
o Mundo mostra-te como és pequenino, como não mandas nada. Pior, como tudo pode, de um momento para o outro, virar-se, literalmente, do avesso. Há notícias que nos enchem de medo... e de pesar.

foram breves e medonhas as noites de amor
e regressar do âmago delas esfiapava-lhe o corpo
habitado ainda por flutuantes mãos
estava nu
sem água e sem luz que lhe mostrasse como era
ou como poderia construir a perfeição
os dias foram-se sumindo cor de chumbo
na procura incessante doutra amizade
que lhe prolongasse a vida
e uma vez acordou
caminhou lentamente por cima da idade
tão longe quanto pôde
onde era possível inventar outra infância
que não lhe ferisse o coração
Al Berto, “O Medo”


