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sábado, 1 de dezembro de 2018

do SER mãe

Gosto de banhos longos. Gosto de unhas pintadas. Gosto de pequenos almoços demorados. Gosto de silêncio. Gosto de trabalhar nas minhas coisas. Gosto de casas arrumadas. Gosto de ler. Gosto de jantar fora quando me apetece. Gosto de estar com os amigos muitas vezes. Gosto de ficar deitada no sofá. Gosto de massagens. Gosto de brincos compridos. Gosto de sair de casa. Gosto de não me preocupar. Gosto de ficar em casa a fazer coisa nenhuma. Gosto de ver filmes até ao fim. Gosto de acompanhar séries. Gosto de ter o cabelo esticadinho. Gosto de me maquilhar de vez em quando. Gosto de jantar porcarias ao domingo. Gosto de dormir a sesta ao sábado. Gosto de óculos limpinhos. Gosto de fazer compras no Natal. Gosto de receber. Gosto de tomar café com dois dedos de conversa. Gosto de visitar. Gosto de falar ao telefone com uma amiga durante uma hora. Gosto de depilação em dia. Gosto de ter preguiça. Gosto de viajar. Gosto de escolher roupa com calma. Gosto de ter horários. Gosto de fugir da rotina. Gosto de saber que, se quiser, também posso ter rotina. Gosto de ir à casa de banho quando tenho vontade. Gosto de distinguir os dias da semana dos outros. Gosto de ir ao supermercado a vagar. Gosto de arejar a casa quando está frio. Gosto de dormir. Gosto muito, muito, muito de dormir. Gosto que me digam: agora descansa.

Sou mãe.
O F. faz 20 meses terça feira. A M. faz 2 na semana seguinte. 
Não sou ama, não sou educadora, não sou avó, não sou amiga, não sou tia, não sou uma ajuda. Nem sequer sou pai. Sou mãe. O melhor do Mundo e aquelas faltas todas no mesmo dia. Todos os dias.  E é isto.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Dos pormaiores

Relatava-me a L. que o homem que estava a conhecer a convidou para um fim de semana fora. Levou-a para casa da mãe, que tinha ido passar o fim de semana com a avó, à terra. Era um quarto andar sem elevador e a L. alombou com a mala escadas acima. Ele ia à frente, com as mãos ocupadas a indicarem o caminho. Passaram o fim de semana a cumprir um plano escrupuloso do rapaz, que até tinha agendado ir à bola. No domingo à tarde, antes de a ir pôr ao comboio, que vir de Lisboa a Coimbra cansa, ela pediu-lhe que parassem para comprar pão para o dia seguinte, pois chegaria já noite dentro ao destino. Ele bufou e sugeriu-lhe que no dia seguinte tomasse o pequeno almoço fora, para não desviarem caminho. A L. ainda me pergunta o que acho eu. Eu acho que é um bruto. E um calhau com olhos. E coisas assim. Enfim!

quinta-feira, 7 de março de 2013


Não foram horas. E não foi tudo. Nem sequer foi sobre ti, propriamente. Mas houve chá, queques de laranja, pijama vestido e mantinha no sofá. Às vezes acho mesmo que isto é amor. Mas não desses que dão para duas pessoas casarem, terem filhos e viverem juntas, felizes para sempre...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Amores de uma vida inteira

Nos anos 70, Marina Abramovic (uma performer sérvia) viveu uma intensa história de amor com Ulay (também artista, mas alemão), que durou 13 anos. Durante 5 anos, o casal viveu numa carrinha, realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não fazia sentido, decidiram percorrer a Grande Muralha da China. Cada um começou a caminhar de um lado e encontraram-se a meio para darem um último abraço. Juraram nunca mais se ver.
Vinte e três anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque fez uma retrospectiva à sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que se sentasse à sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse. E foi assim:



Este vídeo anda nas bocas do Mundo. Aparentemente, o facto de ambos se emocionarem, tantos anos depois, no momento do inesperado encontro, basta para ver neste vídeo uma história bonita. Eu não digo que não seja bonita. Não me atrevo a negar como é comovente. Mas, acima de qualquer outra coisa, eu sinto uma melancolia profunda, uma certa tristeza até, sempre que vejo este vídeo. Já uma vez aqui disse que não gosto do verso de cantiga coimbrã onde se apregoa que "o amor, para ser amor, dura sempre a vida inteira, pois quem ama segunda vez, não amou bem da primeira". Acho o verso redutor. Acho-o bonito, mas redutor. E, por razões diferentes, como ao vídeo, acho-o triste. No caso deste, porque me custa que um amor que ainda traz assim um rio inteiro aos olhos de duas pessoas não prossiga, que a beleza do momento se fine, como uma coisa inevitável, naquele tocar das mãos, que ela não se levante e não saiam juntos dali. No caso do verso, porque me parece pouco justo não dar oportunidade a um novo amor quando o amor, esse, o próprio, o primeiro, o imenso, não ficou connosco para sempre. Às vezes, amar segunda vez não é uma escolha. Às vezes, amar segunda vez é a primeira oportunidade de se ser feliz.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Essa coisa chamada descoberta

O facebook é uma coisa com a qual tenho uma relação de algum gostar e profundo ódio. Separo cirurgicamente o que por lá aparece e esta R. cor de rosa que tão muito mais sou e em muito vos deixo aqui. Sou, cromaticamente falando, cinzenta escura lá por aquelas bandas. Tenho dissabores. Reconheço-lhe utilidades e não me decido a esquecer aquilo de vez. Mas canso-me muito do que por lá descubro, do que por lá nos cede tão acriticamente à curiosidade que não devíamos ter... se fossemos pessoas melhorzinhas. Pronto, que não devia ter, se fosse uma pessoa melhor. Tenho. Há dias em que calha e tenho. Não consigo. E descubro sempre mais qualquer coisa, mais qualquer coisa que não gostava de descobrir, que, sobretudo, não gostava que fosse verdade. É uma alcoviteira sem lei, aquilo. Gananciosa de nos dar dores gratuitas. Apartada de emoção alguma que nos poupe. É um inferno cheio de janelas escancaradas. Aquilo.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Balanços e desejos

Deixei-me disso quando percebi que a vida, não me dando sempre tudo o que lhe pedia, conseguia ainda surpreender-me com presentes que afinal me fariam muita falta. 

Seja, pois, o que 2013 quiser. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Fantástico

Descobri que além de tudo o resto... ainda me sais caro. Não estava a perceber de onde raio vinha esta conta de telefone tão fora do orçamento. Fantástico. O que eu já me ri à conta disto. É o Universo a arranjar maneiras dolorosas de me pôr no bom caminho. Insuperável, de facto.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Do passado. Do presente. Do futuro.

Já reli este post da Kitty Fane uma série de vezes. Continuo sem perceber como me sinto ao lê-lo: se uma valente, se um pano de chão.

As minhas amigas têm umas piadas muito giras...

Estávamos a falar de televisões, uma vez que preciso de trocar a de cá de casa que, de tão grande que é, quase preciso de ver as coisas com uma lupa. Vai daí que a pessoa em causa me sugere uma que está com uma mega promoção. O preço é apetecível, mas respondo-lhe que quero uma com leitor de dvd. A pessoa em causa avança, então, com o argumento de a de cá de casa ser pequena e mimimi. E eu remato a discussão com um peremptório "Eu sei, mas, chegado a trocar, que troque por uma já com tudo o que quero...". Juro que estava a falar de televisões... não de pessoas. Acontece que a resposta não tardou. E sentenciou que "Esse é o problema das nossas vidas...". 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Oh valha-me a Santa!!!

Se há coisa que uma mulher aprecia num homem, é isto:

a conversa do "Penso que talvez eventualmente sem compromisso mas experimentando e mimimi que não é um namoro mas gostava e depois enfim quem sabe ou não" seguida, quando, e-s-t-ú-p-i-d-a-s, ainda caímos, de uma outra conversa, esta já noutro registo, mais próximo do "E não era bem isso, porque talvez, enfim, tenhas confundido algum sinal, porque eu nunca quis, mas foi tudo sem maldade e depois afastei-me, mas custou-me, porque eu tinha de te dar espaço e quem sabe agora pudéssemos...". Ide pastar, sim?! Escrevam aí em letras grandes e colem na porta do frigorífico "Elas não mordem. Se nós formos DIRECTOS com elas, ainda assim, elas não mordem. Nem rosnam."
- ser constantemente comparada a outra.
- que andem a apalpar terreno com as duas ao mesmo tempo.
- a técnica de se fingirem de mortos à espera que nos batam as saudades. Dá sempre resultado. Durante os primeiros três dias. Depois, bem, depois só ficamos com vontade que desapareçam. Adoramos que nos ignorem... no fundo.
- e... acima de tudo, que tragam gente louca para a nossa vida.


Finalmente, poemas e musiquinhas são formas de engate. Se a intenção é jogarem às cartas connosco, eh pá... mandem mensagens só a falar do tempo e da liga inglesa de futebol, está bem?!

domingo, 26 de agosto de 2012

Confesso que

também prefiro muito os blogs sempre bem dispostos e bonitos, perfumados com imagens e sons de poesia rara e com textos serenamente inspirados. E confesso que o tempo, devagarinho, me molda no sentido dessa maneira de estar na vida em que se guarda para assolhar na rua apenas o melhor de nós, em que as dores do corpo e da alma e as lágrimas que não são de alegria se lamentam, choram e enxugam em casa. Curiosamente, e olhando bem, percebo que as histórias mais amargas partilhadas com as minhas indiscutíveis pessoas, têm, saudavelmente, passado ao lado do blog, pelo menos para o leitor. Eu sei bem que no dia em que descrevi aquela azáfama natalícia as coisas estavam de um cinza escuro que fazia doer tanto os olhos. Acontece que, na vida, às vezes, nos cruzamos com os equilibristas. Os equilibristas, a bem dizer, variam no espaço e no tempo que nos ocupam. Ora se acomodam deliciosamente numa certeza absoluta de um futuro como nossas pessoas, ora se desmoronam para dentro de nós, como ruínas que enfeiam o coração. Nesses casos, em que o espaço e o tempo que ocupam em mim não me permite chamar-lhes, com um sentimento maduro, minhas pessoas, vazo aqui os melhores sorrisos e as mágoas mais fundas. E há para isto uma razão fácil de entender. Não posso permitir-lhes que me contaminem o oásis impoluto das minhas pessoas absolutas, mas, por outro lado, preciso de os pregar em determinação maior de estar feliz ou para que se me evaporem das dores e da água amarga. Faço-o, repito, cada vez mais, em casa. Enluto-me e reenfeito-me só para mim, capaz de entender a noção radical da intimidade do que é mais de nós, mais de dentro. Mas, que querem, se este blog é, também para isso, um pouco casa, a extensão confortável dos algodões macios, uma prece incontida a esse momento de se ser maior em que nos descalçamos?! Por isso, enfim... 

sábado, 21 de julho de 2012

Gostar muito é como uma névoa?!

Alguém me explique, como se eu fosse muito burra, o que leva uma pessoa que teve, durante anos, a-n-o-s, oportunidade de ficar com outra e escolheu, e-s-c-o-l-h-e-u, não ficar, a ter crises de ciúmes parvas e infantis quando, finalmente, se apercebe que não é o centro do mundo e as dores, por maiores que sejam, com tempo e paciência, acabam sempre por transformar-se, tão só e apenas, em cicatrizes e lições?! Não entendo. Não entendo MESMO. E estou a ficar sem paciência. 

domingo, 1 de julho de 2012

Just in case



E não o esqueças.
E com o tempo aprendes a deixar ir cada vez mais cedo, a respeitar todos os teus sentidos por igual, excepto o sexto, a que te vergas rendida.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Conhecimentos colados com cuspo

Bem me avisava a minha mãe nas alturas de testes que devia colar os conhecimentos com super cola três e não com saliva. Com a pressa, já na altura, passava a vida a colar conhecimentos com saliva. E, ao que parece, mantenho esse péssimo hábito. Pior, nas coisas importantes. Não me bastou ter apanhado um susto de morte a pensar que ia ter nega a física no 9.º ano, por causa do raio dos vectores, agora colo mal e porcamente ensinamentos que deviam andar sempre com bandeirinha vermelha de alerta aqui na cabeça e no coração. Às vezes, para-me o relógio, só pode. Tanta coisa, tanta coisa, e é isto. Simplesmente isto. 

Se não for, é ainda mais triste.

Não há nada mais infeliz que querer dar o coração a um incapaz crónico de o agarrar ...
com ambas as mãos. 

Bem... vou ali inventar casos práticos de omissão, que devo estar inspirada.

Dos "e se"

Quantas vezes devemos nós tentar corrigir um "e se"?! Uma ou muitas?! Sempre tive um medo enorme de perder uma história por uma palavra que não disse, um gesto que não tive, um convite que não aceitei, um telefonema que não fiz, um encontro a que faltei. Sempre. Por isso, quando perdi uma história em que não tinha dito algumas coisas, tinha evitado alguns gestos, tinha recusado alguns convites, tinha controlado a vontade de fazer alguns telefonemas e tinha faltado a alguns encontros, conheci o gosto amargo do "e se" de quando se perde. Teria sido bem mais fácil deixar sobre os ombros do destino o mau bocado que passava, mas fui educada para assumir as minhas responsabilidades e orgulho-me disso. Digo desculpa com a facilidade com que me sinto em falta com alguém e reconheço que preciso de fazer alguma coisa quanto a isso. Não cultivo qualquer mania de razão constante e sei que há sempre muitas leituras de um mesmo acontecimento. É por isso que não me custa emendar a mão, voltar atrás, baralhar e tornar a dar, fazer os "e se" de que me julgo devedora. Às tantas, porém, podemos ter de confrontar-nos com um desfecho diferente do que esperávamos na sequência de um caminho sem "e ses" pendurados. Pode, concedo, ser porque os "e ses" têm um tempo para acontecer e não podem compor-se noutros contextos. Pode, é certo. E com isso deixaria de fazer sentido todo o processo. Pelo que não é essa a verdade por que me guio. Pode, por outra banda, aquele "e se", afinal, não ter poder nenhum, não ser motor de mudança de nada, nem ontem, nem hoje, nem amanhã. E fica a dúvida: porque é só nosso ou porque soa a fraco sucedâneo ao outro e requer investimentos maiores?! Quantas vezes devemos nós tentar corrigir um "e se"?!  

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cinema de hoje



Por muitas razões, sendo a mais válida de todas "porque sim". Arrumou e desarrumou. Cumpriu. 

sábado, 19 de maio de 2012

Pois...

Em vésperas de receber em casa um tantão de gente, aparece-me um herpes. Fantástico. A minha própria mãe está fartinha de construir teses sobre o fenómeno. Imaginem o que poderá fazer o resto da malta.

domingo, 13 de maio de 2012

Do segredo

Há dias em que me leio num tempo que já passou para não voltar e... custa ainda mais.