Regresso agora, com um filho com menos de seis meses e três empregos. Não hesitei muito. As ofertas eram boas e era tudo gente decente. O meu marido e os meus pais garantiram que seguravam as pontas e toda eu reclamava por voltar ao trabalho. Adorei poder ver a primeira gargalhada do meu filho, conhecer-lhe de cor as curvinhas do pescoço ou antecipar o olhar maroto de quem acha o cabelo da mãe o mais atractivo dos brinquedos. Foi e é delicioso vê-lo acordar SEMPRE bem disposto depois de noites cada vez melhor dormidas ou chapinhar no banho porque encara aquilo como um spa para bebés. Mas a minha vida, mais tempo, reduzida a fraldas, leitinhos, consultas, sestas e uma horrível sensação de que o mundo está a correr lá fora e eu já nem sei qual é a notícia de abertura do telejornal, estava a dar comigo em doida. Há-de ser difícil para os pais sair todos os dias. O meu marido havia dias em que jurava que o nosso filho mudava de feições de manhã até à noite. Mas não deixa de custar ficar. Ver toda a gente chegar, até ajudar, mas depois ir. E sermos sempre, SEMPRE, nós a ficar. Ir trabalhar não deixa de ser um momento de gente grande, em que se pode tomar um café sem a preocupação de não fazer barulho porque a birra pode voltar, agora que, ao fim de três horas, conseguimos adormecer o pequenito. Ir trabalhar significa poder fazer uma viagem sem ninguém em esforço para sair do ovo, aos pontapés aos brinquedos. Ir trabalhar significa poder usar a hora de almoço para responder a mails, ir ao supermercado ou até, pasmem, ver montras. Até ver, não me sinto nada culpada por sentir tudo isto. Nada disto diminui o amor que tenho pelo meu filho. Mas é uma mãe equilibrista a que lhe está destinada. Preciso de saber que o meu filho está bem entregue. E sei que está. A partir daí, deixai-me ir. Estou cansada de só ver gente a sair e de eu ter SEMPRE de ficar. Sei que não vai ser fácil, mas quero muito que corra bem. São três empregos e um filho. É uma vontade grande de lhe dar irmãos não tarda. E um futuro todo à nossa frente. Escreva-se.
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terça-feira, 19 de setembro de 2017
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Dois pesos e duas medidas
Parecemos o Roque e a Amiga. Há anos. Falamos todos os dias. Várias vezes por dia. Almoçamos juntos. Jantamos juntos. Lanchamos juntos. Vamos à bica juntos. Muitos dias. Temos um grupo de amigos comum. Somos confidentes. Ligamo-nos às horas que for, sem cerimónias. Viajamos juntos.
Hoje, ao almoço, juntos, só os dois, depois de uma manhã a trocar mensagens nos intervalos dos meus exames, vira-se para mim e saca desta pérola:
"Sabes fulana e cicrano... Acho que ali há coisa. Já os vi duas vezes a tomar café e da última vez foi ele que pagou o dela."
P.S. Ontem, pagou-me o almoço.
P.S. Gostava que alguém tivesse filmado a minha cara quando ele me diz aquilo. A sério.
Nota: Não, não é o melhor melhor amigo. O melhor melhor amigo é o melhor melhor amigo e eu costumo "identificá-lo" aqui.
Nota: Não, não é o melhor melhor amigo. O melhor melhor amigo é o melhor melhor amigo e eu costumo "identificá-lo" aqui.
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
E levava-me ao altar #31
Gosto de homens que não têm vergonha de chorar. Não é de homens choramingas. É de homens suficientemente seguros e valentes (e apaixonados) para chorar assim.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Entretanto
Lá fui, novamente. Dois anos depois. Foi sereno. Uma paz. Um dia, volto.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Ao ouvido
Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
De tarde, Cesário Verde
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terça-feira, 9 de outubro de 2012
Fantástico
Descobri que além de tudo o resto... ainda me sais caro. Não estava a perceber de onde raio vinha esta conta de telefone tão fora do orçamento. Fantástico. O que eu já me ri à conta disto. É o Universo a arranjar maneiras dolorosas de me pôr no bom caminho. Insuperável, de facto.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
And the winner is...
Um prémio a quem descobrir a música, em loop, que me tem acompanhado esta noite. Uma pista: quem a canta é a Ivete. Em loop, pessoas. Em loop.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Do passado. Do presente. Do futuro.
Já reli este post da Kitty Fane uma série de vezes. Continuo sem perceber como me sinto ao lê-lo: se uma valente, se um pano de chão.
domingo, 16 de setembro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Verdades e assim assim
Sei que ando um bocadinho sensível quando... entro numa livraria e descubro que me citam numa das mais importantes obras nacionais da minha área... e tenho de sair sem trazer o livro que ia comprar, porque estou lavada em lágrimas.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Paps
É frequente o meu pai atender os meus telefonemas com um "Olha a minha princesa adorada...". A minha mãe diz que, se um dia lhe apresentar o tal, ele vai pedir-me para ficar a sós com o rapaz, tudo para poder falar-lhe mal de mim, por ciumite aguda. Eu não acredito. Mas acho que faço mal.
sábado, 28 de julho de 2012
Mantra
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
Não sejas ansiosa.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Private joke
A tia hoje não pode ir jantar lá a casa porque...
...
vai fazer coisas de adultos.
Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah :) MUITO BOM!!!
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Das saudades
Às vezes batem-me aqui à porta. Deixo-as entrar. Sou uma pessoa simpática. Não sei do que são. Mas isso é só quando penso. Quando não penso, parecem-me óbvias. Ou então é precisamente ao contrário e é quando não penso que não sei do que são e quando penso que me parecem óbvias. São tão parvas.
São as mesmas que devem bater à porta das alminhas que critico do alto da minha cátedra. Essas mesmo a quem, sem hesitações de maior, aponto o indicador. Vê-se bem que não se trata de arrependimento ou querer, afirmo, mas de se ser humano e se ter ego... E toda a gente sabe que, se há personificação do pecado da gula... ela é o ego das pessoas. As saudades e o ego, juntos, são insuperáveis a construir equívocos. E nem sempre estamos com cabeça para lhes estragar o esquema... também é verdade. Dá trabalho e mói. E de coisas que dão trabalho e moem andamos já nós todos mais que estafados.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Das escolhas
Parece que é amanhã que o meu saldo bancário conhece o seu momento alto dos últimos meses. A bem da verdade, alguma vantagem havia de haver depois de cinco meses a ignorarem-me solenemente. Recebi o aviso, olhei para o número da transferência à espera que me desse para sentir algum súbito arrebatamento consumista. Não deu. Entre vestidos, sabrinas, carteiras, cremes, maquilhagens, roupa interior, camisas de dormir da Zara Home, novidades do meu spa, fins de semana fora e sushi mais frequentemente, a minha indecisão está em saber se começo por me desgraçar a comprar livros para a tese na amazon ou se escolho começar antes a desgraçar-me a comprar livros para a tese na unilibro. É. Tal e qual. Sem pressa, também preciso de ver se, de uma vez para sempre, mudo de sofá e compro uma televisão decente. E é tudo. Por agora, é tudo. O resto, não vos minto, sempre chegará, mas ao ritmo a que chegaria independentemente das oscilações mais impressivas da minha conta bancária. Talvez renegoceie o plano poupança também. Sou uma pessoa crescida, é o que vos digo.
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domingo, 29 de abril de 2012
Cada cabeça... sua sentença!
Quando nos pomos a opinar sobre a vida uns dos outros, em regra, nunca há consenso. Pior, não há sequer soluções parecidas entre as que se sugerem. A amplitude das mesmas pode chegar, para terem uma ideia, ao extremo de haver quem insista que o tempo, ah o tempo, é preciso é tempo e paciência e calma, mas não faltar quem advogue que não há nada como tirar as teimas na cama. Até tremo, quando estas pessoas se juntam!
Só mais duas (três) frases da noite de ontem...
A R. cai para poder dizer que tem sangue azul. (by P.)
Eu a ti não te dou uma das minhas fotografias, eu a ti, minha querida, dou-te a minha melhor fotografia de autor. (by Mi.)
Tá bem abelha... aposto que é o que dizes a todas! (by me)
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