terça-feira, 19 de junho de 2012

Poder de fixação


Apaixonei-me por este perfume da Gucci. É uma das novidades da estação e é perfeito para o meu gosto em matéria de perfumes. Floral, suave, fresquinho, mas com uma nota mínima amadeirada. Não sou nada fã de perfumes cítricos, nem doces, nem quentes. Sou esquisitinha nos aromas... Mas apaixonei-me por este. E não lhe resisti. O meu imprescindível Balenciaga Paris estava no fim e ainda não estávamos no pico do Verão que me puxa às águas da Estée Lauder. Portanto... não hesitei e trouxe-o comigo. Acontece, meus grandes queridos, que este perfume não tem poder de fixação. Nada. Borrifo-me de manhã com ele e à tarde já não cheiro a nada. Salpico os pulsos e passadas duas ou três horas evaporou-se-me tudo da pele. É uma pena. Mesmo. Estava quase disposta a fazer dele o meu perfume de transição. Mas não. Acho que vou voltar aos meus velhos amigos... que somos equipa vencedora há já alguns anos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dos dias

E depois há dias assim, em que acordas a horas, vestes uma roupa de andar em casa, voltas às meias que o tempo arrefeceu, trabalhas normalmente, fazes o almoço e almoças, lavas e estendes três máquinas de roupa, continuas a trabalhar normalmente e nada de muito especial parece acontecer-te mas só te apetece acreditar que sim, que é um dia bom, que está tudo como deve ser, que o que importa mesmo já o tens ou te chegará em breve, que o resto é decoração da vida, imprescindível, por certo, mas decoração da vida, e em que há, por isso tudo, um sorriso teimoso que volta aos teus lábios e aos teus olhos, como a quem se compromete, uma e outra vez, a ser feliz.

Gosto muito

Verdades e assim assim

PORTUGAAAAAAAAAAAAAAALLLLLLLLLL!!!

E estamos apurados. Cumpri com a minha parte e, à hora, estava no sítio do costume, com a companhia do costume. Seguiu-se uma noite, como vem sendo hábito, do melhor que há. E, do Euro, só vos digo mais uma coisa: está a ser um tempo mesmo bom, este... por muitas razões :)

Para mais tarde recordar

Imaginem que A e B vão à capital e por lá encontram uma equipa de reportagem de uma televisão de um país da américa latina que está a fazer uma viagem à volta do mundo num carro com bandeiras de todos os países. Imaginem que A e B são pessoas sociáveis e metem conversa com a equipa numa estação de serviço. Imaginem que B, casado com a A, é oriundo de um país vizinho do da equipa de reportagem, estando em Portugal há 12 anos porque se apaixonou por A quando A foi àquele país de férias. B largou tudo e correu atrás de A. São bem felizes até hoje. Imaginem que a equipa diz estar empenhada em filmar tradições locais, conhecer pessoas, filmar o Portugal mais genuíno, bem mais que em levar para casa as imagens dos roteiros turísticos. Imaginem que a equipa comenta que está a caminho do Porto. Imaginem que A e B convencem a equipa a passar o fim de semana na casa de família de A, a meio caminho, uma vez que por lá se comemora o Santo António e haverá arraiais e uma família numerosa à mesa e iguarias típicas e uma matriarca cheia de histórias para contar. Imaginem que a equipa aceita. Imaginem que os pais de A, com 79 e 93 anos, são pessoas que gostam é de casa cheia, pelo que fazem uma festa quando vêem chegar aqueles "amigos" para o fim de semana. Imaginem que no domingo toda a família ali se reúne em casa e convive em amena cavaqueira com a equipa. Imaginem que a equipa devia seguir viagem depois de almoço, mas a mãe de A convence a equipa a ficar para filmar a procissão da terra, o cruzeiro enfeitado e uma tardada da sua família. Imaginem que no fim do dia já a família e os moços da equipa tinham private jokes e se despediam quase em lágrimas, prometendo-se mutuamente visitas. Imaginem que na família não houve ninguém que questionasse a sensatez do episódio, porque questioná-la seria não conhecer a família a que se pertence.

E pronto, A é a tia máinova e B o seu querido mais que tudo. Os pais de A são os meus avós. E a família é a minha. 

Viver para contá-la, diria o García Márquez. Eu prefiro dizer Viver para vivê-la... Ao almoço não havia nem mais uma única cadeira disponível em casa e quando, em bando, nos deslocámos ao café da terra, éramos ainda mais do que de costume. Perguntaram à avó se não tinha medo de pôr estranhos em casa e ela respondeu que tinha medo era de deixar de confiar nas pessoas. E que em casa dela há sempre lugar para mais um. Eu já vos disse que adoro a minha avó?! Pronto. É isso. Passou o tempo a encher o prato à malta e a gabar-nos... Vamos na reportagem com a imagem de últimas coca-colas do deserto, de últimas bolachas do pacote. Não somos, mas a avó... bem... a avó é mesmo. E eu pertenço à sua gente. E tenho um orgulho do tamanho do mundo. 

domingo, 17 de junho de 2012

Plano das festas

Hoje há disto.

E depois... mais logo... há dedos entrelaçados em sinal de figas, a torcer por 

PORTUGAAAAALLL!!!

;)

sábado, 16 de junho de 2012

Sweet

Em casa dos meus pais, acorda-se com o canto dos passarinhos ou com eles a baterem com o bico nos vidros da janela do quarto. Ouvem-se carros a passar só de vez em quando e cheira a café logo de manhã. O meu pai bate à porta do meu quarto antes de sair e, se eu estiver a dormir, dá-me um beijinho na testa. A minha mãe pergunta o que se quer para o almoço, põe flores novas nas jarras e corta os morangos em quatro, juntando-lhe um bocadinho de açúcar. O mano preguiça até tarde e quando acorda está quentinho e meloso, dando beijinhos e xis sem resmungar. Eu acordo bem depois da hora a que devia, vou à varanda da cozinha, falo com os cães e ponho-me a corrigir provas. Estava-se melhor a fazer outra coisa, mas tem de ser e o que tem de ser tem muita força.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

*

Banda sonora

Estou na sala a corrigir exames. A minha Dona G. limpou primeiro aqui, enquanto fui à rua, para depois eu poder estar a trabalhar o resto da tarde e ela andar na vida dela. Fechei a porta. Ouço-a na cozinha, aqui ao lado, a cantar enquanto limpa os vidros. Canta bem... não está em causa. Mas ouve-se tudo aqui na sala. E eu sou um bocado manienta no trabalho. Preciso de silêncio. Não tenho é coragem para lhe dizer. Está animadíssima. Já só falta mais uma hora e dez. Aguenta, pequena R. 

Da vidinha

Sei que não tenho andado a sair muito à noite quando, enquanto uma alma me olha fixamente ao entrar num bar e depois passa meia hora a olhar para trás, com risco de ter um torcicolo, e a malta insiste que aquilo é um engate e devo retribuir olhando-o também, que é bem giro, eu dou voltas à minha cabeça para tentar perceber se foi meu aluno na licenciatura, numa pós graduação ou num mestrado e, concluindo que não me lembro mesmo da criatura, pergunto se tenho alguma nódoa na roupa. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Lanches ajantarados







E perguntam vocês: "Oh pequena R., então mas tu não tens mais que fazer?!"
E respondo-vos eu: "Tenho, tenho, meus amores. Pois tenho. Mas a pessoa fez um jantar só para mim agora há dias e amanhã vai de viagem por uns tempos e eu cá gosto de ter as prioridades no sítio. É isso. Mai logo volto aos exames."

Mudaste

Coisas que há uns anos eu nunca imaginaria fazer e que hoje faço na boínha: passar uma esfregona no chão enquanto falo ao telefone com a chefia. Há pessoas que falam muito... coisas que espremidas dão muito pouco sumo... são pessoas palavrosas, usam repetidas sucessões de palavras caras para dizer quase nada. Já não tenho paciência. Nem tempo. Entalo o telefone entre a orelha e o ombro e continuo a fazer a minha vida. De vez em quando digo sim, não, hum, hum, claro, claro. Uma vez por outra saco de uma frase mais elaborada, para dar ares de que as minhas conversas de sonho se situam naquele patamar. Mais raramente, e só com alguns, uso o título académico na introdução de uma ou outra frase. A malta fica contente e eu fico com o chão impecável. É isto. 

Adaptável a bater bolos à mão e a esfregar a louça sem ter a água a correr ou, tendo, fazendo de conta que se está com tosse, para não parecer que estamos a fazer chichi. Ah, claro, e a limar as unhas.

Gosto de

Gosto de calendários, de agendas, de organização, de planos a curto, médio e longo prazo, de saber com o que conto. E, depois, gosto do inesperado, de mudar de planos para melhor, de inverter a marcha, de redescobrir os dias e de me redescobrir nas horas. Gosto do sossego dos dias todos conhecidos, quase iguais, milimetricamente parecidos. E, depois, gosto de ter dias muito diferentes do que estava à espera, conhecer lugares, pessoas e sensações que não imaginava, sentir o sangue ferver-me nas veias pelo que nunca conhecera. Gosto da paz que o domínio de mim mesma me dá. E, depois, gosto da adrenalina de quando perco o controlo de uma situação saborosa. Gosto de falar. Gosto muito de falar. Aprecio falar. Preciso de falar. E gosto de estar calada, em silêncio absoluto e completo... um tempo imenso. Gosto de pessoas à beirinha e de espaço só para mim. Gosto de ler, gosto de escrever, gosto de música, gosto de dançar descalça sem ninguém ver, gosto de fazer doces, gosto de pastelar, gosto de estar deitada e gosto de andar a pé, gosto de banda desenhada da Disney e de filmes da Pixar, gosto de comédias românticas e gosto de dramas, gosto da língua portuguesa, gosto dos meus alunos, gosto de pensar numa coisa e descobrir uma ideia a nascer na minha cabeça, gosto de cusquices inofensivas, gosto de amigos, gosto de água natural sem gás e gosto de água castelo com limão, gosto de branco, gosto de preto, gosto de cor de rosa, gosto de pão, gosto de proteas, gosto de túlipas, gosto de jacintos, gosto de manjericos, gosto de arraiais, gosto de terra nos pés, gosto do cheiro de lençóis lavados, de terra molhada e de bolo no forno, gosto de banhos de mangueira, gosto de arear panelas, gosto de sabrinas, gosto de vernizes, gosto de ter amigos muito diferentes de mim, gosto de ter amigos parecidos comigo, gosto de petiscos, gosto de picnics, gosto de relógios, gosto de brincos, gosto de blusas brancas com rendinhas, gosto de gostar, gosto do mano, gosto da mums e do paps, gosto de quase toda a família, gosto de histórias com final feliz, gosto de pontos finais, gosto de corais, gosto se dourado, gosto de salmão fumado, gosto de desenhos, gosto de fotografias, gosto de olhares cúmplices, gosto de massagens, gosto de teatro, gosto de manteiga, gosto de chocolate, gosto de cerejas e gosto de figos, gosto de manuais de instruções, gosto de mapas, gosto de corações, gosto de estrelas, gosto de velas de cheiro, gosto de sabonetes em barra, gosto de caixas de música, gosto de livros simples, gosto de me apaixonar devagarinho.

Não gosto de corrigir exames com muitas folhas. Nem de letras difíceis.

Não sou eu que digo #8

Gostava de poder pegar em ti e de te abraçar
Queria sussurrar-te ao ouvido que vai ficar tudo bem
Gostava de te poder dar a mão e mostrar-te algumas das coisas boas do mundo
Gostava, mas só posso fazê-lo em sonhos

Queria dizer-te “Eu compreendo”
E fazer-te acreditar
Queria ver-te sorrir para mim
Será que é muito isto que peço?!

Queria ser o teu porto de abrigo em momentos de tempestade
Encostar-te ao meu peito
Sentir-te a descansar
Seria a minha voz embalo suficiente?!

Queria dizer-te tanta coisa
E faltam-me as palavras
Digo-te só que não tenhas pressa de crescer
O homem que vais ser tem ainda muito da criança que és


A pessoa informa que não se trata de um poema :)

E assim acontece

Estou a chegar. Foram um fim de tarde e um princípio de noite PERFEITOS! Diverti-me tanto, mas tanto... descomprimi, espaireci, ri-me imenso (dói-me a barriga de tanto rir), disse e ouvi os maiores disparates, esplanadei muito no Tropical, voltei às cantinas, usei private jokes, apalavrei uma partida de ténis e uma jantarada. Era uma coisa destas por semana... MUITO BOM. 

Sim, também sofri. Aliás, foi um jogo sofrido para nós. Disse palavrões, pulei, achei que me ia dar uma coisinha má quando o Ronaldo falhou aquele segundo golo com a baliza aberta, mas o que conta é que ganhámos. Ai... em equipa que ganha não se mexe... ver se domingo nos juntamos outra vez à hora da bola no mesmo sítio, num dos bares mais giros cá da cidade...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

151

Afinal... são 151. Até quarta. Não há-de ser nada. Começo mai logo a corrigir. Agora vou ali ver o jogo e torcer pelo PORTUGAL (como dizia o mano quando era minuin) e depois penso no resto. Será desta?! Vá lá... 1-0 e já ficamos contentes da vida!!! Allez PORTUGAL, allez!!!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Conversas da intimidade

E ainda te lembras?
Muitas vezes.
E ainda sentes a falta?
Todos os dias.
Dele?
Não.
Não percebo...
De mim daquela maneira.

Memória doce do fim da tarde

Esta reportagem do Simplesmente Branco lembrou-me o casamento mais bonito a que assisti até hoje. Também foi na praia, também houve decoração a preceito e os noivos estavam tão felizes, mas tão felizes, mas tão felizes que o sol nasceu e ainda se dançava na areia. Eu não, que o evento coincidiu com aquele lindo episódio da minha vida em que decidi contar degraus com a cabeça. Embora o presente lá de casa tenha sido condizente com a condição de padrinhos que paps e mums assumiram, por muitas razões, ofereci à noiva um presente só dela e que traduzia o quanto sonhava que ela encontrasse, naquele passo grande que dava, o desígnio do forever and always que todos merecemos. Encontrou. Sou uma melhor amiga muito feliz por isso. Todos os dias. Reconheço-lhe a garra das vencedoras, de quem encara cada amanhecer como uma oportunidade novinha em folha de ser feliz. Faz por isso. É justíssimo que consiga. Teve o casamento mais perfeito a que algum dia assisti e, no entanto, em destaque, havia um quadro. Um quadro enorme com a imagem da pessoa que lhe faltava ali e que, por tudo, certamente preferia manter na sua vida naquela hora e em muitas outras, como quando lhe nasceu o primeiro filho ou verbalizou pela primeira vez "é o homem da minha vida e vou amá-lo sempre".  Não nos transportava para nenhuma triste recordação, mas a verdade é que aquele quadro, assim, ali, presente, nos mostrava a fragilidade das coisas do mundo, como alerta repetido de que os dias se sucedem e o que hoje é amanhã pode ter sumido. A reportagem do Simplesmente Branco transportou-me para uma tarde de Junho, faz amanhã quatro anos, para uma brisa morna que soprava entre a Barra e a Costa Nova. Depois, inevitavelmente, transportou-me para outros lugares, mas isso agora não interessa nada. Se eu já estive numa festa de sonho?! Já. Foi esta.

Desconcertante

Foi este o mail que me arrancou a maior gargalhada dos últimos dias:

Lamento informar que o seu segundo pedido não poderá ser atendido.

Primeiro porque o seu talento excede, em larga medida, o pagamento, fosse ele qual fosse.

Em segundo lugar porque “there is no way when there is no “Will””

P.S. – William é G. em inglês.

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH :) MUITO BOM... (embora só para quem entender!)

Bad news

Parece que o apoio para doutoramentos no estrangeiro, dado pela FCT, será reduzido em 60%. Caminhamos a passos demasiado largos para um Portugal de bestificação. Primeiro foi o facilitismo no ensino, depois o corte no financiamento às artes e à cultura em geral, agora isto... 

Metáfora

Se puseres um sapo numa panela de água a ferver, ele salta imediatamente de lá para fora. Se, em vez disso, optares por pôr um sapo numa panela de água fria e a fores aquecendo lentamente, quando ela ferver ele estará morto. 

Diz que é da biologia. Não me interessa de onde é. É perfeita.  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Não gosto

de malta que estraga os planos das outras pessoas. 

Acho que já não vou aos Santos amanhã. Estou um bocado arreliada. É isto.

Não sou eu que digo #7

Gostava de poder pegar em ti e de te abraçar.
Queria sussurrar-te ao ouvido que vai ficar tudo bem.
Gostava de te dar a mão e de te mostrar algumas coisas boas do mundo.
Gostava, mas só o posso fazer em sonhos.



Da pessoa.

Wishlist




Estou apaixonada por este vestido. 
É tãããooooo pequena R. que nem dá para medir. 
É Preen e custa a módica quantia de 1.669,11 euros.

domingo, 10 de junho de 2012

Assinalemos



... conquanto não pode haver desgosto 
Onde esperança falta, lá me esconde 

Amor um mal, que mata e não se vê. 
Que dias há que na alma me tem posto 
Um não sei quê, que nasce não sei onde; 
Vem não sei como; e dói não sei porquê. 


(Do "Não pode tirar-me as esperanças", que é um dos meus poemas preferidos!)

:)

sábado, 9 de junho de 2012

Pois...

Valeu pelo convívio, pelos petiscos, pela sobremesa, pela conversa, pela companhia, pelo espairecer a cabeça e por mais umas coisas que agora não me lembro. Quarta há mais... e pode ser que dessa corra melhor. Força Portugal!

FORÇA PORTUGAAAAALLLLLLLLLLLLLLL!!!

Verdades e assim assim

Há uma parte de mim que odeia a dogmática penal. Com muita força.

Pé ante pé... por um tão mau caminho!

Aplaudia-se ainda a chamada mudança de paradigma que a revisão de 95 tinha carreado para o tema quando, em 2007, em matéria de crimes sexuais, o legislador, sob o falso pretexto do acolhimento das orientações da União Europeia, começa, pé ante pé, a delinear uma inversão de marcha. Uma coisa perigosa, na mesma linha das opções securitárias nascidas sob o manto do susto do 11 de Setembro, um pouco por todo o mundo. Levantaram-se muitas vozes, críticas, mas o Código Penal manteve-se, alheio a tudo e convicto da sua enorme valia mesmo que, na prática, alguns dos tipos legais previstos não tenham sequer sido algum dia suscitados. Há, em algumas das novas opções, uma demagogia populista e justiceira que só faz assustar quem revê na lei, no direito e na justiça bem mais que uma coactiva expiação de pecados e malfeitorias. A novidade que a ministra da justiça anunciou agora não tem nada de estranho. Segue a mesma linha da excepção em matéria de prescrição para estes crimes, da alteração da sua natureza para crimes públicos, da exaustão com que se definem as condutas proibidas da pornografia infantil, da desconsideração da ideia de maioridade progressiva no âmbito do desenvolvimento sexual, da solução assustadora de manter os registos criminais durante décadas, e sei lá mais eu de quantas outras coisas. Não consigo ver aqui tributos à prevenção, mas tudo aqui ultrapassa também o que seria a fundamentação das doutrinas absolutas, parece-me, ou uma antecipação de tutela levada ao extremo. Isto é perseguição, isto é a negação da ideia de que é possível pagar pelo mal do crime e seguir em frente, isto é a antítese da esperança no ser humano, isto é a desconsideração pela recuperação, isto é a demolição de toda e qualquer ideia que não seja a de que nada menos que uma vida inteira chegará para ressarcir a sociedade por um crime cometido. Isto deita por terra quase tudo. E o país assiste, impávido e sereno, com os olhos postos nos jogos da bola, a isto. Tenho medo deste caminho. Muito medo.

E levava-me ao altar #27

Não sou eu que digo #6


Nem os maiores cientistas do mundo se atrevem a dizer como funciona o cérebro, mas ainda mais desconhecidos são os desígnios do coração. Porque é que gostamos de A e não gostamos de B?! Porque é que queremos entregar-nos a quem não repara que, ali junto a si, há alguém disposto a partilhar o mais íntimo do seu ser e, por outro lado, ignoramos quem mostra um sorriso radioso apenas por sentir um olhar nosso?! Não tento perceber estas misteriosas decisões. Não quero ocupar o tempo com tarefas impossíveis. Prefiro questionar esta nossa contraditória forma de ser que volta e meia nos faz ignorar todas as experiências e saberes anteriores e nos coloca prostrados perante uma vontade, um desejo, um apetite. Teríamos nós uma vida mais fácil e com menos dores de alma se, ao menos às vezes, a emoção não se sobrepusesse à razão?! Seriamos nós melhores ou mais felizes se as nossas decisões fossem tomadas apenas com base no saber?! Gosto de pensar que todos os nossos passos nos conduzem a um objetivo, um destino, se preferirem, que fará com que todos os obstáculos que ultrapassámos durante o nosso trajeto pareçam insignificantes. O meu objetivo (que apenas na escrita parecem ser dois) é simplesmente sentir-me completo e fazer com que ela sinta o mesmo. 

Da pessoa que costuma dizer por aqui quando não sou eu que digo.

:)))))

Mudança de planos :)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Provas de amizade

Vou ali fazer de vela durante um bocado e já volto.

Mãos à balda... isto é um inquérito!

Tenho a pessoa aflita e queixosa que só lhe pergunto a ele o que leva alguém a descobrir um blog destes e a voltar, muitos dias, quase todos, a acompanhar, a querer saber, a ter curiosidade. Fiz-lhe a pergunta porque, para mim, é ainda mais estranho isto vindo de um homem. Na realidade, tal como já afirmei várias vezes e quem me lê reconhece, não se pode vir aqui aprender nada. Não dou receitas, nem dicas, nem explicações. Também não se vem aqui sonhar, que não posto viagens dia sim dia também, nem produtos de luxo a cada duas horas, nem outfits espectaculares. Nem tão pouco se virá aqui ver fotografias de sonho, apreciar um projecto inovador, descobrir uma personalidade acima da média. Isto trata, mais coisa ou menos, de bocaditos da minha vida. Não está cá tudo que há coisas que não são para estar e há coisas que, podendo ser, não me apetece sempre que sejam para estar. Mas está cá muito. Ora, a minha vida é normalzinha, normalzinha. Não é nada má, mas é minha e só me parece ter interesse para uma pessoa: eu mesma. Sendo assim, e porque tenho a pessoa carecida da vossa ajuda para ver se deixo de o massacrar, era dizerem por que cargas de água seguem isto como novela?! Sou mesmo vossa fã, sim. Gosto mesmo que cá venham. Sinto-me quentinha com a vossa presença. Mas não percebo. E vou apreciar tanto se perderem dois minutos a responder-me. É que gostava de saber. E a pessoa agradece. 

A saga

Há dúvidas pequenas e matreiras preparadas para lhes fazerem a folha, inquietam-nos e baralham-lhes o sono, põem-lhes o humor ao nível do de cão raivoso e acenam-lhes com o meu e-mail com um sinal de EXIT. Só pode. Começou a saga. São duas da manhã. Por hoje não respondo a mais dúvidas. Amanhã também é dia. 

Tenho um lugar no céu. Com malta a abanicar-me com um leque gigante se estiver calor e uma escalfeta toda em tons de pink se estiver lá frio. Um lugar de onde se poderá ver tudo, dos concertos de rockalhada à poda das ortenses do jardim (não me perguntem porquê, mas eu acho que no céu há ortenses).

Vou dormir. 

Ninguém se atreva a vir dizer que os professores universitários não trabalham e atiram os exames ao ar. Não respondo por mim.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

É a vidinha

Se vos cheirar a queimado, é daqui de casa. Ou melhor, é daqui de dentro da minha cabeça.

Estou incapaz de juntar duas letras... credo!

Conhecimentos colados com cuspo

Bem me avisava a minha mãe nas alturas de testes que devia colar os conhecimentos com super cola três e não com saliva. Com a pressa, já na altura, passava a vida a colar conhecimentos com saliva. E, ao que parece, mantenho esse péssimo hábito. Pior, nas coisas importantes. Não me bastou ter apanhado um susto de morte a pensar que ia ter nega a física no 9.º ano, por causa do raio dos vectores, agora colo mal e porcamente ensinamentos que deviam andar sempre com bandeirinha vermelha de alerta aqui na cabeça e no coração. Às vezes, para-me o relógio, só pode. Tanta coisa, tanta coisa, e é isto. Simplesmente isto. 

Se não for, é ainda mais triste.

Não há nada mais infeliz que querer dar o coração a um incapaz crónico de o agarrar ...
com ambas as mãos. 

Bem... vou ali inventar casos práticos de omissão, que devo estar inspirada.

Apelo

Senhores das agências de viagem com que já viajei, da grupon, do letsbonus e de mais quinhentas e oitenta e quatro cenas diversas,

PAREM DE ME ENVIAR TENTAÇÕES DE VIAGENS E ESCAPADAS E O RAIO PARA O MAIL.

Parem de me dizer que estão com descontos de 99%.
Parem de me anunciar paraísos a preços da chuva.
Parem de fotografar quartos de hotel com vistas deslumbrantes.
Parem de me perguntar se quero cidade ou campo, praia ou montanha.
Parem de me acenar com promoções de massagens para casal em Marrocos.

Eu não estou em casal, mas:
Eu viajo lindamente sozinha.
Eu gosto de turismo de cidade, porque quero mais é conhecer mundo e parece-me uma perda de tempo pagar um balúrdio para ir ver água e areia.
Eu não me importo de ficar num hotel pior, se for para ficar no centro dos acontecimentos.
Eu não preciso de ir a restaurantes caros, se puder percorrer quilómetros a pé e tropeçar em coisas lindas a cada dois passos e meio.
Eu adoro que me façam descontos e se me derem mimos que incluam massagens (qualquer dia vendem cafunés) sou rapariga para desatar a chorar... de alegria.

MAS EU PRECISO DE AGOSTO PARA TRABALHAR!!! E até lá não tenho férias. E depois dele também não tenho férias. 

Não me façam sentir assim. Pelas almas. 

Ficam a saber. Eu quero ir. Queeeeeeeeeerrrrrrroooooooooooooooo....... mas têm de me levar ao engano. Que é para ver se não me sinto tão mal! Eh pá... enganem-me. Digam-me que é para ir ali ao Parque Verde e metam-me num avião. Mas sem eu saber. Sem eu ter culpa, percebem?!
Chatos, pá!

Dos "e se"

Quantas vezes devemos nós tentar corrigir um "e se"?! Uma ou muitas?! Sempre tive um medo enorme de perder uma história por uma palavra que não disse, um gesto que não tive, um convite que não aceitei, um telefonema que não fiz, um encontro a que faltei. Sempre. Por isso, quando perdi uma história em que não tinha dito algumas coisas, tinha evitado alguns gestos, tinha recusado alguns convites, tinha controlado a vontade de fazer alguns telefonemas e tinha faltado a alguns encontros, conheci o gosto amargo do "e se" de quando se perde. Teria sido bem mais fácil deixar sobre os ombros do destino o mau bocado que passava, mas fui educada para assumir as minhas responsabilidades e orgulho-me disso. Digo desculpa com a facilidade com que me sinto em falta com alguém e reconheço que preciso de fazer alguma coisa quanto a isso. Não cultivo qualquer mania de razão constante e sei que há sempre muitas leituras de um mesmo acontecimento. É por isso que não me custa emendar a mão, voltar atrás, baralhar e tornar a dar, fazer os "e se" de que me julgo devedora. Às tantas, porém, podemos ter de confrontar-nos com um desfecho diferente do que esperávamos na sequência de um caminho sem "e ses" pendurados. Pode, concedo, ser porque os "e ses" têm um tempo para acontecer e não podem compor-se noutros contextos. Pode, é certo. E com isso deixaria de fazer sentido todo o processo. Pelo que não é essa a verdade por que me guio. Pode, por outra banda, aquele "e se", afinal, não ter poder nenhum, não ser motor de mudança de nada, nem ontem, nem hoje, nem amanhã. E fica a dúvida: porque é só nosso ou porque soa a fraco sucedâneo ao outro e requer investimentos maiores?! Quantas vezes devemos nós tentar corrigir um "e se"?!  

*

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Clic off

Calções curtos e justinhos.

Chamem-me bota de elástico, mas tipos com isto dão-me ares de pouca credibilidade. Não me peçam mais explicações.

Apeteceu-me!



Há anos que não usava este blusão de ganga. Pelo menos, uns três. Trouxe-o para esta casa por descargo de consciência, mas nunca o vesti. É velhinho, velhinho. Uns dez anos, pelo menos. Hoje, apeteceu-me. Já fomos bem felizes juntos. E dá-se bem com os laços da minhas sabrinas fofinhas. É isto. Até mai logo.

Das minhas pessoas


23:40 ...: sinceramente preferia-te sem inspiração
23:41 eu: porque...
 ...: queria dizer q não te estavas a lembrar dessas coisas

Pequena R. pede ao leitor



olhando para ele com a cabeça de lado, piscando ambos os olhos e sorrindo ao de levezinho,

uma música, uma cantiga, uma modinha, um ritmo, uma letra, um instrumental, uma banda sonora, enfim.

No fundo, se quisessem oferecer um som a pequena R., qual seria?! A que vos soa pequena R.?!

Grata.

Muito bom!


A única dificuldade é... escolher :)

Pequena R. sugere aos senhores que mandam nos blogs

que invistam numa qualquer aplicação informática de última geração no controlo de postagens em modo drama. Hão-de conseguir desenvolver uma coisa que, pela velocidade e força com que premimos as teclas, indica a descompensação que para aqui vai. Podia a coisa deixar-nos desabafar na hora, a quente, mas depois fazer orelhas moucas ao escrito, surgindo no ecrã uma caixa de informação com o seguinte conteúdo: Por estar em modo drama queen e porque bem sabemos que amanhã isto já lhe terá passado mais, vamos ignorar o seu pedido de publicação. Vá por nós, que não se arrepende. Não é o fim do mundo em cuecas. Amanhã chove. Ora pense lá bem se não quer mesmo começar já a ficar melhor?! Também gostamos muito de si e mimimi.

Da chuva

Preferia que estivesse só frio. Tenho 576 coisas para fazer fora de casa à tarde e não é fantástico ter de andar à chuva. Mas estou tão feliz porque o calor deu tréguas que só posso agradecer a São Pedro. Eu bem sabia, nada como um dia depois do outro, separados por noites bem dormidas, para voltar tudo a ser mais pacífico.