completamente abaixo...
Ele: Olha, vamos poder viajar muito, passar fins de semana fora, dar imensas jantaradas para os amigos, sei lá, dormir até às duas da tarde ao fim de semana, casar, ter filhos, escolher casas, ler romances... e ver televisão.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Chegou finalmente o Inverno
e essa é a boa notícia. Trabalhar e pantufas e manta nos joelhos faz milagres por mim. Abaixo o calor, pim. Viva o Inverno. E o frio. E a lã. E as botas, casacos e cachecóis. Abaixo as pernas sem collants. Viva o chá. Viva. Viva a lareira acesa. Viva o Natal. Viva.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Desabafo... (que o circo parece que nunca mais acaba)
Tanta coisa a ocupar a minha pobre cabeça, tanta página ainda para escrever, tanto autor por citar, tanta merda por resolver, e esta vem-me agora com o problema da antiguidade. Eu devo ter cuspido no meu Santo, só pode. Puta que pariu, a Sorte.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Todos os dias
Todos os dias há mais medo. Todos os dias o desespero aumenta. Todos os dias levantar-me da cama custa mais. Todos os dias me apetece desistir com mais força. Todos os dias, todos, tenho uma vontade imensa de me afogar nas lágrimas que não vou chorando para não me embaciarem a vista. Todos os dias penso que não vale a pena, que isto não vai acabar, que se isto acabar vai acabar muito mal e porcamente, pronto a encher-me de vergonha e pena de mim, da desilusão em que me transformei. Todos os dias aparece um problema novo, uma chatice pior, uma preocupação grande. Todos os dias tenho de me arrastar para o mundo e fingir que resisto, que vou resistindo. Todos os dias. Todos. Hoje, agora, outra vez. O N. diz que o meu Santo meteu férias. Eu vou-me esforçando, para lá das forças que me conhecia, para não atirar a toalha ao chão, não dizer que já chega, não suplicar pelo fim pacífico deste tormento. Vou-me esforçando, todos os dias, por perceber a mensagem. Se entregar esta tese, na sua versão definitiva, decente, a 1 de Dezembro, mais que do meu brio, da minha inteligência ou do meu trabalho, ela será, isso sim, o fruto de um imenso milagre.
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