Não me importo (muito) de estar longe fisicamente. Sei que é temporário, sei que tem de ser, sei que é o que menos importa. O que me assusta é pensar em ficar longe do coração de alguém, deixar de lhe bater forte lá dentro, como diria a outra. Não gosto nem de pensar, enxoto o pensamento para longe. As certezas das horas boas, em que se garante sem regateio que a falta que alguém nos faz não se deve a qualquer solidão mas ao tanto que nos enche o peito, ah... gosto delas ditas e repetidas, como se o gostar não se gastasse ou cansasse a renovar votos. Não me canso nem faço deles letra morta por uso aleatório. Digo-o sempre muito sentidamente, do fundo do coração e com as mãos a suarem frio. Não é cá paixão, que agora dizem durar possivelmente três anos, é uma coisa toda diversa para que ainda não arranjei nome novo e me obrigo, encantada, a render à nomenclatura amor. Do que eu sinto falta não é de companhia, mas daquela companhia. Não porque ache que se pode fazer tudo e mais alguma coisa (continuo a achar a escatologia uma coisa do domínio da pessoa e só dela), mas porque o mundo anda melhor e os relógios sem acertam em horas menos forçadas quando tudo está bem. E, para tudo estar bem, não preciso ter a certeza que o outro está aqui à beira, mas preciso muito de continuar segura que lhe moro no peito sem ses. As relações heterossexuais têm uma coisa que as outras não conhecem e que as torna mais difíceis e, talvez por isso, mais desafiantes intra muros (lá fora, é outra coisa): os homens e as mulheres são mesmo muito diferentes. Há-de haver malta a excepcionar a regra, mas conta-se em números rápidos. Falo do que conheço. Gosto de falar e de esgotar o assunto reduzindo-o a uma ninharia fatigada, demasiado gasta para que volte a olhar para ele. Os homens, o meu, pelo menos, preferem o silêncio reflexivo de quem, cheio de introspecções, digere a sós os nós da vida. Isolam-se, vão embora, viram costas, respiram fundo. Quando nos amam (acho mesmo que é sinal disso, não me estraguem o castelo) despedem-se com modos e acrescentam que a hora má não tem sequer a ver connosco. Mas vão. E demoram a vir como dantes, por mais que lhe afiancemos que já passou, que já lá vai. Demoram-se a chegar sorrindo com o corpo todo e mais ainda a fazer vozes de aves em declarações de amor. Por mais que lhe ronronemos ao ouvido, empenhadas muito em ser felizes, fecham as caras. E é nessas horas que o que sobra é não estar longe do peito, continuar aninhada no ventrículo mais confortável e sossegar a espera.
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quinta-feira, 6 de março de 2014
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Do amor... em sentido lato!
Há coisas sem as quais eu não sei viver e, honestamente, não quero aprender. Sustentam muito mais de metade da minha capacidade de ser sã e seguir em frente. Eu não posso viver sem o amor dos meus, não consigo viver sem as doses certas de atenção e compreensão que me permitem sabê-los presentes, por mais que estejam longe. Eu não posso viver sem as palavras. Alimento-me de palavras. Preciso delas escritas e faladas. Preciso delas carimbadas em gestos e cedências, porque não me nego a fazê-lo também. Não acho que as palavras se gastem e, muito menos, que se banalizem. As palavras são como os dias e as noites. São sempre dias, são sempre noites, mas nunca são iguais. Porque em cada momento a palavra é ela própria e o sentimento que depositamos nela. Gosto muito da frase que diz que a palavra dita é como a pedra atirada, não volta atrás. É verdadeira. É de uma aparente simplicidade que se esvai facilmente quando a deciframos e percebemos a profundidade do seu sentido. Ainda que eu diga cem vezes num dia que gosto de alguém, há, em cada uma dessas vezes, uma dimensão nova do meu gostar. Porque as palavras são uma obra de arte. E não há escultor mais talentoso que aquele que sabe escolhê-las... agrupá-las... reinventá-las. Eu não posso viver sem palavras. Porque calar as palavras é uma forma, às vezes, de agir muito determinadamente. Não é uma omissão, se quiserem. Calar uma palavra que teima em formar-se no peito e é só feita de uma vontade genuína de agradar a alguém não é saborear uma dose certa de silêncio. Eu não posso viver sem abraços, sem beijos, sem mimos, sem cumplicidades. Não posso viver sem recebê-los e, tão autêntico como isso, eu não posso viver sem dá-los, como se me azedassem no coração os sentimentos mais nobres que lá se formam. Eu não posso viver como uma pedinte de afectos, porque isso me mata o encantamento e eu prezo ser uma alma encantada pela vida, pelo ontem, pelo agora e pelo depois, pelas pessoas.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
É mesmo assim
Não acredito em vidas sempre cor de rosa e em que tudo está sempre muito bem. Irritam-me as pessoas que nunca se destravam, que nunca choram de tristeza, que nunca pensam em baixar os braços. Porque não podem, mesmo, ser genuínas. É da vida haver altos e baixos, dias melhores e dias piores, zangas e pazes. Quem nunca chorou de tristeza, não sabe cultivar o momento em que pode chorar de felicidade. Quem nunca pensou desistir, não pode valorar devidamente o que consegue alcançar. Quem nunca se destravou, não aproveita com a mesma alegria a serenidade dos momentos de paz madura. Vidas perfeitas não existem. O que não me impede de acreditar que há vidas boas. A minha, por exemplo, é uma vida boa. Tem pormenores delicados e difíceis de gerir, mas é cheia de pormaiores que fazem valer tudo a pena. Além disso, com o tempo, venho aprendendo a guardar cada vez mais só o que é bom... nem que sejam as lições das horas más. E tenho o coração em paz e a certeza segura de que vai ficar tudo bem... sempre. Porque é merecido, porque podemos cansar-nos, mas nunca desistimos a sério de ser felizes e porque lá no fundo sabemos que a vida, para ser real, tem dias maus... para nos ensinar a agradecer e saborear melhor ainda os bons, os muitos e bons que estão por vir. A vida é boa, pá. E o mantra é este. É preciso é cultivar as nobres artes da paciência, do respeito, das desculpas e, do fundo do coração, do amor pelo outro.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
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terça-feira, 30 de julho de 2013
Cores
Toda a minha vida, na dúvida, escolhi preto. Agora, na dúvida, muitas, muitas vezes, acho que faz sentido é escolher azul.
terça-feira, 23 de julho de 2013
De Madrid... o Amor!
Podia contar-vos que recebi um presente maravilhoso na quinta feira à noite, podia vir cá dizer-vos que passei o mais apaixonado de todos os fins de semana que já vivi, podia recomendar-vos a exposição do Dalí, podia assentar, em definitivo, que adoro La Finca de Susana, podia confessar-vos que continuo a acreditar que nada acontece por acaso e que Madrid, enfim, é mesmo importante para mim, podia deixar-vos a pensar no quão malucos saudáveis podemos ser ao eleger um granizado ou uma música em berros como momentos do coração, podia voltar a emocionar-me convosco enquanto vos descrevia a forma docinha como vão construindo, juntos, a minha família composta. Podia até adiantar-vos datas importantes e antecipar-vos decisões para a vida, mas prefiro guardar tudo isso só para nós, muito para nós, e manter a certeza que vos basta esta imagem para perceberem como foi o meu fim de semana. Já vos disse que namoro um romântico?! Não?! Pois... Apreciem! Boa semana, pessoas!
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segunda-feira, 15 de julho de 2013
Poemário essencial
Não resisto. Outra vez. Mas AMO este poema da Nossa Florbela.
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Histórias felizes, pessoas especiais, momentos com alma
Ontem, pela primeira vez, reunidos os seis à mesa, mais sorrisos, muito mais, que constrangimentos, tive, desde há muitos, muitos anos, o meu momento de puro estado de serenidade. A felicidade é muito isto. Os meus por junto. Os meus essenciais, os meus maiores amores, os meus de dentro, do fundo do coração, ali, juntos, comigo. Em paz, de saúde, prontos para os desafios da construção constante da palavra família que redescobrimos agora, uns com os outros. Sou uma pessoa de pessoas. Até profissionalmente. Sou das mãos, dos abracinhos, dos beijos, das trocas de olhares, das cumplicidades sem palavras e das conversas sem pressa. Sou dos meus. Daqueles que, faltando-me, me levam com eles, como cinza do que sou quando somos todos. Sou muito menina dos papás, embora, sei-o tão bem, isso não signifique que me apequene em responsabilidades e maturidades de senhora. Mas sou. Sou do mimo e do colo. Sou a fã maior do mano, comovida uma e outra vez com a maravilha tão grande de me terem escolhido para viver com ele tão perto, tão meu, tão para sempre ali. Sou todos os dias mais deste amor sereno, contínuo, descoberto na certeza do amanhã e do depois disso, cheio dos bons vícios de quem sabe hoje tão melhor do que nunca o que quer para a vida toda. Sou dos meus. Faltavam-me os amigos, mas que sei sempre do meu lado, felizes comigo, reencontrados neste desempoeirado dos dias que nunca vivera tão intensamente. A felicidade é muito isto. Às vezes, acreditem, tenho medo de não a merecer, de, apregoando-a, a minguar em êxtase e segurança, mas é o peito todo que se me inflama em buliço por mostrar que é mesmo, mesmo, mesmo verdade que o amor é possível, que existe, que a completude não é utopia, que é certo que há dificuldades, há dores fundas, há episódios tão tristes que não depende de nós apagar, mas que, juntos, enfrentamos com outra coragem. A felicidade é muito isto. Deixa a toalha molhada em cima da cama, diz que lhe adivinho sempre o momento em que vai pegar no sono para começar a falar cheia de mimimis, mas abraça-me como ninguém, diz-me, sempre nos olhos, as certezas que tenho pedido que lhe floresçam no peito, cheias de força, e promete-me um mundo de R..inha princesa que há não muito tempo achava impossível. Ontem, conquistou os meus primeiros três amores e com eles, fundidos em estrela guia do meu devir, faz agora, de cada dia novo da minha vida, um presente tão especial que, vá-se lá entender, parece-me, sempre, que é Natal.
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sexta-feira, 21 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Uma coisa mimenta
No dia em que menos esperava, precisamente naquele em que comecei a desistir, veio o destino e resgatou-me, devagarinho. Se é possível dizer que os príncipes existem, que as histórias felizes acontecem e que o amor se constrói todos os dias, muito mais doce que dor, não deixa de ser verdade maior ainda que não há sonho, por melhor que ele seja, que toque um fiapo da magia da realidade quando, numa esquina da vida, se encontra a morada da nossa alma. Andei 31 anos à procura de alguém que se enamorasse de mim ao mesmo ritmo que me enamorava eu, que caminhasse na minha direcção com a firmeza que me permitisse avançar também, que me elegesse razão de ser e fosse feliz com essa escolha. Estava longe de imaginar que, quando é para dar certo, o amor supera tudo isso que sonhei para mim e, a cada dia, pode vir a vida surpreender-me com uma maneira toda nova de acreditar que a plenitude existe. Trago no peito, mais que qualquer outra coisa, o conforto de quem corta a meta, a paz de quem chega ao sítio onde é esperado, o desalinho de quem ainda nem acredita, mas, sobretudo, a alegria contagiante de quem chora enquanto sorri... assim, para o dia por chegar, para o amanhã por acontecer. Que permaneça. Que dure. Que não tenha fim. Que seja eterno. E uma história feliz. É oficial. Estou enamorada pela vida, por ele e por mim com ele. Escolho, por tudo isso, todos os dias, não dar muita guarida ao medo. Uma vez li que não devemos gabar publicamente, de forma efusiva, a nossa felicidade. Acontece que não posso, e acho que não merecem que o faça, calar como neste momento me sinto. Não estou só apaixonada. É de facto muito pouco dizer-vos que é isso. Reconciliei-me com a esperança. Assustam-me, naturalmente, ainda, os tropeções que a vida me tem reservados... mas sei agora, mais do que nunca, que o vou ter ali, de mão dada comigo, ao lado. Cai-se menos, estou certa, de mão dada com um príncipe, reconciliada com a esperança e com o coração inteiro - metade no meu peito, metade no dele. São as novidades.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Podia vir cá falar-vos do amor
mas cheguei a um momento da minha vida em que, deliciosamente, venho descobrindo que, afinal, se calhar sabia ainda muito pouco disto...
sábado, 25 de maio de 2013
Mantra dos apaixonados
Unidos venceremos. Juntos clicaremos.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013
Verdades e assim assim
"Cheguei à tua vida com dez anos de atraso."
Fiquei a pensar nisto.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013
Esquizofrenias variadas
Primeiro, chama-me alma endemoniada.
Depois, diz que eu sou uma extraordinária (private joke) na vida dele.
Depois, diz que eu sou uma extraordinária (private joke) na vida dele.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Traduza-se o sonho
Sonho quase sempre com a mesma pessoa. Estamos nas mais variadas situações possíveis de uma vida do mais normal que há, mas juntos. Hoje estávamos em Salamanca (?!?!?!?!?!), a pedir um papel numa repartição pública (?!?!?!?!?!). Estamos sempre juntos no sonho. Estamos sempre abraçados ou de mão dada. Costuma dar-me beijinhos no cabelo, porque sou pequena e, abraçados, é o que lhe fica ali mais "à mão", acho. E é isto.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Frases célebres
"Estás assim... hummm... apaixonável, tãããooo apaixonável, homem!"
By me, aqui há dias.
Adenda: Eu pedi. Ele não queria. E dizia que eu estava doida. E teimava que não. Pedi muito. E pedi mais ainda. Ele fez o que eu pedi. Se alguém lhe pergunta porque o fez, garanto-vos, responde, invariavelmente, "Olhem, lembrei-me!" . Ai, paciência... Paciência, por esmolinha.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Miss u
Borboletinhas na barriga, mãos a suarem frio, vontades indomáveis de superar a preguiça e pensar melhor naquilo com que pretendo sair à rua, se é mesmo para ir de cara lavada, se o cabelo pode mesmo parecer um ninho de ratos e se as unhas podem mesmo estar com a pintura a dar as últimas. Não é novidade que gosto de gostar, muito mais do que de não gostar. Tenho mais jeito para alimentar gostares que ódios de estimação. Esqueço-me com frequência por que é que deixei de apreciar esta ou aquela pessoa. Lembro-me, todos os dias, em compensação, do tanto que aprendo com os meus, do tanto que estes me fazem melhor pessoa. Enfim. Por tudo isto e mais um par de botas, gosto de me apaixonar. Gosto de me apaixonar por livros, por músicas, por vestidos, por sapatos, por brincos, por carteiras, por paisagens, mas sobretudo por pessoas. E, às vezes, de me apaixonar naquele limite da paixão mais óbvia, da que sustenta o bicho andarilho que parece pegar-nos o coração nas mãos e dar-lhe, ao ouvido, devagarinho, argumentos imensos para que se queira livre e a voar por aí. Gosto, enfim, de ter o peito ocupado e a mente em sintonia, os dias largos diante de mim como páginas em branco, prontas a serem recortadas em forma de coração. Gosto do momento em que acredito "desta é que é", de me determinar a fazer acontecer, de dar o peito às balas e confiar que o futuro de ali em diante me atingirá só com flores. Sinto falta disto. Sinto falta de estar apaixonada. Sinto falta de me compensar as horas enfadonhas do dia com a expectativa do porvir. Sinto falta de um nome que os meus lábios contam sem que eu lhes peça. Sinto falta do pensamento a desviar-se para um sinal do rosto, um jeito das mãos ou uma maneira suficientemente nova de dizer o meu nome que me permite ser eu e outra, toda nova, ao mesmo tempo. Sinto falta de saber exactamente o que me faz falta aqui e agora, em todos os aqui e agora. Não sinto falta nenhuma daquilo a que me reduzo quando percebo que... não deu certo. Mas sinto, neste momento, uma falta imensa de acreditar, como todas as forças, que, com aquela pessoa, exactamente aquela, seja ela qual for, vai mesmo, porque tem de ser, acontecer o para sempre.
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