terça-feira, 6 de setembro de 2011

Três dias, uma cidade e três museus

Meus amores, Madrid não foi bom, Madrid foi muito bom!

A cidade, não sendo maravilhosa, tem um ritmo muito próprio e que lhe dá muito charme. O facto de à meia noite uma rapariga poder andar sozinha na rua sem dramas é sinal disso mesmo, do ritmo que faz de Madrid uma cidade para viver de noite e de dia. Em três dias, fui aos três museus e andei tanto que ainda me doem as pernas. Para quem estiver a pensar visitar Madrid, permito-me armar ao pingarelho e deixar algumas sugestões. Fiquei num hotel na Gran Via e foi o melhor que podia ter feito, porque aí é o centro, mesmo centrinho, ali a meio caminho entre a Castellana e Atocha. Mais centro, impossível. Depois, acabei por perceber que também tinha escolhido a melhor altura para visitar a cidade: livrei-me do calor que obriga à siesta forçada, mas só apanhei umas pingolas na quinta feira à noite. Um tempo bom, mesmo bom, à volta dos 23 graus, com uma brisa bem ao gosto de pequena R. O guia, bem, como em equipa que ganha não se mexe, apostei mais uma vez nos da American Express e não me arrependi. Os mapas estão actualizados e tem todas as informações úteis sobre a cidade (até as ruas a evitar, como a Corredera del Barco ou a Calle de la Montera).

O roteiro para três dias:

1.º dia

No primeiro dia, depois de muito bem instalada e de ter tirado o vestido do casamento da mala, onde mais parecia sardinha na lata, desci a Gran Via até à Plaza de España, que não me encheu nadinha as medidas, pelo que em pouco tempo estava já nos Jardines de Sabatini e daí para o Palácio Real e para a Catedral de Almudena. Visto o Palácio por fora e a Catedral por fora e por dentro, tomei o meu rumo pela Calle Mayor, onde pude apreciar as fachadas dos prédios e deter-me com mais calma na Plaza de la Villa e no Mercado de San Miguel, assinalado logo aí para voltar a tempo de provar umas tapas. Depois do Mercado de San Miguel e de pousar as vistinhas numa loja de pintura e artesanato local, de onde trouxe o tradicional quadro da cidade visitada, já só parei na Plaza Mayor. Magnífica. Sobretudo, a Panaderia. Fiquei um bom bocado por lá sentada a pensar na vida e a tentar interpretar os desenhos dos signos da fachada, obra de Carlos Franco. Saindo da Plaza Mayor, chega-se rapidamente à Puerta del Sol que, shame on me, é uma praça com muito pouco de especial. Sem grandes ambições, segui pela Calle San Jerónimo até dar de caras com o Passeo del Prado e ficar logo aí rodeada de museus. Pus perninhas ao caminho e, descendo até Atocha, chego ao Reina Sofía. Eram seis da tarde… o que convidava a aproveitar a visita gratuita. Confesso que gostei muito e que há uma série de atracções tão boas ou melhores que a famosa Guernica de Picasso. De qualquer modo, o quadro é incontornável. Não vale a pena preocuparem-se em achá-lo. Onde virem uma multidão parada, é aí. Aproveitem os elevadores panorâmicos, em vidro, do Centro de Arte, para terem uma vista generosa da cidade. Saí do Reina Sofía ao bater das 21h, com a certeza de que não tinha visto tudo, mas tinha ficado com uma impressão já formada do espaço. Subi o Passeo de la Infanta Isabel e virei à esquerda, tomando a Alfonso XII, a par do Retiro. Foram, seguramente, 30 minutos a pé até chegar à Puerta de Alcalá, na Plaza de la Independencia, onde se encontra a primeira porta em arco da Europa, anterior até mesmo ao de Triunfo, em Paris. Mas no passeio vi tanta coisa bonita que o tempo passou a correr. Estava escuro como breu e, para primeiro dia, achei que não valia a pena abusar, pelo que desci para a Plaza de la Cibeles, daí para o Metrópolis e depois toda a Gran Via até ao hotel. Tinha-me esquecido de ir às tapas e não queria entrar num bar por entrar. Por isso, e porque estava cansada, entrei no Vips Verde, peguei numa embalagem de sushi e numa garrafa de água e subi para o quarto, onde fiz o banquete, tomei banhinho e fui para a cama.

2.º dia

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. De qualquer modo, eu sou uma pessoa que gosta de dormir, pelo que o segundo dia só começa aí por volta das 10h, hora a que saio do hotel, com um pequeno almoço rápido, subindo a Gran Via, e tomo caminho pela Fuencarral. Não me rendi. Tudo muito visto, vá. Percorrida a rua famosa e dadas umas voltas em Malasaña, inverto a marcha para o bairro de Chueca, até chegar à esquina do Café Gijón, no Passeo de Recoletos. Subindo a rua, encontro a Biblioteca Nacional e o Jardim dos Descobrimentos à direita, mas não me detenho, porque era um pouco mais à frente, já na Castellana, que estava o meu objectivo: Hard Rock. Quem já viajou comigo sabe que não perco um. Muitas vezes, nem compro nada para mim, mas faço questão de engrossar, em cada viagem, a já extensa colecção de t-shirts do mano. O mano é guitarrista. O mano adora o Hard Rock. Saindo do Hard Rock, tomo a Calle de Serrano, certa de que, sendo rica, facilmente perderia a cabeça a cada porta. Houvesse cabeças para perder, que as portas já lá estão. Destaque para a Loewe, a minha marca sonho de consumo (babo pelas montras) e para a Joalheira Rabat, que ainda tenho a cor das pedras preciosas a entrarem-me pelos olhos dentro. Como sou uma trabalhadora classe média, com um parco salário, tive de me desgraçar pouco, pelo que babei por muita coisa, mas fiquei-me pelo meu objecto de eleição desta viagem: uma pulseira da nova colecção da Bimba § Lola, que tem uma tartaruga. Porquê?! Porque eu bem sabia que não devia duvidar que devagar é que se vai ao longe. Com umas bolachinhas mais, permiti-me adiar o almoço, seguindo para o Retiro. Adorei muito passear por lá. Parei a ver os casais a andar de barco, estive tentada a parar na menina que lê a sina, mas o dinheiro custa-me a ganhar, visitei a exposição do Palacio de Velásquez, emocionei-me com o Palacio de Cristal, li num dos banquinhos e dei de caras com um homem sem cabeça. Logo agora, que acho que um dos males da humanidade é haver poucos homens a perderem genuinamente a cabeça ou, pelo menos, a perderem-na pelo que interessa. Com a barriga a dar horas, segue-se, pela rua lateral ao Casón del Buen Retiro, para a sugestão da Pipoca e que fica aqui como sugestão minha também: La Finca de Susana, numa travessa da Calle de Sevilla. A-d-o-r-e-i!!! O espaço, o atendimento, a comida, o preço, tudo. Deixados para trás os deleites do corpo, seguimos para uma tardada de deleites da alma. Primeiro, Thyssen. Visto com uma certa calma, eleito preferido dos três museus. Quadro de eleição? Não, não é o Quarto de Hotel, de Hopper, mas a Mancha em cinco cores, de Kandinsky, que reconheci do livro de história do 12.º ano. Gostei tanto de ficar frente a frente para ele. Saindo do Thyssen, segui para o Prado. Ora bem… o Prado. O Prado, minha gente, é um mundo. Portanto, tal como acontece a quem quer conhecer o mundo mas sabe que não tem tempo, também no Prado é necessário fazer opções. Eu tinha duas horas. E sou apologista do depressa e bem não há quem. Portanto, peguei no que tinha à mão sobre o Museu e puxei pela cabecinha para lembrar o que queria muito ver e fiz a minha escolha. Uma dúzia de quadros. Haveria muito mais para ver de entre os mil expostos no Museu, mas eu já ficava contente se conseguisse ficar cara a quadro com aquela dúzia de obras tão diferentes e importantes para mim e que iam d’ As Meninas, de Velásquez, a Rubens ou à Anunciação, de Fra Angélico. Demorei quase as duas horas. Não porque tenha ficado, em todos, 10 minutos a olhar para eles, mas porque se tem de andar quilómetros para chegar de umas salas às outras. Quando saí, aproveitei para lanchar (jantar) um muffin e um chá no café do Prado, dentro do Museu. Com um chapéu na cabeça e tomando uma chuvinha morna na cara, tomei o meu rumo pelo Passeo del Prado.

3.º dia.

No terceiro dia, com uma dor de pernas do Ó, cumpri as recomendações de mamãe, que é fã de dar uma voltinha de autocarro turístico em tudo quanto é cidade. Depois de feitas as duas rotas, descobri que, tirando o Santiago Bernabeu, eu tinha encontrado, a pé, tudo o que era mesmo importante encontrar. Era o último dia, pelo que se impunha comprar torrão. Na Calle de San Jerónimo, encontra-se a reputadíssima casa Mira. Foi lá que comprei o meu torrão. Com Madrid em dia (o que queria ver, mas há muito, muito mais…), sigo para o Mercado de San Miguel, onde me abasteço de tapas, que venho saborear sentada na Plaza Mayor. Calmamente. Depois, volto a passar no Mercado e peço um gelado biológico de morango, que é assim uma coisa dos deuses (vão lá), e venho saboreando o dito cujo até ao Palácio. Sem filas, convenço-me que tenho diante de mim a oportunidade de mais uma visita. Entro e vou vendo e lendo as coisas, até ter a sorte de encontrar uma visita guiada em italiano. Colo-me a ela, literalmente, e fico a saber coisas giríssimas, como que todos os relógios de todos os palácios funcionam e no Palácio Real há uma oficina de relógios. De tudo, destaque para a Farmácia Real (para quem for de Farmácia, vale mesmo a pena) e para o quarto de vestir do Rei, com uma ilusão de espelhos um em frente ao outro que forma uma galeria interminável. Uma coisa tão, tão gira. Dada uma voltinha pelo exterior, saio do Palácio e caminho calmamente pelas ruas de Madrid, sentando-me numa esplanada da Plaza de Isabel II, lendo um pouco e descobrindo o Monasterio de las Descalzas Reales. Quando chego à Gran via, lembro-me que no dia a seguir tenho um casamento. Assim, entro num cabeleireiro e ponho ordem na parte de fora da cabeça. De passeio até ao hotel, páro na Sephora e compro dois vernizes da nova colecção: um verde e um rosa. Vou ao hotel, tomo banho, pinto as unhas de fresco, leio mais um pouco e saio para jantar. Na dúvida, La Finca de Susana novamente. Fiquei muito, muito fã. De tudo, enorme destaque para a sobremesa deste último dia. Nunca visto. Carpaccio de ananás com gelado de tangerina. Leve e maravilhoso. Percorro a Calle de los Preciados e atento nas montras. Dou um giro pelo El Corte Ingles e caminho sem destino até ser noite bem alta. No sábado, ao raiar da aurora, parto para Montico, onde verei casar o meu amigo. Antes de fechar os olhos, ainda assisto a uma entrevista ao Almodóvar, que esta a dar na TV por ocasião do lançamento de mais um filme.

O pior de Madrid: Há muitos sem abrigo. É uma coisa aflitiva. Mesmo aflitiva.

Do melhor, em Madrid: Para além de tudo aquilo de que já falei, há animação de rua de muita qualidade. No Retiro, fiquei a assistir um tempo imenso a um saxofonista maravilhoso. Na sexta à noite, nos Preciados, uma senhora tocava violino e, mais adiante, quase na Porta do Sol, outra cantava ópera.

Informações úteis:

O Reina Sofía e o Prado têm entrada gratuita a partir das seis da tarde.

No Thyssen e no Palácio Real há desconto de 50% para estudantes (cartão de doutoramento serve).

O Reina Sofía fecha às 21h, o Prado às 20h e o Thyssen às 19h.

Madrid recomenda-se, oh se recomenda! Venho com cabeça e coração em sintonia. Há muito que tal coisa, por estas bandas, não se via. Viajar sozinha é tão bom que a única coisa que me faz espécie é ter de ir pedindo às pessoas que não conheço para, de vez em quando, tirarem uma foto em que eu também apareça!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Wishlist


Quero muito ir ver.
Talvez para a semana.

P.S. Está-se muito bem em Madrid :)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Só assim naquela de acabar mesmo o mês que se associa a férias...


Vou ali a Madrid 3 dias passear e depois a Montico ver casar o meu Bruno Marco-Polo e já venho, sim?!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Geleia de camarinha






Este post é para a Raquel. Este post é para a Raquel. Este post é para a Raquel.

Hoje, depois de ir passear ao Palheirão, fui apanhar camarinhas.
E depois de tirar a barriga de misérias, decidi fazer geleia.

Primeira tentativa:
Lavei as camarinhas
Medi três canecas de camarinhas
Pu-las numa panela
Juntei um terço da medida (uma caneca) de açúcar
Deixei ferver até ponto lágrima
Coei as sementes
Percebi que tinha pouquíssima geleia

Segunda tentativa (de que já não fiz fotos, que ainda tenho de pintar as unhas e acabar a mala):
Lavei as camarinhas
Medi seis canecas de camarinhas
Pus tudo no copo da varinha
Coei as sementes enquanto deixava escorrer o sumo para uma panela
Juntei um terço da medida (duas canecas) de açúcar
Deixei ferver até ponto lágrima
Percebi que, ainda assim, não alcancei sequer um frasco inteiro de geleia

Conclusões:
- geleia de camarinha é óptima;
- camarinhas não rendem a fazer geleia;
- não posso enviar-te um frasquinho, mas a partir de segunda podes aparecer lá em casa para provar.

Palheirão





Hoje fui passear ao Palheirão!
A Praia do Palheirão foi eleita um dos tesouros naturais do nosso país. Quem a conhece, percebe. Se a estrada para lá chegar não fosse tão má, ia lá muitas e muitas vezes, tenho a certeza. Respira-se paz de espírito, sente-se o conforto das coisas simples. Adoro.

Sabes que afinal nem és vaidosa quando

tens de fazer uma mala para viajar em low cost sem despachar bagagem de porão. Sobretudo se for para estar cinco dias fora, dias esses em que tencionas ler, dormir a sesta no Retiro, visitar Museus, calcorrear novamente Madrid, ir a jantaradas com amigos e ver casar um dos melhores. Assim sendo, a mala tem de incluir sandálias para andar e estafar, umas sapatilhas, umas sandálias para o casório, vestidos para andar à vontade, vestido para a boda, umas calças de ganga se der para o frio, um agasalho e coisas que se vistam para cima quando se anda de calças, uma carteira de festa e uma carteira para andar à tiracolo, produtos de higiene, maquilhagens para a festa, dois livros para ler, um guia da cidade, uma máquina fotográfica, roupa interior, pijama, o presente para os noivos, cinto, echarpes às cores, um par de brincos para cada dia e ainda mais uma data de coisas...

Eu sei


e mais ninguém sabe o que significa ir agora para Madrid. Parto alagada de esperanças que se repita ali o que me prometi e cumpri em Barcelona, em Março de 2007. Foram 3 dias. São 3 dias. Estava acompanhada. Entretanto, cresci. Uma história como a que se seguiu àquela viagem faz crescer. Desta vez, vou sozinha. Descobri que me recomendo muito, que me divirto comigo, que fico em paz por saber que, de tempos a tempos, nem que seja só por três dias, só tenho de olhar por mim. Descubro todos os dias que não me cansei de mim. Cansei-me de ti. Foi de ti que eu me cansei. Descobri que há tempo para tudo. E que a pressa com que quis só me fez não ter. E que saber ser sem ti é muito maior que saber estar longe da tua pessoa. Eu sei e mais ninguém sabe que, se tudo correr bem, e eu mereço que corra, eu chegarei pronta para as provas todas e para te dizer, sem nuvens no olhar, que afinal não dá, que os meios termos me desconcertam e que eu nunca mais quero desconcertar-me por ti, que, sim, tinha de ser tudo e que, não sendo, então, terás de aprender a viver sendo nada. Eu sei e mais ninguém sabe que, como há muito tempo não acontecia, tenho o coração cheio de tudo menos de ânsias por que um homem me ame como nas histórias de final feliz os homens amam as mulheres.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Gosto de

pão quente com manteiga, de malmequeres, de muros que se ultrapassam levantando uma perna e depois outra, de pó de arroz, do aroma de todas as maquilhagens da Guerlain, de toalhas de mesa de renda, de algodão, da broa da minha avó, de ramos de papoilas, de água castelo com uma rodela de limão, de leite creme, de cantarias, de gaivotas, de números de porta às cores, de caixas do correio de lata, de labradores, de quem sorri com o corpo todo, adoro quem sorri com o corpo todo, de nuvens brancas, do som das mensagens enviadas pelos amigos, de viajar, de escrever, de ler, de chão de madeira, de tapetes pesados, de cadeiras confortáveis, de bancos pequeninos, das portas das bocas de forno, do cheiro das festas, da primeira chuva de outono, de pestanas longas, de camas de ferro, de jarros de água de vidro, de doces com amêndoa, de carros velhos mas estimados, de bicicletas com cestinho em verga, de panos de linho para o cesto do pão ou para os tabuleiros, de cevada, de fotografias com gente e sem gente, de ouvir uma música de que gosto até à exaustão, de filmes com histórias de encantar, de leques, adoro leques, de objectos com anjos, de fitas a fazerem laços, de tranças no cabelo, de sabrinas, de andar a pé, de interpretar mapas, de gelados, de abraços, de marcadores de livros personalizados, de bules de chá, do som do piano e do violino, do número 5, de ser sagitário, de olhos castanhos, de entrar em igrejas, de vestidos, da calçada portuguesa, de cintos fininhos, de carteiras à tiracolo, de tarefas cumpridas, de peónias, adoro peónias cor de rosa, de calendários com frases, de estrelas, de velas acesas, de clips revestidos de plástico de cores, de finais felizes, de mel, de unhas curtinhas e pintadas de cores garridas, de caderninhos de apontamentos, dos lápis pretos e amarelos n.º2, de brincos espalhafatosos, de anéis quase invisíveis, do cheiro da pele depois de lhe pormos creme hidratante, de corações e de boa gente.

Eu sou a que, na véspera do casamento dela, pergunta à amiga se ela tem a certeza. Sou a que chora abraçada a ela, com o vestido de noiva estendido em cima da cama, porque o silêncio dela não é de quem consente na minha afirmação a medo. Eu sou a que lhe diz vezes sem conta "estarei sempre contigo, mesmo que descubras hoje o que não queres". Sou a que foi feliz com ela nos últimos dois anos, a viu ser profundamente amada e respeitada e se aliviou pelo abraço macio e forte que lhe acalmou as penas que existiram. Eu sou aquela a quem hoje, passados muitos meses, conseguiu dizer "é o homem da minha vida". Encheram-se-me os olhos de lágrimas. De felicidade. Eu sabia que um dia, do fundo do coração, o passado ficaria para trás.

Quando morre uma história de amor, nem sempre o nosso melhor momento morre com ela.

Verdades e assim assim

Há dores dos nossos amigos que nos doem tanto a nós... Sabem quando um amigo vos chora diante dos olhos ou vos soluça ao telefone e só vos apetece largar tudo e correr e, quando correm, chegam lá e percebem que podem fazer muito pouco?! Sabem quando dizem "Vai passar! Vai correr tudo bem!" e têm, até vocês, de se esforçar muito por acreditar para não parecer que estão a mentir com quantos dentes guardam na boca?! Sabem quando só vos apetece gritar "Porquê?!" mas são obrigados a dizer à pessoa que é apenas uma fase e que é preciso é ter calma?! Sabem quando vos parece que sabem a solução que faria as vossas pessoas felizes mas não lha podem contar porque sabem, tão bem, que não estão preparados para a ouvir de chofre?! E sabem quanto custa ir insinuando isso e vendo que, lá bem no fundo, não conseguem ainda concordar connosco?! Sabem quando a vida vos põe diante dos olhos situações cinzentas quando tudo o que precisavam era das coisas pretas ou brancas?! Sabem?! Sabem o que é estarem a arraialar mas não conseguirem desligar o telemóvel e ter sempre a chave do carro à mão não vá ser preciso sair disparado?! Eu também. E está difícil não me desmanchar com as minhas pessoas que estão nessa vida. Sabem quando há coisas que vos parecem de uma injustiça desmedida?! E da vontade que vos dá de partir tudo?! Pois. Tinha de desabafar isto em algum lado. Bolas.

domingo, 28 de agosto de 2011

Ser arraialeira

Adoro as festas de aldeia, então as desta aldeia, bem, só encontram rival no meu coração com o Santo António da terra da avó. Mas esta, de hoje, também tem rituais associados. Amoçamos em casa da N. e do T., vamos a pé ver a procissão, encostados ao muro dos correios. Deitamos muuuuuita conversa fora. À noite, passamos em casa da D. e do Z. e encontramo-nos todos no largo, cada um com a flor ao peito (é um autocolante, para que quem não anda nestas lides perceba, que comprova que "já demos para a festa"). Ficamos a conversar no bar improvisado até tarde, ainda damos um pé de dança. Chegamos a casa com os pés encardidos do pó e com a combinação feita para uma tardada de cartas amanhã, no largo da capela, a partir das três, seguida de jogo para eles e claque para as meninas, no futebol solteiros contra casados. Vou ali a uma dessas festarolas, com procissão e arraial no largo da capela mais logo à noitinha e amanhã dou notícias, sim?!

Quando dá à minha mãe para parecer Tia

É conhecida a minha mania de arrumações e limpezas. Isto mesmo, compreenderão, só condiz com o facto de não conseguir deixar louça por lavar no lava louça, a não ser que a pressa seja por um caso de vida ou de morte. Mesmo estafadinha, lavo a louça do jantar à noite, a do pequeno almoço de manhã e o copo em que bebo água assim que acabo de beber água. Eu sei... é um exagero. Mas pronto, larguem-me da mão. Sou assim. Ora, depois de um jantar de assado no forno, abre-se, regra geral, uma excepção para o tabuleiro, que é preciso deixar de molho para facilitar a lavagem. No outro dia, em casa dos meus pais, estava eu muito compenetrada para começar a esfregar o tabuleiro de assar o peixe na véspera quando a minha mãe entra na cozinha e, com um ar que só me deu para rir, tipo quase "Aiiicórror!" diz "Ai filha, não não te ponhas a lavar isso que logo à tarde a F. vem e lava. Isso dá cabo das unhas.". Olhem... não me contive. Ri-me tanto. É que, para quem conhece a minha mãe, esta declaração não assenta mesmo nada, que a mulher é das que se põe a arranjar o jardim sem luvas porque faz muito bem à cabeça mexer na terra e continua a lavar as peças de roupa mais delicada à mão (eu também). A sério. Andei uns dias em que ela dizia qualquer coisa e eu respondia "Sim, Rica Tia, por quem é!". Escusado será dizer que lavei o tabuleiro. E sim, que a seguir tive de por um verniz novo.

P.S. Pois, lá em casa há máquina de lavar louça, conhecida por Maria, a Segunda (Maria é a da roupa). Mas a Maria, a Segunda está quase sempre de folga. Eu adoro lavar louça e não tenho paciência para estar a por as coisas na máquina. Demora quase tanto como lavar de uma vez. Quando acabamos de pintar as unhas e há evento em breve, tipo dia seguinte, o pai ou o mano lavam a louça, que também lhes faz muito bem e não lhes cai nenhum parente na lama. Em Coimbra, uso a máquina quando dou uma festa. Mais nada.

Gosto tanto

dos anuais grandiosos festejos em honra de Nossa Senhora da Tainada que fazemos em casa da minha S. com coisas de comer e de beber e tanta música para cantar e dançar e tantas cartas para jogar e tantas anedotas para contar e tanta conversa para fora deitar. Este ano, até há pouco, junto com a festa do mais pequenino membro da família. LOVE IT. E está prometido. Não há tese que nos afaste. Na primeira quarta feira de cada mês, pequena R. e sua S. jantam juntas, ora em Coimbra, ora em Aveiro. Começa dia 7. Aaahhh... gosto tanto das amizades incondicionais, pá!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os chacras

A menina da massagem diz que tenho o anahata em mau estado. Fiquei com ar de burro a olhar para um palácio. Depois ela começou a explicar, em português de leigo, do que tratava e eu fui acenando com a cabeça. É, sou capaz de ter anahata um bocado doído. Mas passa.

Bolas... uma pessoa põe o melhor ar de "está-se tãããooo bem" e vem um raio de um anahata e conta tudo da nossa vida. Coscuvilheiro...

Nem tudo o que parece é(ra)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

Coisas de quem tem um blog onde pode ver como andava a vida há precisamente um ano...

So different...

P.S. Mas era mentira. Só que eu ainda não sabia.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Minha música essencial #30

O meu melhor amigo


começa os mails por "Olá Zé Toina!". Depois tenta desarmar-me com a parte das "tantas saudades"... mas é só até eu perceber que é do calor que o homem emigrado no país da D. Ângela há um mês sente mais falta.

P.S. O mail era para me perguntar que presente quero que me traga da Disney, que vai lá num instante. No fundo, no fundo, é bom mocinho!

Para que não restem dúvidas

Façam-me o favor de ler isto e dizer se eu não tinha razão. Ah, importa perceber que a indicação de que eu saí está mal. Eu fiquei. Quem saiu foram eles.

*

ADORO mirtilos!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

MAS

eu sei que o teste ainda não chegou, ainda demora, que a moinha de que fala o MEC é pior quando não pode dizer-se à pessoa "nunca mais te quero ver", quando isso não é, simplesmente, possível, ou, pelo menos, suficientemente fácil para ser uma solução aceitável. E... ainda assim, sabes, passado todo este tempo, o meu coração já vagueou tanto por tantas lembranças, já se esgotou em tantas teorias, já adoeceu tantas vezes de saudades e de tristeza e de desilusão que, hoje, só consigo dizer-te que não quero. Não quero mesmo, não é um daqueles não quero que mais significam eu quero não querer e isso chega. Não. Eu, simplesmente, não quero. Há poucas coisas que me fazem desistir. Uma delas, descobri-a contigo, é a dúvida adiada, o banho-maria, o ora agora quero tanto ora agora não quero nada, o ai dá-me tanto jeito que aí fiques que és tão querida e apresentável mas não me peças mais que isso e, o pior de tudo, a mania de não se falar, com todas as letras, do que vai na alma. Sou absolutamente convicta de que 99% dos dramas de amor se evitariam se as pessoas se sentassem, umas em frente às outras, e falassem. Sem rodeios, sem metáforas, sem reticências. Tenho pouca habilidade para adivinhas e, para ajudar à festa, apaixonada sou perita em convencer-me que não vi, não ouvi, não senti e não previ. Acreditei até ao fim que não querias magoar-me. Agora, acho só que não soubeste medir o que me magoaria mais. Não foste feliz na escolha. Lamento. Por mim. Lamento por mim. Doeu. E não foi nada pouco.

MEC

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.".

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Verdades e assim assim

Convidaram-me para um jantar no domingo. Perguntaram se desta vez já irias comigo. Eu disse não. E fiz cara de "Oi?!". Pois... Para a próxima dou-lhes o teu número e armo-me em Pôncio Pilatos. Não há pachorra.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Coisas minhas

Estou a ver roteiros para 3 dias em Madrid. Acredito que se o meu artigo quiser ser bestial comigo se acaba sozinho. Se não acabar, é porque a nossa relação não valia assim tanto a pena.

Do que me faz continuar a acreditar no casamento para a vida

Os meus pais fazem hoje 31 anos de casados. O meu pai ligou-me há bocadinho. Depois de me contar que estava para ir buscar o ramo de flores que tinha encomendado para a minha mãe, pergunta, com ar sério: "Não é piroso escrever "Do teu eterno apaixonado", pois não?!"

Verdades e assim assim

Estou a trabalhar. Até estou a gostar. Vamos ver se limpo um dos artigos e começo outro até ao fim da semana. Buuuuu... é capaz de não ser fácil!

Portanto...

a questão é a seguinte:
pela primeira vez que me lembro desde que era uma criança encalorada, dormi esta noite todinha destapada. Camisa de dormir e depois... rien. Nem uma pontinha de lençol. Nada. Este calor não se aguenta. Detesto.

Mine, by mum!

Um mimo para o pós-férias. A-D-O-R-O!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O mundo é uma ervilha

No dia a seguir a eu ter saído de Pavia, chegou o P. Eu fiz Erasmus no primeiro semestre, o P. no segundo. A maior parte das pessoas que estava em Pavia fazia Erasmus o ano todo. Ao longo dos últimos sete anos ouvi falar muito, mesmo muito do P. O P., pelos vistos, também ouviu falar muito, muito de mim. O P. é de Coimbra. Nunca nos encontrámos. Não calhou. Mas temos muitos e grandes amigos em comum. Um deles, é o meu Bruno Marco Polo, que casa em Espanha, dia 3. Eu vou. O P. também. O Bruno começou a mandar mails conjuntos. O P. decidiu procurar-me no facebook (!!!). Encontrou-me. Não me via bem. Mas mandou-me um mail a dizer que eu era amiga da irmã dele. Não estava a perceber. Eu também não. Fui procurá-lo. É o ex-namorado de uma colega minha de curso e irmão de uma actual colega minha de trabalho na faculdade. O mundo é uma ervilha.

domingo, 21 de agosto de 2011

Lisbon

Museu do Fado, almoço numa esplanada da Rua Augusta, peregrinação pelas sapatarias da Baixa ao Chiado (preciso de umas sandálias pretas, baixinhas mas com ar de festa), geladinho na Santini e sessão no Politeama. Porque nem tudo o que luz é ouro, enjoo no alfa. Muito. É tiro e queda. Vou começar a ir de carro... ou de regional. Mas um dia destes de quando em vez faz muito bem à cabecinha.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

*


E pronto...

Esta noite durmo na minha cama de casa dos meus pais, amanhã vou para Lisboa e a partir de segunda trabalha-se, que diz que tem de se fazer pela vidinha. No fim do mês, voltamos à rambóia.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Este post é para ti e, sim, isto é um recado!

TELEFONA. ESCREVE CARTA. MANDA MAIL. ENTOPE-ME A CAIXA DE MENSAGENS COM SMS. FAZ UMA AVIONETA SOBREVOAR A GRALHEIRA COM UMA FAIXA EM QUE ME FALES. NÃO SEI. INVENTA. MAS... PÁRA DE ME FAZER SENTIR QUE QUERES FALAR COMIGO E NÃO PODES, SIM?!

Eu não sei quem és, mas estou farta de deixar cair pelo menos duas vezes dois em cada três objectos em que pego. Se é verdade que isto acontece quando alguém nos quer falar e não pode, a sério, sejas lá tu quem fores, FALA. Se fores uma pessoa muda, ESCREVE. Já parti coisas e tudo. Não tem piada.

A dúvida é uma coisa que me assiste

Esta noite sonhei com o acordo ortográfico. Cá para mim, foi por ter lido o post da Pipoca. De qualquer modo, dizia eu, esta noite sonhei com o acordo ortográfico. E não foi bom. Discutia, no Largo da Porta Férrea, com uma alminha que insistia que a palavra "compêndio" já não era acentuada e que modernamente se escrevia "compendio". Eu argumentava que, por essa ordem de razões, a língua portuguesa se tinha tornado órfã (orfa?!) de palavras esdrúxulas e que não estava certa se o mesmo não poderia ainda dizer-se quanto às palavras agudas; que isto era uma monotonia pegada e que agora só tínhamos palavras graves e que, caso ele ainda não tivesse percebido, isso era grave; que lamentava, pois lamentava, mas não contassem comigo para a chacina que se propunham levar em frente contra a minha língua materna; e que se refizessem os curricula das Faculdades de Letras porque deixava de ter sentido estudar latim e grego, uma vez que de onde a palavra vem deixava de ter importância atendendo a que todas as palavras caminhavam a passos largos para o abismo da mesmidade. Acordei cansadinha. A dúvida é uma coisa que me assiste. Alguém concorda com as "ceifadelas" cegas deste acordo na riqueza da língua portuguesa?!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Verdades e assim assim

A-D-O-R-O O M-E-U T-E-M-A D-E D-O-U-T-O-R-A-M-E-N-T-O.

É oficial. Mas isto passa-me não tarda...

Futilidades


Globe, 2011

A última aquisição. Para andar com os pés tapadinhos, porque sou pequena e ainda vou ter de lhe cortar um bom bocado sem estragar o feitio do folho em baixo (abençoada Dona V., que me põe tudo à medida) e também porque (quase) só uso sandálias rasteirinhas e não gosto nada destes looks nem carne nem peixe (ou bem que é curto, ou bem que é comprido).

Lembram-se

deste post?!

Eu também. Tantas vezes.

Boa, pequena R!

levantei-me, fui tomar o pequeno almoço, estive a ler um bocadinho na varanda, voltei ao quarto e posicionei-me para trabalhar à secretária. Estava calor. Decidi ir abrir a janela e, por isso, tive de arredar a poltrona que ontem lá pus juntinho para ler com luz natural. Não fui de modas. Com as mãos cheias de livros, empurrei a dita cuja com o joelho e decidi dar um jeitinho com o pé. Não sei como, caiu-me em cima do dedo maior do dito pé. Tenho, neste momento, ali chegadinha à unha pintada de coral, uma ferida sem tamanho e toda ensanguentada. Temo não conseguir calçar coisas fechadas nos próximos dias. É óptimo saber disto quando tenho andado a abusar nos doces e só consigo fazer caminhadas longas de sapatilhas. Boa, pequena R. Arranjaste-a mesmo, mesmo boa!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Verdades e assim assim


Há momentos, breves mas intensos, em que acho que não vou ser capaz, que, quando menos se esperar, quando tudo parecer sereno, me deixarei cair novamente num desalento e numa prostração à custa da ferida que teima em não se curar, mas depois olho para trás e lembro-me de tudo o que não tivemos e percebo que o que tivemos não pode, mesmo, ser tudo aquilo que mereço. Hei-de, definitivamente, merecer mais. Quando mais não seja, mais paz de espírito.

Huuummm


Depois de um sprint nocturno e de um pequeno almoço com chá verde e um croissant com compota de morango, acabei agorinha mesmo de ler a tese da R. Vou tomar banho e estender-me na espreguiçadeira da varanda. Logo à tarde começo a mexer nas minhas coisas e ao cair da noite entrego-me nas mãos de uma das meninas dos balneários termais para uma massagem de relaxamento. Fico cá até sexta e é preciso aproveitar. Para a semana, já se trabalha mesmo a sério.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Estamos cá para ver...

Vamos por partes. O Primeiro Ministro promete que, até ao final do mês de Outubro, emagrecerá substancialmente as despesas do Estado. Eu aplaudo. Mas. Pois, eu aplaudo com um mas. O mas, as reticências que ponho no meu aplauso, não são, note-se bem, uma tentativa dissimulada de manter a minha fatia de rendimento que provinha directamente de uma aposta mais ou menos recente do Estado, um Organismo de Investigação, mais propriamente, em que entrei desde a primeira hora. Não. Não mesmo. Se o quadro dos cortes na despesa for consequente e me provar por A+B as vantagens na eliminação daquele Organismo ou a sua reconfiguração, mesmo que isso implique o meu afastamento e o dos meus colegas, continuarei a aplaudir. Portanto, não é com o rabo preso que ponho um mas nos meus aplausos, como se, juridicamente falando, os meus aplausos pudessem dizer-se sob condição. O que me faz torcer o nariz é o pânico de corte cego e por onde for mais fácil, o que quase nunca corresponde ao corte sério e por onde seria mais justo. Há despesas que facilmente se eliminam, mas que, no plano global dos investimentos do Estado, significam muito pouco em termos financeiros comparativamente à importância qualitativa que vêm demonstrando. O corte nas bolsas de investigação (sim, sim, também me tocaria a mim, mas como ainda não tenho nenhuma atribuída e sou contra contar com o ovo no cu da galinha e tenho planos B e C, continuo à vontade para discutir), na contratação de professores, na abertura de concursos para a magistratura, na conservação de monumentos históricos, na reabilitação dos centros das cidades, na proliferação das opções de transporte público, no incentivo fiscal às PME, na dotação do Estado de meios de combate aos incêndios (estou cansada de ver começar a época dos fogos no dia a seguir a serem celebrados os contratos de prestação de serviços com os privados que andam por aí de helicóptero e tal), na valorização do trabalho agrícola, da pecuária e da pesca, e em tantas outras coisas que agora não me lembro, por si só, não resolverá nada. Não quero fazer papel de oposição, até porque, não tendo qualquer filiação partidária, como já aqui disse, simpatizo com este Ministro das Finanças. Mas a verdade é que as políticas que vimos seguindo me parecem assemelhar-se muito a quem vive de remediar situações. E eu não gosto disso. Não gosto de ter de decidir se cubro a cabeça e fico com os pés de fora ou se tapo os pés e me gelam as orelhas. E se há momentos em que essa ponderação ingrata é inevitável, não posso acreditar que um país com nove séculos de história ainda não está dotado de suficiente inteligência para sair da cepa torta. Portanto, eu estou ansiosa para ver os cortes na despesa que o Governo vai anunciar até ao final do mês de Outubro. Estou mesmo. E espero, sinceramente, que, pelo menos desta vez, o retrato do meu país não se aproxime de uma caverna com sistema wireless ou de uma alma faminta num desfile de prêt-à-porter. Estou a precisar que me invadam a alma de esperança, varrendo os fiscais de finanças que aplicam multas a quem transporta mais um cacho de uvas na dorna e fecham os olhos a quem traz carros da Alemanha e lhe muda as matrículas em garagens manhosas. Estou cansadinha de ver a Ti Isaura vender cabazes de sardinha a dois euros e ouvir que a nossa pescada vem do mar não sei de onde. Já não posso mais suportar que o leite suba quando passo na antiga ordenha da minha aldeia e ela está em ruínas. Deixei de ficar indiferente à necessidade de importar cereais quando disseram ao Ti Nuno que tinha de fechar o moinho. Sinto-me insultada quando o único aluno da minha mãe que tem escalão A é filho de um senhor que tem um jaguar. E quero mais é que vá tudo à merda quando dizem que as vacas são loucas, as galinhas têm gripe e os porcos tremem de febre, porque os velhotes da minha infância têm os currais vazios que já não conseguiam fazer dinheiro sequer para a farinha. Há dias em que, lamentavelmente, tenho de comprar uvas no supermercado. É que as vinhas do meu vizinho, onde as roubava com autorização, deram lugar a terrenos em pousio. E se há quem se queixe do desemprego, eu lamento, mas lamento mesmo. Mas lamento ainda mais que pouca gente arregace as mangas e se disponha a aceitar um trabalho. Ser contra, assim mesmo contra, sou contra o Programa Novas Oportunidades. Muito, muito contra. E não, não falo de cor. Já tive direito a sessão de esclarecimento com uma das responsáveis na capital e tudo. E continuo a ser contra. E sou contra, mesmo contra, a subsídiodependência. E também sou contra as verbas a Fundo Perdido para plantar kiwis ou criar minhocas. E acho que devia dar direito a usar da violência quando aparece uma daquelas alminhas do purgatório que se sentam nos rebates das capelas e dizem que querem uma casa. Eu também quero muita coisa. Mas, por agora, quero acreditar que ainda há gente capaz de pôr isto a andar no trilho. E é isto. Hoje deu-me para desabafar.

domingo, 14 de agosto de 2011

A minha carteira deste Verão

não é uma carteira, é um saco de pele e tecido, fúcsia, vermelho, bege, preto e dourado, da Moschino Cheap and Chic, com uma mensagem. O meu saco diz-me a mim, todos os dias, antes de sair de casa, e anda na rua a dizer a toda a gente, uma coisa muito, muito importante. O meu saco é este aqui


Coisas

O filme é tãããooo giro, pá!

Na volta às modas, não vim de mãos a abanar. Ora então, dá-se prémio (beijinho e xiii) a quem adivinhar o que me fez perder a cabeça. Uma pista, só uma: A terra é redonda :)

Vou ali a Viseu


ver isto e dar uma volta pelas modas do Palácio do Gelo e já volto para a doce pasmaceira cá do sítio.

Também acho!

sábado, 13 de agosto de 2011

Gosto de






Quanto ao Governo, eu tenho de confessar #1

Eu gosto do Ministro das Finanças e a entrevista dele ontem à Judite de Sousa só veio dar-me ainda mais razões para isso.

Verdades e assim assim


Quanto mais relações conheço, mais me apetece dizer a quem aparece "Não me toques, logo agora que ando a ver se me afino!"

Nós, por cá


hoje andamos assim.*

O que se vê:
- Vestido - uma loja online qualquer que já não me lembro qual foi
- Sandálias - Fornarina (ano passado ou há dois anos... já não me lembro)
- Verniz dos pés - Coral, Dermacélsia
- Pernas - by mum and dad, salvo uma pequena cicatriz na perna esquerda que teve o alto patrocínio da Ortopedia C, HUC

O que não se vê (acreditam se quiserem)
- Top branco - zara
- Roupa interior - a marca de sempre :)
- Verniz das mãos - Flamme rose, Chanel
- Pulseira azul e dourada - oysho
- Brincos azuis e dourados - presente das kikas afilhadas numa Páscoa de há uns anos
- Relógio - Technomarine
- Óculos de sol - Givenchy (são os de todos os dias, que óculos graduados são uma coisa cara, sim?!)

*Sempre quis fazer um post destes :)

Férias que se querem férias


têm de incluir, pelo menos, uma sessão de teatro.

Dia 20, vou ver isto.
Bilhetes: Check :)