terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sucesso

Sou muito exigente comigo. Tenho por hábito sê-lo em tudo. Busco, incessantemente, a perfeição nas arrumações das gavetas, nas juntas de azulejo que esfrego, nos panos que passo nas carteiras nas mudanças da estação, nos vincos das calças dos fatos do meu marido, na maneira como desenformo os bolos, na esquadria dos tapetes de casa, na dobra do lençol, no tamanho das flores frescas dos casos, nas pilhas ordenadas dos livros à espera de serem lidos, nos sublinhados dos artigos que já conheço, nos bicos dos lápis afiados, nas dobras das toalhas limpas da casa de banho, na disposição dos colares que pendurei numa parede, nos frascos de champô e condicionador que exibo ao fundo da nossa banheira, na maneira como espalho o creme nas pernas, no corte das cutículas, no risco ao meio, enfim. Por isso, não ter a nota máxima numa coisa como o doutoramento deu-me a sensação de ter feito uma cadeira com dez. E, pior, de merecer pouco os muitos mimos e parabéns que ainda me chegam. Passou mais de um mês e continuo a ter pesadelos com aquele dia. O pior da minha vida até hoje. Ponho-me tanto em causa desde esse dia que sinto que aquela tarde me arruinou boa parte da auto estima. É certo que está feito. É certo que, não tenho tido nota máxima, também não me fiquei por uma passagem à rasca. É certo que o que mais há para aí é quem tenha menos. É certo que o fiz aos 34 anos e há muito quem o faça aos 50. Mas eu não quero saber dos outros. Quero saber de mim. Do que eu podia, ou melhor, devia ter feito melhor. Como se nunca me tivesse permitido ser menos do que a melhor em quase tudo o que me meto. Se é certo que continuo a achar que o melhor é a normalidade, que os despiques assim levados a este extremo prejudicam mais que ajudam, a verdade é que eu não concorro com ninguém, mas me habituei a superar-me a mim mesma. Não está a ser fácil. Está até, digo-vos, a ser um bocado difícil. Falhar é uma coisa do caracinhas.

domingo, 7 de agosto de 2016

Contemplatio

Entre nada e coisa nenhuma. Sossego.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Férias

4 de Agosto. Final da manhã. Doutorei-me há quase um mês. Desde isso, corrigi mais de cem exames, fiz mais de cem provas orais e acabei um artigo (aos fins de semana). 4 de Agosto. Final da manhã. Estou sentada na sala de Revistas da minha Faculdade. Tenho em frente o meu marido. Saímos de casa para a Olga a poder limpar à vontade. Eu estou a ver se acabo outro artigo (custa-me faltar aos compromissos) e ele está a tratar de processos urgentes. 4 de Agosto. Final da manhã. Ainda nunca dormimos até tarde. Ainda nunca ficámos sem nada para fazer. Fizemos um piquenique, mas, para isso, na noite anterior deitei-me às três da manhã e levantei-me às sete. 4 de Agosto. Final da manhã. Doutorei-me há quase um mês. Ainda não tive férias. Estou exausta. E pergunto: isto tudo, afinal, serve para quê?!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

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Tenho pena da miséria moral em que nos afundamos por inércia.

Falo disto... mas, principalmente, das reacções a isto:

UCOIMBRA ALCANÇA 1º LUGAR NO RANKING DAS PIORES CONDIÇÕES CONTRATUAIS
A desfaçatez, a falta de sentido e o completo despudor guiaram a mão do Reitor da Universidade de Coimbra para um despacho publicado recentemente, no qual a contratação de convidados é baseada em 20 horas letivas/semanais. Conforma-se o leilão por ver quem viola mais alto o Estatuto da Carreira do Docente Universitário (ECDU). O desrespeito pela lei e pelos princípios mais básicos demonstram cada vez mais a falta de vergonha de dirigentes como estes. O ministério faz de conta que não tem qualquer papel de intervenção na tutela das instituições deixando “o mercado funcionar”. As carreiras e vencimentos parecem não existir, como se estivéssemos num quadro de completa desregulação. Num governo apoiado por uma maioria de esquerda é obra!
Há propostas de contratação que já foram feitas ao abrigo deste despacho, que incluem a contratação com vencimento cortado pela metade para lecionar o dobro. Do que temos conhecimento, a primeira resposta à exploração foi um não, porque, obviamente, quem tem qualidade e dignidade não se sujeita a este tipo de contratos.
Pensarão os colegas que haverá sempre alguém que irá aceitar, mas isso diz cada vez muito sobre o sistema que temos, baseado numa orientação que assenta em sobreviver e explorar. A degradação e a desvalorização surgem em par no ensino superior, lugar que deveria privilegiar a qualificação e a valorização. O sinal que é dado pela universidade é de que os seus docentes valem pouco, o que é um sinal sobre o futuro da sua formação.
A Universidade de Coimbra alcança assim o extraordinário 1º lugar do ranking de quem contrata em piores condições. Um feito que deve encher de orgulho o colega João Gabriel. A competição era assinalável, com as ações dos colegas Ana Costa Freire (Universidade de Évora – que anteriormente ocupava a 1ª posição deste ranking), Luís Antero Reto (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa) e Sebastião Feyo de Azevedo (Universidade do Porto). A arte de bem prejudicar os colegas com vínculos mais frágeis obriga a atributos extraordinários na falta de sentido, desvalorização social da universidade, despudor, intriga e tentativa de incentivar os colegas a pactuar com a exploração, aptidões só ao alcance de uns poucos. Os Conselhos Gerais devem também estar orgulhosos da atuação destes reitores. Mal podemos esperar pelo discurso de reconhecimento.
Entretanto, iremos dar sequência em tribunal com a interposição de litigância total sobre esta matéria.

domingo, 17 de julho de 2016

Volto em breve

mas hoje não podia deixar de vos dizer que é mesmo verdade que o que se ouve por aí...


terça-feira, 31 de maio de 2016

O estigma do comprimido

Não desapareci. Estou só a ver se me aguento em pé até ao dia das provas de doutoramento e se, pelo caminho, ainda me mantenho suficientemente funcional para dar aulas, falar em conferências e escrever artigos. Bem podem dizer-me que não é preciso isto, que vai correr bem, que já passa, que é um grande alívio, que Agosto está logo ali. Eu é que sei o que é voltar a ter ataques de pânico, mãos que não obedecem, uma cabeça que teima em percorrer caminhos densos e escuros de cenários de horror. Eu é que sei o que foi passar quase três semanas sem dormir uma noite decentemente e ter de, ao 34 anos, vergar o orgulho perante uma médica e dizer "Eu não consigo sozinha!". Acuso agora, muito provavelmente, o que foi o processo de realização desta tese: tão apressado, tão alheado, tão cheio de tantas outras preocupações muito maiores. Sinto agora nas palpitações todas que teimam em não deixar-me posta em sossego um momento, a inquietação maior de saber que o trabalho me saiu escorrendo pelos dedos, enquanto, muitas vezes, olhava para o lado ou a minha cabeça já se passeava por aqueles caminho densos e escuros. Não é falta de confiança no que está feito. É uma sensação que só faz crescer todos os dias e que me grita de dentro para fora "E se não chega?!". Volto quando for capaz.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Da sorte


E do trabalho que ela dá, caramba!

Mantenho-me muda e queda, à espera que passe. Que passe o dia e se vão as noites povoadas de pesadelos. Há um que me atormenta particularmente e que descreve os Capelos como um palco de um teatro, com muitas pessoas (algumas bastante más) a assistir à peça. Sei mal o papel porque me esqueço muito e depressa das coisas. Não há ponto e eu que me desemerde, que é mesmo assim. Suo em bica que me dou mal com os bafos do estio e nos meus olhos bailam imagens bonitas de sandálias e vestidos de linho. Isso e gente de sorriso, não de tromba de metro apontada a mim. Digo-vos ainda que o palco da cena, lá no meu pesadelo companhia, é de tábuas fracas, intermitentes e cheias de bicho. Se erramos, deslizam-nos os pés de uma cadeira meio coxa, como gelatina em garfos, para os bocados sem tábuas. E uma pessoa não dá parte de apoucada de orgulhos, pelo que passa o resto do tempo com a força toda posta nos joelhos, a latejar, fingindo que a triste cadeira perneta é pouso de entronização. Caem-me aos pés as dores de pernas e de costas e sobe-me até uma picada pelo pescoço acima até chegar rente ao olho direito que treme e me desfoca tudo. Falo de cor e mal. Gaguejo como se houvesse prometido a voz ao Diabo e aquilo não mais tem fim. É, aos meus olhos fechados do sono pesado, mas também a estes abertos de pânico, uma prova de resistência física e emocional que não perdoa meninos. Sinto-me uma caganeta de cão zarolho e coxo almejando ser confundida com trufa. Estou de rastos. Em pé. Que é como, fiquem a saber, custa mais, porra. 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Do pulso na vida

Às vezes, ele pergunta-me quando poderemos fazer só o que nos apetecer, ir só onde nos der vontade de estar, ver só quem nos fizer bem, falar só com quem gostamos, jantar só rodeados de amigos, sair de casa só porque nos dá na gana. Fico a olhar para ele a vagar e escolho meticulosamente as palavras. É mais por mim do que por ele que nos debatemos a tempos com fretes. A minha profissão, o meio em que me movo, as pessoas com as quais o meu caminho se cruza potenciam mais esta espécie de falta de liberdade que às vezes nos aborrece. Escolho as palavras para lhe dizer que não sei bem, que houve um tempo em que achei que isto lá ia pela idade, pelo estatuto que eu achava que a idade dava e que nos permitia mandar às urtigas o que nos apetecesse. Quanto mais cresço, mais sinto que a resposta peca por ingenuidade. Das grandes. Haverá sempre alguém a quem deva estar presente, a quem não possa dizer que não, a quem tenha de dar conversa. Por mais que, nesse dia, em concreto nesse, logo nesse, mais me fizesse sentido era ficar em casa. Não sei, meu querido, quando seremos donos de todo o nosso tempo. Resta-nos a felicidade de sermos livres no pensamento e de, onde quer quer estejamos, podermos estar a mandar às urtigas, sorrindo, quem nos apoquenta.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Eu, "desequilibrada", me confesso

Apanhei uma gripe danada. Para além de me tornar uma inesgotável fonte de espirros e ranho, tinha febre de 39,4 e que não baixava de 38,9. Durava-me a saga há três dias, com dores no corpo que me deitavam abaixo, quando tomei Ilvico. Baixou-me a febre. Mas caí para o lado. Comecei a ver tudo branco, senti o chão fugir-me, disse que ia desmaiar e desmaiei. Cumpri a promessa, no fundo! Fiz exames durante horas e puseram-me uma máscara a ver se começava a respirar melhor. Vim para casa e fiquei de molho uma semana. Não conseguia andar a direito e sentia-me dentro de uma montanha russa que teimava em não parar. Ia contra as coisas e pus-me negra nas pernas não tardou muito. Fui ao otorrino. Tenho um defeito num ouvido que se agravou pela infecção da gripe e pela febre. Deu-me umas coisas para tomar 15 dias. Estou fina. E de volta.

Verdades e assim assim

Também acho que a Joana Vasconcelos não percebeu bem o que lhe pediram...

terça-feira, 15 de março de 2016

Há coisas que me levam ao vómito

Uma delas é pensar que Lula veio dizer que aceita ser ministro, passando, dessa maneira, a gozar de imunidade.

Para onde caminhamos todos, cambada?! Como seguramos bem altas as palas, pessoas... Como nos escorre a vergonha pelas pernas abaixo enquanto permanecemos sentados, oh humanos... Que Estados são estes? Que democracia alcançámos? Que justiça resiste? 

Estou em estado de choque!

sexta-feira, 11 de março de 2016

Da Universidade... Ou do que (já não) resta dela

Hoje, a partir das 14h, farei parte de um júri de provas mestrado. A seu tempo se percebeu que talvez não se justificassem as provas de quase três horas de que ainda fui vítima há uns não muito distantes sete anos. E então, concedeu-se, podiam ser marcadas mais provas num só dia, ou até, numa só tarde. Ocorre que a burocratização do ensino e a mania (que me fere a vista diariamente) de fazer de toda a gente mestre levou a esta coisa fantástica de eu hoje ter marcadas sete provas de mestrado numa tarde.  A minha faculdade fecha portas às 20h, o que significa que, no máximo, podemos dar a cada aluno a dignidade de uma prova de 45 minutos. Sobram-nos outros 45 que, dividindo por sete, permite uma discussão e fundamentação de nota de 6 minutos e 4 segundos por prova. Não contabilizo, nestes meus números redondos, esse imprevisto a que todo o custo se procurará obviar de, por exemplo, um dos elementos do júri precisar de fazer chichi, notem bem. Em orais de melhoria de nota demora-se, com muita normalidade, 45 minutos ou mais. Entende-se que é preciso calma a debater as coisas, que não estamos a virar frangos, que há que perceber se a pessoa pensa, raciocina, "dá o salto", ou se apenas decorou e é uma enorme fonte de frases feitas que nunca, porém, chegou a entender bem. Hoje à tarde, eu terei de fazer mais omoletes, mas com menos ovos. Não vai de lá sair ninguém com penal feito que é coisa que, a bem dizer, deve ter-se por dada e garantida - penal, aliás, mais que feito, deve estar bem sabido, que a pessoa afinal meteu-se por esses mesmos caminhos à procura de um grau académico acima. Vão de lá sair mestres. E, contudo, reparem, eu não posso demorar-me mais que 45 minutos com cada um. Espero que me respondam à primeira à não mais que meia dúzia de inquietações que lhes levo, em esforço verdadeiramente estúpido e por certo pouco frutífero de, com três penadas, perceber logo se pensam ou só debitam. Este, assim, tal qual vos conto, é o estado da Universidade. Não é só da minha e isso dá-me ainda mais pena. Porque, de tão banalizados que foram os atropelos ao que é ser-se académico, torna-se cada dia mais difícil permanecer, ser para lá dos papéis e dos prazos, garantir que os mestres que eu ajudarei a fazer não me envergonharão já amanhã. Há dias em que ser professora universitária se distancia muito pouco de ser caixa de supermercado, a passar produtos pela máquina, de ser vendedora da Remax, a trabalhar por objectivos, de ser empreiteira de chave na mão em tempos de chuva, a fazer à pressa para cumprir prazos. Há dias em que eu tenho mesmo pena de fazer parte deste sistema. E em que, com franqueza, só me apetece mudar de vida e voltar a trabalhar numa Universidade a sério. Assim as houvesse...

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A pseudo-chiqueza é uma coisa que me revolta os fígados

Faz-me sempre lembrar a história da nada e criada no Portugal profundo que jura a pés juntos não saber o que são piolhos. É do mais piroso que há, esta gente.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Um sítio tão bom para se ir... e estar


Conheci há tempos este sítio. A Pousada de Belmonte fica, literalmente, no meio de nenhures. É um daqueles lugares em que se ouve o silêncio, que é uma coisa que faz muita falta de vez em quando. Pode dar-se um passeio pela serra, respirar o ar puro da terra e recolher a uma leitura sossegada se nos apetecer. Come-se ma-ra-vi-lho-sa-men-te! Mesmo. É um paraíso na terra. Perdido. Como os paraísos. Sem muita gente. Tal e qual como se quer. É uma paz. 

Sobre o cartaz

Usaram o argumento do cartaz, comigo, numa aula sobre relações familiares duradouras com crianças, há cerca de uma semana. Talvez a criatura fosse do BE. Não altura, não percebi. Não o disse por piada. Deu-me o exemplo, como se falasse sério. Passei por cima, relembrando-lhe que só discutia a coisa na base do jurídico. Depois, esta semana, o cartaz. Quanto a ele, de resto, só lamento. Mas só lamento mesmo. Não me ocorre ocupar-me mais com isso. Não foi feliz. Não teve piada. De qualquer modo, acho que não merecia tanto alarido. Aliás, o alarido cumpre, na minha opinião, metade do que pretendiam com aquilo. Não dou para o peditório. Não os levo suficientemente a sério para isso. E não me ofende a fé quem quer. Têm uma missão: ser fracturantes, sobre tudo, sobre todos, custe o que custar. Há alturas em que se perdem. Estar sempre a inventar temas fracturantes deve cansar. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

The X-Files

É de nós, cá de casa, ou o episódio de ontem virou um tudo-nada à esquerda?! 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Aos senhores da Meo

Depois de quase os ter insultado por telefone, sinto-me na obrigação de cá vir alertar o Mundo (pelo menos, o Mundo que ainda me lê). Pois bem, liguei-lhes há uma semana porque, basicamente, estávamos sem televisão e continuávamos a largar notas de cinquenta euros todos os meses como se as achássemos debaixo das pedras da rua. Informei, com a calma possível, que não estava fidelizada e que, por via disso, os queria fora da minha casa e da minha vida. Depois de uma hora ao telefone e um chorrilho de facilidades, vim com um serviço mais barato que o da concorrência e com mais canais e megas e boxes e o raio. Estava contente, embora desconfiada. Com esta gente, ver para crer. E então esperei as quarenta e oito horas pelo contacto e pus-me, comprovada a maneira estóica como me ignoravam, a ligar para lá nas horas vagas (poucas) e enquanto estava em casa a fazer coisas que não exigissem que a música dos homens se calasse (enquanto arrumava alguma coisa, via e respondia a mails, punha e tirava a mesa, enfim...). Passei dois dias pendurada no telefone sem que me atendessem. Hoje, veio cá "O técnico". Para mim, "O técnico" é uma pessoa que nos resolve a vida. Supunha. Mas não. "O técnico" passou cá a manhã, estoirou-me com três horas de trabalho porque precisava constantemente de informações e, embora me tenha devolvido a televisão, deixou-me com o mesmo serviço, tal e qual, que tinha antes: sem nova box, sem mais canais, etc. Segundo "O técnico", porém, com a chuva os serviços cobre podem sofrer avarias e, por isso, o melhor é migrar para fibra. Liguei para a Meo (sim, eu sou uma pessoa que parece desocupada) e fiquei mais umas duas horas a discutir com uma criatura que me ouviu da pá virada porque me diz que não há Meo Fibra no prédio enquanto eu lhe soletro o número de serviço que, diante dos meus olhos, vejo ligado para uma carrada de vizinhos (do prédio, entenda-se). "O técnico" diz que não os entende, mas, na realidade, eu não preciso de os entender a eles, eu preciso é que eles me entendam e me atendam a mim. Quanto à bendita segunda box, aquela que na semana passada demorava 48 horas a ser instalada, continua a caminho, certamente a pé, porque ainda cá não chegou. Liguei novamente para a Meo (reparem que o número para uma coisa não é igual ao número para as outras coisas, o que nos obriga a tirar um curso em linhas de atendimento automático) e informaram-me que talvez cá venham hoje, mas não garantem. Puxei pela memória e invoquei o argumento mais verosímil da histórias dos argumentos "Mas está, por acaso, a querer dizer-me que eu hoje TIREI O DIA para nada?! Acha que o meu PATRÃO vai aceitar que eu aqui esteja à vossa espera toda a semana?!" Sinto que o comovi, mas a verdade é que ainda cá não puseram os pés. Mudo, não mudo?!... Eis a questão. 

De noiva


Tudo, pelo Miguel Ribeiro Fernandes, o mais especial dos fotógrafos.

B., de branco!



O vestido era solto e sem enfeites. O mais simples que algum dia pude ver. O véu era todo festa e maravilha. Apliquei-lhe o presente que o meu pai ofereceu à minha mãe nas bodas de pérola e, com os brincos, eram as únicas jóias que levava. Tirei o anel de noivado depois desta fotografia. Less is more. 

Levaram para casa um pinheirinho


 de que nos devem, de quando em vez, enviar fotografias, até ao dia em que for ele o pinheiro de Natal de casa de cada um dos nossos amigos e familiares. Uma árvore. O tempo a somar-se.

A sala



Pormaiores

O ramo


Amores perfeitos!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

7

O blog fez 7 (sete) anos há dois dias. Passou para a segunda, parece-me. Sabe ler letras gordas e escrever frases completas. Está um crescido.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Casámos há um mês


(Arroz, pétalas e papelinhos de cores... Coimbra, 12 de Dezembro de 2015)

e neste mês mudou muito pouca coisa, embora tenha mudado quase tudo. É verdade que adormecemos agora sempre ao mesmo tempo e muitas vezes de mãos dadas, que acordamos lado a lado todas as manhãs, que ainda nunca jantámos longe um do outro, que já tivemos direito a um domingo inteiro de pijama, em casinha, que nunca mais nos separámos das nossas alianças e que passámos a ser marido e mulher. De resto, não mudou nada. E é essa serenidade dada pelo que o tempo a dois oferece que permite a paz de alma em que me encontro. Estou casada há um mês. Sinto que passou a correr. Não foi um mês idealizado, por isso, vinha sem grandes ideias. Acreditava que seria bom, mas foi muito melhor que isso. O tempo que levo desta vida tem o sabor melhor de todos que é o da naturalidade, da normalidade, do caminho que se faz, seguro, caminhando, sem pressa, nem vagar, ao seu ritmo. Estar com o B. continua a ser uma coisa maravilhosa porque não me exige esforço nenhum. Nem por agradar, nem por me adaptar. Estou onde pertenço, como se nunca tivesse sido de outra maneira. E, talvez por isso, o casamento me esteja a saber tão bem. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre a minha relação com a cozinha

Embora, nesta casa, seja o homem o verdadeiro Chef, parece-me da mais elementar justiça que, tendo ele de fazer 180 quilómetros diários, pelo menos nos primeiros tempos, sem dias de folga que não os do fim de semana, eu me ocupe das arrumações e do jantar. Muito por isso, contra todas as expectativas, sou neste momento uma frequentadora assídua dos sites de receitas normais, daquelas que um calhau com olhos pode reproduzir medianamente. Hoje andei pelo da Pescanova. É pena, porque na realidade sou boa é a doces, mas estou a tentar cumprir um mínimo de dieta e casei com uma pessoa que se pica com insulina. Mas vamos ver. Ou melhor, provar. Mais logo. 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Ainda de 2015, com amor, as coisas boas

- namorei muito;
- fui pedida em casamento;
- dei aulas noutra casa que não a minha;
- vi a Bethânia ao vivo;
- passei alguns fins de semana fora;
- vi uma raposa do Ártico;
- voltei a Itália;
- voltei a São Miguel;
- participei novamente num congresso mundial;
- botei muita faladura;
- fui convidada para escrever um artigo importante;
- fiz 34 anos;
- recebi uns brincos maravilhosos, que usei para me casar;
- fui muito ao sushi;
- vi o Pai Natal no dia do meu aniversário;
- li muito;
- andei mais do que de costume;
- passei a noite de Natal com o B.;
- estive no Círculo Polar Ártico;
- celebrei os 95 anos do meu avô;
- conheci Estocolmo, a Lapónia Finlandesa e Helsínquia;
- voltei ao yoga;
- revi a minha Gio;
- vi um urso polar;
- casei;
- vi uma coruja das neves;
- encontrei a mantilha com que sonhava;
- aprendi a conduzir carros automáticos;
- tive uma entrevista de emprego que correu mesmo muito, muito bem;
- usei lentes de contacto;
- recebi uma Bimba e Lola e uma Carolina Herrera linda de morrer;
- comprei carradas de sabrinas;
- ganhei a minha primeira Victorinox;
- vi renas;
- mandei fazer uns sapatos de sonho para casar;
- jantei muito com os amigos;
- tive os meus por pertinho;
- ouvi a médica dizer que o B. estava fora de perigo.

O bolo



Nunca quis um bolo de pastelaria. Pensei sempre numa coisa com um ar mais tosco, que fosse caseira, que se assumisse como caseira, mas que se impusesse pela delicadeza, pela simplicidade e pela originalidade. Como a flor do casamento era o amor perfeito (o meu bouquet foi de amores perfeitos e vivás, apenas) e como sabia que os amores perfeitos eram flores comestíveis, procurei muito e encontrei quem mos vendesse cristalizados, um a um, num trabalho manual, qual filigrana, que torna cada flor uma obra de arte. Ponderei muito bem, porque isso encarecia estupidamente os meus gastos, mas achei que valia o investimento. Optei por pedir a duas amigas que tratassem do bolo. A S. é uma doceira de mão cheia. Por isso, pedi-lhe que pusesse o melhor do mundo no bolo mais simples de todos: um pão de ló. Acabou por fazer pão de ló, com um nadinha de pó de amêndoa, recheado com ovos moles. Para a decoração do bolo, não podia pedir a mais ninguém. Tinha de ser a minha I., que faz tudo com umas mãos de fada e aceitou o desafio na primeira hora. Treinaram muito, apanharam alguns sustos, mas o bolo estava lindo de morrer. A cobertura escolhida foi um butter cream muito leve e o topo de bolo, esse, tinha-o debaixo de olho há muito - Promise, da Willow Tree. Não é por ter sido o meu, mas nunca vi um bolo de casamento tão bonito. A fotografia é amadora e não lhe faz justiça. Além disso, estava muito, muito, muito bom. A determinada altura, aumentei a fasquia e lembrei-me de como seria especial que o bolo fosse todo feito com ovos caseiros. E assim foi. Foram 320. A família, os amigos, as mães dos alunos da minha mãe, as clientes do meu pai... toda a gente arranjou ovos. Tornou o bolo ainda mais único. Perfeito!

No mês antes de me casar

aconteceram muitas coisas que testaram a nossa paciência, a nossa força e a nossa fé. No dia 12 de Dezembro, porém, nem choveu. Foi um dia lindo de inverno, tal e qual como eu mais gosto. Acordei cedo, vesti-me com muita calma, pentearam-me, maquilharam-me, arranjaram-me de noiva. Almocei uma gelatina e sentia o meu coração tão em paz quando casei que me esqueci de tudo e só fui feliz. Podia muito bem ter sido um dia a meio caminho, mas não foi. Apesar dos muitos pesares, e do maior de todos, de não termos lá todas as pessoas que gostávamos de ter, fomos, os dois, felizes. O B. acabou a noite a cantar e a rir. E olhem que o B. sorri muito mas não ri por aí além. Foi um dia mesmo bom. 

Antes disso, e como incentivo a quem passe pelo mesmo:
- quatro semanas antes, destruíram os nossos dois carros...
- dentro do carro tínhamos os pratos para o bolo de casamento, mandados fazer com medidas certinhas e que tinham mesmo de ser assim...
- a oficina entregou-nos o carro do B. alegadamente consertado, mas com menos um parafuso (!)
- a minha modista teve uma travadinha e um dia achou que não me conseguia empastar duas costuras da frente do vestido (!)
- eu parti um dente (a dois dias de casar... com o bruxismo levado ao rubro pelos nervos)...
- a namorada do meu irmão foi internada (na antevéspera de casarmos)...
- partiram a tampa da gasolina do carro que me levaria à igreja (na véspera do casamento).

mas, como me dizia a L., no fim, corre tudo bem.
Foi isto.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Em 2015


casei-me e fui de lua de mel para a Lapónia.
Conto-vos tudo em breve.
Por agora, desejo-vos só o melhor do mundo para 2016: muita saúde, muita paz e muito amor.
Até para o ano, mais presente. É uma intenção. Bem boa.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Querido Pai Natal,

faltam treze dias para visitar a tua Aldeia. Pensei escrever-te uma carta e pedir-te um sem fim de coisas pelo Natal. Afinal, talvez não volte a ter-te assim tão por perto, à mão dos mais que muitos pedidos que seriam normais nos meus Dezembros. Acontece, Pai Natal, que não tenho lista. Levo os recados no peito, guardados no mais fundo do meu coração. Quero saúde. Quero amor. Quero paz. Quero alegria. Quero tolerância, paciência e serenidade para ver o copo meio cheio. Todos os dias, ou, pelo menos, muitos, muitos dias, a maior parte deles, aquela que faz a balança das pessoas pender para um dos lados. Quero um casamento para toda a vida. E gente a vê-lo. E a vivê-lo connosco, a participar na construção diária da família de que queremos ser os pais. Quero isso. Gente. Boa. E corações com calma, a bater sem sobressaltos grandes. Quero manhãs de mimo e noites de sono descansado. Também quero uma casa, mas, mais que isso, muito antes, quero manter o lar para que trabalhamos vai para muitos meses. Quero isso. Para mim. Mas... acima de qualquer outra coisa, para os meus. São quatro. E mais uns poucos. Os melhores. Quero muito. Com muita força. Determinada a merecer e conservar o que me deres. Quero. E espero. Obrigada. Tua. R.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pequena R., a dona de casa

Sei que o blog mudou definitivamente de rumo e a malta já nem sabe bem quem sou quando recebo este mail:

Boa tarde,

O programa “A Tarde é Sua”, emitido de segunda a sexta-feira na TVI, e apresentado por Fátima Lopes, encontra-se a preparar uma temática relacionada com donas-de-casa. Pretendemos que seja um tema divertido, com convidadas que gostem de ser donas-de-casa e não tenham qualquer tipo de problema em falar sobre isso. 

Assim, vimos por este meio perguntar se estaria interessada e disponível para participar nesta temática.

A temática em causa será abordada já na próxima quarta-feira, dia 09 de Dezembro. A participação no programa implica a presença dos convidados nos nossos estúdios (situados em Queluz de Baixo = sede da TVI), sendo necessário, da nossa parte, um contacto prévio, via telefone com a pessoa em causa. De referir que as despesas de deslocação serão da responsabilidade da produção do programa. Agradecemos a atenção dispensada e ficamos a aguardar uma resposta da V/ parte, com a maior brevidade possível.

Com os melhores cumprimentos,

Na realidade, eu até sou dona de casa. E gosto. Tirando o pequenino pormenor de cozinhar decentemente apenas rolo de carne e salmão, sei fazer tudo, tudo, tudo o que uma dona de casa faz. E gosto, repito. Digo com alguma frequência que podia ganhar a vida a limpar casas, ou a arrumar estantes, roupeiros e despensas em casa das pessoas. Sou perita a esfregar juntas de azulejo, passo a ferro decentemente, lavo a roupa delicada à mão, sei arear panelas e fazer bolos amassados com as mãos. Além disso, há quem diga que tinha futuro como manicure, gosto de decoração, leio sobre cenas do lar e poucas coisas me deixam mais feliz que receber os amigos em casa com uma mesa bem posta. 

Acontece, TVI, que eu não sou a "tua" dona de casa. Pelo menos, não o sou como julgas. Sou dona de casa nas horas vagas das aulas, das teses para ler ( e para fazer ), dos artigos para escrever, das conferências para preparar, dos detalhes de um casamento para organizar e da vida lá fora. Aí, concedo, sou dona de casa. De resto, lamento desiludir-te, mas estou muito, mesmo muito ao lado do que deves esperar de mim. Caindo na fácil tentação da generalização, não, eu não vejo muita televisão. Repara: eu não vejo o teu programa. Aliás, há muitos meses, recordo-me agora, que não devo pôr a televisão na TVI; eu só leio revistas cor de rosa quando vou pintar, cortar ou esticar o cabelo; eu não ligo para os prémios da sorte e; atenta bem, eu não sou (AINDA) dona (juridicamente falando) sequer, da minha casa. Lá chegaremos. A seu tempo. 
Por isso, TVI, lamento, mas não, dia 9 dá-me jeito ficar por cá. A três dias de casar, devo andar a mil. Não leves a mal. Declino o teu convite.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Despedida de solteira... muito comme il faut!

Fizeram-me falta:
A Mafa, a Inês, a Cristina, a Rosa, a Dulce, a Cláudia e a Joana. Se às despedidas de solteira também fossem rapazes, acrescentaria a esta lista o Nuno e o Gera. 

Quem esteve, ocupou a minha tarde como só quem me conhece muito bem podia fazer: um chá com scones quentinhos numa das salas mais bonitas da minha Quinta para casar, presentes em forma de livros sobre tudo e mais alguma coisa (dominando os temas bebés e Natal) e uma sushizada no rio. Não podia ter sido mais perfeita. Quentinha, em verde e vermelho, cheia de luz e riso. Foi a melhor do Mundo. Pelo menos, do meu. Obrigada, Carlinha!

P.S. E pronto, hoje há nomes. Porque sim.

Sobre a black friday

Estive 45 minutos à espera de um casaco azul escuro básico de criança.
Demorei 30 minutos para encontrar uma alma que me fosse ao armazém buscar umas meias de menina até ao joelho.
Precisei gastar um tudo-nada mais de uma hora para pagar um robe e uns chinelos (sim, numa fila para a caixa... e não... não foi na Primark, nem na Zara, que aí, pronto, a pessoa diz que já sabe ao que vai...). 
Encomendei umas sabrinas quase duas horas depois de ter decidido quais as que queria mesmo (decisão que não me tomou mais de dois minutos).
Perdi duas preciosas horas da minha vida dentro do carro: uma para entrar no parque, outra para sair.

Eu tinha há muito visto que só na sexta é que podia tratar de coisas miúdas para o casamento. Organizei a minha semana e tenho o privilégio de contar com uma profissão em que, na maior parte dos dias, posso fazer o meu horário. É impossível que esta seja a realidade de toda aquela maralhada de gente. Não acredito também que sejam todos uma cambada de desempregados porque, em boa verdade, a maioria trazia sacos nas mãos. Então impõe-se a pergunta: Há pessoas que faltam ao trabalho para ir às compras, não há?! 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Imitação

Veio ontem. Volta hoje. Estamos a ver se imitamos a vida lá para diante e nos olhamos nos olhos todas as manhãs. 

Falta um mês para o Natal

Falta um mês para o Natal e nesta casa já se respira o cheiro bom da época. Temos árvore, temos estrela, temos coroa na porta, temos presépio, temos louça vermelha e dourada, salpicada de estrelinhas, para o café do fim do almoço, temos chávenas grandes de chá com bonecos de neve estampados, temos individuais com debruo de verde e desenhos de folhas de azevinho, temos renas no pano do cesto do pão, temos luzes quentinhas e velas com aroma de baunilha, temos chá de gengibre e as gavetas com saquinhos de cheiro novos, de alfazema. Nesta casa é Natal e daqui a pouco mais de quinze dias será Natal em nós. A dois. 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Lua de mel

 Primeiro aqui.

 Depois aqui.

E, por fim, aqui.

O lema da cidade de Paris

Fluctuat nec mergitur.

Está escrito no escudo da cidade desde a Idade Média, muito antes de se falar em terrorismo, ISIS ou Kalashnikovs. Significa: "É sacudida pelas ondas, mas não afunda!"

domingo, 15 de novembro de 2015

Ontem

Ontem dormimos descansados, estafados de uma semana como poucas, acordámos descansados, tomámos o pequeno almoço descansados, demos um jeito na casa descansados, tomámos um banho descansados, vestimo-nos descansados, arranjámos as coisas para levar para casa dos meus pais descansados e saímos de casa descansados, cerca do meio dia e meio. Na rua, em frente à nossa porta, havia muitos vidros de todas a cores e bocados de metal cinzento. Reparámos que o carro do B. tinha uma lateral desfeita. E perdemos o chão. Depois, virei a cara em desespero e encontrei o meu carro, do lado de lá da rua, estacionado num sítio onde eu não o tinha deixado, passível de se reconhecer única e exclusivamente pelos bocados de sacos da Vista Alegre que apareciam entre os destroços. Deixei cair tudo no meio da estrada e com o tanto que chorava e tremia, não sei como não caí também eu. O carro do B. está para consertar, sabe Deus quando. O meu, companheiro inseparável desde o dia 31 de Julho de 2004, em que me apareceu à porta de casa dos meus pais com um laço vermelho em cima porque o curso estava acabado, não tem conserto. O jovem que, sem carta, enquanto eu dormia depois de uma semana de trabalho, me "roubou" o meu carro, levou com ele bem mais que isso. Levou-me a paz que se deseja às noivas a quatro semanas de casarem e as memórias infinitas dos momentos bons e maus que passei naquele lugar. Têm sido anos complicados, estes. Quando estamos a ficar bem, vem uma puta de uma sombra de doença, uns chanfrados de uma Faculdade que permite que as teses não se marquem e as vidas das pessoas fiquem em suspenso, um cliente que faz ameaças ou um jovem sem carta que, numa rua inteira, resolve acertar nos nossos dois carros, e desorganiza-nos ainda mais a vida. Juro que me esforço por ver o copo meio cheio, que sei que em Paris morreu gente e que, é verdade, pode sempre ser pior. Pedia era que, entretanto, parassem os testes de resistência. Estou a ficar mesmo cansada. 

P.S. Nos sacos da Vista Alegre, por onde o reconheci, restavam os cacos em que se transformaram os pratos mandados fazer de propósito para o bolo do nosso casamento. Levantados na sexta à noite na loja para entregar ontem na Quinta. É isto.

P.S. 2: Eu precisava de escrever isto, a ver se páro com os ataques de choro. Trabalhei toda a tarde para tentar abstrair-me, mas não é fácil. Precisava escrever. Mas não quero falar. Não quero falar mais disto, pelo menos para já. 

sábado, 14 de novembro de 2015

Outra vez... não!

Atentados em Paris, 13 de novembro de 2015

Um murro no estômago para quem pensa pôr filhos no Mundo... O que é isto? Quem é esta espécie de gente que brinca assim às mortes como quem acha que a vida é pouco mais que nada?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Scones (para intolerantes à lactose)

Desde que faço scones que sigo meticulosamente a receita da Raquel. Nunca me falha e por mais que inventem de me mostrar scones da bimby ou famosas receitas inglesas em que não se pode tocar na massa com as mãos, os meus scones continuam imperturbáveis no primeiro lugar do meu pódio. Sucede que hoje tenho gente em casa e, apesar de não ter deitado ao lixo o bolo pipi, achei por bem fazer uma coisa mais pequena R. Resolvi-me pelos scones, amplamente elogiados há muito pelos meus convidados. Tinha tudo em andamento e as mãos já sujas de massa quando... me lembro que não tenho leite em casa, que há um ano que não consumo disso. Sair à pressa para ir buscar leite não me pareceu razoável, não só porque precisava de tomar banho e mudar de roupa, como porque o forno estava no ponto e as minhas tarefas tinham hora. Vai daí, pensei muito e achei que a função do leite devia ser, sobretudo, a de dar algum líquido à massa, uma vez que a manteiga não era suficiente. Decidi que podia muito bem tentar com ovos. Para 600 gr. de farinha, usei quatro ovos médios. Não os bati antes de incluir na mistura, nem fiz mais nada de extraordinário. Meti-os inteiros lá para dentro e envolvi tudo com as mãos (como faço sempre, quando se trata de scones). Rezei para que a coisa não virasse à esquerda e não resisti a provar um quando saíram do forno. Ainda estava a tempo de descascar fruta e fazer disso a sobremesa da malta. Mas não foi preciso. Estão óptimos. E assim, sem querer, acho que arranjei uma receita boa para a minha Mafa e demais intolerantes à lactose! É isto!

A sessão de noivado, esse momento tão importante quanto assustador

Quem pretender casar nos próximos tempos, pode pedir-me ajuda. Basicamente, tenho tabelas para tudo e já vou no 21.º ensaio de combinações de gente nas mesas... Se calha a chegar ao dia e ficar tudo com cara de quem comeu e não gostou da companhia, corto os pulsos. Ora bem... uma das minha famosas tabelas, geradora de grande controvérsia cá em casa, é a dos fotógrafos. Tem preços e depois todos os prós e contras. Há coisas muito baratas, mas que não incluem filme e têm um ridículo limite de 5 horas de serviço; há coisas estupidamente caras que até incluem drones (é Dezembro... o mais certo é estar a chover a cântaros, gente), e há muita coisa entre os mil e quinhentos e os dois mil euros em que temos de ver o que diferencia cada proposta: o estilo do fotógrafo (para mim, factor mais importante de todos), a duração do serviço, a possibilidade de vídeo, a presença de mais do que uma pessoa no dia do casamento, a oferta de álbum, os prazos de disponibilização de link de fotos, a previsão de uma sessão de noivado,.... Confesso que nunca tinha pensado nisto da sessão de noivado, mas atendendo a que até hoje fui sempre fotografada por gente que conhecia e no dia do casamento o fotógrafo oficial era um perfeito desconhecido, achei que fazia sentido. Convenci o meu homem a custo, agendámos a coisa para o passado sábado e saímos debaixo de um dilúvio em direcção a Lisboa. Tinha pensado numa coisa descontraída, serena, num bairro típico, com um passeio de eléctrico pelo meio, uma ida a uma livraria ou a um museu, enfim. Podia ser que ainda desse para avisar algum amigo e juntar o útil ao agradável. Acontece que a capital nos recebeu em lágrimas. O céu todo a deixá-las cair, gordas e pesadas, inchadas de tanta alegria por nos verem prestes a casar. Vai daí, toda a sessão se resumiu a mil voltas pela Graça, nós e os guarda chuvas, mais a gabardina e o medo de escorregar e cair. O querido Miguel garante que se safa meia dúzia... Eu acho que devem ser aquelas em que nos mandou conversar descontraidamente para fotos mais casuais e acabou a repreender-nos porque acelerámos a fundo em considerações sobre as alterações à prescrição penal, gesticulando, encostados ao Miradouro, como dois tolos. Segundo o Miguel, não somos normais. Já desconfiávamos.

Finalmente... sobre as eleições!

Vamos supor que dez amigos se juntam para decidir a cor do serviço de jantar que pretendem oferecer a outros dois amigos. Há serviços de todas as cores, mas, em regra, os preferidos são um clássico azul escuro ou um modernaço amarelo canário. A votação, essa, foi no seguinte sentido:
Azul escuro - 3 amigos
Amarelo canário - 2 amigos
Café com leite - 2 amigos
Dourado - 2 amigos
Cor de rosa - 1 amigo
Feitas as contas, e parecendo ter vencido o azul escuro, resolvem encomendar o serviço. A impaciência do amigo A, que votara no amarelo canário e sempre disse que não havia cor mais bonita para alegrar uma mesa, há muito que se fazia sentir, mas foi já no interior da loja que decidiu armar uma cena e dizer que o serviço que tinham de levar era o amarelo canário. Se não, veja-se, argumentava A: amarelo canário teve dois votos apenas, é certo, mas se lhe somarmos café com leite e dourado, que puxam um bocado ao amarelo, quer se queira, quer não, então o "seu" serviço já perfaz seis votos. E, bolas, que não lhe viessem com tretas: seis era maioria, disso não havia dúvidas. Está bem que os seis podiam ter votado no amarelo canário e não o fizeram, mas, caramba, votaram todos dentro da mesma paleta de cores, mais quente ou mais fria, mas ali à volta dos amarelos. E, continuava A, esta seria a solução mais justa, tanto mais quanto parece impossível dizer que cor de rosa possa confundir-se com azul. São cores completamente diferentes, não têm nadinha a ver. E ainda por cima, juntas, perfazem menos de metade dos amigos votantes. Para A, conclui, não há dúvidas: avance-se para o serviço amarelo canário.

Vamos agora supor que eu sou especialista em cores e consigo explicar-vos que amarelo canário não é igual a café com leite e nem dourado se confunde com as duas cores precedentes. Vamos, finalmente, supor que eu consigo explicar-vos, como se fôssemos todos muito burros, que os amigos que foram à loja e votaram no café com leite e no dourado podiam... ter votado no amarelo canário. Não votaram, simplesmente porque não quiseram. Escolheram não votar nem no azul escuro, nem no amarelo canário, nem no cor de rosa. Dois escolheram ainda não votar no café com leite, porque já estão a imaginar que o dourado é que fica bem nos castiçais que a amiga põe sempre na mesa. E os outros dois, bem, acham que nada ficará tão bem com o tom das paredes da sala da amiga que um serviço café com leite. Se o amarelo canário lhes podia ser opção? Eh pá, até podia, se, por exemplo, antes desta votação tivessem pedido à amiga que limitasse a escolha a duas cores e ela tivesse dito que preferia azul ou amarelo canário. Acontece que não pediram, que a amiga nem sabe que vai receber o serviço, que a loja lhes perguntou que ideias traziam e eles disseram que o melhor era verem tudo e que vencesse o melhor. 

Eu cá, honestamente, não sei se o azul é o melhor, nem tão pouco se é daqueles que se estragam quando vão à máquina. Sei apenas, e é o que me interessa, que, pelas contas que aprendi a fazer há quase 30 anos, ganhou o azul. E o A não sabe é perder. E isso, deixem-me que vos diga, é mesmo pouco democrático!

P.S. "Puxar um bocado ao amarelo" e "andar à volta do amarelo" não significa "ser amarelo"!

It's a bridal report #5

Já tenho brincos e sapatos. Provavelmente, as duas coisas mais importantes (a seguir a ter noivo) para que um casamento se faça.

Cake design

Estou de volta da primeira experiência. Se não puser tudo no lixo, logo mais à noite mostro-vos o resultado.

Na hora h

Todos os grupos de amigos terão as suas peculiaridades e códigos secretos de amizade. Não digo que o meu seja melhor, ou pior, ou até diferente. Mas como me sinto muito confortável nele, sabe-me bem referir a massa de que somos feitos. Capazes de ganhar horas, dias, noites inteiras a dizer disparates, a rir dos disparates, a recordar velhos disparates, não conseguimos passar muito tempo longe. Podemos não concordar com todas as opções que cada um tem, chamar à razão quem nos parece mais perdido e até dar conselhos para lá do que nos é pedido. Ninguém se chateia, nem tão pouco se melindra ou aborrece. Entre nós há profunda liberdade de dizer tudo. Sabemos que as opiniões mais sinceras não serão mascaradas por palavras de conforto, mas sabemos também que, a seguir ao ralhete, nos pode faltar o mundo, mas não faltamos uns aos outros. Somos muito poucos. Destes, com esta certeza inabalável que, aconteça o que acontecer, estamos lá, somos mesmo poucos. Nada que nos apoquente por aí além. Na hora h, somos gigantes, fazemos as vezes de 5, cada um, ou de 10, ou de 20. Não desistimos, não abandonamos, não viramos costas, não nos demitimos, não dormimos, se for preciso. Na hora h, pode o mundo virar-se ao contrário e vir contra nós... nós somos imbatíveis. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

It's a bridal report #4

E parece que já temos bolo. Lindo. Mesmo especial, pá!

No entretantos, temos 1/10 dos convites entregues, mais ou menos dois meses até à boda e uma sensação até agora desconhecida de que o tempo, caracinhas, começa a apertar.