terça-feira, 15 de maio de 2012

Quem vier a seguir

que arrume a casa!


É de uma tremenda injustiça quando somos obrigados a pagar a factura dos estragos provocados por outra pessoa. Mas não deixa de ser igualmente profundamente injusto e criticável quando fazemos uma pessoa pagar a factura dos estragos que outra provocou em nós. Não sei o que é pior. Se ser a pessoa que vem a seguir, se ser a alma estragada de quem se abeira novo incauto. São tudo posições ingratas, parece-me. Sempre que cheguei a seguir e fui forçada a saltar barreiras, apanhar cacos, varrer folhas secas e arejar a vida escura do outro, do alto da minha indignação, consegui, sem grandes remorsos, gritar que se dane, que se reerga, bolas, que eu não tenho culpa nenhuma, como credora insatisfeita do que a ternura inicial me promete e a descoberta do dia a seguir ao outro dia nega. E a verdade é que quem vem a seguir não tem mesmo culpa de ter chegado demasiado tarde para lhe evitar os estragos provocados por quem se apressou na corrida e afinal não quis trilhar aquele caminho até ao fim. Quem vem a seguir também chega cansado, ora essa, também traz bagagem, também tem feridas. Pode, portanto, passar-se da marmita de vez em quando sem que, com isso, esteja simplesmente a dar sinais de pretender desistir. Só se cansa, a tempos, de remar contra a maré, de quase ter de pedir desculpa por ter aparecido e gostar de tentar saber o que pode sair dali. Quem vem a seguir também é gente. Não é personagem isenta de falhas. Mas se isto é mau, se isto é posição geradora angústias e sentimentos extremos de impotência, ser sensato e perceber que estamos a fazer pagar o desgraçado que chegou a seguir pelos erros do que nos partiu o coração, momentos antes, em mil pedacinhos, não é coisa que nos deixe mais apaziguados. Vivemos, neste caso, numa luta interior duríssima, entre o que gostávamos de fazer e o que conseguimos fazer, entre o queríamos dizer e o que conseguimos verbalizar, entre os passos que desesperamos por dar e a gigante mão invisível que nos impede de sair do sítio. Bem sabemos que exigimos agora de quem faz por nos merecer muito mais do que algum dia pudemos ser capazes de imaginar reclamar de uma pessoa. Tornamo-nos extremistas, exigentes, demasiado exigentes, intransigentes, incapazes de relevar uma falha, com sérias limitações para a tarefa da relativização. Apostamo-nos em ser fiéis de uma balança a que se ascende apenas pelo tudo ou nada. Fechamo-nos numa concha demasiado dura e fazemos um finca pé esquisito, quase autista, às demandas do mundo. Lamentamo-nos. Somos humanos, portanto, não deixámos de ser frágeis. Aliás, nunca estivemos tão frágeis. Mas nunca nos deixaram tão entregues à nossa sorte, nunca nos tiraram o tapete de forma tão abrupta, nunca nos deram uma tareia tão dolorosa. Quando isso acontece, precisamos de atacar, para nos defendermos. Preferimos ficar sozinhos a correr o risco de nos partirem novamente o coração ainda tão cheio de cacos em falta. 

Sinceramente, acho de uma injustiça inqualificável obrigarem as pessoas a passar por isto. Por uma coisa ou por outra. Bem melhor seria que, na arquitectura do mundo, as peças se encaixassem correctamente à primeira, que as histórias se escrevessem sem ser rasuradas, logo de um fôlego. Mas não é assim que acontece e o resultado está à vista. Tanta boa gente disfarçada de má. Tantos pares de mãos prontos a dar-se e com medo que os dedos não se encaixem. Tanta história por escrever e calada por não encontrar, nas resmas vindouras, folhas verdadeiramente em branco. Tanto coração disposto a viver feliz junto e a forçar-se a acreditar que sozinho é que se está bem. É um dó de alma assistir a isto.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Verdades e assim assim

Manias

De manhã e à noite não gosto de fazer refeições frias. Parece que fico mal disposta, não sei. Talvez por isso, não consigo pequeno almoçar um iogurte, por exemplo. Como sempre fruta, sempre. Normalmente, laranja. Mas preciso de um chá quentinho, de umas torradas quentinhas, enfim... de coisas quentinhas, para começar bem o meu dia. Mais ou menos na mesma lógica, não me importo nada de almoçar saladas, mas ao jantar, ao jantar custa-me tanto. Posso jantar só sopa, mas tem de ser uma coisa quentinha. Hoje, e porque estou a chegar agora a casa, ainda pensei numa saladinha, mas acho que vou pelo menos saltear uns cogumelos, só para aquilo não ser tão frio. Já não estou com pachorra para cozinhar, mas misturar ingredientes em frio, quer-me cá parecer, vai deixar-me desconsoladinha de todo. Tenho manias estranhíssimas... não liguem!

O cúmulo da preguiça

é estacionar no lugar a seguir ao passeio que dá entrada para a garagem do prédio, de modo a ser só descer o lancil e poder estacionar de frente. Sou uma pessoa que, modéstia à parte, até nem estaciona mal de todo noutras posições... mas para quê estar a esforçar-me se posso armar-me assim em esperta?! Se virem alguém aqui na rua a fazer essa figura, sou eu. 

Do sentido



Como pode alguém querer cuidar de mim
Se de afeto esse alguém não entende nada

Grata!

Já uma vez me disseram que os actos de justiça não se agradecem. E já alguém comentou comigo que aos amigos não se diz obrigada. Eu, cá por mim, acho que uma palavra de reconhecimento faz muito sentido em todos os contextos. Gosto dela. Digo algumas vezes obrigada. Digo muitas vezes que fico grata. O sentido é o mesmo. Aprecio quem me faz um bocadinho mais feliz, nem que seja só um bocadinho pequenino e com uma coisa quase insignificante. 

Cá por casa







Sim. Estou de meias.

Bom dia, alegria!

Não sou eu que digo #4

Será que mereço a felicidade? Será que vou encontrar alguém que me vai preencher os dias? Será que alguma vez me vou sentir completo? Estas são dúvidas que periodicamente me assaltam os pensamentos, como se a vida que vivo não fosse suficiente, como se o tempo que se passa sozinho não faça parte de uma vida que valha a pena viver. Não sei se surgirá alguém que me leve a escrever planos para a vida futura, que se ajuste aos meus desejos, ou então que me faça rever ou esquecer todos esses desejos, mas sei que a vida é demasiado preciosa para a desperdiçarmos à espera que algo aconteça. Vemos mortes sem sentido quase diariamente, vidas que desaparecem sem esgotarem o seu contributo para o mundo, como velas em que ainda há cera por derreter, mas que se apagam devido a uma brisa mais forte. Só em homenagem a essas vidas que se desvaneceram, deveríamos diariamente tentar fazer algo útil com a nossa vida, tentar que a nossa existência fosse mais que uma mera passagem repetitiva dos dias para as noites. 
O otimismo nunca foi um traço da minha personalidade, nunca achei que tudo se irá resolver um dia e raramente consigo manter uma atitude positiva sobre a vida, mas quero crer que no futuro vou responder afirmativamente a todas aquelas perguntas, que me vou libertar de todas estas amarras emocionais que não me deixam ser tudo o que posso ser, tudo o que quero ser…

Dele. Outra vez.

Pequena R. pede ajuda ao leitor

O meu grande amigo CPS, responsável maior por me ter metido nesta coisa dos blogs, administrador insuperável do Magnólia, precisa de ajuda. Na verdade, o blog dele parece ter sido atacado por um ordinário de um vírus que não dá tréguas. A bem dizer, tenho saltado por cima dele e ido ao blog diariamente e o meu pequeno filho mac ainda não teve uma ceninha má. Mas é preferível não continuar a  arriscar. E não quero o Magnólia de quarentena. É demasiado bonito para ficar escondido. Por tudo isto, pergunto: de entre as almas mais amigas e foffis e espertas da blogosfera, vulgo, os meus seguidores, há alguém que possa dizer qual o remédio mais certeiro para que possamos pôr o ordinário do vírus KO?! Sou vossa fã. Já disse?! Obrigadinha, sim?! Cá beijinho à vossa R. mais preferida :)

domingo, 13 de maio de 2012

♥

Do segredo

Há dias em que me leio num tempo que já passou para não voltar e... custa ainda mais.

Do sol. Da coceira. Disso.

E pronto. Veio o sol. Não andei em vestido de festa que muito me expusesse, que não. A verdade, aliás, é que me rendi à sensata hipótese de um camiseiro branco e, portanto, portei-me bem. Acontece que, lá mais para o meio da tarde, e porque os putos andavam de gaivota no lago e estava um calor de matar pessoas, decidi armar-me em normal e arregaçar as mangas. Neste momento, tenho toda uma vasta panóplia de borbulhas no peito e dos cotovelos para baixo, coincidentemente as partes de mim que viram sol. Na cara, por enquanto, escapei. É uma maravilha, sinceramente!

Hoje é dia


de pequeninas pessoas à beira!

sábado, 12 de maio de 2012

♥

Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...


Cecília Meireles

Do segredo

Às vezes, sinto um eco quando me falo ao coração...

Tão pacífico. Tão ansioso.

Futilidades

Diz que está mesmo muito calor. Logo de manhã, pintei as unhas de coral. É o mais que posso fazer para me conciliar de alguma maneira com este tempo. 

Para quem ficar em casa

e não quiser ir esplanadar...

Na TVI está a dar um filme absolutamente perturbador, mas maravilhoso e com um desempenho ímpar da Angelina Jolie. A TROCA. Vale a pena ver. Eu tenho de trabalhar, se não, se não, revia mesmo.

Verdades e assim assim

Sou uma pessoa que faz por pôr a economia a mexer, que dá o seu contributo, que mantém o espírito consumista em alta, que entende a importância da circulação do capital...

no mercado dos collants.

É. Raramente duram mais de uma/duas utilizações!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Do lanche de há dias

Da morte



A morte é, quase sempre, uma coisa estúpida. Ridiculamente, são muito mais as vezes em que a morte não passa disso, de uma coisa estúpida, por inesperada, por precoce, por traiçoeira de sonhos e projectos e de uma vida que não se cumpre. Raramente a morte surge num tempo adequado para que ganhe honras no palco ou como alívio. Mas há mortes que conseguem desafiar ainda mais a lógica e a vida do que as mortes estúpidas. São as mortes mesmo, mesmo estúpidas. Como esta, do Bernardo Sassetti. 

Amigo é

o que partilha a dúvida e, passado um tempo, partilha a certeza. Amigo é o que dá conselho no primeiro momento e ouve sem julgar no segundo, concorde ou não com a decisão. Amigo é o que desaba sem complexos. Amigo é o que fica solidário, não o que tem pena. É... é isso. Acho eu.

♥



Deve ser da fase do mês... Não encontro muitas outras vias de explicação.

Será?!


Sou uma medricas de marca relativamente a estas reviravoltas na vida de um país... mas...  Não tenho a ingenuidade de achar que é porque não têm governo que crescem, como uma equação básica de quem descobriu a roda... mas... Por defeito de profissão, lido mal com a total ausência de regras... mas... Nem conheço a obra política do autor do artigo... mas... Será?!

Antes de dormir...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dos dotes

Há dias em que sou levada a quase acreditar que até sei cozinhar. Temperei duas postas de salmão a meio da tarde, com sumo de limão, um fio de azeite, sal, pimenta preta e alecrim. Peguei nelas às oito e pouco e pu-las no forno. Enquanto coravam, cortei três batatas e uma cenoura para um tacho e pus aquilo a cozer só com sal. Quando estava quase cozido, deitei lá para dentro um ovo aberto, que escalfou. Apaguei, sequei e reduzi a puré. Voltei a levar ao lume com uma colher de chá de manteiga e uma pitada de pimenta (não tinha cá noz moscada, não batam mais) até engrossar. Quando acabei, tinha o salmão também pronto. Pus a mesa, servi-me e... a medo... tentei. Estava mesmo bom! E pronto, metade foi o jantar. O resto será o almoço de amanhã. Então não querem lá ver que, vai na volta, e até sou uma pessoa dotada para a cozinha?!

Contem-me lá...

É impressão minha ou parece que a Queima já não é vivida da mesma maneira?! Durante o dia não se vê gente trajada na rua, à noite só encontramos estudantes se formos ao Parque, não se fala de Sarau Académico, Chá Dançante, Garraiada ou Venda da Pasta... Os meus alunos mandam-me mails com dúvidas... Pessoas... é Queima!!! Quem raio são vocês para terem dúvidas da matéria numa semana como esta?! Esta gente é muuuito estranha. São muito mais irresponsáveis que nós e, no entanto, quer-me parecer, divertem-se tão menos do que nós nos divertíamos... 

Pequena R. pede ajuda ao leitor

Há por aí alguma alma informada que me diga qual a melhor opção agora que a EDP não manda sozinha nos momentos em que damos à luz em nossas casas?! Acabo de saber que aguardam, em casa dos meus pais, o meu douto parecer sobre a questão. Não quero desiludi-los e mostrar-lhes que, apesar dos já 25 anos de estudo que levo no lombo, ainda sei de muito poucas coisas e do que sei é mal e porcamente. De dar à luz, aqui me confesso, sei tanto como de lagares de azeite. E eu não sei de lagares de azeite. Compro da gallo e já na garrafa. Grata, sim?! 

Heroínas de carne e osso

Também deve haver heróis destes, mas, até agora, só conheci heroínas. Duas. Idades diferentes, vidas diferentes. Uma história comum. Um encontro com um homem apaixonante, daqueles que dizemos poder ser o homem da vida de qualquer mulher, apaixonado, dedicado, sem hesitações entregue à mulher que amam. E, um dia, a dúvida, o desconforto. E, no outro, a certeza: é o meu amigo, o meu companheiro, mas não é o homem da minha vida. E elas dizem-lhes. E eles sofrem horrores. E, postos os horrores do sofrimento nos pratos de uma balança, tanto que esta penderia para o lado delas. Incompreensível, dirá a maioria. Coragem, fibra, lealdade a si mesmas, diria eu. Não sei se seria uma destas mulheres, postas as coisas nestes termos. Prefiro nunca descobrir o que faria. Na verdade, sempre que me lembro do que me disseram, não tenho espaço para muito mais que a admiração profunda por estas heroínas. Pelos vistos, ao dizerem a palavra fim, começou a doer-lhes uma dor aguda e, ao virarem a costas a quem reclamava que ficassem, enformou-se-lhes a saudade maior humanamente sentida. É preciso acreditar muito na história da felicidade.

Das saudades

Às vezes batem-me aqui à porta. Deixo-as entrar. Sou uma pessoa simpática. Não sei do que são. Mas isso é só quando penso. Quando não penso, parecem-me óbvias. Ou então é precisamente ao contrário e é quando não penso que não sei do que são e quando penso que me parecem óbvias. São tão parvas. 

São as mesmas que devem bater à porta das alminhas que critico do alto da minha cátedra. Essas mesmo a quem, sem hesitações de maior, aponto o indicador. Vê-se bem que não se trata de arrependimento ou querer, afirmo, mas de se ser humano e se ter ego... E toda a gente sabe que, se há personificação do pecado da gula... ela é o ego das pessoas. As saudades e o ego, juntos, são insuperáveis a construir equívocos. E nem sempre estamos com cabeça para lhes estragar o esquema... também é verdade. Dá trabalho e mói. E de coisas que dão trabalho e moem andamos já nós todos mais que estafados. 

Impossível - dos posts com alma

Da última vez que estive nos Açores, ouvi uma frase que nunca mais deixou de me acompanhar "O impossível é a medida do Homem.". Há dias, encontrei, já não sei onde, a frase "Por não saber que era impossível, foi lá e fez.". E a intermitência nas minhas convicções não dava tréguas. Ora me rendia à força ingénua das minhas frases, ora recolhia ao conforto da inevitabilidade. Não me entendia, nem ao resto. E teimava que talvez, lá bem no fundo, soubesse as respostas para as perguntas, mas, preocupada comigo, me fosse, apoucadamente, protegendo de as trazer à superfície de mim. Não tenho muitas dúvidas que vamos sabendo, intuindo, sentindo... que raramente as surpresas são isso mesmo... uma surpresa. Cuidamos muito de saltar barreiras, amarfanhar embotados, mas nós sabemos. Quase sempre, acho mesmo, nós sabemos bem mais do que cuidamos aceitar que sabemos. É difícil ser tão esperto. Ser gente dá uma trabalheira. E isto baralhava-me ainda mais e, confesso, assentava numa insuportável sensação de fingido, de fraude, de ser uma treta a história do coitadinha de mim que não imaginava. Insuportável. Suportamos pior as mazelas que reconhecemos ter ajudado a fazer. Até que encontrei uma tentativa de resposta que, apesar tudo, de não estar testada cientificamente e o raio, parece-me, vai conseguindo apaziguar-me a má experiência de ignorar que bem podia ter-me avisado. Não é só... ou tanto... por uma pressa inconsequente. Não. Afinal, é porque a minha medida não é o impossível... mas o coração. E toda a gente sabe que se há coisa sem limites não é o impossível... é mesmo o coração. Porque o impossível, o impossível é nada. Hoje vou fazer puré de batata para acompanhar o salmão no forno. O impossível é só o poema. O coração, o coração é que é o poeta.  

Gosto desta

Da fruta

Comi as minhas primeiras nêsperas deste ano. E gostei. Gosto de frutas de época.

Manhãs que rendem

Tinha os vasos da varanda cheios de folhas secas e com a terra dura como pedras. Hoje foi dia de a remexer, tirar as folhas secas e redefinir as plantações. Depois reguei tudo, varri e limpei o chão com um detergente com cheiro a sabão natural e abri as janelas todas para se me fundir a casa com o ar arrumadinho do que está lá fora. Ando a chá de maçã e hibisco, mas não nego que também pequeno almocei um dos scones que sobraram ontem do lanche. As panquecas, em estreia pelas mãos de pequena R., sumiram todas, com açúcar, canela ou compotas. Tomei banho, rendi-me ao ritual de besuntar a pele com creme, que nem sempre apetece cumprir por imperativos de preguicite aguda. Já li meia hora de um livro não profissional (continuo a tentar cumprir este bom hábito matutino) e já arrumei o que andava fora do sítio, que há que preparar a casa para a chegada da minha Dona G., amanhã. Há muita roupa para passar... convém não a enervar ainda mais com o cenário do demo de desarrumação global. Já li um pendente que me andava a consumir e já fiz a minha apreciação e já a enviei a quem de direito. Já fiz um bocadinho de provas de uma coisa para publicar (ainda não acabei, mas é uma coisa chata e que não dá grande pica... corta s, acrescenta vírgula, troca minúscula por maiúscula, faz parágrafo... não é propriamente uma actividade que desenvolva muito o intelecto, embora seja chata comóraio). Não foi tudo exactamente por esta ordem, mas foi isto. Agora preparam-se aulas (já só temos mais quatro semanas delas). Daqui a nada almoça-se e continua-se. Há manhãs que rendem. Para a semana, num dia qualquer, hei-de equilibrar o mau humor de ter de me pespegar novamente na loja do cidadão com uma das poucas conquistas mesmo boas do tempo do sol - montar novamente a rede ali na varanda. Sou uma rapariga que não aprecia o calor... mas tenho a casa cheia de luz e, não sei porquê, está-se bem a trabalhar aqui.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Vou contar-vos um segredo

mas ainda não é hoje...

Devo confessar


Aos poucos, muito lentamente, vou recuperando algumas esperanças na ameaçada espécie dos homens que valem a pena. Ou porque a história que me fez escrever este texto morreu e deu lugar a outra com um homem que dá gosto conhecer, ou porque, à medida que o tempo passa, esta pessoa me reconfirma o quanto aquele com quem está é o homem da sua vida (no outro dia, dizia-me "sabes que tudo aquilo que agora te parece imenso vai apequenar-se... quando te encontras diante da pessoa com quem tens filhos e isso se ajusta em projecto feliz da tua vida, tudo o que fica para trás acaba por parecer-te tão ridiculamente menos importante..."), ou simplesmente porque me apaixono pela condição de humano que ama a cada novo texto do MEC, ou porque descubro coisas assim, como esta, tão maravilhosas, ou porque a vida me vai apresentando, a tempos, quem, deliciosamente, me baralha as certezas. Acho que é por uma destas razões, ou por todas elas em conjunto, mas, aos poucos, muito lentamente, a verdade é que vou recuperando algumas esperanças na ameaçada espécie dos homens que valem a pena.

♥

Gosto quando, inesperadamente, 
me escrevem ou me dizem 
"Gosto de ti". 
Aconteceu ainda agora e... é tão bom :)

eu

A minha eu voltou ao blog. Estou em êxtase.

terça-feira, 8 de maio de 2012

♥


É a companhia de hoje à noite, enquanto leio, finalmente, um artigo com alguma utilidade para a tese.

Muito bom!

Non sense

Tenho um pedido a fazer-te. Que não te vás. Tenho um problema a confessar-te. Não sei quem és.

Verdades e assim assim


Uma vez, disseram-me que, um dia, perceberia que não conseguiria mudar o mundo e que, a partir desse dia, a minha grande obra seria impedir que o mundo me mudasse a mim.  

Dos amigos

Às vezes, dou por mim a explicar-lhes que são criaturas especiais e, enquanto verbalizo aquelas verdades, a gostar ainda mais um bocadinho deles, a perceber como tenho uma sorte sem tamanho por fazerem parte das minhas pessoas.

Saudades

de me faltar a resposta pronta, mais por perdida a meio caminho entre o sim e o tenho tanto medo que por não a saber de todo.

Gosto de

dias amenos, andar descalça, vestidos, limonada, janelas até ao chão, vistas amplas, pão com manteiga, vasos de lata, baús de madeira, tapetes pesados, doce de figo, anéis muito fininhos, vernizes que secam rápido, pessoas que se abraçam e se beijam sem fazerem barulho, vistos na agenda, casas com flores naturais, varinhas de condão, livros sem desenhos, fotografias a preto e branco, corte império, gargalhadas de crianças, produtos com aroma de white jasmin, collants opacos, sapatos redondos à frente, amigos que se tratam por diminutivos ou nomes carinhosos, desenhos abstractos, fitas de cetim, blusas com rendinhas, cinemas sem intervalo, chocolate com passas, amêndoas peladas, toalhas de mesa com flores, lençóis claros, luzes quentinhas, carteiras grandes, tecidos às bolinhas, caixas forradas a tecido ou lacadas de branco, livros infantis, poemas que rimam e poemas que não rimam, aroma de chuva na terra seca, andar a pé, ouvir a palavra "mana" dita pelo meu irmão, copos altos, canela, finais felizes, pulseiras muito fininhas, lojas organizadas, camisolas largas e com carapuço para estar em casa, bilhetes com boas notícias, ténis com atacadores, chá muito quente, tardes a esplanadar e com um casaco vestido, músicas com piano, números ímpares, cor de rosa, aroma de eucalipto, cadernos pautados em branco, canetas de ponta fina, árvores de Natal, cerejas, morangos, mirtilos e amoras, decotes em V, pérolas, brincos minúsculos ou bem grandes, roupa de criança, homens com barba, notas de rodapé pequenas, balões e mantas nos sofás.

:)

Tempo, tempo, tempo

Será que vai chover?! Alguém me ajude, que já nunca sei se leve botas e gabardine ou sabrinas e casaquinho de malha. Estou baralhadinha de todo com este tempo.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sweet moments

Wishlist

Sou uma fã das palavras em papel. Tenho um medo sem tamanho de quem quer acabar com o papel enfeitado por palavras, de quem se propõe acabar com os livros (e com o cheiro dos livros, que não podemos recuperar em mais lado nenhum), de quem entende que a palavra escrita numa mensagem no telemóvel ou num mail vale como a palavra escrita numa folha de papel, num pedacinho de papel que seja, daqueles que se guardam para sempre, que se conservam em caixinhas que podemos perfumar com raspas de alfazema, enfim. Sou tão fã das palavras em papel que, como sabem, continuo a escrever postais de Natal, bilhetes para juntar a alguns presentes, recados, agendas em papel, cartas. Se há coisa, relativamente ao blog, que poderia deixar-me profundamente triste era que ele desaparecesse sem que eu quisesse, se esfumasse como matéria que o não é, mais ou menos à semelhança do que imagino serem os dados que partilhamos e se passeiam pela internet. Se pudesse, se tivesse tempo e mais paciência, dedicava-me a passá-lo para caderninhos de capa dura, como que honrando-lhe a natureza de diário. Apesar de, para mim, a palavra escrita valer assim, só por si, a palavra escrita desenhada aparece como cristal trabalhado, desenho emoldurado... não sei. Corpo e alma, vá. Muito por isso, quer-me parecer, é que me apaixonei por este post do maravilhoso blog Simplesmente Branco. Que bonita ideia. Que coisa mais preciosa. 

Dos artistas


Só porque acho que este momento se destacou entre quase todos os dos últimos meses, quem sabe anos, no horário nobre dos programas da televisão nacional.