segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sobre a vergonha alheia

Acho que um dos piores sentimentos que podemos ter relativamente a alguém é o sentimento de vergonha alheia. Aquele misto de comiseração e repúdio que nos faz desviar da cena, de mansinho, procurando que não nos confundam com ela. Uma espécie de paternalismo travestido de sensação de ridículo. Este fim de semana, senti isso relativamente a todos aqueles que se puseram aos berros em frente ao Estabelecimento Prisional de Évora. Carneiradas fazem-me espécie, como se abafassem a réstiazinha de originalidade que podemos manter no mundo de centrifugação acelerada que é este, o nosso, em pleno século XXI. Esta, no entanto, fez-me mais que espécie... fez-me sentir vergonha alheia. Não tenho rigorosamente nada (nem, aliás, tinha de ter) contra quem acredita no 44. E, por causa disso, acho lindamente que os amigos lhe prestem solidariedade. Escusam, no entanto, é de o fazer à conta daquele ridículo, estropiando a credibilidade da investigação judicial e a nota mental do Grândola, Vila Morena. Não é triste ficar do lado do 44, é triste, em nome disso, montar um circo em frente a uma prisão e dar combustível às novelas dos canais noticiosos mais sensacionalistas. Já aqui disse uma vez e digo novamente: não acho nada que os amigos se vejam no hospital e na prisão. Acho que o miserabilismo convida muito mais gente a entrar-nos casa dentro que o sucesso. Por isso, custa-me, honestamente, a crer que alguém leve a sério a tenda armada em Évora este fim de semana. Faz-me lembrar o Isaltino e as eleições. Ou a Fátima Felgueiras e as entrevistas no Brasil. E isso, enfim, nunca é um bom sinal.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Dos pormaiores

Relatava-me a L. que o homem que estava a conhecer a convidou para um fim de semana fora. Levou-a para casa da mãe, que tinha ido passar o fim de semana com a avó, à terra. Era um quarto andar sem elevador e a L. alombou com a mala escadas acima. Ele ia à frente, com as mãos ocupadas a indicarem o caminho. Passaram o fim de semana a cumprir um plano escrupuloso do rapaz, que até tinha agendado ir à bola. No domingo à tarde, antes de a ir pôr ao comboio, que vir de Lisboa a Coimbra cansa, ela pediu-lhe que parassem para comprar pão para o dia seguinte, pois chegaria já noite dentro ao destino. Ele bufou e sugeriu-lhe que no dia seguinte tomasse o pequeno almoço fora, para não desviarem caminho. A L. ainda me pergunta o que acho eu. Eu acho que é um bruto. E um calhau com olhos. E coisas assim. Enfim!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Curiosidades do Mundo lá fora!

Em algumas comunidades africanas, nomeadamente angolanas, o representante legal máximo dos incapazes é o tio materno das crianças. Numa situação em que seja necessário prestar um consentimento em vez e por causa da criança, esse consentimento não é prestado pelos pais, mas pelo tio materno. A explicação é simples: a certeza dos genes versus a mera presunção de paternidade. Ao que parece, circula um provérbio antigo entre os povos: Os filhos da minha filha, meus netos são. Os filhos do meu filho, são, ou não. E é isto. Tomam-nos por rameironas com uma facilidade inacreditável!

Ouvido por aí... um conselho precioso!

Não te drogues.
Se te drogares, não te injectes.
Se te injectares, não uses a seringa do teu amigo.


Chama-se "contenção de riscos"!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Da vida... a espantar-nos

Hoje, debaixo de uma chuva miúda e fungando de um nariz ranhoso, vinha eu muito agasalhada com uma capa preta quando a A. se abeirou, confundindo-me a capa com uma toga. A impaciência com que me pediu ajuda fez-me deixar de lado explicações sobre isso de ter a inscrição suspensa e não fazer da advocacia vida já há uns anos. Nem quando, aos seus queixumes, imperturbável, sugeri o apoio judiciário, a A., nobre, se exaltou. Explicou-me a vagar que vai a tribunal na quarta feira que vem. Que desde Agosto que não vê a filha. Que a criou o melhor que pôde durante nove anos. Mas que voltou a consumir. E que a vida se virou do avesso outra vez. Que só quer, "oh doutora", ver a menina. Nem que seja com mais gente ao pé. Mas vê-la. Promete não ir para lá a cair. Por favor. Ouvi a história e disse o que tinha a dizer. Enfiei-me no carro e revi o vídeo gravado hoje de manhã. Uma pessoa estuda sobre a limitação, sobre a inibição, sobre os pais e os filhos apartados, e vai a vida e põe-nos a A. assim à frente. Como um caso prático. Tão triste. 

Uma espécie de mantra

Adoçar. Amansar. Apaziguar. Amar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Meia dúzia

Este blog fez meia dúzia de anos há oito dias. Estamos a viver a crise da meia dúzia, mas prometemos ser breves. Obrigada por estarem desse lado. Têm sido uns companheiros fantásticos de aventura.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Chegou hoje


e já é um rico companheiro de jornada dentro deste frigorífico onde trabalho!

Charlie


Há alturas em que temo pela vida do Bruno Nogueira...

A lata

É comum fazerem perguntas que não lembram a ninguém, mas pararem-me, no meio da rua, para saberem, a tempo do exame, se descriminalização é com e ou com i(discriminalização), já é demais!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Voltei


É ver se voltamos à normalidade dos dias...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015

Sem balanços, sem promessas...
Pouco me lembro de 2014 até Setembro... Foi aí que tudo se precipitou...
Levada ao limite por uma tese de doutoramento, fui absorvendo as notícias que me iam chegando e reposicionando a tese. Cheguei ao fim demasiado cansada para me desesperar dias a fio e com o meu coração tão apertado que o pensamento se organizou para não me apoquentar com miudezas. Era preciso acabá-la e foi isso que fiz... Sobrou a preocupação maior... que trago para o novo ano... Por isso, em 2015, quero mesmo é boas notícias e a vida outra vez a ser mais leve...
Feliz 2015, pessoas!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Desejo-vos...

Feliz Natal, pessoas do meu coração! 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Capicua

Aos 11, nasceu-me o mano. Aos 22, acabei o curso. Aos 33... who knows?!

sábado, 20 de dezembro de 2014

*****

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Missão hobby

É verdade que estou cheia de ideias para artigos, que até já pus livros novos em cima da secretária, que a partir de Janeiro volto ao yoga, que procuro manter as gavetas mais arrumadas, que, enfim. É verdade que já me associei a uma malta para fazer uns workshops de culinária. É verdade que até gosto muito de ler romances, ver filmes e ouvir música. Mas... sinto falta de um hobby. Outro. Mais manual. Gostava de saber fazer bijuterias, de costurar cenas com tecidos fabulosos, de pôr um talento qualquer em evidência. O problema, porém, é: qual talento?! Faço um ponto cruz jeitoso, mas também já gostei mais. Canto mal, danço pior, odeio correr e deixei morrer quatro bonsais. Se calhar, não sou muito boa a ter hobbies. Ando a ler muitos sites de notícias, a ver muitas revistas, a fazer listas, como mandam as leis da organização, mas... e o hobby? Tudo me diz que tricô rende e não precisa de grande reflexão. Além disso, profissionalizando-me, ainda posso poupar nos presentes do próximo Natal e fazer camisolas quentinhas à malta. Dei hoje o pontapé de saída. Comprei lã e duas agulhas. Cheguei a casa e pus-me a ver tutoriais na net. Ou sou muito limitada, ou aquilo ainda é difícil e coisa para me levar uns tempos a encarreirar. Anyone? Podiam vir cá explicar-me como ponho este cachecol em acção. Isso, ou sugerir-me outro hobby, caraças!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

De Roma













Águas de Coimbra - serviço público

Aconteceu uma vez, aborreci-me muito, mas pronto, passou.  Aconteceu outra e, basicamente, passei-me da marmita. Vamos, então, por partes. O post interessa a quem é de Coimbra (presumo), mas, mutatis mutandis, vai na volta e o que não falta é disto pelo país fora e eu é que andava na ignorância. Vivendo sozinha, cozinhando pouco e não tendo jardim, os meus gastos de água de maior monta limitam-se aos banhos e às limpezas gerais. Assim sendo, a conta da água não costuma ultrapassar os 15 euros, nos meses piores. Regra geral, faço a festa por 12 ou 13. Pois bem. No Verão, apareceu-me uma conta de 99,97 euros. Estranhei, ainda por cima por ser num mês em que tinha estado pouco tempo em casa, conferi o contador e pus-me de orelha à escuta perante as inúteis explicações da senhora que dizia que tinha havido um erro e mimimi e que a factura já tinha sido enviada para o banco e o diabo a sete, mas que iam corrigir no mês seguinte. A verdade é que fiquei sem o dinheiro na conta, indevidamente, durante um mês. Não era muito, mas, como expliquei à senhora que me atendeu, para muitas pessoas, enganos daquele podiam ter arruinado a economia doméstica para um mês inteiro. Pedi cautelas. Este mês, a conta aumentou: 120,24 euros. Ia-me dando uma coisa. Só pensava nos presentes de Natal que podia comprar com esse dinheiro. Voltei a verificar o contador e a ligar para as almas das Águas de Coimbra. Que leram mal, que se baralham às vezes (é sempre contra nós, curioso...), que iam ver, que iam tentar não cobrar a factura e rectificar a tempo de avisar o banco, que acontece. E é aqui que a coisa dá para o torto. Porque se há resposta que me tira do sério é o clássico "acontece". Soa-me quase a um "Olhe, azar!". Portanto, senti-me investida de toda a legitimidade para lhes chamar incompetentes com todas as letras e para dizer que para a próxima me aborrecia a sério. Fica o aviso, que é serviço público: confirmem sempre as facturas. Sobretudo, as das Águas de Coimbra. Esses inimigos do Natal alheio, invejosos de férias e mal intencionados cobradores de água.

O desejado

Se alguém o vir (ou próximo), avise-me. Plasalmas!

E pronto, vim dar as caras!

Precisei de um tempo longe do blog e tão afastada do computador quanto possível. Não desapareci, nem deixei de me interessar por isto, mas precisei de algum silêncio. Volto agora, hoje. Volto para dizer que o caos instalado pela tese não foi totalmente ultrapassado e que ainda não tenho todos os presentes comprados, para comunicar que me encontro em busca de um lindo emprego a somar ao que mantenho (ficar sem bolsa leva uma boa fatia do meu vencimento... o que, enfim, tem de ser compensado de alguma maneira), que estou cheia de ideias para artigos, que já deixei de abrir a tese de cada vez que venho à sala, à procura de gralhas, que as aulas já acabaram, que faço anos não tarda e que, da minha lista de desejos mesmo urgentes, me falta encontrar uma écharpe/manta quentinha e grande e com um padrão de tartan vermelho, preto, azul, bege... Já corri tudo. As lojas todas que possam imaginar... e n-a-d-a! Sobre Roma e sobre as Águas de Coimbra, tenho muito a dizer, mas fica para outro post.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Da vida por estes dias


Ainda não sinto o alívio que julgava que viria com isto... Ainda tenho muitos momentos em que o pensamento se desvia e me questiono se aquilo estará suficientemente bem para não me envergonhar. Apesar de tudo, a vida precisava de continuar e, portanto, ainda não parei propriamente. Já compensei mil aulas, já limpei esta casa de alto a baixo, já me fui pôr mais apresentável (fiz depilação, manicure e pedicure, pintei o cabelo e voltei a alisá-lo...), já namorei e já estive uma tarde inteira em família, a "discutir" os enfeites de Natal em casa dos meus pais. Este ano, pelo simbolismo, a nossa árvore tem seis andorinhas. Amanhã e quarta ponho os pendentes mais urgentes em dia e quinta partimos para Roma. A minha esperança é descansar muito, namorar muito e passear muito. De todo o modo, a tese está entregue. E agora é tempo de me dedicar a outras coisas :)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Habemus christmas tree :)


Nesta casa, já é Natal!



P.S. Eram cinco da manhã quando enviámos, juntos, a tese para a gráfica. 
Segunda, será entregue.  Em breve, conto-vos tudo.
Agora vou dormir... 

domingo, 23 de novembro de 2014

Ainda esta semana, se Deus quiser,


hei-de ter a recompensa de tantos dias, tantas noites, tantas semanas, tantos sábados e tantos domingos sentada a uma secretária. Hei-de ter tempo para fazer a mais bonita e desejada árvore de Natal, vestir a casa de christmas mood e acender grinaldas de luzes a guiarem o meu caminho de agora em diante.


Isto é muito difícil. Isto cansa-me como não podem supor. Já fechei as primeiras partes da tese mais de vinte vezes. Volto sempre para corrigir mais qualquer coisa, escrever mais meia dúzia de linhas, introduzir só mais um artigo, ver se agora as coisas fazem mais sentido, estão mais explicadinhas, eu sei lá. Tenho a terceira parte a sair-me com dores. São dores nas costas, muitas, muitas, muitas, são dores nos pulsos, dos movimentos rotineiros, são umas putas de umas guinadas aqui do lado direito da cabeça, são angústias a esfrangalhar-me o coração, e o diabo a sete. A terceira parte sai-me como um parto... um parto a ferros, quentes e afiados. Um parto a lâminas, ou o raio. Não estou sozinha e mesmo assim volta meia volta desabo e choro como se o mundo fosse acabar. O meu homem trabalha na mesa da cozinha, não descansa, dorme pouco, mima-me muito, faz-me as refeições, lava-me a louça e inventa novas disposições para as almofadas decorativas da cama. Ainda consegue vir aqui de hora a hora dar-me um beijinho na testa e dizer que está quase. A mim só me apetece desistir e arrumar as botas. Estou farta. E vazia de palavras.

Para memória futura...

Há dias em que acho que não vou conseguir levar isto até ao fim. Hoje é um desses dias.

sábado, 22 de novembro de 2014

Sócas, o reinadio

Andou o Sócas a meter medo às pessoas, que o Mimi vinha e comia crianças ao pequeno almoço e o raio, e vai na volta o Sócas é que nos andava a ir ao bolso como se não houvesse amanhã. Eu, que sou uma pessoa justa, digo já que entendo o Sócas. Por um apartamento de três milhões em Paris também era gaja para lavar notas. Com a diferença de no meu caso a única maneira conhecida de as lavar é deitando-lhes vanish para cima, mas pronto. Metido no imbróglio em que está, o PS deve estar com uma dor de cabeça daqui até para lá de Bagdad. Safa-se o Seguro que, digo eu, que não sou de intrigas, deve esfregar, por esta altura, as mãos de contente ("Eu avisei... Muuuaaahhhhh (riso maléfico)"). João Soares, que há alturas (muitas) em que fala para não estar calado, já deu o pontapé de saída para a tese da cabala. Tenho a sensação de ter ouvido isto no Caso Casa Pia. É, pois, um argumento vintage dos socialistas. E assim vai Portugal. It's the final countdown. Eu tenho cinco dias para acabar a tese. O maroto do Carlos Alexandre meteu na cabeça que em pouco mais nos livra da classe política. É um lírico. Adoro!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

É um desabafo, só isso!

Há uns anos atrás, li, muitas vezes durante a noite, duas teses de doutoramento de fio a pavio, discuti ideias e sugeri alterações. Hoje, a braços com a minha, tenho muitos amigos a ajudar (uns lêem, outros ajudam a escrever coisas, há o M. que me fez a capa, dezenas trouxeram-me livros dos mais diversos sítios do mundo, tantos aparecem só para dar um beijinho, imensos telefonam só para dar uma palavra amiga, sei lá...), mas daquelas duas pessoas, das pessoas a quem também eu ajudei numa tarefa destas, nem sinal. Nada. O mais profundo e seco silêncio. O N., que é um dos meus melhores amigos e alguém que tem vivido esta tese de muito perto, conforta-me, diz-me que não tem mal sentir uma ponta de ingratidão nisto tudo, que não estou a ser má, estou só a ser humana. No outro dia, enquanto me recolhia mais meia dúzia de artigos e mos vinha deixar propositadamente a casa, encontrou-me outra vez a pensar no mesmo e resumiu esta coisa que me abala os fígados. De facto, quem me ajuda, tal como eu, quando ajudei, não o faz numa lógica pura de reciprocidade, à espera seja do que for, além de um "muito obrigada"! Acontece que, porém, lá no fundo surge como absolutamente natural um empenho semelhante numa outra hora em que também tenham uma coisa destas em mãos. Não me passa pela cabeça não ajudar o N. (a seguir, fazemos a dele, dê por onde der!), o G., a H., a C., o M., o meu homem e todos aqueles que agora me fazem sentir que, aconteça o que acontecer, não estou sozinha... Por isso é que, por mais voltas que dê à cabeça, não entendo. Não entendo este vazio, este telefone sem tocar, nem que seja para dizer que estão a rezar para que corra tudo bem. Não percebo. E, honestamente, magoa-me um bocadinho. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Homenagem a Carlos do Carmo

Não sou uma fã incondicional de Carlos do Carmo. Há, efectivamente, muitos outros fadistas que prefiro e cuja interpretação do fado me toca mais profundamente. No entanto, é incontornável o orgulho nacional devido a Carlos do Carmo no dia de hoje, pelo Grammy que recebe, mais logo, nos Estado Unidos da América. A Rádio Comercial, a esse propósito, fez-lhe uma homenagem belíssima e, numa altura em que procuro não invadir o blog com queixumes, esta pareceu-me a maneira mais bonita de dizer que falta uma semana para pôr a tese a fotocopiar e, apesar disso, o mundo, à minha volta, continua, maravilhoso, a surpreender-me também com coisas boas.

sábado, 15 de novembro de 2014

Mum - a composição

A minha mãe sonhou que não ia ao meu casamento porque tinha de ir para a escola dar o 9!
A minha mãe tem, este ano, a primeira classe. 
A minha mãe anda preocupada com a escola.
Mesmo. Muito.
Depois o sonho continuava com a colega dela a dizer que lhe ficava com os alunos um bocadinho para ela dar um salto à cerimónia.
A minha mãe ia, mas a cerimónia já tinha acabado.
Segundo a minha mãe, no entanto, o grave é que, com a atrapalhação, tinha ido de leggins.


Acho que andamos todos a precisar de descanso. 

Ao acordar

Eu, num esquema de pergunta-resposta a que ele só consegue assistir, sem nada dizer: Sabes qual vai ser a primeira coisa que vou fazer quando acabar a tese?! A árvore de natal. E sabes qual vai ser a segunda?! Uma limpeza a fundo a esta casa.
Ele, ainda ensonado: Tu não és normal!
Eu: Depois... durmo!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Pequena R. sugere ao leitor

Antes de cair na cama, duas ideias para quem for de Coimbra ou arredores ou, não sendo, queira vir até cá :)

Um Mercado de Natal, nos dias 22 e 23 de Novembro. Já fui desafiada e quero muito ir, mas duvido que na data em que se realiza consiga pôr o nariz fora da porta. A ver vamos. De todo o modo, é um mercado de Natal, bolas... e há poucas coisas mais mimentas que isso. Vejam tudo na página de facebook da Quinta do Ribeiro, aqui.

E uma Feira de Marcas, no dia 13 de Dezembro. É num espaço que ando doida por conhecer, bem no centro da cidade, e, para além de podermos comprar o que nos apetecer, estamos num evento que visa angariar bens alimentares para a Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis. Tudo, aqui.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

December


Nunca tanto como este ano quis Dezembro. E, no entanto, nunca tanto como este ano temi Dezembro. Dia 1, pela manhã, se tudo correr como previsto, vejo-me livre deste fardo, deste peso, desta angústia permanente. Não sou ingénua ao ponto de achar que há uma vida antes e outra depois de dia 1 de Dezembro, mas sei que, por agora, preciso de abrandar, atingi há muito o limite máximo da minha energia, da minha força e da minha determinação. Somado ao medo imenso que não abranda, há um descaso com o depois e uma concentração genuína no Dezembro. Quero chegar bem a Dezembro, quero que Dezembro comece e acabe livre de sobressaltos. Só para ver se me reergo e ganho em tamanho a coragem para voltar às lutas. Tenho feito esta tese em condições pouco saudáveis. Tenho tido mil coisas mais importantes a chamarem por mim. E, nas horas vagas, lá volto eu a arrastar-me para escrever mais duas linhas. Mais que uma coisa brilhante, ambiciono qualquer coisa acabada. Um dia, quando isto acabar, conto-vos dos sobressaltos que apareceram desde Agosto, das tardes inteiras em que as lágrimas me molharam o teclado do computador e de como, mais que uma tese, este é um trabalho demasiado árduo de superação. Não porque esteja muito bem (começo a achar que, se calhar, nem está), mas porque, contra todas as expectativas, se vai fazendo. Não sei se e como hei-de pôr termo ao demónio, mas continuo focada numa verdade indesmentível: já faltou mais. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Paps... o idoso!

O meu pai está com gripe. Como qualquer homem, faz render os sintomas da doença e pedincha mimo constantemente. Ontem, quando a minha mãe lhe perguntou, à noite, se estava melhor, a resposta foi pronta:

- Eu, eu não. Eu estou na mesma. Mas também já decidi, se continuar assim mais dez dias, vou aceitar que sou velho. Sabes, costumo ver os da minha idade já todos caídos, mas achar que eu não, eu ainda sou um garoto. Está na altura de aceitar: estou a ficar velho. Mas não gosto.

Ele bem tenta...

Eu: Diz-me coisas boas que vão acontecer quando eu entregar a tese, por favor, para ver se eu me aguento mais uns dias sem me ir completamente abaixo...
Ele: Olha, vamos poder viajar muito, passar fins de semana fora, dar imensas jantaradas para os amigos, sei lá, dormir até às duas da tarde ao fim de semana, casar, ter filhos, escolher casas, ler romances... e ver televisão.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Chegou finalmente o Inverno

e essa é a boa notícia. Trabalhar e pantufas e manta nos joelhos faz milagres por mim. Abaixo o calor, pim. Viva o Inverno. E o frio. E a lã. E as botas, casacos e cachecóis. Abaixo as pernas sem collants. Viva o chá. Viva. Viva a lareira acesa. Viva o Natal. Viva. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Desabafo... (que o circo parece que nunca mais acaba)

Tanta coisa a ocupar a minha pobre cabeça, tanta página ainda para escrever, tanto autor por citar, tanta merda por resolver, e esta vem-me agora com o problema da antiguidade. Eu devo ter cuspido no meu Santo, só pode. Puta que pariu, a Sorte.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Todos os dias

Todos os dias há mais medo. Todos os dias o desespero aumenta. Todos os dias levantar-me da cama custa mais. Todos os dias me apetece desistir com mais força. Todos os dias, todos, tenho uma vontade imensa de me afogar nas lágrimas que não vou chorando para não me embaciarem a vista. Todos os dias penso que não vale a pena, que isto não vai acabar, que se isto acabar vai acabar muito mal e porcamente, pronto a encher-me de vergonha e pena de mim, da desilusão em que me transformei. Todos os dias aparece um problema novo, uma chatice pior, uma preocupação grande. Todos os dias tenho de me arrastar para o mundo e fingir que resisto, que vou resistindo. Todos os dias. Todos. Hoje, agora, outra vez. O N. diz que o meu Santo meteu férias. Eu vou-me esforçando, para lá das forças que me conhecia, para não atirar a toalha ao chão, não dizer que já chega, não suplicar pelo fim pacífico deste tormento. Vou-me esforçando, todos os dias, por perceber a mensagem. Se entregar esta tese, na sua versão definitiva, decente, a 1 de Dezembro, mais que do meu brio, da minha inteligência ou do meu trabalho, ela será, isso sim, o fruto de um imenso milagre. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Mini M. lá longe


A notícia já corre solta por aí e portanto custa-me crer que alguém ainda não tenha dado por ela. De todo o modo, estou desde ontem, à hora do telejornal, com a súplica daquele pai na cabeça e no coração e não consigo mesmo ficar indiferente. Pode acontecer que este meu apelo chegue só a mais uma pessoa, mas já vale a pena. A mini M. precisa de ajuda. Não custa nada. Cada um dá o que pode. Basta que dê. A mini M. agradece, os pais também e eu, eu acredito ainda mais um bocadinho na grandiosidade humana. Este é o Nib da mãe da pequenina: 0035 0655 0000 1439 200 65. Vá lá.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Trabalho movida a esperanças

Mas sai-me tudo a ferros, juro!

E é isto!

Eu: Gosto tanto de ti e estou tão cheia de saudadinhas tuas, que não vieste ontem, caraças, que só me apetece dar-te milhões de beijinhos e ficar agarrada a ti muito tempo, pá!
Ele: LAPA!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Sushiiiii

Dois casais amigos à mesa, num sábado à noite, num restaurante da moda e com um sushi de babar. O meu homem e a C. dissertavam sobre os meandros da advocacia. Eu aproveitava a folga da tese e o P. a noite livre de sábado e, à socapa dos nossos amores, enfardávamos sushi como se não houvesse amanhã. Faltou pouco para vir a rebolar... Ai, Jesus. Um sushi decente em Coimbra. Estou desgraçada!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pequena R. pede ao leitor

No dia em que me virem publicar no facebook o dente acabado de cair a um filho meu, ainda com sangue e tudo, prantem-me duas lambadas.

Grata.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Se um dia tiver filhos, não quero que dissertem assim

Com o calor que está, trabalha-se melhor de janelas abertas. Estou para aqui numa luta de titãs com Aquilo, a ler e a escrever (a ler mais do que devia e a escrever menos do que gostaria, mas enfim), quando, há pouco, os miúdos do prédio decidiram vir brincar, como é de seu costume, para os terraços que dão acesso às garagens. Jogam à bola, andam de bicicleta, inventam nomes para cartadas novas, trazem skates e patins e sei lá mais o quê.  Depois de um bocado, cansaram-se e puseram-se todos numa amena cavaqueira, sentados nos muros ou apoiados nos gradeamentos. Falavam não sei de quê, que não lhes prestava muita atenção, quando os ouço, mais afectados, erguerem as vozes com nomes em estrangeiro. Apurei o ouvido (melhor, pelas almas!) e descobri então que a "questã", como dizem lá na minha aldeia, se prendia com as condições "assustadoras" e o espaço "minúsculo" dos quartos dos hotéis em Veneza. Todos lá tinham ido, mas havia um mais indignado que os outros, barafustando que o pai já ameaçara não estar para dar mais vezes aos 500 e 600 euros por noite em hotéis que enganam nas fotografias. Que bom, mesmo, parecia o da Abumamaimu (e pronuncia correctamente o nome da mulher do Clooney, coisa que eu ainda não faço...), mas que a mãe tinha escolhido outro, porque uma amiga lhe tinha dito que era superior. Os outros não se ficavam. E adiantavam as más experiências nas capitais praí de dez países. Os putos não têm mais de oito anos. E isto faz-me impressão. Tanta coisa linda em que pensarem e apoquentam-nos as condições "assustadoras" e os espaços "minúsculos" dos hotéis de cinco estrelas. Ai Mundo, Mundo! 

Do essencial

Estamos ambos a trabalhar. Muito. Mas estamos descalços e com "roupa de casa". Estamos ambos a trabalhar, eu na secretária da sala, ele na mesa da cozinha. Estamos ambos a trabalhar, mas estamos os dois da mesma porta para dentro. Estamos ambos a trabalhar, mas não me está a custar tanto.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Não desapareci

Nem desisti de ter um blog. Estou só a ver se chego inteira a Dezembro, com a tese entregue. E a recordar como é viver um dia de cada vez...  insistir em ser feliz... ver o bright side das coisas... defender os meus e defender-me, com os meus, dos maus e das coisas más que cirandam pelo nosso caminho. Estou só a ver se não desabo. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014


Daqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Malala


E o Mundo é hoje, apesar de tudo, um lugar um bocadinho melhor.

Health report


Continuo com dores de ouvidos horríveis, principalmente ao fim do dia, aí entre as oito e as onze. Não sei porquê, mas é o período mais crítico. Dá-me vontade de arrancar a orelha. Parece que ferve e que incha, sei lá. Uma coisa nunca vista. A somar a isso, porque de facto estou num momento da minha vida em que tenho tempo para achaques, não haja dúvida, reapareceu-me uma alergia horrível nas mãos. Tive isto pela primeira vez em Agosto. Levou semanas a sarar e até a pele voltar ao normal e os meus dedos desincharem. Desta vez, atacou ainda com mais força. Não sei a que faço alergia. Não mudei nenhum creme, não mudei nenhum verniz, não andei a mexer em nada estranho, não vivo no meio do pó, enfim. O meu rapaz acha que faço alergia a um toner específico, usado na minha faculdade, porque pioro quando mexo em fotocópias tiradas lá. Se mexer em livros ou em outras fotocópias, a coisa não fica tão grave. Portanto... vejam a chiqueza: alergia a um toner. Não tenho a certeza. Para quem não sofre de alergias, isto pode parecer uma coisa menor, mas não é. Não consigo juntar os dedos. Escrevo de mãos muito abertas e demoro mais tempo. Mesmo assim, estou em luta constante comigo para não coçar e fazer ferida ou rebentar as bolhas de água. É desesperante. Assim sendo, procuro bruxa das boas. Daquelas cuja reza chega longe. Quem me queria mal, está vingado, porra. Já chega.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Vou ali

conhecer os alunos deste ano e já volto. Quer dizer, não é bem já, que hoje hei-de pô-los a dissertar sobre a ciência do direito penal total, a tratar o Liszt por tu e a fazer cara feia às não pessoas do "inimigo". Isso e a dizer "sistema jurídico-penal teleológico-funcional e racional" como quem bebe água. Volto à noite, pronto!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Um buraquinho, ófaxabôr!

Toca o telefone de casa. No visor, leio "B - casa".
Atendo e digo "Então, meu amor?!", com a voz mais melosa que sei fazer.










A irmã do B. avisa-me que foi por um triz que quem ligou foi ela e não o pai.

Otite means

- dores que começam a moer num ouvido e ao fim de uns dias estão indiscriminadamente espalhadas por um dos lados da cabeça, fazendo uma pessoa ter vontade de arrancar pelo menos uma orelha, um olho, meia dúzia de molares e um bocado de escalpe. 
- doença que não convém ignorar estoicamente durante duas semanas, nem que seja porque com uma tese de doutoramento não se tem tempo para esperar nas urgências, pois pode calhar de se ir da primeira vez ao hospital e mesmo assim não resultar e então ter de se ir uma segunda e ter o tímpano perfurado e dores a que se associam tonturas e vómitos, sensação de cabeça à roda e uma incapacidade tremenda de andar a direito ou ler, que é uma coisa que dá jeito para quem tem a dita tese de doutoramento em mãos.
- cena que só começa a ir ao sítio com o consumo de carradas de remédio, daquele que põe bom o resto do corpo mas deixa a barriga a mandar guinadas durante dias.
- a justificação para o meu silêncio nos últimos tempos.